Sexo, mentiras e DVD

As Desventuras Sexuais de um Cinéfilo

Exceto os filmes mais “profissionais”, as películas de Hollywood vez por outra trazem alguma ceninha mais ousada para o grande público, com alguma estrela milionária encarando uma safadezazinha básica e mordendo a fronha. Sharon Stone, Julia Roberts, Kim Bassinger, Emma Thompson e uma série de outras gostosas já ralaram e rolaram em produções milionárias. Exceto por jovens que ainda tem algum resquício de romantismo e idealizam suas futuras relações, a maioria dos marmanjos pode até achar interessantes algumas cenas, mas sabem que elas são tão verossímeis quanto uma cena de briga do Jet Li e do Jackie Chan. Juntos. Só mulheres podem idealizar uma cena destas, com dublê de corpo, trilha sonora e edição de imagens, tudo bem limpinho e romântico. Cena de sexo na praia nunca entra areia, e é claro que nunca se brocha. Isso sem falar em cenas tão forçadas e falsas que chegam às raias do ridículo. Alguém se lembra de Sharon Stone e Silvester Stallone em “O Especialista”? Aquilo mais parecia uma apresentação de fisiculturismo do que uma trepada.

Eis que invento de namorar uma jovem romântica que cisma de tentar reproduzir o clima destas cenas. Tento dissuadi-la, dada a inviabilidade da empreitada, mas mulher é bicho complicado. Logo ela vai dizer que eu a acho gorda e que eu não a amo. Pela diplomacia entre os sexos, topo tentar encarnar algumas de suas cenas preferidas, mas não prometo nada. Pelo menos tento colocar em prática meus parcos conhecimentos da sétima arte. E vamos que vamos.

Ghost – Do outro Lado da Vida

Esta cena é clássica. Demi Moore, de cabelo curto e no auge de sua beleza, tenta fazer um vaso enquanto Patrick Swayze dá uns amassos nela, ao som de “Unchained Melody”. Claro que o vaso se transforma em arte moderna e o jovem e belo casal tem um momento apoteótico ao som mela-cueca, numa espécie de videoclipe safado e soft.

Como no apartamento não tem nenhuma olaria, ela vai se virando com umas massas de modelar da sobrinha. Lá vou eu dando uma de Patrick Swayze me chegando por trás enquanto ela tá esculpindo algo estranho com a massa. No som, deixo um disco com a música mela-cueca do filme, a tal “Unchained Melody”. E tome “Oh, My love, Oh My Darling” enquanto meto a lingua em seu ouvido e vou tentando fazer artesanato com seus seios. É claro que o imbecil aqui não levou em conta que uma trepada decente dura mais do que uma música, e esqueci de colocar o CD em “repeat”. Como era uma coletânea de trilhas sonoras, logo em seguida entra uma música de Ennio Morricone, “O Dólar Furado”. Nos olhamos, mas continuamos o amasso. Mas não tem tesão que resista a trilha sonora de “Três homens em Conflito”, “Dona Flor e Seus dois Maridos” e “Central do Brasil”.Dei um bicudo no som, que mudou para rádio e entrou “A Voz do Brasil”. Aí não tem mais pau que suba. Ela fica irada e molda a massa na forma de uma faquinha e joga em mim. Enquanto ela e veste, tento moldar uma bundinha com a massa. Só consigo algo parecido a uma maçã transgênica.

9 ½ semanas de amor

Esta bosta de filme ficou no imaginário feminino (e nos cinemas) por muito mais do que nove semanas e meia. E até hoje ainda perturba as fantasias sexuais de muita gente. E você teve o desprazer de assistir a isto, deve se lembrar daquela cena onde Kim Bassinger e Mickey Rourke ficam com a geladeira aberta e o safado fica metendo todo tipo de guloseima na boca da loiraça. É moranguinho, água Perrier, gelatina… E lá vamos tentar de novo.

Começamos com um sarrinho no sofá, e ela logo me arrasta para a geladeira. Comento que deixar a porta da geladeira aberta aumenta o consumo de energia. Ela quer mais que se foda. Beleza. Mas morango e creme de leite, que é bom, nada. E ela tá lá de beicinho esperando uma surpresa. Acho uma sirigüela e meto em sua boca. E mais outra. Depois umas uvas verdes. Eita mulher insaciável! Se ela queria uma fantasia, bem que poderia ter enchido a geladeira. Vamos ver…Tem um pedaço de rapadura, um naco de goiabada, uma fatia de jaca… Não vejo nada sutil ou romântico nestas guloseimas, mas a enrolo com uma cereja que estava caída ao lado da alface. Ela fica esperando a próxima guloseima de olhos fechados, e só os abre depois de uma considerável demora e ao ouvir aquele som característico de uma lata de cerveja sendo aberta. E ela me pega me deliciando com uma geladinha que encontrei escondida no freezer. Claro que levo nome de bruto, insensível e estas coisas que mulé adora xingar homem. Em um momento de distração, coloco uma pedra de gelo em sua calcinha. Ela se arqueia e sussurra, ao sentir o friozinho no rêgo. Antes de me mandar à puta que pariu e ir para a cama, muito irada, ela joga a pedrinha que tira de sua bunda, e me defendo com a lata de cerveja. Aproveito que não vai rolar porra nenhuma mesmo, apanho outra lata de cerveja e vou assistir ao futebol na TV.

