Meu Nome é Ninguém

meu nome é ninguém

O gênero faroeste é americano por excelência. Mas uma ramificação desse gênero são os filmes produzidos na Itália, que se tornaram conhecidos como Western Spaghetti, ou bangue-bangue à italiana. Ao contrário do tom épico e “bom-mocista” de boa parte dos filmes americanos, os filmes italianos normalmente apresentavam anti-heróis e elementos não tão bonzinhos como protagonistas. E um dos pais desse gênero é o italiano Sérgio Leone, que dirigiu ótimos exemplos do gênero, como a trilogia “Três Homens em Conflito”, “Por um Punhado de Dólares” e “Por Uns Dólares a Mais”, onde elevou a categoria de protagonista o então jovem ator Clint Eastwood.

Mas se Sérgio Leone é considerado o pai do Western Spaghetti, ele tinha muitos filhos da puta, como ele mesmo costumava afirmar, já que para cada clássico, surgiam uns três filmes não tão bons, pois muitos tentaram imitá-lo, sem muito sucesso nesse intento.

E um de seus “filhos legítimos” foi o filme “Meu Nome é Ninguém“, uma co-produção entre França, Alemanha e Itália datada de 1973. Por nessa época o diretor almejava dirigir filmes de gênero mais “sérios”, mas não queria largar o filão dos filmes de faroeste. Por isso nos créditos iniciais vemos que a Sérgio Leone é creditada a “idéia” do filme, que foi dirigido por Tonino Valerii, assistente de Sergio em outros trabalhos.

Um filme com nome de música do Agnaldo Timóteo presta? Ô se presta! Nessa película, o veterano pistoleiro Jack Beauregard (Henry Fonda), cansado de guerra e de impor a lei nos cafundós do oeste, está de mala e cuia pronta para se mandar para a Europa no final do século XIX, mas antes parece ter assuntos pendentes com os antigos sócios de seu irmão falecido. E em seu encalço aparece o hilário jovem que se auto-intitula “Ninguém” (Terence Hill), que admira e conhece toda a história de Jack Beauregard. Jack só quer resolver essa pendência da maneira mais limpa possível, mas “Ninguém” insiste que ele encerre sua carreira de forma gloriosa, encarando o “bando selvagem” com seus 150 pistoleiros. A relação entre “Ninguém” e Jack alterna entre rivalidade e amizade, simbolizada pela hilária anedota que “Ninguém” conta sobre o pássaro que cai do ninho e é salvo do frio pelo estrume de uma vaca, mas é tirado do estrume por um coiote que o limpa para comê-lo em seguida. E por mais que não queira, Jack acaba sendo conduzido a confrontar os poderosos locais e de encarar o destino armado por “Ninguém”.

A história mistura elementos cômicos e sérios. O lado mais leve é dado pelo ator Terence Hill, protagonista dos faroestes hilários da série “Trinity” ao lado de Bud Spencer. Já o contraponto sério fica por conta do ator Henry Fonda, que já fora dirigido por Sérgio Leone em “Era Uma Vez no Oeste”, outro clássico do gênero. Enquanto Terence Hill faria qualquer um cair na gargalhada com suas presepadas, Henry Fonda consegue se manter impassível diante de qualquer situação, mesmo quando tem que encarar 150 homens com apenas duas Winchesters e um revólver Colt. Pense num cabra arrochado!

O ponto negativo do filme é que a história é meio confusa, e dá a impressão que o roteiro seria uma desculpa para o diretor aglutinar boas sequências de ação e comédia, justamente os pontos fortes do filme. Terence rouba a cena, desarmando os meliantes com seus trejeitos. A cena no bar, onde ele esbofeteia um pistoleiro é de rolar de rir, como também a da sala de espelhos.

Mesmo não tendo Leone como diretor, sua marca está lá. O início do filme é a cara do diretor: uma longa sequência sem diálogos, com closes nos rostos dos pistoleiros, elevando a tensão até o máximo, quando finalmente o tiroteio irrompe. Leone faz referência e presta homenagem a um colega de ofício, o diretor americano Sam Peckimpah, cujos filmes ficaram conhecidos por sua violência explícita e coreografada. Uma delas é na cena onde “Ninguém” e Jack Beauregard se encontram em um cemitério índio, e entre as cruzes, “Ninguém” vê o nome “Sam Peckimpah” e comenta ser um nome estranho para um índio. E o nome “bando selvagem” dado aos 150 bandidos que “Ninguém” quer ver Jack confrontar é uma referência ao título original de um clássico de Peckimpah, “Meu Ódio Será Tua Herança“.

A trilha sonora é assinada por Ennio Morricone, que praticamente criou a marca registrada das trilhas dos faroestes à italiana, que normalmente incluía a presença de coral, flautas e guitarras aos temas. A música do personagem “Ninguém” é leve e alegre, e inclusive era muito usada em vinhetas televisivas até início dos anos 80. Mas épico mesmo é o tema usado nas cenas em que aparece o “Bando Selvagem”, com direito a coral feminino e referência à “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner.

Lembro-me desse filme dos velhos tempos em que a Globo exibia filmes de faroeste nas tardes de sábado. Mas não precisa esperar uma eventual reprise em algum canal perdido, já que este filme está disponível em DVD pela Paris Filmes, que mesmo sem extras, é uma excelente pedida para os apreciadores do gênero.

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Motivos Para Esquecer os Anos 90

Em continuação ao texto anterior, nossa modesta colaboração para a amnésia coletiva, desta vez apontando nossa memória seletiva para a última década do século XX.

Vanilla Ice e Milly Vanilly
O Rap e o Hip-hop começaram a sair dos guetos e vender muitos discos. E é claro que os executivos de gravadoras tentam reproduzir a coisa em laboratório, e o que conseguem é coisa como o Vanilla Ice. Ou pior, os fajutos Milli Vanilli, cujas vozes verdadeiras eram terceirizadas. Com sorte, o prazo de validade destas bostas era bem curto.

