Archive for janeiro 2010
Extreme Makeover

“Passo o ponto baratinho!”
Os menos distraídos já devem ter percebido a mudança no visual da Blodega. Pois é, como avisei no post anterior, este humilde estabelecimento precisava de um tapa no visual, já que desde o início o tema era uma bela duma gambiarra feita a partir de um desses temas que encontramos aos montes para download, o que era meio como comprar a bodega de alguém passando o pponto e não mudar muita coisa. Mas serviu durante os últimos meses, ao menos até eu tomar vergonha e criar um tema próprio. Até porque o tema anterior tinha umas imagens meio pesadas, e alguns colegas frequentadores da blodega se queixavam da demora de carregar as páginas. Como o cliente é chato pra cacete tem sempre razão, mudamos para algo mais leve e de visual renovado.

“Essa moleza vai acabar! Meninas, mudem o visual dessa birosca!”

“É isso aí! Visual Totalmente renovado! Ou quase…”
Mas agora vamos produzir alguma coisa, quem nem todo mundo pode viver só de beleza.
Um blodegueiro subaquático

Acabei de chegar de uns dias de folga passeando pela terra da garoa. Aliás, se autointitular terra da garoa é de uma senhora humildade por parte dessa senhora de 456 anos (devidamente parabenizada pessoalmente por este blodegueiro), já que nestes últimos dias podemos chamar esse aguaceiro de qualquer coisa, menos de garoa. Não, não estive no Campus Party, apesar de ter passado perto. Deixei a blodega sendo devidamente cuidada pelos vizinhos e com a programação quase normal, reciclando uns textos agendados durante os últimos dias. Agora de volta, estou aqui trabalhando numa nova fachada para esta blodega de todos vocês.Em breve teremos notícias. Agora com licença que vou mandar meu hovercraft pra revisão.
As Ninfetas da Tela
Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor. Mas muito coroa quando encontra mulher jovem bonita acaba trocando Jesus por Barrabás. E se for ainda uma adolescente cheia de amor pra dar, aí danou-se.
E no cinema e TV a velha história de macho velho e babão que perde as estribeiras por conta de um rabo de saia cheirando a leite quase sempre acaba em putaria e desastre, não necessariamente nessa ordem. E coincidência ou não, as mocinhas que viraram capetinhas de saia plissada nas telas normalmente não conseguem muita coisa na carreira de atriz, salvo honrosas exceções. Seria uma maldição ou um baita azar, mesmo?
Em uma atitude politicamente incorreta nesses tempos de caça aos pedófilos, fizemos uma pequena lista de moças de fino trato que enlouqueceram respeitáveis homens de meia-idade. Os coroas preparem as fraldas geriátricas para revermos algumas dessas ninfetas que tocaram o horror na tela do cinema e TV. E se ficar excitado, não perca tempo: chame os amigos pra ver que ainda funciona!
Os tarados leitores devem saber que a expressão “Lolita” vem do título do livro de cabeceira dos papa-anjos, escrito por Vladimir Nabokov e mostrando o aperreio de um homem de meia idade por uma adolescente fogosa que, para completar, é sua enteada. Na primeira versão para o cinema, dirigida pelo perfeccionista Stanley Kubrick, o papel-título coube a então jovem loirinha Sue Lyon, com toda doçura de seus 16 anos. Infelizmente sua vida pessoal era mais complicada que esse filme. Praticamente todos os seus cinco casamentos fracassaram, sendo o segundo com um condenado por roubo e homicídio. Seu último filme foi de 1980, e desde então se mantém afastada do público.

Em 1972 a jovem Maria contracenou com Marlon Brando no filme de Bernardo Bertolucci “O Último Tango em Paris”, aquele no qual um senhor cínico e decadente encontra uma jovem noiva casualmente em um apartamento e começa um intenso caso de putaria. A cena onde Maria Schneider serviu rosquinha amanteigada à Brando entrou para os anais (epa!) do cinema. Pena que depois ela simplesmente se recusou a tirar a roupa nas telas, e acabou não repetindo o sucesso.

Ainda com onze anos, causou furor no papel de virgem rifada em um puteiro no filme de 1978 “Pretty Baby – Menina Bonita”, de Louis Malle. E no idílico e sacana “A Lagoa Azul“, que lhe deve ter rendido um monte de homenagens onanistas no início dos anos 80. Mas como a maioria das crianças-prodígio, ela se disse explorada pela mãe e a carreira meio que não decolou mais. Porém em anos recentes ela protagonizou a série de TV “Sunderly Susan” e recorrentemente aparece em algumas séries como “That´s 70´s Show”, “Lipstick Jungle” e “Lei e Ordem”.
Flávia Monteiro

Com 16 anos, a então promissora atriz fazia novela e protagonizou o filme “A Menina do Lado” em 1988, onde ela fazia uma adolescente de férias que virava vizinha temporária de um quarentão, vivido por Reginaldo Faria, que se deixa seduzir pela jovem. Manteve uma carreira regular, ressurgindo nos anos 90 como a meiga professora Carolina da novela “Chiquititas”. Hoje já balzaquiana, posou para a Revista Playboy em maio de 2005. Atualmente atua nas novelas da Rede Record

Aos 17 anos, a inglesa fogosa estreou no cinema no filme “O Amante”, de 1992, no papel de jovem amante francesa de um oriental na Indochina, onde fazia horrores com o ator chinês Tony Leoung. Dizem as más línguas que ambos faziam hora extra fora das telas. Dois anos depois faria o filme “A Cor da Noite”, com Bruce Willis, com diversas cenas picantes, na qual o velho Bruce mostrava que era duro de matar, mesmo. Mas teve o azar de fazer a bomba “Tarzan e a Cidade de Ouro Perdida”, e depois disso não fez mais nenhum papel mais relevante. Sua aparição mais recente é no filme “O Mercador de Pedras”.