Titanic

No “crássico” filme “Titanic”, a cena de safadeza envolve o casal Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet se enfiando em um carro no porão do navio e mandando ver. Aliás, não dá pra ver muito, a não ser a mão da fogosa jovem se esticando e batendo no vidro embaçado do calhambeque. Haja safadeza e frio para embaçar vidros! Obviamente esta cena foi adorada pelas moçoilas mundo afora, e minha jovem quis repetir no clima dela, também.Na falta de um Ford T de bigode, meu Ford Ka roxo serve para tentar relembrar Titanic. Cogitamos fazer a sacanagem durante a travessia da balsa Rio-Niterói. E lá vamos nós para embaçar os vidros do heróico Ka. Mas fica difícil embaçar vidros em pleno verão carioca, e o calor insuportável me faz abrir os vidros. Esquecemos o embaço. E o embaraço, também, já que escutamos uns comentários maldosos de algum funcionário da balsa que passava por perto (Aí, né?). Não embaçamos vidro nenhum, e ela nem se lembrou de erguer a mão e meter no vidro. Aliás, o único efeito no vidro foi trincar o pára-brisa, já que achar uma posição decente para uma trepada no Ford Ka é um ato de coragem e contorcionismo, e meu pé tamanho 44 acabou no pára-brisa, ao invés da mão dela, fazendo uma senhora pressão. Foi difícil convencer a seguradora de que aquele trinco foi uma pedrinha lançada por um caminhão cantando pneu…

Instinto Selvagem

Esta pelo menos tem menos romantismo e mais safadeza. Depois da famosa cruzada de pernas no interrogatório e de currar sua amante, o sexomaníaco Michael Douglas encontra em uma boate a Sharon Stone se esfregando em uma amiga sapata. Depois disso os dois vãos para o muquifo de Sharon e fodem adoidados, com direito a unhas nas costas do marmanjo e um bondage básico. Como ela mesma fala, é a trepada do século.Para começar o chamego, encontro a patroa em um vestido minúsculo me esperando em casa. Ela acende um cigarro e tem um acesso de tosse. A interrogo sobre aquele vestido mais curto que meu orçamento. Ela cruza as pernas, mostrando o “lance”. “Já vi isso, linda. Vamos adiantar o roteiro”. Ela quase apaga o cigarro em minha cueca e me diz para encontrá-la em uma boate que só rola música eletrônica. E lá está ela fazendo caras e bocas e se abraçando com uma amiga. Mas que amiga! Muito da gostosa. Eu vou e me meto entre as duas, mas é claro que minha mina percebe que estou dando muita atenção à sua amiga boazuda. A coisa piora quando ela joga uma dose de curaçau em minha camisa e vai embora, puta da vida. Ai, Jisus! Sua amiga tenta me consolar, e eu tento outras coisas, até aparecer um amigo meio esquisito dela tentando outras coisas comigo. Até eu descobrir que ela é lésbica e me livrar do baitola, minha namorada já está em casa enchendo a cara de sorvete, e doida para enfiar um picador de gelo em meus peitos. Evito-a por uma semana.

O Último Tango em Paris

Após tanta tentativa de reviver suas cenas inesquecíveis, sugiro que a gente tente repetir uma cena do filme de Bernardo Bertolucci, “O Último Tango em Paris”. Sei que ela nunca assistiu, pois topa na hora. Peço que ela esvazie o apartamento e só apareça com pão e manteiga. E nós estamos lá, sobre um colchonete, e peço a manteiga quando ela se senta. Começo a me abraçar com ela e a tirar sua roupa, inclusive arriando sua calça. Digo que a cena não será exatamente igual porque brocharia se eu fosse recitar trechos da Bíblia durante o ato. Ela só se preocupa em perguntar maiores detalhes da cena quando lambuzo sua bunda de manteiga. Tento desconversar, mas a menor menção de colocar meu colega de baixo em sua entrada dos fundos a faz dar um pulo olímpico, gritando “Meu cu não, porra!”. Bem, eu tentei.

The End
De hoje em diante devo apresentar a minha amada filmes com cenas mais realistas de sexo, sem este glamour falso das putarias soft dos filmes de Hollywood. Quem sabe uns filmes da Brasileirinhas com algumas cenas de dupla penetração a convença que a cena da manteiga com Maria Schneider e Marlon Brando não seja tão ruim assim…

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5 Pediram Fiado para “Sexo, mentiras e DVD”

  • Mano:

    Gostei das observações críticas sobre a geladeira aberta, em tempos de economia de energia elétrica, fazer isso nem pensar….

  • Leonardo Leão:

    Bravo! Bravíssimo!!

    Isso é que é um texto bem escrito! Escangalha qualquer um de rir.

    Especialmente quem já viveu coisas parecidas.

    Lembra uma vez em que eu deveria esperar ela vestir uma fantasia complicada de nem sei o que e quando ela chegou na cama, toda toda, teve foi um trabalho da gota serena pra me acordar…

    • Acho que essas dicas exóticas para apimentar a relação só funcionam nas revistas Nova e “Mariclé”. Aliás, pimenta na relação dos outros é refresco. Abraços e volte sempre a blodega!

  • Puta, que texto hilário cara. Sério, só mesmo no “mundo real” pre entender que essas presepadas com manteiga, guloseimas e barro não dão nada certo…

    Porra mulher, fica com o sexo gostoso no sofá ou um safado no elevador que tá bom não tá não?

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  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
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