Heroísmo Blogueiro

Nota do blodegueiro:Bem, com mais de um mês de atraso que posto esse texto. Pouco antes de conseguir acabá-lo o meu velho notebook pediu demissão sem aviso prévio e…Ah, vocês já sabem. Mas antes tarde do que mais tarde ainda.
O escritor americano Michael A.Banks recentemente escreveu 3 livros usando a mesma fórmula: entrevista a 30 personalidades relevantes das novas mídias, no caso os blogs, a web 2.0 e o marketing online. Um desses trabalhos da editora americana Wiley originou o livro “Blogging Heroes”, que foi trazido ao Brasil pela editora Digeratti. A frase de capa desse livro é “As 30 maiores personalidades da blogosfera revelam o segredo do sucesso”. Não, não li o livro para aprender a transformar a modesta blodega num shopping mall virtual, nem tampouco como um manual de auto-ajuda, pois não tenho a mínima vocação ou paciência para ser problogger. Mas fiquei curioso em relação ao conteúdo do livro, que consiste em trinta entrevistas a blogueiros bem conceituados em língua inglesa. Coincidentemente, boa parte desses blogs fazem parte do portal Weblogs,inc, que foi comprado pela AOL em 2005. Desses, a maioria é sobre tecnologias, hardware, softwares, games e gadgets como o Joystiq, Engadget, The Unofficial Aplle Weblog e Download Squad. Há outros temas, como veículos (Autoblog ), dicas para pais (ParentDish), artigos de luxo (Luxist) e dicas para pequenos consertos (DIY Life).
Mas há outros blogueiros fora do cast da AOL, como o “blog mais popular do mundo” Boingboing, o blog de Chris Anderson The Long Tail sobre suas idéias acerca de segmentação de mercado que já foram publicadas em livro e o PostSecret, do artista plástico Frank Warren, que convida pessoas a enviarem postais com a revelação de algum segredo bem pessoal, publicando-os no seu blog. Uma variedade razoável de temas.
Infelizmente, um ponto fraco é que as entrevistas acabam se tornando curtas e um pouco repetitivas, com praticamente as mesmas perguntas a todos os entrevistados, com poucas variações, o que também torna algumas respostas repetitivas. Praticamente todos disseram a mesma coisa sobre a motivação para blogar, que o blogueiro seja apaixonado e tenha entusiasmo pelo tema escolhido, e que seja bem específico nesse tema para atingir determinado nicho, e que, por fim, tenha muito a dizer a respeito, para que o interesse não se esvazie rapidamente.
No caso da edição brasileira, outro aspecto negativo é a tradução. Para quem teve acesso ao texto original deve ter percebido muito mais erros de tradução, mas pelo contexto já dá pra perceber alguma coisa errada. Um dos mais gritantes foi traduzir “humor político” com “humor policial”.
Mas em um apanhado geral, as dicas dadas pelos blogueiros entrevistados podem ser resumidas da seguinte maneira:
- Saber aceitar críticas e reconhecer seus erros;
- Criar seu próprio conteúdo, e não simplesmente replicar;
- Não visar imediato retorno financeiro nem blogar tendo isso como objetivo final.
- Manter regularidade nas postagens, para segurar e garantir visitas
- Procurar responder a e-mails e comentários dos leitores, dedicando tempo e prioridade a tal atividade igual à de elaboração dos posts;
- Confirmar informações antes de publicá-las, mesmo que implique em perder um eventual “furo” ou a liderança na divulgação dos fatos;
- Não existe uma única “blogosfera”, e sim inúmeras, com suas tendências e idiossincrasias próprias;
- Ter paciência, pois o retorno raramente é imediato;
- Evitar postar apenas para aumentar a audiência de seu blog, preferindo postar sobre temas interessantes;
Se tais dicas por si só não lhe garantirem o sucesso, ao menos servem de norte para evitar alguns erros básicos. Nada de tão novo, apenas o uso do velho e bom senso e, no caso, da experiência obtida por estes decanos do ramo. Mas há outros pontos não tão óbvios ou convergentes apontados pelos entrevistados. Quase todos confirmaram que acompanham outros blogs, em média de 150 a 200, mas poucos são os que costumam comentar nestes, e os que comentam preferem comentar apenas quando há algo de relevante a acrescentar, assim o fazendo com pouca constância. Ou seja, nada de “gostei do teu blog, passa no meu”.
