Os Terremotos de Sábado à Noite


Cinema 4D de pobre

Com toda esta conversa sobre a suposta revolução tecnológica promovida pelo filme “Avatar”, estava lembrando as outras “revoluções” técnicas anteriores que aconteceram em Hollywood, as quais foram criadas e implementadas mais como uma tentativa de atrair o público e tentar reverter a queda na arrecadação com bilheteria. Inclusive na Coréia o filme está sendo exibido em “4D”. Antes que imaginem algo quântico, a “quarta dimensão” seria o uso de alguns efeitos na sala de cinema para estimular os outros sentidos. Inclusive até já vi um brinquedo desses de parque de Shopping Center chamado de “Cinema 5D”, que exibe filmes curtos em 3D e adiciona até esguichos de água entre os efeitos. Apesar de que chamar isso de 4D ou 5D me lembra a lógica bizarra de chamar aqueles aparelhos vagabundos que tocam música, passam vídeo, sintonizam TV e o cacete a quatro de MP5 para cima. Se é pra compartilhar as sensações com o público, fico ansioso para que implementem tal recurso em algum filme com muita bebedeira. Já imaginaram distribuírem bebidas no cinema só para você ficar tão melado quanto o personagem?

Mas tudo isso está realmente me lembrando é das peripécias de um ex-colega de trabalho que já incorporava tais recursos nos cinemas paraibanos nos anos 70. Nas horas de ócio, esse meu colega nos divertia com a narração de algumas de suas peripécias juvenis, parte delas justamente durante a projeção de algum filme em um dos cinemas do centro de João Pessoa, como o Plaza, o Municipal ou o Rex, para nossa diversão e deleite. Em um desses episódios, ele e sua turma assistiam a “Os Embalos de Sábado à Noite”, com John Travolta reclamando das meninas que queriam dançar com ele só porque lhe deram. E em plena era Disco, os destaques do filme eram as cenas de dança. E para dar um efeito 3D nestas cenas, ele e sua trupe subiam e ficavam dançando em frente à tela, acompanhando a trilha sonora dos Bee Gees e os passos de Travolta. Mas este avanço tecnológico não foi bem aceito pelo público e nem pelo gerente, que chamou a polícia para descer a borracha nos Tony Manero paraibanos. A correria foi tanta que eles poderiam participar do filme “Carruagens de Fogo”.

"Essa Porra tá desabando mesmo!"

Mas este foi fichinha comparado ao que viria, o precursor do “4D” devidamente testado no velho cinema “Plaza”, um cinemão antigo que deveria caber umas 700 pessoas, tinha uma espécie de “camarote”, com algumas dezenas de cadeiras. Nos anos mais decadentes, normalmente quem subia ao “camarote” era a pirralhada doida pra bagunçar e pra jogar alguma coisa nos pobres espectadores das cadeiras de baixo.

Ainda nos anos 70 foi lançado o filme “Terremoto”, mais um exemplar do subgênero “cinema-catástrofe”, cuja receita era reunir um elenco de estrelas decadentes, cujos personagens viviam seus pequenos dramas pessoais até alguma desgraça das grandes acometer a todos e o elenco ir morrendo ao longo do filme. A desgraça poderia ser um incêndio no arranha-céu, um Boeing em pane ou um transatlântico indo a pique, e em “Terremoto” não deve ser difícil imaginar a causa da catástrofe. Mas o filme trouxe uma inovação técnica em relação aos efeitos sonoros, já que empregava a tecnologia “sensuround”, que deve ter sido o avô do Dolby Surround, THX e coisas do gênero. O prometido é que os efeitos sonoros trariam realismo às cenas de terremoto. Se isso funcionou no velho Plaza e seu sistema de som capenga, vai saber. Mas meu colega ainda deu uma forcinha, pois foi assistir ao filme munido de saquinhos de areia, e sabidamente ficou no camarote do Plaza. E nas cenas onde o chão tremia e o estrondo vibrava a sala, ele derramava a areia lá de cima, e quem tava embaixo se entusiasmava tanto com a novidade tecnológica que imaginava até um tremor de verdade, já que alguns gritavam coisas do tipo “o cinema vai cair!” ou “essa porra tá desabando mesmo!”, pra deleite de meu colega. Nisso James Cameron não pensou.

Mas isso tudo é passado e obsoleto frente aos recursos digitais dos filmes atuais. Esse meu colega já deve ter se aposentado, e a maioria dos cinemas citados nem mais existem, sendo ocupados por lojas de calçados ou agências bancárias. Com exceção do Municipal, que ainda passava filme, mas de um gênero njo qual o efeito “4D” que pode ser proporcionado é uma bela duma esporrada na cara, algo bem fácil de acontecer, dado o tipo de espectador dessas películas…

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  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
  • suzilene: caraca o coelhinho é´loco e tarado e lindinho*-* fiado e´bom de mais. 100% play boy
  • Vampira Dea: Ótimo blog e post, parabéns. Os caras eram burros mesmo rsrrs

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