Acervo Subtraído

Gostaria que estivesse aqui - mesmo

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Não tenho uma coleção estupenda de livros e CD´s, mas esta ainda poderia ser maior se os ingratos a quem eu procurei compartilhar algumas pérolas se lembrassem de devolvê-las ao legítimo dono. Eu, na ingênua missão de mostrar o que há de bom e satisfazer a curiosidade de amigos e conhecidos, emprestei muita coisa. Muitos devem ter gostado tanto que não se fizeram de rogados para me devolverem as obras em questão.

Por isso, criei a categoria “Acervo Subtraído” para comentar acerca de obras interessantes que não mais estão em minhas mãos e aproveitar para tentar refrescar a memória desses pobres amnésicos para, quem sabe, se redimirem e devolverem o objeto citado. Prometo que não cobrarei multa, até porque se fosse contar o tempo da multa, dava pra comprar um carro zero. Por isso, hoje se quero indicar algo para ser lido, visto ou ouvido, indico o link pra download. Se forem subtrair alguém, que o façam com o artista diretamente, sem intermediários.

Para inaugurar essa nova categoria, lembro de três CD´s (na verdade quatro, já que um é duplo) que me escaparam do meu porta-CD´s portátil o qual carregava junto com um velho CD-Man em minhas viagens a trabalho. A ingrata que os levou nem se deu ao trabalho de querer as capas, e caiu na estrada. Sinto muitas saudades dela, mais ainda de meus discos. Por isso, esse post é dedicado a você, Ana Luisa.  Vão-se os CD´s, ficam as capas. Beijão.

Toquinho e Suas Canções Preferidas

No meio da década de 90, um modismo inspirado na série da MTV americana “Unplugged” virou praga no mercado fonográfico, e a mania de saírem versões “acústicas” de conhecidos artistas acabou sendo mais uma estratégia caça-níqueis das gravadoras para reciclar o acervo deles relançando-os com nova roupagem e arranjos elaborados. Por isso, o nome “acústico” na capa desse songbook do Toquinho poderia remeter a essa oportuna prática. Mas na verdade essa versão “acústica” é filhote do songbook original, que foi lançado em CD-ROM pela Paradoxx no final de 1996 com 30 de seus maiores sucessos em versão voz e violão. O CD-ROM continha essas versões, as partituras, cifras, letras das músicas, fotos e alguns vídeos.  Com a repercussão junto aos fãs, a gravadora lançou as versões das músicas em CD duplo de áudio, intitulado “Toquinho e Suas Canções Preferidas” em uma embalagem especial com livreto.
E, ao contrário das costumeiras versões acústicas, não havia osquestras ou instrumentistas com arranjos rebuscados acompanhando, apenas Toquinho e seu violão, o que já vale por um quarteto de cordas.  A introdução de “Aquarela” já foi suficiente, na época, para me fazer desembolsar a grana, e todas as músicas são excelentes.

O CD-ROM teve uma tiragem limitada e não foi relançado. Já o CD ainda permanece em catálogo, porém sem a embalagem especial das primeiras tiragens. O que é uma sacanagem, porque nem a embalagem original me sobrou…

Nuno Mindelis e Cream Crackers

O guitarrista angolano radicado no Brasil Nuno Mindelis começou a chamar a atenção ao ganhar um concurso mundial promovido pela revista Guitar Player em âmbito mundial, sendo eleito o melhor guitarrista de Blues. Esse CD em especial não trazia muita informação, parecendo mais uma coletânea oportunista da gravadora Movie Play para aproveitar a onda. Mas na verdade foi o relançamento de seu segundo CD, “Long Distance Blues”, de 1992. Mas já era o suficiente para saber ao quem o guitarrista veio. Também criou asa sem precisar de Red Bull. Ao menos consegui comprar esse CD em um sebo, e depois peguei trabalhos ainda melhores, como “Blues on The Outside” e “Outros Nunos”. Inclusive ainda tenho a capa do que foi subtraído.

Astor Piazzolla – Tango, Nuevo Tango

Sobre Piazzolla, falei bastante no velho site Crazy Man há alguns anos, e o texto ainda está lá. Lançado pela gravadora Kuarup, trazia o registro de sua última gravação ao vivo, de novembro de 1989. Falecido em 4 de julho de 1992 após meses imobilizado por um derrame,  o velho argentino deixou sua marca na música argentina e na música mundial, desconstruindo e reconstruindo o tango. Durante sua longa carreira ele experimentou diversas formações, desde ser acompanhado por octetos, quintetos, quartetos ou orquestras sinfônicas. Mas a formação desse disco parece ser a perfeita, acompanhado por piano, bandoleon, violoncelo, contrabaixo e guitarra. Até hoje é a mais pungente interpretação de seu maior sucesso, “Adios Nonino”. Adquiri outros bons discos de Piazzolla, inclusive interpretado por outros, mas esse é ainda o que eu acho melhor, e o que eu NÃO acho em canto nenhum, já que saiu do catálogo da Kuarup há muitos anos. Aliás, nem a Kuarup tá mais no mercado, pelo que sei. Só me restou a capa, mesmo.

Se eu não for processado, em breve mais textos nessa nova categoria.

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