Código de Conduta

Mais um filme que esperei sair em DVD para assisti-lo, mesmo com algumas críticas negativas da imprensa quando saiu no cinema. Mas quem liga para os críticos hoje em dia? O resumo de sempre: o dono de casa Clyde Sheldon (Gerard “isso é Esparta!” Butler) vê sua casa ser invadida por dois ladrões, e um deles estupra e mata sua esposa, matando a filhinha deles em seguida. O caso vai a julgamento e o promotor Nick Rice (Jamie Foxx), mais interessado eu seu índice de condenações do que na justiça em si, prefere fazer um acordo com o principal criminoso para garantir que ao menos um deles seja condenado, o que deixa Clyde irritado e frustrado com o sistema jurídico. Dez anos depois, um dos criminosos será executado enquanto o verdadeiro assassino está em liberdade. A execução, que deveria ser indolor e tranquila, se mostra bastante demorada e terrivelmente dolorosa. E o verdadeiro assassino também é morto, mas de uma maneira especialmente cruel e lenta. Claro que a polícia e a promotoria se lembram de Clyde Sheldon, e partem em seu encalço.
Mas que seria uma mera vingança contra os responsáveis pela morte brutal de sua família no melhor estilo “justiça pelas próprias mãos” se torna um complô bem elaborado para eliminar todos os que ele considera responsáveis pela libertação do principal culpado, e a promotoria descobre que Clyde Sheldon é mais do que um simples dono de casa, sendo ele na verdade um ex-agente cuja tarefa era elaborar as maneiras mais improváveis para se atingir e matar os mais difíceis alvos. E o camarada levou uma década para elaborar seu plano de matar das formas mais criativas, dolorosas e inverossímeis a todos que considera culpado pelo sistema jurídico que libertou o algoz de sua esposa e filha. Logo todo o sistema jurídico da Filadélfia estará se sentindo impotente diante da capacidade de Sheldon atingir seus alvos, mesmo estando preso na solitária.
Em um primeiro momento o filme promete uma variação bem interessante sobre o tema “justiça pelas próprias mãos”, tão explorado nos anos 80 pelos filmes de ação que se inspiravam em um dos maiores ícones deste subgênero, o arquiteto Paul Kersey da série “Desejo de Matar”, vivido por Charles Bronson. Ao invés de uma simples vingança contra os criminosos, o alvo abrange também o sistema que os colocava na rua. Infelizmente a história se perde lá pelo meio, e o que poderia ser um interessante suspense policial com críticas ao sistema jurídico se torna um filme com mortes criativas e impossíveis, estilo “Jogos Mortais”, para usarmos uma referência recente.
Por isso deixei de levar a sério a história e preferi encarar o filme como diversão mórbida, e imediatamente fiz a ponte com um filmaço dos antigos: a série de filmes com Vincent Price dos anos 70, iniciada com “O Abominável Dr. Phibes” onde ele é o personagem-título, o vingativo e deformado viúvo que mata com requintes de sofisticação e criatividade a equipe médica que não conseguiu salvar a sua esposa, inspirado nas pragas egípcias descritas na Bíblia. Tudo bem que Phibes era camp e cafona até os ossos, mas tinha seu charme inabalável, mesmo com sua máscara escondendo seu rosto deformado e aquele aparelho pelo qual ele falava. Mas era divertido pacas imaginar como seus inimigos morreriam. E me peguei fazendo o mesmo neste filme. O trunfo da história é que você acaba se pegando torcendo para o que seria o vilão, concordando ou não com sua crítica ou métodos.
Só que, mesmo não levando a sério tudo isso, o final acaba decepcionando, pois se preferiu uma conclusão mais politicamente correta e convencional, desvendando os mistérios e quebrando um ritmo que poderia render um final mais ousado. O diretor e os roteiristas tiveram uma boa ideia, mas não souberam executa-la. Poderiam ter feito um filme mais realista e crítico ao sistema judiciário ou simplesmente apostarem na suspensão de descrença do público e investir em um suspense beirando o impossível até as últimas consequências, já que chutaram o pau da barraca da credibilidade lá pelo meio do filme mesmo. Mas no fim resultou em um daqueles filmes de segunda categoria que costumam ser reprisados nas madrugadas da TV, infelizmente. Mas pensando bem, a depender do final do filme, alguém poderia ter a brilhante ideia de querer inaugurar mais uma franquia caça-niqueis no melhor estilo “Jogos Mortais”. E disso não precisamos, com certeza.
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Realmente o Final foi sem sentido, pelo fato que o cara era um genio, ele deveria estar desconfiado do que poderia acontecer desde o inicio.