Meta a Língua na Metalinguagem

Ou de como um conto erótico pode se transformar numa brochada literária
Jonas estava naquele emprego há poucos meses. O salário não era grande coisa, mas estava melhor que no trabalho anterior. Além do mais, diariamente havia aquela visão do paraíso de um metro e oitenta que trabalhava na sala ao lado. Denise era seu nome. Por mais que alguém se esforçasse – e não era o caso de Jonas – não dava para ignorar aquela bunda e aquelas coxas espremidas em uma mini-saia azul. O tailleur não conseguia esconder o que o generoso decote ostensivamente mostrava. E o rosto era um espetáculo à parte: forma suave, pele alva e lisa, e um longo, liso e louro cabelo. Era perfeita.
Diariamente, ela almoça no pequeno restaurante próximo ao escritório. Jonas passou a freqüentar o mesmo e nos mesmos horários que ela. Jonas tinha certeza de que ela sabia que era observada. E gostava disso. Cada cruzada de pernas sob a mesa era vigiada com ávida atenção. A refeição tinha um sabor especial, que ia além do molho inglês ou do filé a parmegiana.
No começo, Jonas nem considerava a hipótese de conhecê-la, quiçá sair com ela. Porém, como diariamente eles se cruzavam no elevador, a simpatia natural da moça a fazia cumprimentá-lo. Apesar de uma irresistível vontade de trepar com ela, ele se continha e evitava passar qualquer cantada, até porque ela mantinha um certo ar de seriedade, apesar da simpatia, não abrindo margem a estes comentários.
Durante uma tarde, enquanto almoçava sozinho, Jonas estava com o pensamento distante. Pensava na jovem. Estaria apaixonado? Não, apenas uma forte libido, um desejo quase primal de possuí-la, de jogá-la sobre a cama, arrancar sua roupa com ferocidade, de currá-la de todas as formas…
- Posso sentar aqui?
A voz doce o demove de seus pensamentos eróticos. Para sua surpresa, Denise está a sua frente, segurando uma bandeja com seu almoço, indefectível em seu vestido azul, suas torneadas pernas à mostra.
- Claro Denise. Fique a vontade.
Ela senta-se de frente a Jonas. Eles comem devagar, conversando sobre amenidades. Após alguns minutos, a conversa gira em torno de assuntos mais íntimos. Ela sorri de alguns comentários de Jonas. Ele começa a se soltar. Ele se sente à vontade para pedir uma cerveja.
- Apenas uma só para relaxar. Afinal, hoje é sexta e não tem tanto serviço, assim.
Ela concorda, e o garçom traz uma garrafa. Eles bebem, ela se solta mais, dando risadas, e vez por outra pegando displicentemente na mão dele. Durante a conversa, ele descobre que ela mora sozinha em um pequeno apartamento, que está sem namorado…
- Vamos tirar o resto da tarde de folga, Jonas? Como você falou, hoje é sexta-feira. Poderíamos ir a um lugar melhor, mais reservado…
Jonas contém seu entusiasmo, mas concorda. Ele paga a conta de ambos e saem do restaurante. Ela o leva até o seu carro.
- Para onde vamos? – pergunta ele.
- Que tal um barzinho na praia? Mas antes, gostaria de passar no meu apartamento para trocar de roupa.
Jonas percebe que ela está um pouco alta, pois está rindo mais que o normal e falando muito. Por um instante ele acha que seria cafajestagem se aproveitar da situação, mas ele acaba se convencendo. “Foda-se, se ela abrir, eu meto”. Ela o olha, com um sorriso maroto. Ele retribui o sorriso, meio sem jeito.
Ao chegarem no prédio onde ela mora, ela o convida para subir, puxando-o pela mão. Ao subir nas escadas, ela tropeça. Jonas a segura, abraçando-a. Ela o olha, e ele acaba beijando-a. Após o longo beijo, eles chegam ao apartamento. Antes que ela feche a porta, Jonas a agarra e mete-lhe um beijo de língua, apertando-a contra o seu peito. Com um chute de calcanhar, ele fecha a porta do apartamento e inicia uns amassos com Denise, encostando-a contra o balcão de um bar americano da sala de estar. Ele retira o tailleur dela e começa a beijá-la no pescoço e no decote. Suas mãos ágeis levantam a saia de Denise e abaixam a sua calcinha. Ela senta no balcão e entrelaça suas pernas nos quadris de Jonas, apertando-o sobre si mesma. Ela ofega languidamente, e Jonas abre seu zíper e deixa suas calças caírem. Seu pênis sente o toque úmido dos grandes lábios, e ele começa a introduzir seu membro na…
- MUITO BEM, SENHOR MOZIEL, O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?
Eu pulo da poltrona com o susto. Estava completamente compenetrado ao escrever esta história. Aliás, estava entusiasmado! E, de repente, minha digníssima esposa dá um grito de noventa decibéis ao pé do meu ouvido, logo atrás de mim.
- Estou trabalhando no computador, querida…
- Estou vendo o tipo de trabalho…
- Há quanto tempo você está aí?
- O suficiente. Eu crente que você está fazendo algum trabalho da faculdade e lhe pego escrevendo esta pouca-vergonha. Por isso que você não quer que eu o veja trabalhando, com esta história que só se concentra sozinho…
- Mas isso é apenas um artigo que estou escrevendo para o site de um amigo meu…
- Site? Só se for site de safadeza, isso sim. E este seu amigo deve ser outro safado igual à você. E quem é esta Denise?
- Quem?
- Não se faça de idiota. Esta Denise que você escreveu aí.
- Ah, eu não acredito que você está com ciúmes…Ela não existe. É só uma personagem. Ficção…
- Não existe? Explica isso direito, seu cafajeste! Eu passo o dia ralando aqui e você com estas suas vagabundas no trabalho! Quem é ela? Confesse!
- Bem, ela… É você. Pronto. É você em minhas fantasias.
- Não me vem com essa, Moziel! Desde quando eu sou loura, alta e tenho a pele clara?
- Bem…Mas a bunda é idêntica.
- Você está me traindo com outra em suas fantasias! Você não me ama mais! É isso! Vou dormir na casa de mãe!
- Mulher, seja razoável. E tua mãe mora a mais de trezentos quilômetros daqui.
- Você não me ama mais! Estou indo embora!
E ela sai, sem mais nenhuma explicação. Ainda arrisco uma última tentativa.
- Ô linda, você fez o jantar?
- Vá se lascar! – e bate a porta.
Bem, e quanto a Jonas e Denise? Digamos que fiquei sem clima para acabar a história. Isso nunca me aconteceu antes. Uma brochada literária. Mas também, vai entender as mulheres…
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Muito boa Moziel!!!