Archive for novembro, 2009

Toda Nudez Será Castigada?

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Das coisas que misteriosamente viram hit na Internet, uma recente é um vídeo no qual a Joana Prado, conhecida nos anos 90 pelo nome artístico de Feiticeira, ao participar de um programa de auditório, chega a chorar ao pedir que o apresentador não usasse imagens dela no tempo em que encarnava a personagem criada por Luciano Huck nos tempos do programa “H”, da Band, sob a alegação de que hoje ela é evangélica e quer se desvincular desse passado. Para os que não se lembram ou não viveram esta época, a personagem Feiticeira foi um fenômeno do erotismo nos anos 90, rebolando e dançando com mais pano no rosto do que no resto do corpo, e Joana Prado saiu três vezes na Playboy, dando uma subida nas vendas da revista (entre outras coisas). Mesmo lhe rendendo fama e dinheiro,a outrora loira surfista de corpo sarado renega este tempo com todas as forças após se cornverter ao evangelho.

Joana não é a primeira modelo, atriz ou qualquer epíteto válido para belas mulheres que chegaram à fama devido a um belo corpo, exibindo-o com pouca ou nenhuma roupa que se arrepende do passado, abraçando alguma religião e renegando os tempos nos quais a rapaziada babava por suas curvas. Da época de Joana Prado, a meio sumida Carla Pérez, ex-dançarina do É o Tcham e capa da Playboy umas 3 vezes, assumiu sua religiosidade há relativo pouco tempo, e apesar de não renegar o passado, hoje se dedica ao público infantil. Há exemplos diversos, inclusive no cenário internacional. A rainha das pin ups Bettie Page se converteu ao protestantismo no fim dos anos 50 e nunca mais posou para suas famosas fotos sensuais. Mais recentemente a modelo erótica americana Erica Campbell se aposentou do ramo do onanismo após sua conversão religiosa ano passado, deixando milhões de fãs na mão, sem trocadilhos. É óbvio que as religiões cristãs não costumam ver com bons olhos o apelo ao erotismo, e quem abraça tais crenças costuma se desligar das coisas mundanas, com o subsequente arrependimento dos atos pré-conversão. Isso é normal. Há quem lide com tranquilidade com seu passado e outros se envergonham profundamente dele. Se por um lado a macharada se frustra em não mais ver algumas de suas deusas preferidas do jeito que Deus mandou ao mundo, encaremos pelo lado bom, já que muitas dessas encontraram alguma paz de espírito após algum período turbulento. Ou pensa que a vida de celebridade é mole? Se for mole, endurece rapidinho…

Deixando de papo e teorias de botequim e vamos ao que interessa: uma pequena lista de beldades que já tiraram a roupa e que hoje não querem saber do passado nem fodendo. Os frequentadores mais acabados experientes terão boas lembranças, e os mais novinhos terão uma rápida aula de história.

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Atrasadinhas de Sábado – Dubai, tôla

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Já que na sexta-feira faltou rapidinha, aí vai umas atrasadinhas. Mas poucas, que ainda estou me recuperando:

- Ontem mais um que assume que deve, não nega e paga quando puder. Mas dessa vez não é nenhum sócio brasileiro do Serasa Social Clube, e sim a grande potência econômica árabe, Dubai, que raspou o cheque especial. E pior, nem tem décimo-terceiro pra receber, o que ajudaria um bocado. Na minha humilde opinião de economista de b(l)odega, o grande estopim da crise em Dubai não foi o imenso gasto em obras faraônicas, como ilhas artificiais em forma de palmeira ou prédios gigantescos. O que levou os dirigentes do país a terem seu nome na “caixinha das almas” do crédito internacional foi o velho hábito de manter um harém com dezenas de esposas. Até aí tudo bem, mas o foda foi liberar o cartão de crédito pra mulherada toda. O estrago que isso pode fazer só se equipara a alguma força da natureza. E deu no que deu. Se os emires de Dubai precisarem de algumas dicas de economia doméstica, posso fornecer tal assessoria a preços módicos, e tenho referências, já que todos os meus amigos dizem a plenos pulmões que crio escorpiões no bolso.