Ao lado de outra adolescente de endoidar cabeção de coroa, a Alicia Silverstone, Liv Tyler estreou sua imagem no clip do Aerosmith, “Crazy”. Por sinal, foi um caso de nepotismo, já que seu pai é o vocalista Steve Tyler. Mas ela chamou a atenção do mundo no filme de Bernardo Bertolucci, “Beleza Roubada”, onde viaja para uma aldeia na Itália em busca de alguém que a livre da virgindade, deixando os jovens e velhuscos locais doidos pra rosetar, incluindo o meio moribundo Jeremy Irons. Ao menos ela vem mantendo uma carreira regular, participando de grandes produções como “Armagedom”, “O Senhor dos Anéis” e “O Incrivel Hulk”.

A mais ilustre representante brazuca das ninfetas que seduzem os coroas, Mel Lisboa estreou em grande estilo em 2001 na adaptação para a TV do folhetim “Presença de Anita”, na qual a jovem Anita seduz o decano escritor vivido por José Mayer. Sucesso imediato de público, a atriz Mel Lisboa vem participando de peças, filmes e novelas, mas sem alcançar a repercussão de sua estréia. Foi capa da Playboy de agosto de 2004.

O Namoro Conceitual Entre Cinema e Quadrinhos
Nota: Este texto foi mais um dos que publiquei nos tempos do Busilis, para participar do Carnaval de Quadrinhos das Quartas, cujo tema era cienma e quadrinhos. Ao invés de falarmos sobre uma adaptação específica, resolvemos abordar, de um modo geral, o uso da linguagem dos quadrinhos no cinema.
O flerte entre artes é algo comum, principalmente entre cinema e outras artes. Com o advento do cinema foi pura questão de tempo para que clássicos da literatura universal fossem levados às telas, e até hoje livros clássicos ou best-sellers do momento são transpostos à tela grande. Com quadrinhos a relação poderia ser até mais íntima, já que ambas utilizam essencialmente uma linguagem visual. Não obstante, mesmo sendo duas artes que nasceram praticamente ao mesmo tempo (fins do século XIX) e com o aspecto visual em comum, nem sempre se considerou a relação entre ambas como algo legítimo ou com status digno de arte, já que nos EUA em questão de décadas o cinema se tornou lucrativo e respeitável, bem antes dos quadrinhos. Estes demoraram bem mais a ganhar reconhecimento na terra do Tio Sam, apesar de serem uma fonte de lucro desde seus primeiros anos. Mesmo que nos anos 40 vários personagens de quadrinhos e pulps tenham sido levados às telas em formato de seriados, isso estava longe de ser algo considerado “artístico” realmente. Pelo contrário, quase ninguém via algo além do que diversão barata e descartável nas comics. Na verdade, a relação cinema-quadrinhos tinha um quê de clandestino, como um encontro entre amantes às escondidas num motel barato. E isso piorou quando, nos anos 50, os quadrinhos americanos sofreram perseguição e censura sob a alegação de que influenciavam negativamente os jovens.
Mas como levar a sério uma arte conhecida como “comics”? Pelo menos isso não foi problema em outros países, onde os quadrinhos tinham outro nome que não remetia a algo pouco sério. Na Europa, nos anos 60, os quadrinhos já começaram a ser direcionados a um público mais maduro e se tornar uma arte mais séria. E antes dos “comics” americanos ganharem seriedade sob o nome “Graphic Novel”, outros cineastas estrangeiros assumiam sua relação com a chamada nona arte. Para citar dois ícones do cinema, Akira Kurosawa e Frederico Felini conheciam os quadrinhos e sua linguagem característica, e ambos usavam o recurso de storyboard, que é o desenho em sequencia das cenas a serem filmadas. Aliás, consta que os dois diretores desenhavam os próprios storyboards. Fellini em especial era confesso admirador dos quadrinhos. Uma de suas aspirações era transpor o personagem Mandrake, de Lee Falk, para as telas. Mesmo não sendo possível, Fellini deu seu jeito, transformando Marcelo Mastroiani em Mandrake durante uma cena do filme “Entrevista”. Outra de suas frustrações também rendeu outra bela obra: “Viagem a Turim”, o álbum belamente desenhado por Milo Manara, é baseado em um roteiro não filmado de Fellini, tendo ele e Mastroiani como personagens da história.
Um Círculo Virtuoso
Sabemos que nos States os quadrinhos começaram a ser levados a sério realmente em fins dos anos 70 e no decorrer da década de 80. Antes disso um dos únicos artistas que via o potencial dos quadrinhos praticamente desde seu nascimento, Will Eisner, procurava transcender o lugar-comum do gênero. Uma de suas obras-primas, “Spirit”, já era uma aplicação da linguagem do cinema nos quadrinhos, já que os enquadramentos, closes e seqüências que Eisner usou nessa e em outras obras são realmente cinematográficas. O próprio personagem, mesmo sendo um herói mascarado, estava mais para um Phillip Marlowe do que para o Super-Homem ou Batman, sendo inspirado nos filmes Noir que surgiram nos anos 30 e 40, por sua vez adaptados dos livros policiais de Dashiel Hammet e Raymond Chandler. Por tabela, a arte de Eisner influenciaria muitos desenhistas, e um seguidor do estilo de Eisner é Frank Miller, que desenhou e escreveu “Batman – O cavaleiro das Trevas”, um divisor de águas do gênero. Miller utilizou como recurso narrativo usar a TV e programas jornalísticos dentro da história como contraponto narrativo, complementando a trama, algo que já era visto na série “American Flagg!”. Tal recurso foi utilizado por Paul Verhoeven em “Robocop”, de 1987. Tanto que Frank Miller foi convidado para ser roteiristas das duas seqüências do filme. Infelizmente o resultado não foi tão bom quanto uma boa história de Miller, já que seu roteiro não foi integralmente aceito, sendo modificado e mutilado, e isso afastou Frank Miller de Hollywood quase que em definitivo.