Em relação a estratégias de SEO, a tal da otimização para sites de busca, objetivando um incremento nas visitas, não há um consenso, e para surpresa de muita gente, muitos afirmaram não se preocupar com isso, e que o que atrai visitas é conteúdo de qualidade e original, postado regularmente, algo que vai um pouco na contramão dos “manuais” e dicas para blogueiros que constantemente vemos pela Internet. Peter Rojas, do Engadget, não acredita em SEO, e Robert Scoble, do Scobleizer, defende que o bom conteúdo derruba o SEO. Alguns procuram equilibrar as técnicas básicas de SEO com bom conteúdo, e no geral foram poucos os que admitiram empregar essas técnicas, em maior ou menor grau. Deborah Petersen, do Life in de Fast Lane, começou a blogar como uma alternativa para melhor divulgar o site da empresa de transportes da família, a Fast Lane, e o próprio blog era uma técnica de SEO. Joel Comm, do joelcomm.com, emprega SEO justamente por seu site ser mantido inteiramente por publicidade, e inclusive ele escreveu o livro “The Adsense Code”, explicando como otimizar a exposição e retorno de anúncios. Grant Robertson, do Download Squad, apóia o uso de técnicas básicas e válidas, repudiando as técnicas “proibidas”, o chamado SEO Black Hat.
Quanto a ganhar dinheiro com o blog, outro ponto divergente. Entre os blogueiros, há quem privilegie os anúncios (joelcomm.com), outros os possui em pequena quantidade e estão tentando diminuir o número de anúncios (www.arstechnica.com), e alguns que nem cogitam por anúncios no blog (postcripts). Outra questão envolvendo ganhos é quanto a posts pagos ou patrocinados. Alguns até o admitem, desde que o blogueiro informe isso no post. No geral todos preferem manter uma independência quanto ao objeto do post, como por exemplo algum hardware, software, veículo ou equipamento a ser avaliado, evitando receber os itens a serem avaliados como presentes ou ganharem benefícios, tais como passagens ou estadias pagas, para garantir uma maior isenção na opinião.
O livro não traz nem promete nenhuma fórmula mágica para montar um blog bem sucedido e está longe de ser uma receita de sucesso para o blogueiro iniciante. Até porque se isso existir, quem souber não vai entregar o ouro tão facilmente. Como a maioria dos entrevistados já bloga desde a década de 90 alguns antes mesmo do termo “blog” ser cunhado, o que os torna pioneiros, alguns em suas respectivas áreas de postagem, isso significa que suas dicas talvez não valham tanto para alguém que inicia seu blog hoje, em um universo de milhões de blogs, muitos extremamente parecidos entre si. E, em última análise, o livro trata de blogueiros americanos, em sua maioria. É provável que uma versão brazuca do livro trouxesse um tempero diferente.
Não obstante suas limitações, o livro não deixa de ser um apanhado interessante sobre o fenômeno, ajudando a entender suas nuances e características.
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Apesar da falta de novidade, um livro assim só mostra o quanto a blogosfera está, realmente, se tornando mais e mais um assunto altamente debatido, explorado e vendável. Depois daquela matéria da Revista Época (algo como os 80 blogs brasileiros mais acessados), tenho visto vários setores da mídia explorar o assunto.
Agora, são mesmo as 30 maiores personalidades da blogosfera? Como chegar a esta conclusão? Aqui, no Brasil, a maioria dos blogs considerados de grande sucesso não passam de remake e cópia de outros blogs de menos sucesso (mtos deles kibam conteúdo sem dó)… e, mesmo assim, todos dizem que é necessário inovar (?). Estranho…
Abraços o/
Na realidade o autor explica no prefácio que se baseou em rankings do technorati, alexia, digg e similares para obter uma lista dos blogs mais populares, e a partir dessa lista ele foim escolhendo os que achava mais interessantes em diversas categorias, além de recomendações e comentários de outros blogueiros. No frigir dos ovos, acabou sendo uma escolha meio subjetiva, e um ou outro blog interessante pode ter ficado de fora. Mas a grande maioria deles produz material inédito e existem há muitos anos, alguns até mesmo antes da existência de ferramentas de blogagem. Aqui em Pindorama o panorama é bem diferente, já que observamos certos blogs populares que se acabam em poucos meses e que pouco agregam ao que simplesmente replicam. Sim, a blogosfera ainda vai dar o que falar e tem atraido a atenção de outras mídias, mas outras plataformas de mídia social prometem dar uma mudada nesse panorama… Mas isso já dá pano pra outro post. Abraços e apareça na blodega!