- E que história é essa que que o Lula tentou entubar um colega de cela durante a dita dura, digo, ditadura? Saiu ontem natrolha Folha De São Paulo, artigo escrito por Cesar Benjamim, antigo colega de Lula, que entrega uma suposta tentativa de “afiliação forçada” a um jovem militante do MEP que Lula teria confidenciado diante de algumas pessoas durante um almoço, e isso tá dando o maior cu-pra-conferir quiproquó. E no maior estilo “não é isso que vocês estão pensando”, Silvio Tendler saiu em defesa de Lula, falando que foi tudo piada . Bem gozada, por sinal. Então tá. Quem sabe essa história não apareça no filme do Lula quando for lançada a versão do diretor em DVD, sendo devidamente esclarecida? Talvez saia algo mais ou menos assim

Mas cá entre nós, se o nível da “coisa” já está assim, imagina o que virá durante a campanha. O ano que vem promete muita diversão.

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- Governar é como tocar violino

- Por que? Se pega com a esquerda mas se toca com a direita?

- Não, é só virar a cara e meter a vara!

Direto da enfermaria

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Ainda tentando me concentrar para produzir algum post que preste, entre uma costela trincada mal diagnosticada e uma atualização de sistema cheia de bugs. O risco maior não é me viciar em morfina ou outro remédio, e sim no diacho do Twitter. Vamos então a umas rapidinhas para tirar a poeira do balcão:

- Esse texto do blog Com Fel e Limão fez uma analogia excelente entre o crescimento urbano desenfreado e suas paranoias colaterais com as histórias de Asterix. Gostaria muito de ter este insight de associar os paulistanos (ou qualquer morador de uma grande metrópole) estressados e os romanos, “estes neuróticos”, tentando invadir aquele último reduto no meio da Gália para impor seu estilo de vida. De minha parte prefiro me esconder da urbe e continuar no papel de irredutível gaulês, assando javalis na churrasqueira do quintal sem se preocupar com algum vizinho neurótico do andar de baixo.

- E o Ahmadinejah? Já foi é tarde, com perdão do trocadilho. E já falei muito dele aqui na blodega antes. Mas bem que ele poderia aproveitar e levar o Cesare Battisti e dar uma passadinha em Honduras para resolver aquele impasse do Zelaya, com sua sutileza peculiar.

- Fernanda Young tentando salvar o erotismo da Playboy, caso da loira da Uniban, fim do mundo em 2012, apagão, o filme do Lula? Estou pouco me fodendo Nada a declarar. Bem, talvez sobre o fim do mundo, com sorte antes do fim do mês. E com a novela “Caminho das Índias” ganhando prêmio Emmy de melhor novela, é melhor começar a levar os sinais do apocalipse a sério…

Agora me deem licença que vou tentar convencer meu ortopedista que cerveja escura é ótima para “colar” ossos…

Dois anos de Farrazine!

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Mais uma vez os conspiradores do Apagatti conseguiram concluir um número do Farrazine. E este é um especial de aniversário, comemorando os dois anos de existência desse periódico eletrônico que tanto sucesso faz entre os nerds e afins. E como diria qualquer publicitário fraco de imaginação, quem ganha o presente é você! Acabei de baixar meu exemplar e ainda o estou folheando, mas já vi que tem ótimas matérias sobre Milo Manara, a série Fringe e suas semelhanças com Planetary, outra com dicas sobre escrever e criar histórias em quadrinhos, o mundo de Beakman, contos diversos, a penúltima parte da série “Albaria”, entrevistas com ALZIR ALVES e RAIMUNDO GUIMARÃES, mais uma pá de coisa interessante, as quais ainda estou lendo. Inclusive tem uma pequena participação minha nesse número com um pequeno depoimento na seção de cartas. Por isso, o jabá dessa vez terá desconto.

Mas vejam por si mesmos e façam o download, na Versão Rar ou na versão PDF

A Montanha de Abutres da Imprensa

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"Uma estudante foi hostilizada por usar uma roupa inadequada na faculdade? pode deixar que eu escrevo a matéria!"

Nota do blodegueiro: esse texto é mais um dos que publicamos no finado Busilis, e como as coisas não melhoraram muito -aliás, pioraram – republicamos o dito, com poucas mudanças, em homenagem a todos que caíram em um buraco durante o último apagão.