Escaldado das sandices de Hollywood, Frank Miller dificilmente se envolveria no projeto de um outro filme. Mas o comparsa de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, estava decidido a levar a série Sin City, também inspirada no cinema Noir, da maneira mais fiel possível, e estava decidido a enfiar Miller no projeto de todo jeito. Mas para convencê-lo, Rodriguez teve que filmar uma sequencia de cenas e mostrar a Frank, que gostou tanto que acabou se tornando co-diretor do filme que adaptou quatro histórias da série em quadrinhos. “Sin City- A Cidade do Pecado” é um marco na relação cinema-quadrinhos, pois é a mais fiel adaptação já levada às telas. Não só fiel à história, mas o que se vê na tela é uma transposição literal do que se vê nos quadrinhos.
Com o sucesso de “Sin City”, outro trabalho de Miller sofreu o mesmo tratamento para ser transposto “ipsis literis” para a tela. Em “300″, a maioria das cenas foram levadas como estavam nos quadrinhos, com a fotografia lembrando os tons pastéis das aquarelas de Lynn Varley. A história foi um pouco alterada pelo diretor Jack Snyder, não a deixando tão literal quanto “Sin City”, mas o resultado em termos de transposição é quase o mesmo. E com Miller de volta aos cinemas, o ciclo iniciado com Will Eisner se fechou, de certa forma, pois Frank Miller adaptou o personagem “Spirit” para um longa-metragem lançado no inicio de 2009.
A propósito, para finalizar essa referência ao mestre Eisner, o cinema nacional já lhe rendeu uma bela homenagem no filme “Cidade Oculta”, de 1986, que mesmo com nossos recursos limitados, é claramente inspirado no universo de personagens de “Spirit”.
A Vingança dos Nerds
No decorrer da década de 80 e 90, diretores que assumidamente liam e entendiam de quadrinhos e cultura pop em geral foram aos poucos “saindo do armário”. Anos antes do “boom” das adaptações cinematográficas dos quadrinhos, o diretor Sam Raimi fez a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos até então: “Darkman – Vingança sem Rosto”. O detalhe é que esse personagem não existia nos quadrinhos, mas a linguagem adotada e o personagem eram comics puro, e nesse filme ele mostrou o quão viável era transpor a linguagem das HQ´s para as telas. Tanto que, muitos anos depois, Sam Raimi se tornaria diretor da franquia baseada em quadrinhos mais bem-sucedida dos anos recentes: o Homem-Aranha. Outro diretor “nerd” é Kevin Smith seguiu um caminho inverso ao de Frank Miller, começando a escrever para o cinema para depois ir aos quadrinhos. O ex-balconista já escreveu diversos filmes, como “O Balconista”, “Procura-se Amy”, “Barrados no Shopping”, “Dogma” e “O Império do Besteirol Contra-Ataca”. Grande conhecedor de cultura pop, Kevin usa e abusa de citações a esta cultura, incluindo os quadrinhos. Tanto que dois dos personagens que aparecem com freqüência em seus filmes é uma dupla de criadores de comics, vividos por Ben Afleck e Jason Lee. Há até a aparição do próprio Stan Lee em “Barrados no Shopping”. Essa bagagem lhe credenciou a escrever um roteiro para um filme do Super-Homem, baseado nas sagas “A Morte do Super-Homem” e “O Retorno do Super-Homem” em 1997. Caso as ideias de Kevin realmente se realizassem, o resultado seria um senhor filme baseado em quadrinhos. Mas o diretor Tim Burton e os produtores tentaram mutilar o roteiro e descaracterizar tanto o personagem que, por obra e graça divina, o projeto nunca saiu do papel. Depois Kevin Smith escreveria alguns roteiros de quadrinhos, como a série “Demolidor” e uma minissérie do Homem-Aranha e Gata Negra.
Quentin Tarantino, que surgiu no meio dos anos 90 como grande promessa criativa do cinema americano, é outro diretor que adora citar a cultura pop em seus trabalhos, abrangendo desde música até filmes de ação dos anos 70, passando, obviamente, por quadrinhos. Um de seus primeiros roteiros, que resultou no filme “Amor à Queima-Roupa”, tem como personagem um balconista de comic shop que se envolve com uma prostituta e se envolve em uma violenta jornada, lembrando bastante os quadrinhos de “Torpedo”. Seu pitaco (não creditado) no roteiro de “Maré Vermelha” enfiou o inusitado diálogo de dois marinheiros do submarino USS Alabama brigando pra decidir qual Surfista Prateado seria o melhor, o desenhado por Moebius ou o original de Jack Kirby. Mas sua maior influência dos quadrinhos é vista em “Kill Bill”, cujas cenas remetem à violentos mangás e animes, além dos filmes de artes marciais de Honk-Kong.
Outro grande exemplo de filme influenciado por quadrinhos é o desenho em CGI da Pixar, “Os Incríveis”. Mesmo não adaptando nenhum personagem existente em comics (apenas se inspirando no Quarteto Fantástico), o longa é uma grande homenagem aos super-heróis dos quadrinhos, usando e parodiando os clichês e situações, e aborda um tema que já é comum nos quadrinhos: o medo da população aos super-poderosos e a necessidade de controlá-los ou registrá-los, algo visto sob vários enfoques em obras como “Watchmen”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e mais recentemente na saga da Marvel “Guerra Civil”. É hilária as observações da estilista de uniformes, Edna Moda, ao desaconselhar o uso de capas nos trajes dos super-heróis.
M.Night Shyamalian, após o sucesso de “O Sexto Sentido”, escreveu e dirigiu “Corpo Fechado” em 2000, que nada mais é do que a transposição da clássica história de super-herói mas com uma linguagem e abordagem mais dramática. Está tudo lá: a descoberta casual dos poderes, a tragédia pessoal do herói e até o arqui vilão, só que de uma forma que foge aos padrões quadrinísiticos. Mesmo não sendo tão bem compreendido pelo público não iniciado nos quadrinhos, não deixa de ser um exercício criativo interessante. Uma série de sucesso que segue essa fórmula é “Heroes”, que atualmente está em sua quarta temporada.
E hoje, com tanta adaptação sendo levadas às telas do cinema, a linguagem dos quadrinhos está se tornando mais popular, conhecida e utilizada, e a relação cinema-quadrinhos está abençoada e santificada, de papel passado e legitimada. Com uma geração de diretores e roteiristas que realmente curte e entende de quadrinhos, bem como de roteiristas e desenhistas que conhecem e eventualmente se inspiram no cinema, ambos podem entrar pela porta da frente sem precisar para encontros mais clandestinos.
Escrever é Obsoleto?