Macareña

O que começou como uma rima improvisada numa festa Venezuelana acabou como uma das mais irritantes e insistentes músicas da década, que nos legou uma coreografia ridícula e um passado de vergonha a muitos que foram na onda. Um dos grandes mistérios da humanidade é saber como essa música e dança sem-futuro viraram mania na Gringolândia. Ou é a prova que um marqueteiro esperto pode vender qualquer coisa ou que o povo americano é capaz que engolir qualquer bosta. O que não é prerrogativa exclusiva deles, como veremos a seguir…

Música sertaneja, Axé, Pagode
Com o esgotamento e a decadência do pop/rock nacional dos anos 80, as gravadoras apelaram para empurrar lixo da pior qualidade no público. E tome lambada, dupla sertaneja, banda de axé e pagode mela-cueca. Pra cada música ou artista que desse pra salvar, haveria dezenas de porcarias destes gêneros tocando nas rádios e TV´s. Mas a música baiana merece menção especial, já que se espalhou como gafanhoto pelas micaretas Brasil afora. E junto com a axé music a Bahia exportou tudo que é tipo de dança ridícula: dança da manivela, dança da galinha, boquinha da garrafa, tcham, tchaco… Ou seja, só a produção cultural da Bahia já seria motivo suficiente para se esquecer os anos 90. Mas a trupe “É o Tchan”, comandada por Compadre Washington era concorrente sério a ser o elemento mais bizarro desses anos. Quando não estava dando chance a morenas e loiras gostosas se darem bem na vida, mesmo que debaixo de chutes e pontapés, parecia mais parque temático do que banda de axé. E tome É o Tchan na selva, no Egito, na baixa da égua, na passeata do MST, na Bósnia ou na puta que pariu.

Jordy
Os franceses ainda falam que nós não temos um país sério. Como é que os bastiões do mau-humor e do politicamente incorreto impõem ao mundo uma música cantada por uma criança de quatro anos e que se torna sucesso, sendo tocada em tudo que é FM e TV adeptas do jabá? Que falta fez um Siro Darlan naquelas bandas. Ao menos os franceses se redimiram com o mundo pop ao nos presentear com a lolita Alizée

José Sarney
Pois é, ele de novo. Após terminar o mandato de presidente em 1990 e deixar o país mais quebrado do que arroz de terceira, o bigodudo larga o Maranhão e se muda para o Amapá, onde a piada corrente é que lá teria uma fazenda de burros, e desde então vem sido eleito sucessivamente como Senador, se agarrando como carrapato à qualquer governo que chegue à Brasília e empregando toda a sua família em cargos públicos.  Pra falar a verdade, Sarney apareceria em qualquer lista de motivos para esquecer a década desde os anos 50, já que sempre perseguiu uma boquinha junto à situação. E se acham pouco, esperem até fazermos os motivos para esquecermos os anos 00…

Fernando Collor
É, elle de novo! Já não bastou ter sido eleito no fim da “década perdida”, suas trapalhadas chegaram aos anos 90, e foi solenemente pénabundado de seu cargo executivo nos primeiros anos da década. E se acha pouco ele aparecer nesta lista e na dos anos 80, espere até a próxima. E falando em próximo, lembremos o que ele nos deixou…

itamar franco e lilian ramos no carnaval

O topete do presidente

Itamar Franco
Nosso Forrest Gump teve a sorte de estar no lugar certo e na hora certa, já que nunca deve ter planejado se tornar presidente nem tampouco tirar o país do buraco da hiperinflação. Na realidade saímos do buraco não por causa dele, mas apesar dele. Pois não dá pra levar a sério um estadista que ressuscita o Fusca  e é flagrado ao lado de uma buceta em pleno Carnaval. Nada contra a buceta, obviamente, mas isso tudo dava uma ideia do quão sério  era nosso presidente. E a ele devemos oito anos de FHC no poder. Vade retro

Copa de 1990
O escrete de Sebastião Lazaroni não lembrava nem de longe o esquadrão reunido nas duas últimas copas, as quais não ganharam. E o fiasco em 1990 só seria comparável ao fiasco de 2006, mas esse deixemos pra quando formos escrever sobre os motivos para esquecer os anos 00…

Lair Ribeiro
Toda década tem o guru espertinho que merece. No meio da praga oportunista dos livros de auto-ajuda, o “papa” daqueles tempos foi Lair Ribeiro, que prometia mundos e fundos para quem seguisse seus ensinamentos . E como todo livro de auto-ajuda, quem realmente encheu o cu de dinheiro foi o autor.

Quadrinhos Image e similares
Mesmo com muita coisa boa surgindo nos quadrinhos nessa década, o que predominou foi a mediocridade de ideias e histórias e uma temporária supremacia do visual. E tome colorização por computador e imagens de página inteira. História decente e ideia original que é bom, tava difícil de aparecer. E ainda serviu pra garantir emprego a artista que não sabe desenhar, como o caso de Rob Liefeld, Michael Turner e Jim Lee…

Tamagotchi
Cultura nipônica é um troço estranho da porra, e uma dessas manias nos anos 90 era a de criar bichos virtuais, os tais tamagoshis, que não passavam de chaveirinhos eletrônicos nos quais os desocupados donos dos bichos virtuais os alimentavam, davam atenção, botavam pra dormir e outras coisas. Não era mais fácil criar um vira-lata com restos de tira-gosto? Parece coisa de menino criado por vó em condomínio fechado, empinando pipa em ventilador, jogando bola de gude em carpete e criando tamagotchis. Bem, dos males o menos. Os japoneses tem manias muito mais feias que podiam ter se espalhado

Bug do Milênio
A última grande picaretagem da década, a versão digital do apocalipse bíblico prometia remeter a todos de volta a idade média tecnológica. E pra variar alguém ganhou muita grana com esse terrorismo cibernético decorrente da suposta incompetência de projetistas e programadores. Incompetência sim, já que até os maias, há uns bons séculos, já tinham calendário que ia até 2012, e a porra dos engenheiros e programadores achavam que 1999 já seria bem otimista. No frigir dos ovos foi muito barulho por nada, como quase tudo dessa década.

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Poesias de Boteco – A Missão

Há algumas semanas nosso compadre Washington Tio Xiko abriu o mote de poesias de boteco para declamar aqui no balcão da bodega, com a concordância deste, que já ouviu muita poesia lubrificada por água que passarinho não bebe e tubarão não nada. Publicou sob a promessa de coletar mais material em sua eterna odisséia pelos botecos da vida. Pela demora em ver a continuação desta série, e considerando seus hábitos, ele já deve ter colhido material equivalente ao Velho Testamento. Mas notícia que é bom, nada. Para não matar o assunto, reproduzo aqui a colaboração de dois colegas de ofício, oriundos diretamente da paróquia de Luiz Berto. Segue a colaboração de Ismael Gaião e Carlos Aires.