Todo estudante de jornalismo já ouviu falar do filme “A Montanha dos Sete Abutres“. Dirigido por Billy Wilder em 1951, conta a história do repórter sem escrúpulos Chuck Tatum, que está trabalhando no cu do Judas, mas aguardando a chance de publicar uma senhora história que o levará de volta aos grandes jornais. E essa chance aparece quando Leo Minosa, um trabalhador, fica preso em um buraco na montanha do título. Ele transforma o ocorrido em um verdadeiro circo, ameaça autoridades locais na intenção de prolongar ao máximo o resgate do pobre para extrair até o tutano aquele fato. Até a esposa do infeliz que está no buraco se aproveita da eventual fama. O filme é usado como crítica a imprensa sensacionalista e irresponsável, e como exemplo a não ser seguido pelos alunos de jornalismo.

Obviamente quando se formam e vão estagiar em alguma redação de um grande jornal, os jovens descobrem que o que ocorreu no filme é fichinha se comparado à realidade atual, e Chuck Tatum é uma moça perto de alguns redatores e editores da chamada grande imprensa, que devem achar que o clássico de Billy Wilder é uma comédia leve. Com isso em mente e sem absolutamente nada mais importante a fazer, maquinamos um exercício mental e imaginamos como seria o episódio retratado no filme nos dias atuais e se passando no Brasil. O cenário da coisa seria mais ou menos o seguinte:

- O repórter Chuck Tatum, além de cobrir o fato para um grande jornal, manteria uma conta do twitter atualizada constantemente, além de um videolog e uma comunidade no orkut

- Leo Minosa não estará preso em uma caverna, e sim em um túnel de fuga de uma cadeia paulista, e ficaria soterrado por causa das obras do metrô de São Paulo ou do Rodoanel.

- O repórter nem precisará chantagear autoridades para que atrasem o resgate. As autoridades envolvidas seriam tão incompetentes e as equipes de resgate tão mal equipadas que o resgate demorará dias ao invés de horas

- A esposa de Minosa começa a aparecer na mídia, e logo recebe um convite para posar para a Revista Playboy e atuar em uma produção da “Brasileirinhas”

- Uma garota de programa que mantém um blog afirmará que Leo Minosa largou a esposa pra ficar com ela, e depois escreverá um livro sobre o assunto;

- A equipe do Pânico aparecerá no local e perturbará o repórter escroto com perguntas infames, como “Em buraco que Minosa cava, Tatum caminha dentro?”. O repórter Vesgo levará uns cascudos e o vídeo fará sucesso no Youtube

- Simony aparece na Rede TV! afirmando estar grávida de Leo Minosa, e fecha um contrato de exclusividade com a Luciana Gimenez para filmar e transmitir o parto

- Gugu Liberato cobriria o evento em seu programa e ainda tentaria promover o encontro do prisioneiro com sua família que reside em São José da Lagoa Tapada, interior da PB. Esses não queriam vê-lo nem pintado de ouro, mas com a grana entrando, claro que estariam esperando de braços abertos;

- Sairá uma matéria na Revista Veja culpando o governo Lula e implicando Dilma Roussef na confusão. Diogo Mainardi inventará um factóide ligando a prisão de Minosa a um esquema de corrupção de prefeituras petistas

- Leo Minosa já seria convidado a participar de Reality Shows, Talkshows, programas de auditório, uma participação no “Zorra Total” e para posar para a revista “G Magazine”. Com sorte, ele não escaparia vivo e seria poupado de tudo

- E mesmo que, após quinze dias esperando ser retirado do buraco, Leo Minosa ainda estivessea vivo, haveria uma grande chance de que ele morra vítima de uma bala perdida, arrastado durante uma tentativa de assalto a ambulância, atropelado por um avião que derrapou da pista de Congonhas, assassinado pela polícia ou no corredor de um hospital esperando atendimento durante uma greve dos funcionários da saúde

- Agora multiplique isso por 5 se por acaso ele estivesse usando um vestido curto rosa-choque em uma universidade do ABC paulista antes de cair no buraco. Aí o título do filme deveria mudar para “A Faculdade dos 700 Abutres”…

Paciente sem paciência

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Com o blecaute de terça, muita coisa caiu. Inclusive eu em uma porra de uma vala, o que me deixará de molho por uns dias, já que estou mais quebrado do que banqueiro americano. Apesar da minha insistência, os médicos me proibiram de usar Internet, já que meu plano de saúde não cobre conexão wireless, como também me recomendaram moderação ao consumir piadas prontas sobre o apagão e a loira da Uniban. Afinal, só dói quando não rio.