“Cacete! Como atualizo meu twitter nessa porra?”
Nesses tempos em que a sociedade pós-industrial promete livrar as pessoas de uma série de afazeres manuais e arcaicos, temo que isso venha a se estender a boa e velha prática da escrita. Ao menos é a impressão que temos ao percorrer a Internet. Dá a impressão que perder tempo lendo ou escrevendo é algo tão ultrapassado quanto sites em HTML puro, uma excrescência do início da Internet comercial, lá pelo já longínquo meio dos anos noventa. E escrever quilometricamente, como eu costumo fazer quando não me contenho, então deve ser considerada uma excentricidade das mais esquisitas.
Hoje o conteúdo típico de boa parte dos blogs é postar vídeos do Youtube ou linkar algo interessante perdido no mar de bits da velha rede mundial. E com o twitter, alguns nem se dão mais ao trabalho de postar em blogs. Nada contra, mas mesmo quem faz isso seria bom agregar algum comentário ao post, algo que nem sempre ocorre, ou quando ocorre, é bem provável que o blogueiro incorra em algum erro gramatical ou deliberadamente rasgue a gramática e escreva no famigerado miguxês.
Será que é elitismo querer escrever, e ainda por cima, tentar escrever corretamente? Para alguns linguistas, o uso da gramática normativa e a ignorância de variações dela seriam usados como instrumentos de dominação da elite, e até cunharam o termo “preconceito linguístico”. No Brasil, o autor que mais divulga essas ideias é Marcos Bagno, e um de seus livros mais conhecidos é “Preconceito Linguístico”. Na prática, o que ele propõe é que a linguagem falada é dinâmica e incorpora novos trejeitos de falar concomitante a colocar em desuso formas arcaicas da língua, enquanto que a gramática normativa é estanque e demora a incorporar esses aspectos novos, além de insistir no uso de regras arcaicas. E os grupos regionais ou socialmente inferiores sofreriam preconceito por não dominarem o correto português ou de usarem dialetos ou costumes regionais. Os linguistas praticamente abominam pessoas como o professor Pasquale, que disseminam o uso correto da língua portuguesa. E, por tabela, preconizam o abandono da gramática, e que o importante é que a mensagem seja compreendida por quem recebe.
Em parte até concordo, mas dá pra notar certo rancor marxista nesse discurso, e não creio ser viável simplesmente ignorar a gramática normativa, senão essa porra vira um cabaré. Extrapolando essa teoria, o miguxês tão difundido pelos jovens seria uma variação linguística aceitável, e que os “elitistas” da internet, seja lá o que isso signifique, estão apenas implicando com os pobres blogueiros, fotoblogueiros, orkuteiros e twitteiros. E em última análise, escrever não é tão importante assim…
Mas vamos e convenhamos, até entendo que um pobre que vive no fiofó do sertão está pouco se fodendo para o uso correto da próclise, até porque ele não teve a oportunidade de obter uma educação formal. Mas esse argumento justifica um jovem que, teoricamente, teve acesso à educação em seu ensino fundamental e médio escrever de uma forma tão tortuosa? A desculpa maior é ganhar tempo para passar torpedos via SMS ou escrever em programas de mensagens instantâneas. O que importa é passar a mensagem de forma inteligível, né? No cu, pardal!
Mas além do miguxês, é comum em blogs encontrarmos erros crassos de ortografia nos posts. A principal linha de defesa é que quem bloga o faz com urgência, pois se torna mister passar uma informação ou novidade no mais curto tempo possível, já que fatos e notícias se tornam velhos em questão de horas. E o pior, não dá nem pra embrulhar o peixe com eles. Mas isso não é nada que um corretor ortográfico não resolva, oras. E mesmo que os editores de ferramentas de blogs não possuam (ainda) essa facilidade, nada impede que o blogueiro digite o texto no Word (ou seu editor preferido) e depois copie e cole no blog. Até porque copiar e colar é uma prática comum em muitos blogueiros…
Admitamos que a língua portuguesa e suas regras seja um peteleco nos bagos, mas nós devemos ter um mínimo de boa vontade para tentarmos aprender suas nuances. Claro que, na prática, não dá pra querer usar as quatro regências do verbo “assistir”, e que realmente algumas regras acabam mesmo caindo em desuso, até mesmo na imprensa formal.
E por experiência própria, posso garantir que a maneira mais prática de se familiarizar com a ” última flor do Lácio, inculta e bela ” é lendo bastante. E escrevendo, também. E para mim acho que perderia mais tempo tentando verter meus pensamentos para algo tão esdrúxulo quanto essa linguagem cibernética.
Mas para facilitar a vida de fósseis como eu, caso o miguxês se torne obrigatório em um futuro próximo (pouco depois do homossexualismo compulsório), nos últimos dias foi divulgado um tradutor para miguxês , muito útil para quem ainda encontra dificuldades em ignorar a nossa gramática normativa nesse idioma que dói nos olhos e que se perpetua em blogs, fotologs fofuchos, páginas do orkut e perfis no twitter, categoria internética que se espalha mais rapidamente que aqueles bichos fofos de Jornada nas Estrela, os Pingos .
E antes que seja realmente acusado de elitista, ou pior, de alguém apontar algum erro de semântica, concordância, regência ou o caralho a quatro neste texto, não me jacto em ser perfeito ou correto. Certamente há algum erro crasso aqui ou em qualquer outro dessa humilde blodega. Infelizmente a patroa vetou minha proposta em contratar uma jovem estudante de letras fisicamente palatável para revisar meus textos.
P.S – Depois de ver o tradutor português-miguxês acima citado, creio que minha contribuição às letras virtuais será desenvolver um conversor Tourette para textos internéticos, capaz de transformar uma bula papal em um festival de impropérios de fazer corar a finada Dercy Golçalves.
Um Jabá Qualquer!