Ismael Gaião

Sou um vivo semimorto
no leito da desventura
Meu remédio é amargura
e a tristeza é meu conforto
Remando o barco pro porto
da esperança perdida
E a matéria convencida
desiludida da sorte
Só esperando que a morte
parta a corrente da vida

De viver tenho vontade,
me esforço, luto e pelejo
Mas olho atrás e não vejo
os dias da mocidade
Ja descambei da metade
estou chegando ao fim
Nada pra mim é ruim,
nem a saudade me afronta
E brevemente tira a conta
dos dias que faltam a mim

APOLOGIA A CACHAÇA!!! (Carlos Aires)

De primeiro só bebia
Caboclo negro e mulato
Hoje gente de recato
Bebe de noite e de dia
Até vossa senhoria
Eu já vi acontecer
Nas ruas tombar pender
Fazer seus passos errados
Se, bebem os ilustrados
Não é defeito eu beber

Eu já vi no bar bebendo
Engenheiro, deputado
Major, coronel, soldado
Até mesmo o reverendo!!
Pelo que estou percebendo
A bebida deve ser
Algo que só dar prazer
E não de imoralidades
Se, bebem as autoridades
Não é defeito eu beber

Bebe o padre bebe a freira
Bebe o espírita e o crente
Vejo que a aguardente
Aquela cana brejeira
Conquista de uma maneira
E como se pode ver
Se, bebe aquele que crê
Crente, espírita, freira e padre
Então veja meu compadre
Não é defeito beber

Se o time for vencedor
De uma competição
Haja comemoração
Tomando cana em louvor
Porém em outro setor
Vendo seu time perder
Bebendo pra esquecer
Na cachaça ele se vinga
Metendo a cara na pinga
Não é defeito beber

Bebe-se por quem nasceu
Quando ao mundo vem a luz
Ou se acaso deixa a cruz
No lugar em que morreu
Quem foi que já não bebeu
Alguém queira me dizer
Se apenas por lazer
Por alegria ou tristeza
Secando a taça na mesa
Não é defeito beber

Um bêbado inveterado
Que já está de cara inchada
Se acorda de madrugada
Toma um gole caprichado
Chega fica arrepiado
Sentindo a cana descer
Ele espera amanhecer
Levanta de perna fraca
Vai correndo pra barraca
Não é defeito beber

Chegam em casa com ressaca
As mulheres não aceitam
Tem delas que até o enfeitam
Com alguns biliros de vaca
Diz, não agüento a inhaca
Sendo assim não vou querer
Estragar o meu viver
Com um ser dessa qualidade
Ele diz com humildade
Não é defeito beber

O ébrio não é doente
É apenas viciado
Se acaso for bem tratado
Abandona a aguardente
Quando sóbrio e consciente
Logo irá compreender
Que depende do querer
Para mudar de repente
Bebendo socialmente
Não é defeito beber

O Sóbrio e o Ébrio
O sóbrio!!
Porque bebes assim meu grande amigo
Pois caminhas pra o fim a cada dose
Se não sabes, a bebida é um perigo!!
Poderá contrair uma cirrose
É que o álcool aos poucos lhe remete
Ao caminho que leva a diabetes
Alterando de vez sua glicose!!
O ébrio!!
A bebida me causa apoteose
Quando bebo esqueço meus conflitos
Tenho sonhos e delírios tão bonitos
Com o efeito feliz dessa hipnose
É por isso que bebo e em resumo
Sem controle eu faço esse consumo
Que me leva de vez a psicose!!
O sóbrio!!
Caro amigo a bebida lhe devora
E lhe causa a terrível depressão
Afetando-lhe a coordenação
E a perda do senso a toda hora
A família às vezes intervém
E o que fazem é apenas pro seu bem
Evitando que a morte o leve embora
O ébrio!!
Se meu time perder é um motivo
Vou beber pra evitar desolação
Se ganhar para a comemoração
A bebida me dar mais incentivo
E nos goles tomados me deleito
E assim eu revejo satisfeito
Cada gol e a vitória do “timão”
O sóbrio!!
Mas, amigo a bebida lhe destrói
Arrasa-lhe e até lhe desfigura
Demolindo a sua estrutura
Lentamente aos poucos lhe corrói
São por isso os apelos veementes
Da esposa dos filhos e parentes
Porque vê-lo arrasar-se isso lhes dói
O ébrio!!
Eu concordo com a sua insistência
Mas escute meu caro companheiro
Se não bebo, da fábrica ao barraqueiro
Um a um irão todos a falência
Pra o comércio não sentir esses abalos
Estou bebendo no intuito de ajudá-los
Agradeço-lhe, mas tenha paciência!!

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Motivos Para Esquecer os Anos 80

"Vem Dançar Mambolê!"

Nota: Com o fim dos “anos 00″, antes mesmo do fim da década propriamente dita, os apressados já listaram o que havia de melhor (e pior, eventualmente) destes anos. E fatalmente teremos, em breve, algum movimento saudosista mais forte em relação aos anos passados, como tivemos na primeira metade dos anos 00 um oportunista saudosismo dos anos 80. Por isso, antes de lembrarmos bons motivos para esquecermos os ano 90 e 00, vamos reeditar este texto que foi publicado durante o auge do saudosismo oitentista.

O saudosismo dos anos 80 tem tomado espaço na mídia fazendo a alegria dos saudosistas. Mas como todo saudosismo, sempre aparece aquela impressão de que “naquele tempo” era melhor. Uma porra, já que há coisas boas e ruins em todas as épocas, salvo períodos de guerra, peste, ditadura, caça às bruxas ou leis secas. Por isso, para não passarmos à geração Pokemon a impressão de que os anos 80 só tinham coisas boas, sentimo-nos na obrigação de lembrar algumas coisas que nossa memória afetiva querem esquecer. Por um bom motivo.

Guerra Fria
Ronald Reagan no governo americano, mísseis Pershing na Europa, guerras assolando a África e o Oriente Médio, programa Guerra nas Estrelas, o perigo constante da III Guerra Mundial, estudo dos cientistas mostrando as consequências de uma guerra atômica, além do filme “The Day After”. Por sorte os comunistas conseguiram acabar com o comunismo antes que a Guerra Fria transformasse o planeta em um Spa para escorpiões e baratas. O que não aconteceu por muito pouco

Yuppies
Um bando de jovens arrogantes que  queriam ganhar seu primeiro milhão a qualquer custo, investindo no mercado de ações. Representaram o pior do american way of life. Além de vestirem aqueles blazers roxos com ombreiras ridículos, os caras eram fúteis até a medula. Um bocado deles acabou indo ver o sol nascer quadrado, por conta de irregularidades em seus negócios.

