Archive for julho 2009
Mais Jabá com Rapadura

Ainda longe da blodega e batendo perna por Sampa, passo rapidamente para cumprir o dever cívico de divulgar o mais novo número do Farrazine. Dando uma de Silvio Santos, eu ainda não vi, mas é muito bom. Ou, nas palavras dos culpados:
“EDIÇÃO SOMBRIA! SINISTRA! LÚGUBRE! E NÓS GOSTAMOS DISSO!
Um show de pin-ups e matérias sobre o Morcegão de Cuecões.
Entrevistamos EDUARDO RISSO. Aliás, isso merece várias exclamações. Eduardo Risso(!!!)
Entrevistamos MAURÍCIO DE SOUSA.
Mais exclamações, porque são DUAS entrevistas com ícones dos quadrinhos. Ei-las: (!!!)
WILTON PACHECO trouxe a parte 4 de ALBARIA, um universo de fantasia em quadrinhos.
Exclamações para o Wilton: (!!!)
Saiba mais sobre a carreira cinematográfica do JUSTICEIRO.
E não estamos falando do ator. Exclamações: (!!!)
E mais: matérias, contos, quadrinhos, tiras… e um número recorde de páginas pretas.
Deve ser influência do Batman. Ah, sim: (!!!!!!!)”
O Surreal Zé Limeira

O Surreal Zé Limeira
“Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada.”
O repente, a cantoria e a literatura de cordel são tradições que remontam da Idade Média e que teria sido trazida ao Brasil pelos portugueses lá pelo século XIX, se popularizando no Nordeste, mas especificamente nos Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Muitos cantadores se tornaram famosos, mas um deles se destacou por seu comportamento esdrúxulo, um tropicalista pré-cambriano entre os tradicionais cantadores. Eis um pouco da história de Zé Limeira, o poeta do absurdo.
O senhor dos anéis do sertão
Quem viu Zé Limeira ao vivo e a cores testemunhou uma figura ímpar em comportamento e aparência. Usava diversos anéis nos dedos, uma bengala de aroeira, óculos escuros estilo “ray-ban” e um lenço colorido em volta do pescoço. Carregava sempre seu violão adornado com dezenas de fitas multicores, costumava beber “zinebra”, que carregava em seu matulão. Percorria as estradas do sertão a pé, morria de medo de trem – o “embuá de ferro” – e o único veículo no qual subia era carro de boi, que era “abençoado por Deus”. Era de uma excentricidade digna de um astro de rock.
Todavia, o que realmente destacava Zé Limeira dos demais cantadores que freqüentavam feiras e festas era, além de uma voz poderosa, o seu estilo surreal e anárquico, que davam nó em qualquer violeiro que pelejasse com ele, e divertia os presentes. Em suas rimas misturava personagens e cenários bíblicos e históricos com os elementos do sertão, inventando palavras e termos. Natural do município de Teixeira, no sertão da Paraíba, era um verdadeiro pop-star do Nordeste, popular entre os humildes e poderosos, que se divertiam nas pelejas entre ele e o infeliz que o encarasse, já que normalmente o pobre ficava eclipsado pela língua felina e os improvisos malucos do cantador. Ele afirmava que era necessário o fôlego de sete gatos para acompanhá-lo, tanto na cantoria quanto no caminhar – consta que ele caminhava sessenta quilômetros por dia, embreado na caatinga.
O biógrafo do poeta
Orlando Tejo, poeta, advogado e jornalista, natural de Campina Grande, testemunhou ainda jovem muitos dos desafios do qual Limeira participou. Tejo chegou a registrar algumas dessas pelejas em fita, porém todo e qualquer registro feito por ele ou por seus colegas acabou se perdendo, e atualmente não existem gravações da voz de Zé Limeira. Mesmo assim, ele memorizou muito do que ouviu e transcreveu para o papel, garantindo a imortalidade do bardo sertanejo. Seu livro “Zé Limeira – Poeta do Absurdo” é editado desde o início dos anos oitenta.
Transportadores do Povo