Estou só dando uma passadinha na Blodega pra molhar o bico, tomando uma lapada de cana com uva preta, para fazer alguns jabazinhos básicos e sem compromisso.
O primeiro e mais legal é o blog Um Sábado Qualquer do Carlos Ruas. O blog traz tiras sobre Deus, Adão, Eva, Luciraldo e mais uma galerinha aprontando todas (/sessão da tarde) durante a criação do universo. Para quem gosta de tiras, quadrinhos e humor é uma excelente pedida, da pra rir um monte com Adão e o velho Deus em tiras muito criativas e engraçadas.
Outro jabá para rir é o do site Improvaveis . Site de um espetáculo criado pela Cia. Barbixas de Humor, baseado em improvisações com vários tipos de “jogos” onde o público interage com os atores/humoristas/barbixas. O site dispõe de vários vídeos do espetáculo e garanto que para quem gosta desse tipo de humor dá pra rir um bocado.
E a saideira é o blog Grandes Tolices do Orkut, o famoso GTO, que traz a nobre arte da galera do orkut de fazer merda e tolices sem noção, e que acabam caindo nos prints do GTO. Tem muita gente tola mesmo, o orkut é praticamente um dos maiores sites de piadas e fotinhas caprichadas, batendo com certeza o Kibeloco. Muita burrice e tolice junta, cai no GTO, só esperar.
Bom está ai a minha lista dos blogs que acesso quando quero dar uma risada descompromissada e não tenho tempo de assistir o Faustão Zorra Total.
Ô garçom, traz mais uma lapada e a conta! Valeu!
Os “Cabra”!