As Músicas do Mister Sam
Tudo bem que a macharia daqueles tempos adorava ver o rabo de Gretchen balançando no palco do Cassino do Chacrinha (e no Clube do Bolinha). Mas aquelas músicas (??) que ela cantava (!!) como se tivesse copulando com um ornitorrinco eram todas de autoria de um tal de Mister Sam. O rabo de Gretchen chegou ao século 21 intacto (ou quase), como pode ser visto naqueles DVD=s da “Brasileirinhas”. Já o Mister Sam, sabe Deus quem era esta criatura. Mas cada década tem o Mister Sam que merece. Para estes tempos, temos o Latino.

Hiperinflação
Overnight, cotação oficial e paralela do dólar, incontáveis planos econômicos (cruzado, verão, Bresser. Cruzado II, Collor e o cacete a quatro), remarcações diárias de preço, achatamento de salário, inflação mensal beirando os três dígitos. Uma beleza. Você não sabia quanto pagaria por aquele refrigerante no final da semana. Lembro-me que paguei TRÊS valores diferentes por uma Coca-Cola na mesma semana. Gibi, nem se fala. Não tinha salário (e mesada) que durassem. Em suma, a economia cresceu para baixo, igual à raiz e rabo de cavalo. Não é à toa que chamam estes saudosos anos de “década perdida”. Deixar o bolo crescer pra dividir depois meus ovos, Delfim Neto!

Fernando Collor
A grande promessa das elites para salvar a nação, já desacreditada de muita coisa. O caçador de marajás assumiu o poder confiscando a poupança do povo e afirmando que tinha uma arma com um único tiro para acabar com a inflação. O que deu é que a inflação continuou fodendo o povo e ele foi defenestrado do poder após o cunhado entregar o esquema todo e a casa cair. Era melhor ele usado o único tiro para  atirar na sua cabeça

Governo Militar
Metade dos saudosos anos 80 viveram sob a ditadura militar do saudoso General Batista de Figueiredo. A imprensa era censurada, mas as torturas estavam cessando. E eu tinha que cantar o hino e hastear  bandeira todo dia na escola. Mas o sincero Presidente Figueiredo deixou algo mais do que um país falido aos civis, devido a sua autenticidade: respondeu que atiraria na cabeça se tivesse que viver de salário mínimo, que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, achava seu sucessor civil um traidor feladaputa e não lhe passou a faixa presidencial, saindo pelos fundos, e pediu para que todos o esquecessem. Ah, tem também como legado um bairro que leva o nome de sua mãe, e onde morava o digníssimo Tio Xiko.

Reserva do Mercado de Informática
O que deveria ser um artifício de mercado para que a indústria nacional fosse protegida da concorrência externa para desenvolver tecnologia própria em informática, acabou como a maioria dos grandes planos nacionais: deu merda. Durante anos os brasileiros teriam que cagar dinheiro para ter acesso ao que havia de mais moderno lá fora para que as empresas nacionais aprendessem a montar um computador. Acabamos trabalhando com artigos inferiores, e quando o mercado se abriu, a indústria nacional não conseguia fazer um disquete melhor e mais barato que os concorrentes estrangeiros. Mais uma boa intenção que acabou calçando o caminho do oblívio.

José Sarney
Entrou na história graças ao acaso de ter o presidente titular morrido antes de assumir o cargo. Tentou acabar com a inflação com cruzado, maribondos de fogo, congelamento, fiscais do Sarney. Parecia que tudo daria certo, como teria que dar, mas faltou sorte, leite e carne. Tudo que conseguiu foi mais um ano de governo e aumentar a inflação. Tem que dar certo o caralho!

Cinema Nacional
Naquela época, existia e Embrafilme, que subsidiava produções nacionais com dinheiro público. Assim, o diretor não tinha maiores obrigações em dar lucro na bilheteria. Daí que saía cada bosta sob o pretexto de ser filme de ator, filme de arte…E o que se salvavam destas masturbações intelectualóides eram tecnicamente sofríveis. O melhor mesmo eram as pornochanchadas…

Cometa Halley
Sobre ele já escrevi um texto inteiro (que pretendo repuplicar), mas pra resumir a palhaçada, nas vezes anteriores que o cometa passara todo mundo pensava que o mundo iria acabar. Como isso nunca aconteceu, os marqueteiros resolveram então, ao invés de espalhar o pânico, vender tudo que é bugiganga em cima do hype da aparição do cometa, de caneta a filmes. O que ninguém comentou a época é que o cometa passaria tão longe da Terra que o espetáculo prometido não passaria de um pontinho no céu visível apenas por um puta telescópio. Ninguém sequer viu a cauda do cometa, e muito esperto encheu o rabo de dinheiro.

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Planetary

É um mundo estranho, e eles fazem questão de mantê-lo assim.

Os anos 90 não foram muito bons para os quadrinhos de super-heróis americanos, pois se os desenhos se tornaram mais vistosos e dinâmicos, com cores vibrantes e poses ousadas, as histórias e os protagonistas dessa época não traziam nada de inovador, sendo em muitos casos apenas versões truculentas e anabolizadas de personagens antigos, com textos geralmente fracos e pouco originais. Parte da culpa dessa tendência foi a editora Image, criada por egressos das duas grandes editoras, Marvel e DC, e que na prática transformaram as revistas em portfólios de pin-ups, bonito aos olhos, mas em detrimento de uma boa história. Na pasmaceira criativa dos quadrinhos americanos na década de 90, o título “Planetary”, juntamente com “Authority”, trouxe ótimas histórias ao mercado americano. E o principal “culpado” disso é o escritor Warren Ellis, pois enquanto a série “Authority” foi resultado do trabalho de reestruturação que Ellis fez em um título obscuro da Image chamado “Stormwach”, “Planetary” foi algo inédito. Cronologicamente, os eventos de “Planetary” estão conectados ao universo do “Authority”, compartilhando alguns conceitos, como o de múltiplos universos interligados pela “sangra”.

O grupo Planetary se autodenomina “arqueólogos do impossível”, e é formado por três pessoas: Jakita Wagner, uma mulher dotada de força, resistência e velocidade sobre-humanas, além de um humor irascível; o Baterista, que tem o dom de interagir com qualquer sistema de informação, e Elijah Snow,  um senhor nascido em primeiro de janeiro de 1900, uma das “crianças do século”, que segundo a concepção de Warren Ellis, são pessoas superdotadas e não afetadas pelo envelhecimento, quase imortais, que seriam um “mecanismo de defesa” produzido pelo planeta Terra. Elijah pode diminuir a temperatura de objetos e elementos com o poder da mente, mas seu principal talento é o de coletar e registrar o conhecimento oculto do século XX. Todos os três trabalham para o “quarto homem”, que supostamente financia a Organização Planetary, organização essa que possui escritórios e empregados por toda a parte do mundo. Inclusive no Brasil, que aparece no número 24.