No meu trabalho tenho a necessidade de viajar por várias cidades do interior do estado (no caso, Rio Grande do Norte). No deslocamento utilizo mais os chamados alternativos do que os ônibus de linha. Os motivos são vários, melhor preço, maior rapidez na viajem, enfim um melhor custo-benefício. Agora existe outro motivo que me faz optar por esse tipo de meio de transporte. Nos carros alternativos, posso conversar com diversas pessoas diferentes, ouvir histórias de vida, anedotas reais, e vários causos nordestinos. Lá os nordestinos que também utilizam o serviço conversam muito, para que a viajem se torne mais agradável e o tempo passe mais rápido.
Existem regras básicas para se pegar um carro alternativo, a primeira delas é nunca se espantar com o estado do carro. Afinal eles rodam muito, e são meio acabados mesmo. Depois é sempre por o cinto de segurança e procurar um lugar bem ventilado, pois andar pelo sertão não é nada agradável, principalmente no verão. Nessas andanças sempre me deparo com carros cuja porta por dentro não tem o puxador para abri-la, nem tão pouco a manivela para se baixar o vidro. Bom, isso é o mínimo. Já peguei um velho Chevette, num dia de chuva, que tinha uma goteira bem em cima do meu pé. Coisa não rara nesses carros são os buracos na lataria. Pois é, chovia mais dentro do que fora do carro. Sai ensopado. O motorista me garantiu que iria voltar no funileiro que fez o serviço e deixou justamente aquele buraco, provavelmente por que não o vira. Sei. Passei o dia com os pés encharcados.
Tirando o fato da precária conservação dos veículos, existe um lado bom e interessante nessas viagens, o humano. Geralmente o dono do carro é uma pessoa simples, que todos os dias faz das estradas seu campo de trabalho. É um trabalho cansativo, desgastante e se não fosse o gás combustível, não seria muito rentável. Seu Francisco dos Santos, tem 63 anos, e trabalha com frete há 30. Sempre fazendo a rota João Câmara – Natal. Todos os dias faz em média cerca de 5 viagens, cobrando R$ 7,00 por passageiro. Como todos os que trabalham fazendo frete, ele tem medo da violência, mas diz que nunca foi assaltado. E, faz questão de enfatizar, nunca se envolveu em um acidente, mas já perdeu vários colegas nas estradas. Seu Francisco tem uma família de cinco filhos, e mora com eles e a esposa. Consegue sustentá-los apenas com o dinheiro que ganha fazendo as viagens. Seu rendimento mensal é em torno dos R$ 1.100,00, já tirando os gastos com o carro e com combustível. – Depois que surgiu o gás, melhorou bastante nossa vida por aqui – comenta ele, sobre o gás natural, combustível que está presente em todos os carros de transporte alternativo.
Feijoada Completa

Feijoada Completa
Mulher, você vai gostar
Tô levando uns amigos para conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada para um batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher, não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa e nem dar lugar
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tira-gosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo limão
E vamos botar água no feijão
Mulher você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja - bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher, depois de salgar
Faça um bom refogado que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
É melhor temperar a couve mineira
Diz que ta dura, pendura, a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão
(Chico Buarque)
Quando Tom Jobim sentenciou que “O Brasil não é para amadores”, será que pensava no consumo de uma boa feijoada? Afinal, feijoada não é para amadores, mesmo. Sérgio Porto, conhecido pela sua alcunha de Stanislaw Ponte Preta, dizia que uma feijoada só é completa com a presença de uma ambulância. Mais que um prato, a feijoada é uma instituição nacional, cuja origem tem raízes na própria história do Brasil.
Só um pouquinho de história
O ingrediente principal da tradicional feijoada brasileira é o feijão preto, um vegetal nativo da América do Sul. Desde os primeiros anos de colonização que os relatos registram que o feijão se tornara ingrediente principal das refeições de escravos e pessoas de baixa renda, dada à facilidade do cultivo, baixo custo e o alto valor nutricional. O cultivo do mesmo se espalha pelo território nacional, acompanhando a colonização. Outras variedades do feijão acabaram sendo introduzidas pelos europeus no território, mas o sabor do feijão preto passou a ser apreciado pelos portugueses, também.
Todo mundo sabe que a feijoada foi criada por escravos, que usavam os restos que não eram aproveitados nas refeições da casa grande, como pé de porco, orelha de porco e otras cositas do gênero. Uma das divulgadoras dessa tese é a escritora Eda Romio, que afirma que tal iguaria começou a ser preparada em idos do século XVI pelos escravos nas senzalas.
Mas existem controvérsias, e alguns pesquisadores negam essa versão popular. O argumento é que os ingredientes suínos utilizados na receita, como orelha, pés e rabo, não eram considerados restos e eram apreciados inclusive na Europa. Outro argumento, inclusive levantado por Câmara Cascudo, é que havia, na época, muitos tabus quando a mistura de certos ingredientes, que poderiam vir a “fazer mal” a quem comesse, sendo a alimentação dos escravos basicamente feijão e farinha.
A feijoada seria, então, uma versão local de outros pratos de origem européia, que misturam diversos tipos de carnes, legumes e verduras, como a paella espanhola ou o cassoulet francês. Os portugueses acabam trazendo para sua colônia o preparo do cozido, que originalmente utilizava variedades européias de feijão e outros legumes e verduras. Com o tempo, o sabor do feijão preto passou a ser apreciado pelo paladar lusitano, e o feijão preto se introduziu no preparo do prato, surgindo assim a feijoada, por volta do século XIX.
Não existe uma única ou uniforme receita de feijoada. Em todo o território nacional, ela tem variações, além dos toques pessoais de cada um que venha a prepará-la. Novamente citando Câmara Cascudo, ele afirmava que a feijoada era um prato em constante construção, com cada região agregando ingredientes ou acompanhamentos. No Rio de Janeiro e adjacências, faz parte da tradição acompanhar a feijoada com caipirinha, laranja, farofa, couve e arroz, além do tradicional Molho Carioca, composto de pimenta, sumo de limão, sal e salsa. Aqui no Nordeste, apesar do calor, o prato é bem apreciado o ano todo, como no Rio de Janeiro. Normalmente na Bahia não é utilizado rabo e orelha na receita. Mais ao Sul, é mais comum servir no inverno.
Morre uma Estrela!?!