O irlandês Garth Ennis é famoso por enfiar nas suas histórias bastante violência gráfica, diálogos inusitados, palavrões aos montes, abordagens politicamente incorretas e muito humor negro, algo como uma versão Ultimate de Quentin Tarantino para os quadrinhos. Quem leu “Hellblazer” ou “Justiceiro” na fase Garth Ennis sabe do que eu falo. Ele também foi responsável por pegar um personagem obscuro da DC para protagonizar um divertidíssimo título mensal: “Hitman”. Além de assumir personagens já criados, a figura já criou outros personagens em séries regulares ou minisséries, como Bloody Mary ou Preacher. Os fãs do escritor sempre aguardam ansiosos por algum lançamento com sua assinatura, seja uma minissérie ou um título regular. Por isso, o anúncio de uma nova série mensal escrita por Ennis para a Wildstorm em idos de 2006 pode causou taquicardia em muitos fãs.
Os Rapazes de Ennis
Ennis não é muito chegado a super-heróis tradicionais, e sempre que pode ele deixa isso bem claro, da forma mais retumbante possível, seja matando-os ou expondo-os ao ridículo. Quem leu a Graphic Novel “Justiceiro Massacra o Universo Marvel” sabe muito bem disso. Nessa história, Frank Castle teve sua família morta não por testemunhar uma execução da máfia no Central Park, e sim por estar no meio de um combate entre heróis e vilões, e sua sanha vingativa se volta contra todo e qualquer poderoso que usasse cueca por cima da calça. Também é hilária cena no primeiro número de Hitman na qual o assassino Monaghan detona um pomposo grupo de super seres mascarados em menos de três quadrinhos.
O irlandês voltou a esse tema na série mensal da Wildstorm e escrita por ele, “The Boys”. No universo de Ennis, grandes poderes não trazem grandes responsabilidades, e os super-heróis se comportam de maneira arrogante e irresponsável, sem se importar com os danos que possam causar a inocentes, se estabelecendo acima da lei. Nesse contexto, um grupo a serviço da inteligência americana é responsável por manter os super-heróis “na linha”, e caso seus atos fujam ao controle, os “rapazes” estarão lá para mostrar quem realmente manda. E a página de abertura do primeiro número é bem emblemática, já que mostra um herói mascarado (que lembra bastante o Capitão América) tendo o crânio esmagado por uma bota. Meio George Orwell, mas com estilo. Com desenhos a cargo de Darick Robertson, o Garth Ennis não esconde a pretensão de alcançar o mesmo sucesso em um título regular que atingira com o polêmico e aclamado Preacher, que teve 66 números. Ennis planeja escrever 70 números.
O grupo é liderado pelo escroto e inescrupuloso Billy Butcher, que volta a reunir seus colegas de ofício “The Frenchman”, “The Female (Of The Species)” e “Mother’s Milk”. Cada um teria motivos de sobra para querer ver a caveira dos super-heróis. Por exemplo, o novato conhecido como Wee Hughie é recrutado porque sua namorada foi morta na sua frente devido a ação de um super-herói, deixando-o apenas com as lembranças (e os braços decepados da amada). O próprio Butcher revela que sua esposa teria sido estuprada por um dos “grandes” super-heróis, e morrido ao abortar um feto metahumano.
Os eventos da série não ocorrem em nenhum universo de eventos já existentes na DC ou na Wildstorm, o que deve ser um alívio para os fãs de outros heróis. Mas nem por isso Ennis evita referências óbvias a personagens populares e conhecidos, como o grupo de heróis adolescentes Teenage Kix, bem inspirado nos Novos Titãs. Claro que você nunca veria uma orgia na Torre Titã. E há também “Os Sete”, claramen
te inspirado na Liga da Justiça, cujo trio de principais e veteranos heróis – Patriarca, Black Noir e Rainha Maeve – são versões no Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. Apesar de publicamente terem a imagem de heróis honrados, eles são totalmente inescrupulosos e pervertidos. Uma cena antológica e hilária é quando uma nova e ingênua heroína é recepcionada pelo líder Patriarca e descobre a verdadeira natureza do grupo ao ser obrigada a fazer sexo oral com ele.
Talvez por estas e outras a DC simplesmente deixa de publicar a série em janeiro de 2007, após 6 números. Não se sabe exatamente o que motivou a decisão, já que as declarações públicas, tanto da editora quanto do escritor, são meio reticentes. O que se especula é que as referências nada respeitosas a personagens medalhões da editora podem não ter agradado a alguns, não obstante a editora já ter publicado algo tão polêmico quanto Preacher, onde literalmente Deus e o mundo eram execrados sem piedade. Como comentou Eudes, do Rapadura Açucarada, tirar sarro de Deus pode, mas não mexa com o Super-Homem.
Para sorte dos fãs, os direitos dos personagens não ficaram com a editora, e Garth levou a história para a editora Dynamite, que continuou a publicar a série a partir do que seria o número 7, e continua editando até o presente momento. À época, Ennis já declarou que os números que já foram lançados pela Wildstorm pareceriam um passeio na Vila Sésamo comparados ao que sairia em seguida. E a promessa foi devidamente cumprida, com direito à violência gratuita, perversões sexuais de vários sabores, teorias conspiratórias e mais elementos tradicionais dos quadrinhos sendo impiedosamente sacaneados. A minissérie “Herogasm” é um chute nos bagos nos grandes crossovers e sagas envolvendo diversos heróis enfrentando uma grande ameaça, e o grupo G-Men transforma os conhecidos mutantes da Marvel em desajustados, mercenários e traumatizados com abuso infantil.
Bem, nem preciso dizer que, até o presente, nenhuma editora brasileira anunciou que pretende trazer essa série para cá. Quem quiser ler esse material terá que apelar para as importadoras, ou se preferir, ler os scans. Inclusive já rola na rede uma versão traduzida para o português pelo pessoal do Vertigem HQ
Update: No início desse ano a Devir anunciou a intenção de trazer, entre outros títulos, a série de Garth Ennis para o Brasil. Preparem os bolsos!