A Organização Planetary objetiva justamente descobrir os fatos e fenômenos ocultos da humanidade. Mas contra eles está o perigoso grupo conhecido como “os quatro”, composto por pessoas que adquiriram poderes após uma viagem espacial. Seu líder, Randall Dowling, é um brilhante e maquiavélico cientista, que se tornou capaz de esticar diversas partes de seu corpo. Sua companheira Kim Suskind adquiriu o poder de gerar campos de força e de se tornar invisível. Jacob Greene foi transmutado em uma criatura disforme e fisicamente forte, e Willian Leather consegue gerar e controlar chamas. Qualquer semelhança com o Quarteto Fantástico não é mera coincidência. Essa é só uma das inúmeras referências que Ellis deliberadamente insere em suas histórias. Esse quarteto maligno objetiva justamente o oposto que os heróis do Planetary: descobrir e ocultar de todas as formas todo e qualquer conhecimento ou tecnologia que ajude a raça humana a evoluir.

A primeira aparição dos “arqueólogos do impossível” se deu em setembro de 1998 no nº 23 da revista Gen13, e teriam título próprio meses depois, em abril de 1999, numa série bimestral. Cada número normalmente possui uma história fechada em si, mas que forma uma trama maior na série como um todo. Essa é outra virtude da série, que ao contrário de outras séries de quadrinhos e TV, não enrola o leitor com arcos quase intermináveis e jogando migalhas de informação de forma quase aleatória. Tanto que o autor originalmente concebera que a série não teria mais do que 24 números. Porém Ellis resolveu dar uma “esticada”, e a série passou a ser concebida com 27 números. Desde 1999 até outubro de 2009 foram lançados os 27 números, sem uma periodicidade muito regular, já que entre 2001 e 2003 a série não foi publicada. Mas todas sob a batuta de Ellis e com a pena de John Cassaday, que garantiu um ótimo nível a série. O número 26 praticamente conclui a história, e  o 27 é praticamente um epílogo, que resolve a única pendência que Elijah considera importante. A série saiu pelo selo Wildstorm, que atualmente faz parte do cast da DC Comics.

Além da série regular, o trio de arqueólogos apareceu em edições isoladas: um crossover com o Authority, outro com o Batman, onde Elijah e companhia confrontam diversas versões do Cavaleiro das Trevas, e um com a Liga da Justiça, onde o Planetary se torna o vilão da história à imagem e semelhança dos “quatro”, e versões do Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha é que precisam enfrentá-los. Essa última não tem qualquer relação com a cronologia oficial do grupo.

Um Poço de Referências

O grande trunfo da série é ser recheada de diversas referências a personagens do cinema, da literatura pulp, de ficção científica, dos quadrinhos e da vida real, algo tão magistral quanto o trabalho de Alan Moore na série “A Liga dos Cavalheiros Extraordinários”. A já citada versão maligna do Quarteto Fantástico é apenas uma das mais óbvias. Logo na primeira história, os três arrancam de um velho general a história de um brilhante cientista que, durante uma experiência, acidentalmente é transformado em um monstro. Isso deve lembrar aos leitores de quadrinhos um certo gigante esmeralda.

Já o primeiro número apresenta a versão de Ellis para diversos personagens da literatura Pulp americana, como Doc Savage, Fu Manchu, Spider e Tarzan. No número 2 faz menção aos monstros do cinema japonês da produtora Toho, como Godzilla, Gidorah e Mothra. O terceiro número é uma aventura em Hong Kong em busca de um espectro vingativo de um policial traído, que lembra os filmes de ação daquele país, principalmente os do diretor John Woo com o ator Chow Yun-Fat. No quarto surge o personagem Jim Wilder, que é transformado em um poderoso ser que lembra o Capitão Marvel da Fawcett Comics. Já os “Quatro” surgem no número 6. O número 7 é protagonizado por um mago claramente inspirado em John Constantine, e mostra praticamente todos os elementos das histórias da chamada “invasão britânica” que ocorreu nos quadrinhos americanos na segunda metade dos anos 80, como o Monstro do Pântano e Sandman, por exemplo. O número 8 lembra os filmes de ficção científica dos anos 50, protagonizado por uma jovem inspirada no visual de Marilyn Monroe. O 10 mostra três seres similares ao Super-Homem, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde. Na edição 11 somos apresentados ao espião John Stone, uma mistura de James Bond com Nick Fury…

E por aí vai. Outros personagens aparecem como eles mesmos, como, por exemplo, o detetive Sherlock Holmes, que parece fazer parte de uma espécie de “Liga Extraordinária” ao lado do Drácula e outros personagens da literatura fantástica do século XIX, e se torna o mentor do jovem Elijah Snow. O autor de contos de terror H.P.Lovecraft também dá as caras em um crossover do Authority e Planetary. Mas não vamos entregar tudo de bandeja, para não privá-lo da diversão. Mas além das referências à cultura pop, Ellis é ótimo para compor diálogos e personagens. O que sai da boca deles é carregado de ironia e humor. E os conceitos apresentados nas histórias são criativos e ousados, misturando teorias científicas, misticismo e esoterismo.

Planetary no Brasil

No Brasil, os primeiros números de “Planetary” saíram junto com os primeiros números de “Authority” pela editora Pandora Books, que publicou cinco revistas em idos de 2002. A Devir lançou dois encadernados – “Mundo Estranho” e “O Quarto Homem” – reunindo os doze primeiros números da série. A editora Pixel publicou algumas histórias do “Planetary” na revista mensal Pixel Magazine, partindo do número 13. Mas para quem não tem nenhuma paciência para a instabilidade editorial do mercado brasileiro, é só dar um pulinho no fórum do FARRA e seus problemas estarão devidamente sanados.

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Os Felas da Puta sem Glória de Tarantino

inglorius basterd brad pitt
“E aí, seu nazista, prefere uma suástica gravada  na testa ou “I Love Brad Pitt” na bunda?”