A moda de morrer continua a todo vapor, e o que não faltam são candidatos para o famigerado fim. Dessa vez o travesti mais famoso do Brasil, que deu uns pegas no Ronaldo, se juntou ao grupo dos pés juntos. Morreu, mas não se sabe o que aconteceu. Alguns especulam que alguém deu um calaboca no(a) coitado(a), contratando um matador do nordeste. Moziel? Bom, o enterro acontece logo mais, no cemitério Santa Lídia. A agenciadora da modelo/travesti já disponibilizou no seu blog as inscrições para quem quiser concorrer aos ingressos para assistir a cerimônia, junto com um show em homenagem ao defunto. Já se sabe que a bandeira do corinthians irá cobrir o caixão. E como diria Vera Verão: bicha não morre vira purpurina!
Promoção meus Eggs!

Desde criança sempre tive a vontade de participar das promoções que os produtos faziam e de ganhar algo. Nunca ganhei nem um galeto no bingo da esquina, mas a quantidade de promoções é enorme, mesmo sabendo que a dificuldade de ganhar algo é diretamente proporcional ao que fatura a empresa que faz essas promoções mirabolantes.
Resolvi tocar nesse tema por me deparar com mais uma promoção cheia de frescura e dificuldade de ganhar, como de praxe. A promoção dos postos BR. Vai em um posto BR, enche o tanque de gasolina cara, escolhe uma cor e concorre a 75 kits super fantasticos da mega-ultra-promoção do posto. Pode ser amarelo ou verde, um com o kit classico e o outro com o kit moderno. Fico imaginando as famílias chegando no posto, enchendo o tanque e cheios de esperança escolhendo a cor e colocando na urna. Vejam a sacanagem, são 75 ou 1000 kits desses, contra cerca de sei lá, 1 milhão de concorrentes? Que isso, que desvantagem, só pra criar expectativa? Só para ludibriar com promoções bonitinhas que enchem os bolsos dos donos das empresas e das agencias de publicidade?
Me lembro da promoção da pepsi, na época se não me engano de um filme do Batman, onde a pepsi estava sorteando um Eclipse zero km, preto e lindissimo, tomei mais pepsi que o meu estômago aguentava e quase morro. E o eclipse não sei nem quem ganhou. Bom, claro que a promoção atingiu o objetivo, vender mais pepsi do que o habitual e de quebra fazer umas propagandas extras para o carrão. Hoje quando vejo um Eclipse na rua só me lembro de nunca mais beber pepsi.
Agora a moda das promoções é outra, mostrar atores globais com essa conversa de “Ô lá em casa”. São duas promoçoes com a mesma temática, onde a dona de casa decide quem vai entregar o prêmio a ela, entre o bonitão da novelas das 7 ou o das 8, sei lá. Público alvo definido e a mulherada correndo aos supermercados e comprando os produtos, cortando código de barras e gastando tufos. E nada de aparecer uma promoção com a Silva Saint vindo entregar o prêmio aqui em casa.
Em suma, se é pra fazer realmente promoção e pra conseguir vender mais, que tal baixar os preços? Que tal a BR ao invés de gastar um monte de grana com propaganda e com kits valiosos, baixar uns 15 centavos por litro de gasolina vendida? Isso sim seria promoção de verdade, onde todos seriamos contemplados. A gasolina não precisa estar tão cara, e o quartel é um fato. Então aqui eu lanço a promoção: Empresas, se baixarem os preços ganham o maior de todos os prêmios: consumidores. Sem enganação, sem apelo, sem sacanagem. Apenas baixar os preços, ofereçendo a mesma qualidade e quem sabe uma loira como atendente. Isso sim é que é promoção. E fora esses machos do “Ô lá em casa!”.
John Constantine – Um Patife dos Diabos