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“Ele não quer largar o celular e o notebook? Punção lombar nele!”

Portanto, vou, mas volto em breve, ao menos espero. E antes que me esqueça, um recado importante:

EDISON LOBÃO, VAI PRA PUTA QUE PARIU! “CONDIÇÕES CLIMÁTICAS” DE CU É ROLA!

Dê o Ó, digo, The Wall

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Vinte anos da Queda do Muro de Berlim. Se fosse no Brasil, a queda teria sido bastante antecipada, já que alguém usaria material de segunda para a construção do muro e embolsaria a diferença, e o muro não duraria nem cinco anos, quiça os 28 anos que se manteve em pé.

Acendendo Vela Para o Santo Errado

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Adoro ouvir histórias, anedotas e “causos”, normalmente entre copos de cerveja em algum pé-sujo de minha preferência. Fatos inusitados, insólitos, por vezes surreais, se tornam mais interessantes que a ficção, principalmente se o narrador tiver o talento natural de enriquecer sua narrativa. E o que não falta em meu círculo de amizade são talentos orais com muita história pra contar. Diversão garantida por horas, ou o dinheiro (da cerveja) de volta.

Esse “causo” do qual me lembrei agora quem me contou foi minha grande amiga Mirtes, a respeito de uma outra amiga sua, chamada Rita  de Cássia. A princípio iria apenas reproduzir o que me lembrava, mas sua amiga relatou o fato em seu blog. Como ela ainda não o abriu para visitação pública, reproduzo aqui parte do texto no qual ela relembra este episódio pitoresco:

“Bem, este acontecido envolve uma devota e sertaneja senhora e uma escultura comprada na feira semanal da cidade de Coremas, Estado da Paraíba, país Brasil. E, para não pecar pela imprecisão, detalho que este verídico acontecimento teve como cenário o Sítio Barra – Riacho da Catinga, localizado na zona rural da cidade antes mencionada.
Tudo foi descoberto quando eu, em uma de minhas afamadas visitas aos meus pais, inventei de dar uma passada na casa de uma tia minha que, na qualidade de mulher desposada, é a herdeira das mobílias e objetos pessoais de minha avó Maria.
Antes mesmo de emburacar casa adentro, eu avistei na estante a escultura de Charles Chaplin, ou melhor, de Carlitos, o Vagabundo. Eu fiquei bestinha quando vi, porque sendo eu conhecedora das paixões de vovó, tinha convicção de que não era do seu gosto, aliás, não era do seu conhecimento a existência deste personagem do cinema mudo.

Quando foi no outro dia, minha tia chegou na casa de meus pais com esta escultura entre as mãos e disse: Rita, eu prestei atenção que você gostou muito deste santo e eu lhe trouxe de presente.

Santo? Foi a primeira pergunta que me veio a cabeça, como assim, santo? Foi aí que eu entendi tudinho. O fato é que vovó, lá pelos idos dos anos setenta ou oitenta comprou Carlitos na feira livre de Coremas achando que era Padre Cícero.”

Rita de Cássia Gregório de Andrade

Pois é, a pobre da velhinha sertaneja tava rezando pro santo errado. Aliás, nem santo seria, a priori. E nem a culpo, já que eu, míope que sou, tranquilamente poderia confundir até uma Coca-Cola de um litro com uma estátua de Padre Cícero. Claro que sem óculos e umas cinco doses acima. E talvez nem tenha sido culpa exclusiva das limitações óticas da senhora. Imagino-a procurando uma imagem do “Padim” Padre Cícero pelas bancas da feira e, por acaso, encontrou algum vendedor esperto que lhe empurrou essa estátua à senhora míope, numa situação parecida com aquele famoso “causo” no qual um turista em passeio por Juazeiro do Norte procura um São Jorge para atender ao pedido de um amigo, e o santeiro, na falta do santo matador de dragões, empurra um São Pedro mesmo, para não perder o cliente, que estranha e questiona se São Jorge não teria cavalo, e o santeiro, rápido no gatilho, justifica dizendo que São Jorge o trocara por um jipe, o que explicaria estar segurando uma chave. Não duvido nem um pouco que algum vendedor malandro tenha empurrado o Charles Chaplin como Padre Cícero.

