A Biblioteca Politicamente Incorreta

Dicas de livros para NÃO se ter na estante
Você é daqueles que começam uma cantada com algo do tipo “vamos ver minha coleção de livros lá em casa”? Se é, com certeza vai tentar impressionar a parceira com alguns livros bem cabeça para mostrar quão inteligente e sensível você é, desde que ela arrie as calcinhas o mais rapidamente possível. Mas se você não for exatamente fã de Fernando Pessoa ou de literatura clássica, o máximo que pode acontecer é ela achar graça na pilha de mangás do Naruto espalhadas pelo quarto. Mas se por acaso ela vir algum livro mais estranho, ela vai achar que você é algum psicopata, terrorista ou tem parte com o cão, e além dela lhe dispensar, entrará na primeira delegacia que encontrar para falar ao delegado sobre sua alma sensível. Eis aqui uma pequena lista dos livros que você NÃO deve ter em sua casa.

Manual do Guerrilheiro Urbano
Escrito por Carlos Marighella, cabeça da ALN (Aliança Libertadora Nacional) basicamente era um manual de doutrinação, sem maiores conselhos práticos e com algumas dezenas de páginas. Tinha algumas recomendações, como o uso de armas leves e curtas, do tipo submetralhadoras, e a carinhosa premissa de não se fazer prisioneiros de qualquer representante das autoridades. Ou seja, viu policia, manda bala! Até onde eu saiba nunca foi publicado por nenhuma editora. Na época do regime militar suas cópias eram mimeografadas, como o próprio manual recomendava. Tornou-se mundialmente famoso por ter sido usado pelo grupo terrorista alemão Baader-Meinhof, o apelido carinhoso da Facção Exército Vermelho, que tocava o horror na Alemanha Ocidental nos anos 60. Hoje é facilmente visto pela Internet, apesar de que há versões em português que não são o texto original, e sim alguma tradução obtida a partir de outro idioma, devido a alguns erros grosseiros de tradução, como “barrel” ser “barril”, e não cano de arma de fogo. Mas não sei se o livro ajudou muito seu autor e seus mais famosos leitores, já que Mariguella morreu com mais balas que uma confeitaria e a dupla sertaneja terrorista alemã acabou também morta, supostamente por suicídio.

The Anarchist Cookbook
Escrito nos EUA no início dos anos 70 por William Powell como uma espécie de protesto contra o envolvimento do país na Guerra do Vietnã, este livros traz dicas imperdíveis de como aplicar golpes financeiros, interferir em equipamentos eletrônicos, produzir drogas caseiras, conseguir identidade falsa e, o mais interessante, fabricar diversos tipos de bombas e explosivos a partir de produtos facilmente obtidos. Apesar do título, o livro não faz referência à política do anarquismo propriamente dita, e estes fazem questão de não serem associados a esta publicação. E por mais explosivo – trocadilho infame – que seja seu conteúdo, desde os anos 70 que tal livro foi publicado e está disponível até hoje para venda, apesar dos protestos do autor, que se arrependeu de te-lo escrito, mas que atualmente não detém os direitos sobre o livro. Trechos e variações do conteúdo estão disponíveis na Internet, principalmente sob o título “The Terrorist Handbook”, uma série de receitas para bombas caseiras. A propósito, se você está lendo este artigo, sorria, pois a CIA e a NSA devem estar lhe observando agora.

Mein Kampf
Para aqueles que acham que as ideias do nacional-socialismo merecem uma segunda chance, nada como dar uma passada nas páginas escritas pelo próprio Adolf Hitler enquanto via o sol nascer quadrado e que contém o fundamento teórico no qual se baseou o partido nazista. Um verdadeiro best-seller em seu tempo, não é oficialmente ditado atualmente por motivos óbvios, o que não impede que cópias circulem pela Internet, fazendo a alegria de qualquer maluco que resolva usar a suástica.

A Bíblia Satânica
De todos os malucos acólitos de adoração ao cromunhão, o mais famoso nos meios é Anton Szandor LaVey, que fundou a Igreja de Satã em 1966 e escreveria anos depois a sua versão da Bíblia, onde pregava sua palavra, por assim dizer. Mas para quem espera rituais homicidas e sanguinolentos  em nome do Luciraldo vai se decepcionar, pois o satanismo proposto por Lavey seria, na verdade, uma mistura de materialismo e hedonismo que pregava valores opostos ao ascetismo e estoicismo das religiões cristãs. Ou seja, para Lavey a putaria tava liberada sem culpa, e se aparecesse alguma virgem em sua igreja, era mais fácil ela entrar na pica do que na faca. Satã era usado apenas como um simbolismo para estes valores, uma força da natureza, e não uma deidade.  Mas vá tentar explicar isso para sua mãe quando encontrar esse livro em sua estante…

O Livro Negro de São Cipriano
Supostamente escrito por um feiticeiro medieval, esse é o nosso “grimorium”. Se Paulo Coelho é do bem, São Cipriano oferece poderosas rezas, mandingas, elixires do amor, amuletos, bruxarias e coisas práticas, como orientar sobre pactos demoníacos ou produzir capetinhas a partir de gatos pretos. O irônico é que isso era anunciado em algumas revistas em quadrinhos que li quando criança, e ainda está disponível para quem quiser dar uma de John Constantine Tupiniquim, nas versões Capa Preta e Capa de Aço.

Se por acaso algum leitor se interessou por um desses livros, faremos vista grossa e imaginemos que seja apenas pura curiosidade acadêmica. E em caso de alguém explodir a casa por engano, for arrastado para o inferno ou ser indiciado por apologia ao terrorismo e nazismo, nós não temos nada com isso. Quem mandou ler estas porras ao invés de ler inofensivas revistas da Turma da Mônica?

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  • Moziel T.Monk: Pessoalmente eu nunca vi disponível esse tipo de material online. Por ser algo relativamente antigo, é...
  • Ricardo: Tenho saudades das histórias e gostaria de saber em que site eu consigo ler online ou baixar. Grato Ricardo
  • Ribamar: Branchu é o nada de onde todo vazio provém
  • padre levedo: ouça isto, Moziel http://www.youtube.com/watch?v =wdX6ly6ftUM
  • Moziel T.Monk: Sim, tanto que deixo claro no texto que a história foi criação de David Nasser, apesar de na época de...

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