Poesias de Boteco – Parte 1

Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital

Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital

Quando sentamos para tomar uma, as conversas vão longe, e geralmente recaem sobre a porcaria da política, ou o último assunto da moda. No meu caso, procuro sempre molhar o bico, e todo o resto do sistema digestivo, regado a cervejas (litrão, já tomou?) e a uma boa conversa de boteco, que quase sempre, são sobre estórias do interior ou ainda poesias populares do qual eu dou um extremo valor.

Agora peguei a manha de gravar essas poesias declamadas em mesa de bar para que não fiquem perdidas num esquecimento profundo causado pelo álcool. Com um velho celular sobre a mesa pego algumas dessas piadas, poesias, prosas, contos e causos e os gravo, numa qualidade ruim de lascar, mas que dá pra transcrever. Agora com algumas na mão, resolvi colocá-las na Blodega e compartilhar com vocês, em doses homeopáticas, pois sei que não é a mesma graça e emoção que elas tem quando são declamadas após alguns copos. Para tentar contornar esse problema,  vai uma dica: leiam embreagados!

A que se segue é de um poeta desconhecido do interior da Paraíba, cujo o declamador melado não lembrou o nome. Lembrou apenas que ele era o barbeiro de uma cidade pequena, e descobrindo que tinha uma doença que fatalmente o levaria a morte escreveu:

Sou um vivo semimorto no leito da desventura
Meu remédio é amargura e a tristeza é meu conforto
Remando o barco pro porto da esperança perdida
E a matéria convencida desiludida da sorte
Só esperando que a morte parta a corrente da vida
De viver tenho vontade, me esforço, luto e pelejo
Mas olho atrás e não vejo os dias da mocidade
Ja descambei da metade estou chegando ao fim
Nada pra mim é ruim, nem a saudade me afronta
E brevemente tira a conta dos dias que faltam a mim

De acordo com o declamador, que em outra oportunidade falarei mais sobre ele, quando era menino escutava isso do seu pai, que sempre se lembrava do velho barbeiro. Se alguém souber a autoria dos versos ou tiver algo a acrescentar fique a vontade em comentar.

Estou gravando mais coisas, e com certeza voltarei a postar tudo que for interessante, pois conversa de bebo também é cultura.

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8 Pediram Fiado para “Poesias de Boteco – Parte 1”

  • [...] os versos ébrios que anda ouvindo pelas mesas de bar que costuma frequentar. E lá na Blodega publicou o primeiro do que ele promete ser uma série (caso se lembre depois da [...]

  • encomtrei a Blodega através da “BESTA FUBANA” aonde tenho a colina PROSEANDOI NA SONBRA DO JUAZEIRO-Carlos Aires onde já publiquei outros trabalhos cachaçais de minha autoria porém esse é o mais recente estou enviando talvêz tenha a ver com as vossas publicações. Fraterno abraço, Carlos Aires

    O SÓBRIO E O ÉBRIO!!!

    O sóbrio!!

    Porque bebes assim meu grande amigo
    Pois caminhas pra o fim a cada dose
    Se não sabes, a bebida é um perigo!!
    Poderá contrair uma cirrose
    É que o álcool aos poucos lhe remete
    Ao caminho que leva a diabetes
    Alterando de vez sua glicose!!

    O ébrio!!

    A bebida me causa apoteose
    Quando bebo esqueço meus conflitos
    Tenho sonhos e delírios tão bonitos
    Com o efeito feliz dessa hipnose
    É por isso que bebo e em resumo
    Sem controle eu faço esse consumo
    Que me leva de vez a psicose!!

    O sóbrio!!

    Caro amigo a bebida lhe devora
    E lhe causa a terrível depressão
    Afetando-lhe a coordenação
    E a perda do senso a toda hora
    A família às vezes intervém
    E o que fazem é apenas pro seu bem
    Evitando que a morte o leve embora

    O ébrio!!

    Se meu time perder é um motivo
    Vou beber pra evitar desolação
    Se ganhar para a comemoração
    A bebida me dar mais incentivo
    E nos goles tomados me deleito
    E assim eu revejo satisfeito
    Cada gol e a vitória do “timão”

    O sóbrio!!

    Mas, amigo a bebida lhe destrói
    Arrasa-lhe e até lhe desfigura
    Demolindo a sua estrutura
    Lentamente aos poucos lhe corrói
    São por isso os apelos veementes
    Da esposa dos filhos e parentes
    Porque vê-lo arrasar-se isso lhes dói

    O ébrio!!

    Eu concordo com a sua insistência
    Mas escute meu caro companheiro
    Se não bebo, da fábrica ao barraqueiro
    Um a um irão todos a falência
    Pra o comércio não sentir esses abalos
    Estou bebendo no intuito de ajudá-los
    Agradeço-lhe, mas tenha paciência!!

    Carlos Aires 24/09/2009

  • Desculpem a falha a minha coluna no blog BESTA FUBANA é PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO-Carlos Aires. Carlos Aires Carpina PE.

  • Valeu Carlos Aires, excelente poesia, da até pra fazer uma cantoria!! Anotei ela aqui para declamar em uma das mesas do bar da esquina, na eventualidade da proxima tomação de cervejas! Me identifiquei com o ébrio, claro, o pobre só esta tomando uma no intuito de ajudar do dono de bar ao que fabrica…
    Por um acaso, você tem algum parentesco com o nosso estimado Moises Aires da Silva, ou no interior é assim mesmo, primos sem ser primo temos de monte?
    Obrigado pelo comentário e apareça na Blodega para tomar uma!

