Manual do Escoteiro Mirim x O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Para a geração atual que elevou o google à condição de oráculo universal, anos, quiçá décadas antes, já havia algo que funcionava tão bem quanto o google para se descobrir como se pede um caldo de cana em aramaico ou para saber o caminho mais curto para Alpha Centauri. Estamos falando de dois livros fantásticos da cultura popular. Um deles é o “Manual do Escoteiro Mirim”, sempre presente nas mochilas de Huguinho, Zezinho e Luizinho, e o outro é o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, ferramenta deveras útil que dá título a série de livros de Douglas Adams que narra as aventuras e desventuras do último terráqueo, Arthur Dent. Esqueçam o Google. Mas qual é o melhor dos dois? Vamos a um breve comparativo…

guideb.jpgPara quem leu as clássicas histórias do Tio Patinhas escritas por Carl Barks, sabe que a maioria das buscas do velho pão-duro em busca de tesouros escondidos em cidades perdidas no meio do nada se originaram de alguma informação contida naquele livrinho carregado por Huguinho, Zezinho e Luizinho. E de tão alegre, o pão-duro Tio Patinhas sempre dobrava sua contribuição anual aos Escoteiros. Mas como o dobro de nada continua nada…

E quando a aventura propriamente dita começa, a família Pato sempre se mete em enrascada. Como eles não são parentes de Jack Bauer, não apelam para a violência, senão os Metralhas estariam mortos desde os anos 50. Sempre utilizando de saídas inteligentes e engenhosas, os sobrinhos de Donald  apelam para o pequeno livro quando todos estão metidos em algum rabo-de-foguete. E praticamente em todas as situações o livrinho tem uma resposta útil, seja para encontrar alguma passagem secreta em algum castelo em ruínas, aprender a pilotar naves extraterrestres ou saber qual a dieta mais indicada para unicórnios. E (quase) sempre o Tio Patinhas enche os cornos de ouro e os escoteiros colecionam mais medalhas de honra ao mérito.

Segundo as lendas de Patópolis (não confundir com Patos, na PB), esse livro foi escrito originalmente pelos guardiões da Biblioteca de Alexandria e descoberto pelo fundador da cidade, Cornelius Pato, cujo filho teria fundado os Escoteiros-Mirins para protegerem este livro. Nesses tempos em que o Universo Disney está prestes a se fundir com o Universo Marvel, talvez venhamos a saber se o Manual dos Escoteiros também conterá informações definitivas sobre o passado de Wolverine, de como reconhecer um Skrull disfarçado de herói ou saber como o Surfista Prateado satisfaz suas necessidades fisiológicas… A dúvida é saber como diacho cabe tanta informação em um livrinho do tamanho daqueles livros “Sabrina”…site_28_rand_1262454774_hitchhiker_maxed.jpg

Ao menos esse não é o problema de nosso outro livro, o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, já que ele é um dispositivo eletrônico multimídia em forma de livro e é constantemente atualizado, sendo o companheiro de aventuras de Arthur Dent e Ford Prefect pelos locais mais estranhos do universo. Se o lema dos escoteiros é “sempre alerta!”, a frase estampada na capa do guia é “Não Entre em Pânico”, mesmo que você esteja flutuando no vácuo sem proteção alguma ou que seu planeta natal seja obliterado em minutos. O “Guia do Mochileiro das Galáxias” é o mais famoso repositório de conhecimento universal, superando em vendas a “Enciclopédia Galática”, até porque é bem mais barata, e é um dos livros mais vendidos da galáxia, superando outros tomos úteis como “A Enciclopédia Celestial do Lar” e “Mais 53 Coisas Para se Fazer em gravidade Zero”, contendo o conhecimento coletado por diversos “mochileiros” espalhados pelo universo afora, que prestam serviço para a Companhia Cibernética Sírius, aquela composta por “um monte de babacas que serão os primeiros a irem para o paredão quando a revolução estourar”. E um desses mochileiros é o filho do planeta Betelgeuse, Ford Prefect, que só conseguiu uma carona para escapar da Terra pouco antes dessa ter sido removida do Universo para dar passagem de uma via expressa hiperespacial. Outro conselho utilíssimo desse guia é o de sempre portar uma toalha, objeto de muita utilidade para qualquer mochileiro, e a única coisa que você precisará quando o universo der tilte. Além de informar a respeito de milhões de planetas e plagas inter-espaciais, traz dicas muito relevantes, como a receita do famoso drinque chamado Dinamite Pangalática a partir de aguardente Janx, bem como do endereço completo das ONGs que lhe ajudarão a se recuperar da ressaca. Também dá para descobrir locais interessantes, como o Restaurante no Fim do Universo. Só não tem a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo o mais. Aliás, nem a pergunta, já que todo mundo sabe que a resposta é “42″, mas não se sabe exatamente qual a pergunta correta…

Ironicamente, as edições mais antigas do “Guia…” não trazem muitas informações sobre a Terra, sendo seu maior ponto fraco. Aliás, a única informação disponível por muito tempo sobre o planeta azul se resumia a palavra “inofensiva”. Após uma atualização do guia, a informação se tornou mais completa: “praticamente inofensiva”. Elucidador pra cacete…

Mas um defeito em ambos os guias é a ausência de referências ou maneiras de se encontrar um puteiro em cidadezinhas do interior, algo deveras útil para alguns mochileiros e eventuais turistas acidentais. No caso do “guia…”, talvez até ajude nesse quesito, desde que você queira putas com três seios em algum cafundó do outro lado da galáxia de Andrômeda. E o “manual do Escoteiro…” nem pensar, senão seria “manual do escroteiro”. No máximo pode indicar algum tesouro escondido nas ruínas da Casa da Mãe Joana, em Avignon

Mas para isso você não precisa nem de um nem de outro. Mesmo que não seja uma informação que seja divulgada nos classificados do jornalzinho ou difusora da cidade, dá pra descobrir sem maiores dificuldades. Mas também pega mal sair perguntando aonde as putas trabalham pro primeiro transeunte da cidade. O método infalível para se descobrir discretamente a localização da “casa de favores” em qualquer cidadezinha é simples e rápido: passeie descompromissadamente pela cidade até encontrar o padre da paróquia. Puxe conversa, e sem mais nem menos, pergunte onde fica a igreja, informação a qual ele responderá prontamente. Aí complete:
- Ah, então a igreja fica perto da rua do cabaré?
- Nããão! O cabaré fica do outro lado da praça, na primeira rua à esquerda.
- Obrigado, padre!
Isso nunca falha.

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  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
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  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
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