Pequenas Biografias da Blodega – Artur Chopenhauer

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“Uma cerveja antes, durante e depois do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”

Artur Chopenhauer é o primo menos famoso e mais cachaceiro do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Além do nome parecido e do penteado igualmente ridículo, ambos eram profundos pensadores de seu tempo. Mas só o primo Schopenhauer ficaria famoso, enquanto que Chopenhauer cairia no esquecimento. Consta que o Schopenhauer famoso teria roubado as idéias de seu primo enquanto ambos enchiam os cornos de chope nos sujinhos de Berlim. Como todo filósofo de botequim, Chopenhauer não se preocupava em registrar seus pensamentos, aforismos, insights ou qualquer coisa que lhe desse na telha – até porque ele se esquecia de tudo durante a ressaca.

Mas Schopenhauer, que de besta não tinha nada, foi fortemente influenciado e se firmou como grande pensador. Por exemplo, uma das obras mais conhecidas de Schopenhauer, “O Mundo Como Vontade e Representação” teria sido inteiramente roubada do primo. Na verdade, Chopenhauer lançaria “O Mundo Com Vontade…De tomar uma! – A Dipsomania Como Filosofia de Vida” se não estivesse tão ocupado tentando dar baixa no estoque de fermentados das regiões da Bavária e da Boêmia.

Para Chopenhauer, a existência era um porre, e para encará-la, só mesmo a vontade… de encher a cara. O mundo seria melhor com três tulipas de chope a mais. Porém a ressaca que seguia à bebedeira tornava pior a percepção do mundo, em um ciclo sem fim de euforia e frustração. No fim, inspirado no bu(n)dismo, a maneira de fugir à chatura da vida e da ressaca existencial seria se manter constantemente bêbado. E o fígado que se fudesse. Afinal ele era filósofo, e não médico.

Schopenhauer bebeu bem dessa fonte (ou alambique, mais especificamente), mas adequou tais ideias às linhas de pensamento do budismo, Platão e Kant, e sua proposta para aplacar momentaneamente a vontade e a infelicidade seria a contemplação das artes. E ficou famoso por ser um eterno pessimista que só se alegrava ao ouvir música. Hoje ele teria mais raiva ainda da vida se ouvisse o que anda rolando nas FM´s ou que está exposto nos museus, mas não vem ao caso. Para Chopenhauer, beber era uma arte, e isso era o bastante.

Se Schopenhauer não gostava de Hegel, este é que não suportava as piadinhas de Chopenhauer, que sempre que o via, cantava a musiquinha “Hey Girl”, dos Fevers , num trocadilho infame com “Hegel”: “Hegel, que vou fazer, não sei viver longe de você”. Normalmente Hegel sugeria enfaticamente que ele fosse tomar no rabo, ou algo filosoficamente similar.

Decepcionado e frustrado com o sucesso de seu primo nos círculos de pensadores respeitáveis, Chopenhauer mandou tudo pra puta que pariu. Diz a lenda que Chopenhauer resolveu seguir os ensinamentos do velho pensador cínico Demóstenes, andando nu pelos botecos e expressando de forma clara seus desejos e instintos mais básicos (“quero comer um cu, porra!”). Por fim, resolveu morar em um barril, como o filósofo grego. Mas “esqueceu” de esvaziar seu conteúdo antes de entrar nele, de cabeça e tudo. Só não se afogou porque conseguiu beber todo seu conteúdo antes de ficar sem oxigênio. Sua morte é fonte de diversas especulações. A mais recorrente é que teria morrido como Sócrates, que foi obrigado a beber cicuta, e antes de morrer pediu para alguém pagar o galo que devia a Esculápio. No caso de Chopenhauer, alguém lhe teria dado água ao invés de pinga, o que lhe causou um choque anafilático mortal. Suas últimas palavras foram “É água, porra!”, e teria morrido sem lembrar de pagar o galeto que comeu fiado no botequim de Esculápio.
Mesmo desconhecido do público, sua filosofia influenciou o pensamento, a filosofia e o modo de vida de modernos pensadores, como Mussum, Zeca Pagodinho, Branchú, Vinícius de Morais, Fausto Fawcett e Miéle.

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