A origem de Bira, o Bruto

O mundo é um lugar bruto, o sistema é bruto, o Capitão Nascimento é bruto é até o Produto Interno é Bruto. E aqui o povo é bruto por natureza., principalmente no Nordeste. Seu Saraiva e Chuck Norris são dândis, comparados a certas criaturas, principalmente os da velha guarda. Tanto que uma das figuras mais folclóricas é um tal de Seu Lunga, que é tão fino quanto parede de castelo e porta de igreja. Existe tantas histórias e “causos” apócrifos sobre tal figura que se imagina que seja criação do imaginário popular, tal como Branchu. Mas ele existe, e ainda é vivo, soltando seus impropérios para os desavisados no meio de Juazeiro do Norte, Ceará. Claro que nem todas as histórias necessariamente ocorreram, já que uma figura tão folclórica começa a estimular a imaginação do povo, que cria as próprias histórias. Por exemplo, lá na terrinha , escutei muitas das histórias atribuídas a Seu Lunga como que ocorridas com outra figura folclórica do sertão paraibano, seu Mandurim, que também entrou para o folclore como um elemento tão espesso quanto papel de embrulhar cimento.
Mas tudo isso é para introduzir, ou melhor, apresentar um nobre colega frequentador da blodega, conhecido como Bira, o Bruto, que está no mesmo naipe das figuras supracitadas. Ele costumava bater ponto lá no busilis,, se proponndo a ser o único “colunista social macho do planeta”, já que sua formação em sociologia não lhe rendia tantos dividendos. Quem mandou ele não se candidatar a presidente?
De toda forma, suas histórias eram sucesso entre o público do site, porém ele não era exatamente um primor em termos de prazos e regularidade, e a única justificativa era que “escrever toda semana é coisa de veado, porra!”. Por isso, a coluna social não foi exatamente um sucesso. Mas esperar o que? Era mais fácil a Megan Fox assinar uma coluna sobre Física Quântica na “American Scientist” do que uma figura tão rústica levar a frente esta ideia.
Well, antes que esse texto descambe para algo do tipo “os 10 mais grossos da História Moderna”, vamos ao que interessa: nas conversas de balcão com Bira, ele té ensaiou um retorno as suas (ir)regulares contribuições à humanidade no sentido d torna-la menos fresca. Mas antes disso, aproveito para apresentar aos frequentadores da blodega a “origem” de Bira, o Bruto. Ajeitem os ovos na calça e sentem que lá vem história. Porque estória é coisa de bicha. Com a palavra, Bira, o Bruto
Bira, o bruto, está terminando a graduação em sociologia na UFRJ.E as colegas pedem pra ele arranjar a festa. Ele diz “tudo bem. Vamos organizar a Vivi compra a maconha, a Dani a cocaína, já a Matilde vai arranjar as raparigas pra dançar nuas”. Aí se definiu que a festa seria um luau, pois nenhuma boate quis alugar o local pro Bira, que queria tocar fogo em tudo no final da festa, tudo registrado em contrato. Depois da enésima baforada (ou cheirada, ou dose, vai saber, entende?) Bira grita
- Todo mundo nu!
E as meninas: “De novo?”
- Então vamos organizar! Vivi tem que me dar agora, que é a última vez que ela vai transar com um homem de verdade.
- Mas eu estou de casamento marcado, Bira – Disse Vivi.
- Com quem?
- Com o lutador de boxe da educação física.
- Aquele baixinho não tem futuro.
- Mas o Éder Jofre é tão legal comigo…
-Vai por mim. Ele não tem jeito pra coisa…
Resultado? O Bira entende de muita coisa, exceto de porrada.
Resultado 2: o Bira até hoje é frustrado pq a Vivi não deu pra ele na festa de formatura.
Mas voltemos. Em outro momento da festa, ele discutia Marx (que, apesar de dúvidas quanto à sua relação com Engels, era muito macho pra enfrentar o capitalismo ressurgente).
- Vai por mim, esse cara sabia do que estava falando.
- Mas eu escreverei isso em meus livros.
- Professor Fernando Henrique Cardoso, seus livros não defendem o liberalismo. O barbudo disse que ele se reescreveria
- Jamais! O liberalismo está no fim.
E acreditaram nele…
O resultado? Bira aprendeu a lição: não confie em professores que querem ser presidentes.
E a festa ainda não acabou. A coisa estava mais ou menos definida. As meninas, bêbadas ou coisa que o valha, entravam e saíam nas barracas com todos os rapazes. Não tinha aids, era uma beleza.
No fim, ao amanhecer, só restava o Bira, o único ainda em pé (o bicho agüenta um goró que só vendo)…
Todo mundo nas barracas dormindo.
E, diante de um nascer do sol magnífico, Bira, o Bruto, diz:
- Já sei o que vou ser na vida. Uma coisa exclusiva. Serei o único colunista social macho deste país.
E fim de papo.
Bira tocou fogo nas barracas, era um tal de gente nua correr na praia… Uma coisa. E Bira sai, feliz da vida para a manhã que apenas começava.