Na cena final de “Bastardos Inglórios”, o tenente Aldo Laine, personagem interpretado por Brad Pitt, solta o último dialogo, “…acho que isso pode ser muito bem minha obra-prima”,  se referindo a suástica que marcaria com sua Bowie na fronte de um vilão nazista. Seria Quentin Tarantino falando através de seu personagem? E seria “Bastardos Inglórios” sua obra-prima, uma suástica gravada à ponta de faca na testa dos críticos de seu trabalho?

Leia Tudim! »

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Extreme Makeover

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“Passo o ponto baratinho!”

Os menos distraídos já devem ter percebido a mudança no visual da Blodega. Pois é, como avisei no post anterior, este humilde estabelecimento precisava de um tapa no visual, já que desde o início o tema era uma bela duma gambiarra feita a partir de um desses temas que encontramos aos montes para download, o que era meio como comprar a bodega de alguém passando o pponto e não mudar muita coisa. Mas serviu durante os últimos meses, ao menos até eu tomar vergonha e criar um tema próprio. Até porque o tema anterior tinha umas imagens meio pesadas, e alguns colegas frequentadores da blodega se queixavam da demora de carregar as páginas. Como o cliente é chato pra cacete tem sempre razão, mudamos para algo mais leve e de visual renovado.

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“Essa moleza vai acabar! Meninas, mudem o visual dessa birosca!”

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“É isso aí! Visual Totalmente renovado! Ou quase…”

Mas agora vamos produzir alguma coisa, quem nem todo mundo pode viver só de beleza.

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Um blodegueiro subaquático

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Acabei de chegar de uns dias de folga passeando pela terra da garoa. Aliás, se autointitular terra da garoa é de uma senhora humildade por parte dessa senhora de 456 anos (devidamente parabenizada pessoalmente por este blodegueiro), já que nestes últimos dias podemos chamar esse aguaceiro de qualquer coisa, menos de garoa. Não, não estive no Campus Party, apesar de ter passado perto. Deixei a blodega sendo devidamente cuidada pelos vizinhos e com a programação quase normal, reciclando uns textos agendados durante os últimos dias. Agora de volta, estou aqui trabalhando numa nova fachada para esta blodega de todos vocês.Em breve teremos notícias. Agora com licença que vou mandar meu hovercraft pra revisão.

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As Ninfetas da Tela

Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor. Mas muito coroa quando encontra mulher jovem bonita acaba trocando Jesus por Barrabás. E se for ainda uma adolescente cheia de amor pra dar, aí danou-se.

E no cinema e TV a velha história de macho velho e babão que perde as estribeiras por conta de um rabo de saia cheirando a leite quase sempre acaba em putaria e desastre, não necessariamente nessa ordem. E coincidência ou não, as mocinhas que viraram capetinhas de saia plissada nas telas normalmente não conseguem muita coisa na carreira de atriz, salvo honrosas exceções. Seria uma maldição ou um baita azar, mesmo?

Em uma atitude politicamente incorreta nesses tempos de caça aos pedófilos, fizemos uma pequena lista de moças de fino trato que enlouqueceram respeitáveis homens de meia-idade. Os coroas preparem as fraldas geriátricas para revermos algumas dessas ninfetas que tocaram o horror na tela do cinema e TV. E se ficar excitado, não perca tempo: chame os amigos pra ver que ainda funciona!

Sue Lyon
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Os tarados leitores devem saber que a expressão “Lolita” vem do título do livro de cabeceira dos papa-anjos, escrito por Vladimir Nabokov e mostrando o aperreio de um homem de meia idade por uma adolescente fogosa que, para completar, é sua enteada. Na primeira versão para o cinema, dirigida pelo perfeccionista Stanley Kubrick, o papel-título coube a então jovem loirinha Sue Lyon, com toda doçura de seus 16 anos. Infelizmente sua vida pessoal era mais complicada que esse filme. Praticamente todos os seus cinco casamentos fracassaram, sendo o segundo com um condenado por roubo e homicídio. Seu último filme foi de 1980, e desde então se mantém afastada do público.

Maria Schneider

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Em 1972 a jovem Maria contracenou com Marlon Brando no filme de Bernardo Bertolucci “O Último Tango em Paris”, aquele no qual um senhor cínico e decadente encontra uma jovem noiva casualmente em um apartamento e começa um intenso caso de putaria. A cena onde Maria Schneider serviu rosquinha amanteigada à Brando entrou para os anais (epa!) do cinema. Pena que depois ela simplesmente se recusou a tirar a roupa nas telas, e acabou não repetindo o sucesso.

Brooke Shields

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Ainda com onze anos, causou furor no papel de virgem rifada em um puteiro no filme de 1978 “Pretty Baby – Menina Bonita”, de Louis Malle. E no idílico e sacana “A Lagoa Azul“, que lhe deve ter rendido um monte de homenagens onanistas no início dos anos 80. Mas como a maioria das crianças-prodígio, ela se disse explorada pela mãe e a carreira meio que não decolou mais. Porém em anos recentes ela protagonizou a série de TV “Sunderly Susan” e recorrentemente aparece em algumas séries como “That´s 70´s Show”, “Lipstick Jungle” e “Lei e Ordem”.

Flávia Monteiro
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Com 16 anos, a então promissora atriz fazia novela e protagonizou o filme “A Menina do Lado” em 1988, onde ela fazia uma adolescente de férias que virava vizinha temporária de um quarentão, vivido por Reginaldo Faria, que se deixa seduzir pela jovem. Manteve uma carreira regular, ressurgindo nos anos 90 como a meiga professora Carolina da novela “Chiquititas”. Hoje já balzaquiana, posou para a Revista Playboy em maio de 2005. Atualmente atua nas novelas da Rede Record

Jane March

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Aos 17 anos, a inglesa fogosa estreou no cinema no filme “O Amante”, de 1992, no papel de jovem amante francesa de um oriental na Indochina, onde fazia horrores com o ator chinês Tony Leoung. Dizem as más línguas que ambos faziam hora extra fora das telas. Dois anos depois faria o filme “A Cor da Noite”, com Bruce Willis, com diversas cenas picantes, na qual o velho Bruce mostrava que era duro de matar, mesmo. Mas teve o azar de fazer a bomba “Tarzan e a Cidade de Ouro Perdida”, e depois disso não fez mais nenhum papel mais relevante. Sua aparição mais recente é no filme “O Mercador de Pedras”.