Não obstante, independente da causa, o fato é que a pobre senhora passou anos rezando para o Carlitos na crença de estar pagando libação pro Padre Cícero. E em se considerando que ela tenha alcançado suas graças, há de se cogitar uma possível beatificação do vagabundo de chapéu-coco. Se não obrou milagres, ao menos encaminhou os recados erroneamente a si endereçados para o destinatário certo, o que já seria uma proeza.

Update: finalmente a autora desse “causo” resolveu abrir seu blog para visitação pública. O nome da jovem é Rita de Cássia Gregório de Andrade, e seu blog está aqui. Boa sorte no blog. E um aviso: isso vicia!

Eternas Ondas

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Assistindo ao premiado filme “O Leitor“, uma das questões levantadas pelo personagem central é como a personagem de Kate Winslet, Hanna Schmitz, que fora sua amante no passado, poderia ter sido capaz de participar do genocídio dos judeus ao trabalhar para a SS e servir ao regime nazista. A priori, se imagina que apenas monstros e sociopatas seriam capazes de matar diariamente centenas de pessoas, e é uma ideia difícil de aceitar que gente “normal” seja capaz dessas barbaridades. Extrapolando este questionamento, como uma população inteira foi capaz de aceitar os desmandos de um ditador como Hitler, entre outros exemplos que não faltam na história? Um filme – aliás, dois – tentam responder a este questionamento de forma satisfatória.

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Espírito de Natal Antecipado

colabore2.jpg Tal como o calor do verão, a cada ano o “espírito do Natal” parece chegar mais cedo. Já em fins de outubro os sinais do fim dos tempos do ano já aparecem pelas ruas, principalmente pelo comércio, doido pra desovar seus encalhes após o último grande pretexto para a galera torrar o dinheiro, o dia das crianças. O que é válido lembrar é que, se o comércio quer antecipar o natal, deveria se lembrar que o décimo-terceiro ainda não está sendo antecipado. Bem, em alguns casos até está, mas no geral ele é antecipado logo no início do ano, e antes do carnaval já virou confete.

E o maior sinal desse espírito não são os lojistas obrigados a usar um gorro ridículo nesse calor de derreter catedrais, nem as músicas de “A Harpa e a Cristandade” do Luís Bourdon tocando nas lojas ou as matérias dos jornais sem pauta decente que todo ano invade a 25 de março pra decretar que esse natal será o das “lembrancinhas”. O sinal inequívoco da proximidade do Natal são as indefectíveis caixinhas escritas “colabore com o Natal dos funcionários” estrategicamente colocadas ao lado do guichê do caixa. Sim, nem terminou outubro e já me deparei com algumas. E em poucos dias veremos tal caixinha em todo e qualquer estabelecimento dos mais respeitáveis. A caixinha dos óbolos natalinos já virou uma instituição, um símbolo das festas de fim-de-ano, que ajudam a complementar a merreca que a maioria dos brasileiros ganha.

E bem que essa mania de apelar para a caridade alheia no fim do ano poderia justificar certas situações estranhas. Por exemplo, ontem um prefeito do interior de São Paulo foi pego com a mão na botija, acusado de receber propina. Se ele fosse esperto, ao invés de negar, apenas justificaria que não estava pedindo suborno, e sim uma “ajudinha” para o Natal dos funcionários. Sarney poderia por uma versão king size dessa caixinha no seu gabinete, o que seria um belo pretexto para explicar a origem de qualquer grana não declarada que aparecesse por ali.

Aproveitando tanta boa vontade e caridade cristã, logo colocarei uma caixinha dessas aqui no balcão da blodega, pedindo ajuda no melhor estilo Juca Chaves, que costumava fazer campanha de caridade para ajudar o pobre Juquinha a abastecer seu Jaguar com gasolina azul, manter a dieta de caviar e passar férias na Disneyworld. Preparem o espírito e os bolsos!

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