publicado originalmente em 13/03/2005
Vamos falar aqui de um mago inglês. Mas não se preocupem que não é o Harry Potter. Aliás, a única coisa em comum entre Harry Potter e o nosso personagem é a nacionalidade e o hábito de lidar com o metafísico. Mas fora estes aspectos, há diferenças abissais entre ambos.
Em época em que o mago mais famoso é um rapaz que usa óculos e é bem comportado, já existe a uns vinte anos um outro mago que não é um garoto, fuma e bebe desvairadamente, seu caráter é um tanto flexível e são poucos os seus amigos que sobreviveram a esta amizade para contar suas historias. Estamos falando de John Constantine.
O jovem de Liverpool não era exatamente um exemplo de bom moço. Meteu-se com drogas e arruaças, mas o que realmente mudou a sua vida foi o flerte com a magia negra. E tudo começou na cidade de Newcastle, quando ele e seus amigos tentaram usar de magia negra para enfrentar um demônio que possuía uma garotinha chamada Astra. Ele consegue acabar com o demônio, mas invoca outro pior, chamado Nergal, que reinvidica a garotinha ao inferno. Constantine tenta salvar a menina das garras de Hades, mas escapa do inferno apenas com um dos braços dela. Ele acaba internado como louco, e seus amigos são amaldiçoados pelo demônio, e cada uma acaba caindo em desgraça ao longo de suas vidas.
Mas o arrogante mago inglês não deixaria barato, e ao longo de suas aventuras no mundo do ocultismo, acaba reencontrando o demônio Nergal e se vingando dele. Mas, como em todas as suas histórias, suas vitórias são de Pirro, já que sempre sai com um gosto amargo e por que aqueles que ele usa para atingir seus objetivos morrem de forma pouco agradável, o que torna o personagem mais cínico, pois perde muito de seus amigos desta forma.
Diário de uma Malvada
Esse texto foi escrito por uma antiga colunista do nosso site mais antigo ainda, CrazyMan, Dyell Araújo. Ela é meiga, e nunca frequentou a Blodega. Não gosta de blodegueiros, mas até que escreve bem. Vejamos se está aprovada na nossa mesa:

Diário de uma Malvada
Querido caderno de veludo roxo com letras douradas onde confesso todas as minhas maldades. Como tem passado?
De um tempo para cá a minha vida vem estado numa calmaria sem fim. Não entendo como ser vilã e presidente de uma multimilionária firma de porcelana, alimento e roupa íntima. Depois que matei aquele motorista que me chantageava aproveitei essa calma toda e coloquei silicone. Vilã tem que ser peituda! Hoje, pela manhã, demiti a empregada, Mercedita del Ben, aquela com seis filhos e um marido alejado. Dá para acreditar? A mocoronga loira esqueceu de colocar adoçante no suco de umbu. Fui obrigada a demiti-la, tenho que ser sincera, que enquanto ela chorava implorando para que eu não a demitisse ou pelo menos não a matasse, quase morri de rir, mas me controlei, lembrei que mais tarde teria que me depilar e fingi que não achei divertido ela contando do sobrinho cego. E por falar em sobrinho cego, um vagabundo, isso sim diário, ontem pedi para que ele lavasse minha Beêmi e ele veio com uma conversinha de que era cego, vê se pode? Como se ser cego justificasse alguma coisa. Assim como aquele alejado do marido da Mercedita disse na frente do titio que a culpa de sua deficiencia era minha só porque o atropelei seis vezes seguidas e ainda não prestei socorro. Concidências existem! Pobre! Sempre querendo culpar alguém! Sempre! Leia Tudim... »

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