Liv Tyler

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Ao lado de outra adolescente de endoidar cabeção de coroa, a Alicia Silverstone, Liv Tyler estreou sua imagem no clip do Aerosmith, “Crazy”. Por sinal, foi um caso de nepotismo, já que seu pai é o vocalista Steve Tyler. Mas ela chamou a atenção do mundo no filme de Bernardo Bertolucci, “Beleza Roubada”, onde viaja para uma aldeia na Itália em busca de alguém que a livre da virgindade, deixando os jovens e velhuscos locais doidos pra rosetar, incluindo o meio moribundo Jeremy Irons. Ao menos ela vem mantendo uma carreira regular, participando de grandes produções como “Armagedom”, “O Senhor dos Anéis” e “O Incrivel Hulk”.

Mel Lisboa

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A mais ilustre representante brazuca das ninfetas que seduzem os coroas, Mel Lisboa estreou em grande estilo em 2001 na adaptação para a TV do folhetim “Presença de Anita”, na qual a jovem Anita seduz o decano escritor vivido por José Mayer. Sucesso imediato de público, a atriz Mel Lisboa vem participando de peças, filmes e novelas, mas sem alcançar a repercussão de sua estréia. Foi capa da Playboy de agosto de 2004.

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O Namoro Conceitual Entre Cinema e Quadrinhos

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Alguns instantâneos desse troca-troca de idéias

Nota: Este texto foi mais um dos que publiquei nos tempos do Busilis, para participar do Carnaval de Quadrinhos das Quartas, cujo tema era cienma e quadrinhos. Ao invés de falarmos sobre uma adaptação específica, resolvemos abordar, de um modo geral, o uso da linguagem dos quadrinhos no cinema.

O flerte entre artes é algo comum, principalmente entre cinema e outras artes. Com o advento do cinema foi pura questão de tempo para que clássicos da literatura universal fossem levados às telas, e até hoje livros clássicos ou best-sellers do momento são transpostos à tela grande. Com quadrinhos a relação poderia ser até mais íntima, já que ambas utilizam essencialmente uma linguagem visual. Não obstante, mesmo sendo duas artes que nasceram praticamente ao mesmo tempo (fins do século XIX) e com o aspecto visual em comum, nem sempre se considerou a relação entre ambas como algo legítimo ou com status digno de arte, já que nos EUA em questão de décadas o cinema se tornou lucrativo e respeitável, bem antes dos quadrinhos. Estes demoraram bem mais a ganhar reconhecimento na terra do Tio Sam, apesar de serem uma fonte de lucro desde seus primeiros anos. Mesmo que nos anos 40 vários personagens de quadrinhos e pulps tenham sido levados às telas em formato de seriados, isso estava longe de ser algo considerado “artístico” realmente. Pelo contrário, quase ninguém via algo além do que diversão barata e descartável nas comics. Na verdade, a relação cinema-quadrinhos tinha um quê de clandestino, como um encontro entre amantes às escondidas num motel barato. E isso piorou quando, nos anos 50, os quadrinhos americanos sofreram perseguição e censura sob a alegação de que influenciavam negativamente os jovens.

Mas como levar a sério uma arte conhecida como “comics”? Pelo menos isso não foi problema em outros países, onde os quadrinhos tinham outro nome que não remetia a algo pouco sério. Na Europa, nos anos 60, os quadrinhos já começaram a ser direcionados a um público mais maduro e se tornar uma arte mais séria. E antes dos “comics” americanos ganharem seriedade sob o nome “Graphic Novel”, outros cineastas estrangeiros assumiam sua relação com a chamada nona arte. Para citar dois ícones do cinema, Akira Kurosawa e Frederico Felini conheciam os quadrinhos e sua linguagem característica, e ambos usavam o recurso de storyboard, que é o desenho em sequencia das cenas a serem filmadas. Aliás, consta que os dois diretores desenhavam os próprios storyboards. Fellini em especial era confesso admirador dos quadrinhos. Uma de suas aspirações era transpor o personagem Mandrake, de Lee Falk, para as telas. Mesmo não sendo possível, Fellini deu seu jeito, transformando Marcelo Mastroiani em Mandrake durante uma cena do filme “Entrevista”. Outra de suas frustrações também rendeu outra bela obra: “Viagem a Turim”, o álbum belamente desenhado por Milo Manara, é baseado em um roteiro não filmado de Fellini, tendo ele e Mastroiani como personagens da história.

Um Círculo Virtuoso

Sabemos que nos States os quadrinhos começaram a ser levados a sério realmente em fins dos anos 70 e no decorrer da década de 80. Antes disso um dos únicos artistas que via o potencial dos quadrinhos praticamente desde seu nascimento, Will Eisner, procurava transcender o lugar-comum do gênero. Uma de suas obras-primas, “Spirit”, já era uma aplicação da linguagem do cinema nos quadrinhos, já que os enquadramentos, closes e seqüências que Eisner usou nessa e em outras obras são realmente cinematográficas. O próprio personagem, mesmo sendo um herói mascarado, estava mais para um Phillip Marlowe do que para o Super-Homem ou Batman, sendo inspirado nos filmes Noir que surgiram nos anos 30 e 40, por sua vez adaptados dos livros policiais de Dashiel Hammet e Raymond Chandler. Por tabela, a arte de Eisner influenciaria muitos desenhistas, e um seguidor do estilo de Eisner é Frank Miller, que desenhou e escreveu “Batman – O cavaleiro das Trevas”, um divisor de águas do gênero. Miller utilizou como recurso narrativo usar a TV e programas jornalísticos dentro da história como contraponto narrativo, complementando a trama, algo que já era visto na série “American Flagg!”. Tal recurso foi utilizado por Paul Verhoeven em “Robocop”, de 1987. Tanto que Frank Miller foi convidado para ser roteiristas das duas seqüências do filme. Infelizmente o resultado não foi tão bom quanto uma boa história de Miller, já que seu roteiro não foi integralmente aceito, sendo modificado e mutilado, e isso afastou Frank Miller de Hollywood quase que em definitivo.

Escaldado das sandices de Hollywood, Frank Miller dificilmente se envolveria no projeto de um outro filme. Mas o comparsa de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, estava decidido a levar a série Sin City, também inspirada no cinema Noir, da maneira mais fiel possível, e estava decidido a enfiar Miller no projeto de todo jeito. Mas para convencê-lo, Rodriguez teve que filmar uma sequencia de cenas e mostrar a Frank, que gostou tanto que acabou se tornando co-diretor do filme que adaptou quatro histórias da série em quadrinhos. “Sin City- A Cidade do Pecado” é um marco na relação cinema-quadrinhos, pois é a mais fiel adaptação já levada às telas. Não só fiel à história, mas o que se vê na tela é uma transposição literal do que se vê nos quadrinhos.