  • Olá Tio Xico obrigado pela carinhosa resposta segue outro poeminha para sua apreciação, quanto ao nosso Moisés Aires existe a possibilibidade de sermos parentes mas por enquanto o primeiro encontro foi na blodega fraterno abraço,Carlos Aires.

    Segue uma cópia do histórico com a poesia do jeito que foi publicado no Bolg jornal BESTA FUBANA (sem a foto)

    APOLOGIA À CACHAÇA!!!

    Publicado por Luiz Berto em PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO – Carlos Aires

    Caro leitor dessa singela coluna, encontro-me afastado dos mundos cachaçais a mais de vinte anos por obra e graça de várias mazelas que fui acometido por conta da “mardita” e também por problemas cardíacos, mas, proseando na sombra do juazeiro com meu sobrinho professor Zé Arlindo e meu irmão Gildo Aires, do” Pé-de-Porco do Gildo” na COHAB III lá do país de Caruaru resolvi homenagear aqueles leitores que gostam da “branquinha”a famosa “água que passarinho não bebe” e dedicar aos nobres leitores “Bestanos Fubanenses” que apreciam o “Saboroso liquido” o poema que segue abaixo com a devida foto adequada para ilustrar a poesia.

    Fraterno abraço, Carlos Aires

    APOLOGIA A CACHAÇA!!!

    De primeiro só bebia
    Caboclo negro e mulato
    Hoje gente de recato
    Bebe de noite e de dia
    Até vossa senhoria
    Eu já vi acontecer
    Nas ruas tombar pender
    Fazer seus passos errados
    Se, bebem os ilustrados
    Não é defeito eu beber

    Eu já vi no bar bebendo
    Engenheiro, deputado
    Major, coronel, soldado
    Até mesmo o reverendo!!
    Pelo que estou percebendo
    A bebida deve ser
    Algo que só dar prazer
    E não de imoralidades
    Se, bebem as autoridades
    Não é defeito eu beber

    Bebe o padre bebe a freira
    Bebe o espírita e o crente
    Vejo que a aguardente
    Aquela cana brejeira
    Conquista de uma maneira
    E como se pode ver
    Se, bebe aquele que crê
    Crente, espírita, freira e padre
    Então veja meu compadre
    Não é defeito beber

    Se o time for vencedor
    De uma competição
    Haja comemoração
    Tomando cana em louvor
    Porém em outro setor
    Vendo seu time perder
    Bebendo pra esquecer
    Na cachaça ele se vinga
    Metendo a cara na pinga
    Não é defeito beber

    Bebe-se por quem nasceu
    Quando ao mundo vem a luz
    Ou se acaso deixa a cruz
    No lugar em que morreu
    Quem foi que já não bebeu
    Alguém queira me dizer
    Se apenas por lazer
    Por alegria ou tristeza
    Secando a taça na mesa
    Não é defeito beber

    Um bêbado inveterado
    Que já está de cara inchada
    Se acorda de madrugada
    Toma um gole caprichado
    Chega fica arrepiado
    Sentindo a cana descer
    Ele espera amanhecer
    Levanta de perna fraca
    Vai correndo pra barraca
    Não é defeito beber

    Chegam em casa com ressaca
    As mulheres não aceitam
    Tem delas que até o enfeitam
    Com alguns biliros de vaca
    Diz, não agüento a inhaca
    Sendo assim não vou querer
    Estragar o meu viver
    Com um ser dessa qualidade
    Ele diz com humildade
    Não é defeito beber

    O ébrio não é doente
    É apenas viciado
    Se acaso for bem tratado
    Abandona a aguardente
    Quando sóbrio e consciente
    Logo irá compreender
    Que depende do querer
    Para mudar de repente
    Bebendo socialmente
    Não é defeito beber

    SI Ô6 BB I N1 PÁH Ô6 VÃO T K7 !!!!!!!!!!!!

    Beba com moderação

    Autor:Carlos Aires

  • Ismael Gaião:

    Também não sei a autoria deste poema, mas aconselho que ele seja lido e escrito como foi criado, ou seja, em duas glosas (Décimas de Sete Sílabas):

    Sou um vivo semimorto
    no leito da desventura
    Meu remédio é amargura
    e a tristeza é meu conforto
    Remando o barco pro porto
    da esperança perdida
    E a matéria convencida
    desiludida da sorte
    Só esperando que a morte
    parta a corrente da vida

    De viver tenho vontade,
    me esforço, luto e pelejo
    Mas olho atrás e não vejo
    os dias da mocidade
    Ja descambei da metade
    estou chegando ao fim
    Nada pra mim é ruim,
    nem a saudade me afronta
    E brevemente tira a conta
    dos dias que faltam a mim

    A propósito, sou cordelista e colunista (coluna “Colcha de Retalhos”) do Jornal da Besta Fubana e gostei demais desse seu blog.

    Tenho um cordel intitulado “ORAÇÃO DA IGREJA GLACIAL DO QUEIJO DO REINO DE DEUS”, e acho que você vai gostar.
    Abraços,
    Ismael Gaião

  • [...] 5th, 2010 | Autor: Moziel T.Monk Há algumas semanas nosso compadre Washington Tio Xiko abriu o mote de poesias de boteco para declamar aqui no balcão da bodega, com a concordância deste, que já ouviu muita poesia [...]

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  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
  • suzilene: caraca o coelhinho é´loco e tarado e lindinho*-* fiado e´bom de mais. 100% play boy
  • Vampira Dea: Ótimo blog e post, parabéns. Os caras eram burros mesmo rsrrs

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