A Estante Voadora

Livros que você larga e não quer mais pegar

Dizem que tem livros que a gente pega e não consegue largar. Já Millôr Fernandes parafraseou a assertiva ao afirmar que tem livros que a gente larga e não quer mais pegar. Pior que isso acontece, mesmo. Há livros que por algum motivo a gente não quer nem mais ver, mesmo que fosse ilustrado com fotos da Flávia Alessandra. Às vezes pode ocorrer por não termos maturidade ou bagagem cultural o suficiente pra absorver as sutilezas do autor. Ou porque o livro é uma bosta, mesmo.  E comigo não é diferente. Como todo leitor inadimplente, tenho a estante cheia de livros que comprei, mas que ainda não li, e estão acumulando poeira há anos. Eis aqui a lista de alguns e o motivo pelo qual adiei sine die a leitura deles.

The Secret – O Segredo
Comecei a ler só pra saber por que cargas d’água falam tanto desse livro que tem mais filhote que “O Código DaVinci”. E precisei de pouco mais de dez páginas pra entender que a proposta do livro é falar sobre o pensamento positivo. Parece só uma versão reciclada e metida de “O Poder Infinito de Sua Mente”, que vendeu os tubos em seu tempo. Pus em prática seus ensinamentos e passei a rejeitar o livro em minha mente para que eu nunca mais eu o veja pela frente.

Biografia do Roberto Marinho
Li os primeiros capítulos e não consegui passar disso. Sei que foi ingenuidade imaginar isenção e objetividade de uma biografia do dono da Globo escrita por um jornalista da Globo, mas imaginei que Pedro “isso é coisa de viado” Bial tentaria disfarçar mais um pouco. Vamos babar, mas o ex-corno da Giuliana Gam quis estabelecer um recorde sul-americano em termos de bajulação ao balançar os ovos do chefe morto. Quem sabe daqui a uns cinqüenta anos surja uma biografia mais isenta, e nela se comprove minha teoria de que Roberto Marinho transferiu seu cérebro para o corpo do Vitor Fasano…

Ulisses
Com uma margem de sobra podemos dizer que esse é o livro mais comentado e menos lido. A obra-prima de James Joyce já gerou todo tipo de leitura e teoria e é considerado um marco da literatura moderna. E claro que comprei o calhamaço e comecei a ler justamente em um Bloomsday, e com toda pompa e circunstância: numa mesa de bar e bebendo cerveja escura. A leitura fluiu tão bem quanto a cerveja, mas depois tentei ler em casa já sóbrio e a leitura não engrenou. Pelo visto, vou lê-lo aos poucos, sozinho em mesas de bar. E como raramente eu vou sozinho a bares, nesse ritmo devo levar uns dez anos e dezenas de hectolitros de cerveja escura pra terminar esse livro. Mas como disse T.S.Eliot, todos nós somos devedores a este livro e nenhum de nós pode escapar. Saúde!

O Imbecil Coletivo
Tentei ler a obra-prima de Olavo de Carvalho, o pensador mais odiado pela nossa esquerda, logo em seu lançamento, e juro que achei a introdução chata. Mas admito que a culpa foi minha, que precisava de um mínimo de conhecimento e leitura que, a duras penas, tive que admitir que não tinha. Acho que já tá na hora de tentar de novo. Pelo menos tenho maturidade pra admitir mais rapidamente minha ignorância, se não conseguir de novo.

A Idade da Razão
Não que esse livro seja hermético ou difícil, mesmo sendo escrito por Jean-Paul Sartre, o mesmo de “O Ser e o Nada”. O problema é que até umas quarenta páginas não vi nada na narrativa, história ou personagem que me entusiasmasse. E já tentei ler duas vezes isso. Quem sabe quando eu chegar na tal idade da razão eu venha a me interessar pelo livro. Mas até o momento não tenho razão nenhuma para tentar lê-lo.

A Casa dos Budas Ditosos
Não, o livro não é ruim, pelo menos acho eu. A culpa por não conseguir lê-lo é do próprio autor. Antes desse livro, li do Ubaldo “Diário do Farol”, sobre um misantropo e sociopata e seu fadário de manipulação e vingança. Uma leitura atordoante se você se envolve com a narrativa. Saí tão tonto que não engrenei a leitura do outro livro do autor. Precisei ler um gibi do Tio Patinhas pra recuperar um pouco da sanidade e fé na raça humana.

Kama Sutra
Antes que imaginem que virei celibatário, o único motivo pelo qual evito atualmente esse livro é uma séria hérnia de disco, que suspeito ter sido causada pelo dito livro. E não é porque ele é pesado, não. Se não entendeu, tente adotar a posição giratória ou a da rachadura do bambu, marcando hora com um fisioterapeuta antes (bem, se ela for mulher e bonita, pode testar as posições com ela).

Reblog this post [with Zemanta]

facebook comments:

2 Pediram Fiado para “A Estante Voadora”

Peça Fiado

Receba a Blodega

Digite seu email:

Desenvolvido por FeedBurner

Bate-Boca

  • Moziel T.Monk: Pessoalmente eu nunca vi disponível esse tipo de material online. Por ser algo relativamente antigo, é...
  • Ricardo: Tenho saudades das histórias e gostaria de saber em que site eu consigo ler online ou baixar. Grato Ricardo
  • Ribamar: Branchu é o nada de onde todo vazio provém
  • padre levedo: ouça isto, Moziel http://www.youtube.com/watch?v =wdX6ly6ftUM
  • Moziel T.Monk: Sim, tanto que deixo claro no texto que a história foi criação de David Nasser, apesar de na época de...

Olha o Passaralho!

RSS

Blogueiros do Brasil

Clientela