As Muitas Faces de Bond, James Bond (3)

Dando seqüência a série sobre James Bond, apresentamos o substituto de Roger Moore, aquele fanfarrão.


Terceira Fase: Thimoty Dalton

O terceiro “reload” da série visava substituir Roger Moore e seu jeito meio palhaço de ser, mais uma vez atualizando o personagem para aqueles anos agitados. Curiosamente, o mais cotado nessa época para substituí-lo era um tal de Pierce Brosnan, que por obrigações contratuais teve que declinar do papel em favor de Timothy Dalton, que estava tendo sua segunda chance, pois quando concorreu com Lazemby e Connery no fim dos anos 60 foi considerado muito jovem para o papel. Inicialmente o contrato de Dalton previa ao menos 3 filmes com o personagem. E de PPK em punho, mais uma vez Sir Bond milagrosamente rejuvenesce em “007 marcado Para a Morte” (1987).  Ainda em clima de Guerra Fria, 007 parte para detrás da Cortina de Ferro para ajudar a deserção de um oficial soviético e se mete em tráfico de drogas e armas, além de (se) meter com a violoncelista Kara Milovi (Maryam D’Abo). O ator de origem Shakespeariana removeu a gaiatice do antecessor e a produção deu um ar mais moderno à série, resgatando o charme e mantendo alguns dos elementos de sempre. Dalton sabia pedir uma Vodca Martini batida, não mexida como há muito não se via, e trouxe alguma seriedade ao personagem e as histórias.

Mas os tempos eram outros. A Guerra Fria esfriava para acabar de vez nos anos seguintes, juntamente com parte do interesse por tramas de espionagem, além de quê os heróis que surgiram no cinema pós-80 definiam novos padrões de filmes-pipoca, que se tornariam predominantes. Os piores inimigos do MI-6 de Bond viriam a ser os personagens que, muitas vezes, teriam se inspirado nas peripécias do espião. Além de tudo, até esses tempos de AIDS conspiravam contra o comportamento sexual de Bond, tanto que o pobre do Dalton só teve direito a uma mísera Bond Girl em seu primeiro filme.

Todo este lenga-lenga teórico é pra tentar explicar o porquê do filme seguinte da série ter rendido tão pouco na bilheteria. “007 Permissão Para Matar” (1989) trouxe novamente Dalton no papel-título. Em uma missão de vingança pessoal, Bond esquece os espiões da cortina de ferro e os vilões megalomaníacos para apontar suas armas contra o cartel das drogas, tendo sua licença para matar revogada. É uma das melhores histórias da série, que foge a alguns dos clichês e situações normais, colocando o personagem se virando praticamente sozinho e dando um toque de verossimilhança a história.

Mas aquele ano trazia concorrência de peso: “Indiana Jones e a Última Cruzada”, “Batman”, de Tim Burton, “O Segredo do Abismo”, de James Cameron, para citar os mais relevantes. Em resumo: a bilheteria foi pífia.

Esse balde de água fria deixou o personagem fora das telas pelo período mais longo desde a estréia da série, em 1962. Além da baixa bilheteria, outra ação judicial envolvendo os direitos do personagem e os herdeiros do escritor Ian Fleming engrossariam o caldo, como também outros problemas legais envolvendo a compra da MGM (co-produtora da série) e a Eon. E para desgosto daqueles que acharam o Bond de Timothy Dalton o mais fiel de todos ao personagem dos livros, a decepção foi grande ao aposentarem precocemente esta encarnação do 007 com a desistência de Dalton devido a esta demora, preferindo se dedicar a sua carreira no teatro.

Durante esse hiato o cinema de ação e aventura passou muito bem, obrigado, sem um de seus inspiradores. Com a adição de efeitos digitais e orçamentos astronômicos, os blockbusters hollywoodianos estavam deixando James Bond envelhecido e parado. Mas sem deixar de ser refer6encia, tendo como maior exemplo a extravagante refilmagem do francês “La Totale!” por James Cameron e Arnold Schwarzenegger, intitulado “True Lies”, que alguns consideraram a época, o melhor filme de James Bond sem James Bond.

Certamente isso norteou mais um ressurgimento da série no meio dos anos 90. Em meio a especulações se a série continuaria, e em caso afirmativo quem seria o novo Bond (houve quem considerasse a hipótese de Bond se tornar um personagem feminino!), a produtora Eon passa para as mãos dos herdeiros de Albert R.Brocolli em 1995, mesmo ano em que Pierce Brosnan recebe sua licença para matar. E isso verenos na seqüência dessa série.

facebook comments:

Leave a Reply

Receba a Blodega

Digite seu email:

Desenvolvido por FeedBurner

Olha o Passaralho!

RSS

Clientela