O Espírito de Sherlock Holmes

Apresentado ao mundo em 1887 no romance “Um Estudo em Vermelho”, Sherlock não é o primeiro detetive do gênero policial, mas se tornou o mais famoso, e mesmo quem nunca tenha chegado perto de alguma das histórias do Arthur Conan Doyle já ouviu falar dele, e a mística envolvendo o personagem é tão grande que muitos devem imaginar que ele realmente existiu, e a imagem criada pelo ilustrador Sidney Paget e o teatrólogo William Gillete já está devidamente gravada em nosso inconsciente coletivo. E mesmo criado há mais de um século, Sherlock Holmes reencarnou inúmeras vezes na cultura popular nestas décadas todas, nunca saindo de moda para seus fãs e ressurgindo para o grande público vez por outra ,lhe garantindo mais seguidores.
Para alguém que,eventualmente não conheça nada sobre o personagem, uma rápida biografia: Sherlock Holmes é um consultor e detetive londrino que emprega a observação, dedução e método científico para resolver casos de difícil resolução para a Scotland Yard ou para clientes com muitos esqueletos no armário e que precisam de discrição. Seus insólitos casos são narrados pelo médico e veterano de guerra Watson, que o conheceu quando ambos dividiam um imóvel à Baker Street, 221B, e que o acompanha em seus casos, quase sempre se surpreendendo com as conclusões quase sobrenaturais de seu amigo. Além de sua incrível capacidade de observação e profundo conhecimento de qualquer assunto que possa ser usado na dedução dos crimes, consta que Sherlock Holmes seja um hábil pugilista e adepto de uma variante do jiujitsu, o baritsu, apesar de raramente apelar para violência física. Também toca violino e é usuário de cocaína. Nascido provavelmente em 1856, provavelmente teria morrido em fins dos anos 20. Mas morreu pra você, fã ingrato, pois para muitos Sherlock existe e ainda está vivo. E o maior argumento para isso é que, sendo uma personalidade tão ilustre, a sua morte deveria ter sido noticiada no Times de Londres, algo que até hoje não ocorreu, por isso certamente ainda está vivo. Elementar, ora pois!
Arrisco a afirmar que o que mais exerce fascínio no imaginário dos fãs não é o que foi registrado nos contos e romances escritos por Conan Doyle, e sim justamente o que NÃO está escrito. Mesmo devidamente registrados, os casos nos quais Holmes se envolveu, há muitos aspectos nebulosos referentes à biografia do detetive, algumas contradições ou supostas incongruências nas narrativas, eventuais correlações entre a ficção e os fatos reais. Isso é mais do que suficiente para que especialistas no assunto desenvolvessem todo tipo de teoria para preencher estas lacunas. Há inúmeros estudos e tratados nos quais se especula sobre tais questões, levantando hipóteses das mais plausíveis às mais inverossímeis. E talvez esse seja o principal combustível que mantenha acesa a chama do interesse popular.
Há muito material a se especular. Qual universidade Holmes teria frequentado: Oxford ou Cambridge? O que o moldou em sua juventude para que se tornasse tão obstinado em seus estudos criminalísticos e se tornasse tão isolado e quase misantropo? Teria tido mesmo um caso secreto com Irene Adler, de “Escândalo na Boêmia”? Seu irmão Mycroft seria mesmo um agente do governo britânico ou aliado do maior inimigo de Holmes, o professor Moriarty? O que teria feito durante o período de três anos em que foi dado como morto? Seria Holmes homossexual, ou até mesmo uma mulher travestida? Teria descoberto, em suas inúmeras pesquisas, um elixir para prolongar a vida e estaria vivo até hoje? É desses e outros assuntos que estudiosos e sócios das dezenas de sociedades sherlockianas do mundo costumam tratar.
Se nos limitarmos ao universo escrito, há uma miríade de possibilidades. Um dos grandes estudiosos do assunto, Leslie S. Klinger, é responsável pela organização da mais recente edição “definitiva” do personagem, que além de reunir os romances e os contos originalmente publicados pela revista “Strand Magazine”, oferece informações adicionais de peso, frutos de pesquisa entre artigos e livros já publicados a respeito do personagem, espalhados em um ótimo texto introdutório que recapitula a biografia do criador e das criaturas e fornece uma crônica da era vitoriana, contextualizando bem o leitor de primeira viagem, além de centenas de notas de rodapé espalhadas ao longo dos contos e romances. E estas notas nos trazem boa parte das conjecturas e teorias tecidas nas últimas décadas especulando sobre os aspectos menos conhecidos do famoso inquilino de Baker Street. No Brasil essa versão está sendo publicada pela Jorge Zahar Editora.
Ao extrapolarmos o câ
none oficial e nos estendermos por outras mídias, incluindo adaptações oficiais, paródias ou simples influências, teremos uma ideia do quão amplo é o universo sherlockiano. Aliás, estas mídias é quem mais contribuiram para perpetuar a imagem coletiva do Holmes, lhe atribuindo características não mencionadas nos textos, como o tradicinal chapéu de caçador – o qual raramente usava nos contos – e a frase “Elementar, meu caro Watson”, que não consta nos escritos de Doyle. Desde 1905 que o personagem aparece em algum filme, animação ou série de TV, sendo os atores mais famosos e marcantes que o encarnaram William Gilette (teatro e cinema mudo), Basil Rathbone (seriado para o cinema dos anos 40) e Jeremy Brett (série de TV dos anos 90). Tais releituras não se limitam à Inglaterra vitoriana. Sherlock já combateu nazistas durante a II Guerra Mundial, foi ressucitado no século XXII para combater mais uma vez Moriarty, perseguiu o temível Jack, o estripador e até já esteve no Brasil para recuperar um violino roubado de D.Pedro II e desvendar uma série de assassinatos. Mais recentemente, Robert Dowley Jr “baixou” sua versão do espírito sherlockiano no novo filme do diretor Guy Ritchie, mostrando um personagem mais adaptado ao gosto dos fãs de blockbusters do século XXI.
Se formos listar os personagens de ficção que adotam o mesmo método de dedução científica, sendo inspirados, direta ou indiretamente em Sherlock Holmes, teríamos mais outra imensa e enciclopédica lista de “reencarnações”, como vários detetives da literatura policial do naipe de Hercule Poirot ou inspetor Maigret, alguns outros detetives do cinema e TV, como Columbo ou Adrian Monk, passando pelo Dr. House e chegando ao Batman, o maior detetive dos quadrinhos (ao menos na opinião da DC).
O fato é que Sherlock Holmes ainda se manterá na imaginação e no inconsciente coletivo dos fãs ainda por longa data, seja em suas inúmeras releituras, encarnações ou influências, nas mais diversas mídias, se tornando maior que seu criador. Aliás, se tornou consenso entre os fãs que Sherlock e Watson realmente existiram, e este último apenas usava Conan Doyle para reproduzir seus manuscritos. De saco cheio do sucesso de seu personagem, Arthur Conan Doyle decidira matá-lo em um confronto final com seu inimigo Moriarty em “O Problema Final”, no qual ambos trocam sopapos à beira de um penhasco, sobre as cataratas Reichembach, na Suíça, e despencam para a morte. O que ele não contava era com a pressão dos fãs irados que deixaram de comprar a “Strand Magazine” e que exigiam a volta de Holmes. E Conan Doyle precisou trazê-lo dos mortos, ressuscitando-o na história “A Casa Vazia”. Maior prova de sua capacidade de sobrevivência não há,e até hoje ele continua voltando dos mortos para assombrar mais uma geração com sua capacidade de dedução.
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Nesses tempos de Reality Show, o mais famoso deles é o intitulado Big Brother, importado da Holanda pela Rede Globo. Isso você já sabe. Mas nem todos os expectadores deste programa sabem qual a referência que inspirou o título. Aprenda aqui conosco e pague uma de intelectual quando algum chato lhe perguntar quem foi para o paredão esta semana.

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