Black Dynamite

Os Bons Tempos Voltaram! Vamos dar porrada outra vez!
Blaxploitation é um termo originado da fusão entre exploitation e black, e rotula os filmes dos anos 70 voltados ao público negro americano, que não se via satisfatoriamente representado nos filmes mainstream de Hollywood, com seus heróis machos, brancos, algo-saxões e protestantes. Essa safra de filmes típica dos anos 70 colocava os manos como protagonistas e os brancos como vilões, representando “the man”, o sistema opressor que perseguia os negros e não os deixavam assumir seu lugar na sociedade.

Apesar de “Shaft” (o de 1971), que trouxe um detetive negro e durão como herói, ser um filme de grande estúdio, não deixa de ser uma referência do gênero. E um dos clichês é mostrar um protagonista fodão, que resolve as coisas na porrada e na bala, não tem pra ninguém e come todas as minas do pedaço, mermão! E logo diretores viram este nicho e criaram uma série de filmes à margem das produções hollywoodianas contendo o que a rapaize queria ver: porrada a três por quatro e um negão ditando as regras. E um som maneiro, claro. Aliás, a trilha sonora destes filme é o que havia de melhor na black music dos anos 70,  De Isaac Hayes a Quincy Jones, passando por James Brown e Marvin Gaye, eram verdadeiras pérolas negras. E, além de destacar protagonistas negros, havia espaço também para as mulheres, como a agente Cleópatra Jones ou a enfermeira vingativa Coffy.

Este gênero tão popular nos anos 70 foi relembrado e satirizado no filme “Black Dynamite“, lançado ano passado e ainda inédito por aqui, com exceção de sua exibição no festival do Rio no ano passado.

Na história, Black Dynamite, ex-agente da CIA, admirado e temido pela comunidade, volta a ação quando seu irmão é morto por traficantes brancos, distribuindo sopapos, golpes de kung-fu e tiros de revólver pra todos os lados, matando todos os que atravessarem seu caminho e traçando todas que olharem e se encantarem por seu penteado Black Power, enquanto tira a droga das ruas e desbarata um complô visando encolher o pinto da população negra americana. Uma verdadeira máquina de dar porrada e fazer sexo, não necessariamente nesta ordem. Jack Bauer, Steven Segal e Chuck Norris não dariam um caldo diante do bigode e da cabeleira do Black Dynamite. O negão é foda!

O grande trunfo de “Black Dynamite” em relação às recentes produções que parodiam estilos e filmes recentes de Hollywood é de não ser forçado e caricato. Bem, não mais forçado e caricato do que os próprios filmes do gênero. Mas infelizmente filmes como “Deu a Louca em Hollywood” ou “Os Espartalhões” apenas parodiam cenas os últimos sucessos do cinema e as costuram sem um maior cuidado, praticamente desenhando para o público “olha, estamos tentando sacanear com o filme X e Y, riam, por favor!”. Deve haver quem goste…

Você pode até não achar tanta graça em “Black Dynamite”, que não funcionaria como comédia propriamente dita, mas ele homenageia os trejeitos e clichês do Blaxploitation de tal forma que um desavisado ao assisti-lo dificilmente saberá que se trata de uma paródia, pois a fotografia, figurino e trilha sonora emulam direitinho os filmes do gênero. O diretor Scott Sanders e o ator Michael Jai White (que também escreveu o roteiro com Byron Minns) fizeram o trabalho direitinho. Daí o trunfo da produção do filme, que deliberadamente – ao menos creio eu – estrai interpretações exageradas e canastronas do elenco, provoca erros grosseiros de continuidade e insere efeitos toscos, com direito a microfone aparecendo em cena ou em uma sequência de voo no qual Black Dynamite pilota um helicóptero e que aparece, em cenas distintas, uns 4 modelos diferentes de helicóptero! Também faz tempo que não vejo um revolver disparar mais do que 6 tiros sem ser recarregado. Destaque para a cena de dedução estrambótica das pistas para desbaratar o complô e a luta final contra “The Man”, nada menos do que Richard Nixon, hábil no Kung Fu e no Nunchaku, um adversário à altura de Black Dynamite.

“Black Dynamite” é divertido como os filmes que ele homenageia, e sua paródia é algo que parece ter sido esquecido pelos produtores de Hollywood, que só produzem coisas do quilate de “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”, os quais não pagam nem a banda gasta para o donwload.

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