Com o sucesso de “Sin City”, outro trabalho de Miller sofreu o mesmo tratamento para ser transposto “ipsis literis” para a tela. Em “300″, a maioria das cenas foram levadas como estavam nos quadrinhos, com a fotografia lembrando os tons pastéis das aquarelas de Lynn Varley. A história foi um pouco alterada pelo diretor Jack Snyder, não a deixando tão literal quanto “Sin City”, mas o resultado em termos de transposição é quase o mesmo. E com Miller de volta aos cinemas, o ciclo iniciado com Will Eisner se fechou, de certa forma, pois Frank Miller adaptou o personagem “Spirit” para um longa-metragem lançado no inicio de 2009.

A propósito, para finalizar essa referência ao mestre Eisner, o cinema nacional já lhe rendeu uma bela homenagem no filme “Cidade Oculta”, de 1986, que mesmo com nossos recursos limitados, é claramente inspirado no universo de personagens de “Spirit”.

A Vingança dos Nerds


mallrats.jpgNo decorrer da década de 80 e 90, diretores que assumidamente liam e entendiam de quadrinhos e cultura pop em geral foram aos poucos “saindo do armário”. Anos antes do “boom” das adaptações cinematográficas dos quadrinhos, o diretor Sam Raimi fez a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos até então: “Darkman – Vingança sem Rosto”. O detalhe é que esse personagem não existia nos quadrinhos, mas a linguagem adotada e o personagem eram comics puro, e nesse filme ele mostrou o quão viável era transpor a linguagem das HQ´s para as telas. Tanto que, muitos anos depois, Sam Raimi se tornaria diretor da franquia baseada em quadrinhos mais bem-sucedida dos anos recentes: o Homem-Aranha.

Outro diretor “nerd” é Kevin Smith seguiu um caminho inverso ao de Frank Miller, começando a escrever para o cinema para depois ir aos quadrinhos. O ex-balconista já escreveu diversos filmes, como “O Balconista”, “Procura-se Amy”, “Barrados no Shopping”, “Dogma” e “O Império do Besteirol Contra-Ataca”. Grande conhecedor de cultura pop, Kevin usa e abusa de citações a esta cultura, incluindo os quadrinhos. Tanto que dois dos personagens que aparecem com freqüência em seus filmes é uma dupla de criadores de comics, vividos por Ben Afleck e Jason Lee. Há até a aparição do próprio Stan Lee em “Barrados no Shopping”. Essa bagagem lhe credenciou a escrever um roteiro para um filme do Super-Homem, baseado nas sagas “A Morte do Super-Homem” e “O Retorno do Super-Homem” em 1997. Caso as ideias de Kevin realmente se realizassem, o resultado seria um senhor filme baseado em quadrinhos. Mas o diretor Tim Burton e os produtores tentaram mutilar o roteiro e descaracterizar tanto o personagem que, por obra e graça divina, o projeto nunca saiu do papel. Depois Kevin Smith escreveria alguns roteiros de quadrinhos, como a série “Demolidor” e uma minissérie do Homem-Aranha e Gata Negra.

Quentin Tarantino, que surgiu no meio dos anos 90 como grande promessa criativa do cinema americano, é outro diretor que adora citar a cultura pop em seus trabalhos, abrangendo desde música até filmes de ação dos anos 70, passando, obviamente, por quadrinhos. Um de seus primeiros roteiros, que resultou no filme “Amor à Queima-Roupa”, tem como personagem um balconista de comic shop que se envolve com uma prostituta e se envolve em uma violenta jornada, lembrando bastante os quadrinhos de “Torpedo”. Seu pitaco (não creditado) no roteiro de “Maré Vermelha” enfiou o inusitado diálogo de dois marinheiros do submarino USS Alabama brigando pra decidir qual Surfista Prateado seria o melhor, o desenhado por Moebius ou o original de Jack Kirby. Mas sua maior influência dos quadrinhos é vista em “Kill Bill”, cujas cenas remetem à violentos mangás e animes, além dos filmes de artes marciais de Honk-Kong.

Outro grande exemplo de filme influenciado por quadrinhos é o desenho em CGI da Pixar, “Os Incríveis”. Mesmo não adaptando nenhum personagem existente em comics (apenas se inspirando no Quarteto Fantástico), o longa é uma grande homenagem aos super-heróis dos quadrinhos, usando e parodiando os clichês e situações, e aborda um tema que já é comum nos quadrinhos: o medo da população aos super-poderosos e a necessidade de controlá-los ou registrá-los, algo visto sob vários enfoques em obras como “Watchmen”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e mais recentemente na saga da Marvel “Guerra Civil”. É hilária as observações da estilista de uniformes, Edna Moda, ao desaconselhar o uso de capas nos trajes dos super-heróis.

M.Night Shyamalian, após o sucesso de “O Sexto Sentido”, escreveu e dirigiu “Corpo Fechado” em 2000, que nada mais é do que a transposição da clássica história de super-herói mas com uma linguagem e abordagem mais dramática. Está tudo lá: a descoberta casual dos poderes, a tragédia pessoal do herói e até o arqui vilão, só que de uma forma que foge aos padrões quadrinísiticos. Mesmo não sendo tão bem compreendido pelo público não iniciado nos quadrinhos, não deixa de ser um exercício criativo interessante. Uma série de sucesso que segue essa fórmula é “Heroes”, que atualmente está em sua quarta temporada.

E hoje, com tanta adaptação sendo levadas às telas do cinema, a linguagem dos quadrinhos está se tornando mais popular, conhecida e utilizada, e a relação cinema-quadrinhos está abençoada e santificada, de papel passado e legitimada. Com uma geração de diretores e roteiristas que realmente curte e entende de quadrinhos, bem como de roteiristas e desenhistas que conhecem e eventualmente se inspiram no cinema, ambos podem entrar pela porta da frente sem precisar para encontros mais clandestinos.



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  • Moziel T.Monk: Infelizmente você tá certo. Sou suspeito pra falar, mas sob esta ótica retrospectiva, parece que os...
  • Welton: Na verdade, os anos 90 tiveram muitas coisas mais vergonhosas, mas for citar tudo também, ficaria um post...
  • Moziel T.Monk: Meu caro Ismael, obrigado pela colaboração. Como podes ver, este poema foi publicado hoje na...
  • Moziel T.Monk: Na verdade também gostava do antigo. Mas, além de precisar dar uma renovada no visual, muitos...
  • Moziel T.Monk: Pois é, para quem viveu a infância e adolescência nesta época está bem servido na memoria afetiva...
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