As Muitas Faces de Bond, James Bond (5)

Finalmente o último texto sobre o menos batido e mais mexido dos personagens do cinema

Quinta Fase: Daniel Craig

Nos “resets” anteriores, o que realmente ocorria era a mudança do ator principal e no estilo da direção, que ora privilegiou a trama, ora a ação e às vezes a paródia, mas mantendo uma certa continuidade entre as histórias e dando seguimento a série. Se ignorarmos o fato que decorreram 40 anos entre “O Satânico Dr.No” e “Um Outro Dia Para Morrer”, os filmes possuem uma relativa continuidade, ao mesmo tempo em que não existe uma cronologia precisa entre os filmes, não havendo necessidade de assistir aos filmes na seqüência cronológica para melhor compreensão.
Porém, nesse reinício mais recente, os produtores decidiram realmente iniciar a história de James Bond do zero, mostrando como ele se tornou um agente “00” com permissão para matar. E também fizeram, ao menos nestes dois primeiros filmes, uma amarração cronológica entre eles, sendo ambos praticamente uma única história. E escolheram como base para o roteiro desse novo filme o primeiro livro da série, “Cassino Royale”, que ainda não fora produzido por problemas de direitos de adaptação, como vimos nos textos anteriores. E para ser o mais novo Bond, a escolha do ator Daniel Craig gerou certa controversa entre os fãs, principalmente pelo seu tipo físico. Mas chiadeiras à parte, Craig se tornou o primeiro James Bond loiro. E essa seria a menor das mudanças…
Em “Cassino Royale” (2006), não temos “Q” nem gadgets avançadíssimos, peripécias que desafiam a física ou aquele humor e leveza de algumas cenas exageradas. E finalmente descobrimos a resposta àquela eterna pergunta: o que James Bond faria sem Moneypenny?

Bem, ele faz misérias. Obviamente ele não sabe escolher bebidas nem se vestir adequadamente para eventos formais, o que causou dores vesiculares nos velhos fãs. Mesmo contrariando a origem literária do personagem, nessa nova fase o aspecto sofisticado e fleumático foi deixado de lado. E para os que acompanharam a série com Pierce Brosnan, desde a escolha de Daniel Craig para ser o novo Bond que eles já reclamaram horrores. E devem ter tido úlcera coletiva ao ver que a nova série em pouco ou nada lembrava a anterior. Bond é um agente violento e implacável, grosso igual a papel de enrolar prego, e nem quer saber de vodkas martinis, sejam elas batidas ou mexidas. Ele prefere bater, e muito, em qualquer inimigo ao seu alcance, e para raiva de “M”, tem o péssimo costume de não deixar potenciais testemunhas vivas.
Mas isso deve ter ocorrido em todos os “resets” de James Bond. Ao menos a “M”de Judi Dench estava lá para puxar as orelhas do menino levado. No geral o público e a crítica respondeu bem.
Em “Cassino Royale”, o novato Bond, logo após cumprir sua primeira missão como agente “00” se envolve com “Le Chifre”, um jogador em cujas mãos circulam volumosas somas de dinheiro ilegal oriundo de criminosos e terroristas. A Bond Girl da vez é Vesper Lynd (Eva Green), com quem Bond se envolve num nível dificilmente visto antes na série, a ponto de cogitar a abandonar a carreira de espião.

Mas para a alegria do público e dos produtores, um Bond se sentindo traído e com sede de vingança chega arrebentando na seqüência “Quantum of Solace” (2008, e lançado recentemente em DVD). O inimigo agora não era nenhuma organização com planos de dominação mundial. A Quantum do título envolve interesses comerciais e políticos num cenário geopolítico mais adulto e menos maniqueísta. Em sua busca por vendetta, nem sempre aprovada por “M”, Bond enfrenta o empresário Dominic Greene, que em nome da Quantum, financia um golpe de Estado num país sul-americano para depois grupos empresariais explorarem os recursos naturais desse país. Bem mais para Frederick Forsyth e John Le Carré do que pra Ian Fleming. E a trama não dá muito espaço para cenas românticas ou um pouco mais picantes, priorizando a ação e violência, mesmo o “novato” Bond se envolvendo com duas Bond Girls, Camille e Fields.
O novo tom sombrio e mais realista da série é uma guinada violenta em relação à fase anterior. Percebemos aqui a influência de filmes como a nova versão cinematográfica do personagem do escritor Robert Ludlum, o espião Jason Bourne, que na trilogia dos anos recentes praticamente redefiniu os filmes de espionagem, trazendo seriedade e até uma certa verossimilhança à trama. Também pode se perceber uma influência do violento e quase maquiavélico personagem Jack Bauer, protagonista da série de TV “24 Horas”, que para defender os EUA de conspirações e atentados, vai até as últimas conseqüências, quebrando regras, leis e não se importando com a contagem de corpos, quer de inimigos quanto de aliados.
Os dois filmes praticamente contam uma única história, com o segundo iniciando exatamente onde o anterior acabara. Como a pretensão desses filmes seria contar as origens do personagem, não sabemos se ele manterá este estilo ou se a intenção seria mostrar um James Bond “cru” e “bruto” sendo lapidado para se tornar o refinado agente da MI-6 concebido por Ian Fleming. Isso veremos em 2011, quando o vigésimo – terceiro filme da série for lançado.

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  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
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