O porquê de ter desistido da física

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Sobre física quântica e a ciência de ouvir impropérios

Nota do blodegueiro: Li há alguns dias esse artigo no Nerd somos Nozes e lembrei de que havia escrito algo sobre o tema há algum tempo para o velho Busilis. Enquanto eu aprendo a adestrar pinguins (e espero uma Internet decente) aqui vai mais uma reprise. Inté!

Junto com muitos de minha geração, fui profundamente influenciado pelo finado Carl Sagan e sua série de divulgação científica chamada “Cosmos”, que foi relançada em DVD há alguns anos. Na minha juventude, claro que tive sonhos românticos de me tornar um cientista e salvar o mundo a partir de um laboratório. Claro que isso mudou quando descobri que, no Brasil, quem vive de ciência está normalmente a um passo da fome.

Mas o mal estava feito, e me meti na área de exatas. Houve, claro, um período que me desentendi com os números e me enveredei pelas veredas da área de humanas. Mas isso é assunto para outro texto, e me conciliei com as ciências exatas. E ao concluir um curso desta área, o fascínio pelas ciências exatas voltou, e me inclinei a estudar seriamente física, além do conhecimento aplicável a minha área, devido ao fascínio inerente a obtenção de conhecimento nessa área. Mas acabei desistindo de uma jornada mais profunda. Mas por uma causa menos óbvia.

Desisti da Física simplesmente porque, se você tenta enveredar pela Física Quântica, acaba se envolvendo em mal entendidos e nunca é compreendido. Aliás, compreender a Física Quântica em sua totalidade é coisa para uns cinco homens de todo o planeta. A gente pode, se muito, tentar entender algumas analogias. O que já é algo bem complicado, já que os conceitos mais caros à mecânica quântica tiram um sarro contra o senso comum e a lógica normal das coisas. Princípio de Incerteza, Teoria da Superposição e Gato de Schrödinger são coisas que entortariam o raciocínio de qualquer cidadão razoavelmente informado. Aliás, pronunciar Schrödinger já é tarefa muito da estranha.

Vou citar apenas um exemplo. Uma das características de algumas partículas é que elas podem assumir simultaneamente dois estados. A alegoria do gato de Schincariol Schrödinger seria enfiar um gato dentro de um caixote com um dispositivo ligado a uma cápsula de veneno, que pode ser acionada a qualquer momento. Enquanto a caixa está fechada, não se pode definir se o gato está vivo (e mandando os físicos à merda) ou se já foi dessa para melhor. Pelo raciocínio da mecânica quântica, assume-se que o gato está vivo E morto, simultaneamente, devido a esta incerteza de seu estado, e da impossibilidade de se definir o estado sem interferir no mesmo. Lindo, não? Não é George Romero, mas gatos mortos-vivos atormentam muitos estudantes de física. E o pior é que este raciocínio funciona, pelo menos é o que dizem.

O grande problema é que, sempre que eu vou explicar a Teoria da Superposição ou exemplificar com a alegoria do gato de Schupaquiédiuva Schrödinger, eu praticamente escuto a mesma coisa de meus interlocutores:

- Vai te foder, Moziel! Que porra é essa?

Isso aconteceu quando elaborava uma breve apresentação sobre criptografia que envolvia a menção de computação quântica, que utiliza a Teoria da Superposição para sua lógica binária. Claro que, ao tentar mostrar como um computador quântico teórico funcionaria com bits que seriam 0 e 1 simultaneamente, ouvi o sonoro “Vai te foder, Moziel! Que porra é essa?”. Pior é quando eu exponho a teoria alternativa, que é a dos múltiplos universos paralelos, onde a partícula de outro universo acabaria interferindo na partícula deste universo. Aí eu escutava um “Vai tomar no cu, cacete!”. Haja incredulidade, oras!

Por estas e outras que desisti de me enveredar nesse universo numa casca de noz. Vou ter que me contentar com a boa e velha física clássica de Newton. Pelo menos é mais fácil explicar como uma jaca acaba caindo na cabeça de algum desavisado do que tentar descobrir por que existem exatamente três gerações de quarks e léptons. Como diriam a mim, vai te foder, cazzo!

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2 Pediram Fiado para “O porquê de ter desistido da física”

  • Michelangelo:

    Moziel tu é um cabra muito otimista, reduz ai esse número de entendedores da mecânica quântica mais um pouco que chega mais perto. Nem o bom velhinho acreditava nisso, e olha que a coisa ainda estava só começando, e não porque ele era clássico não, pois ele cagou e andou pra Newton. É que esse negócio de ta lá ta cá ao mesmo tempo soa um pouco como incapacidade humana de determinar com precisão esses fenômenos. Mas é como você disse mesmo, que uns poucos caras afirmam que funciona. São uns PHOODAA.

    • Se tu que é físico tá dizendo isso…Por isso que muita gente prefere ler “O Segredo” ou coisas assim. Parece que fazem mais sentido. Ao menos Planck comparou os quanta com garrafas de cerveja, o que dá uma ideia do que os físicos fazem nas horas vagas e de onde tiram estas metáforas malucas…Abraços, cabra!

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