Se Meu Fusca (não) Queimasse

Pra variar, meio ocupado com as tarefas ex-blodega, passo a palavra aos frequentadores deste balcão virtual. Esta aventura é um dos relatos que costumo ouvir por aqui. Seu protagonista certamente deve se lembrar dela ao lê-la aqui. Reproduzo seu “relato” para deleite dos clientes.

Quando somos jovens, nossas prioridades hedonistas nos direcionam a beber e fornicar de forma alucinada. E a falta de dinheiro não é necessariamente um empecilho. Se falta dinheiro pra cerveja, tomemos cachaça ou vodca barata. Se não temos carro, alguém da turma consegue um fusquinha. E se não há dinheiro para o motel, usemos o fusquinha de forma comunitária.

Toda esta enrolada é só para lembrar de um episódio de minha juventude. Eu e um amigo de farra estávamos em seu fusquinha à caça de carne fresca. E encontramos duas amigas- uma loira e uma morena, ambas tomando sol na beira da praia. Conversa vai, conversa vem, cerveja para lá, cerveja para cá, o por do sol, aquele papo beleza. Em suma, estavam no papo. Pagamos a conta do bar e fomos aos finalmente. E resolvemos fazer no fusca, mesmo, já que não tinha muita grana para bancar um motel. Fora que ainda tínhamos uma garrafa de rum no carro.

Nós quatro paramos o fusquinha em um local meio ermo e começou a “seção de gala”. Eu fiquei na frente, ensinando os fundamentos do câmbio do Volkswagen para a morena, que depois da terceira dose de rum, engatou uma terceira e estacionou em cima de mim. No banco de trás, meu amigo e sua loira praticavam contorcionismo sexual, já que espaço é um luxo dentro de um fusca. E o negócio tava indo bem.

“Tá ficando quente”, diz a loira. E tava, mesmo, já que os dois estavam mandando brasa. Mas me concentrei em minha parceira, que me mostrava suas habilidades orais. Mas não me furtei a escutar a loira dizendo entre gemidos “tá ficando quente!”, com a concordância orgulhosa de meu amigo, ciente de estar cumprindo competentemente com suas funções.

“Mas tá ficando quente mesmo, porra! E é minha bunda!”. O grito me chama a atenção, e meu amigo apenas pensa alto: “Oba! Hoje é cu!”. A ideia de comer lombo na manteiga (ou no KY, que é o que tinha a mão) me agradou bastante, e se a loira liberasse, era um bom argumento para a morena me fazer esta caridade.

“Tá saindo fumaça, cacete! Tá pegando fogo!”. Saindo fumaça? Imaginei por dois segundos o tamanho da fricção entre as partes para produzir fumaça. Mas me lembrei de um pequeno detalhe da engenharia do fusca. Certamente o alemão que projetou este carro deveria ser do partido nazista e queria honestamente que pobre de explodisse. Como alguém forra um banco com palha e o coloca justamente em cima da bateria e do relé desta?

Pois isso que você está pensando aconteceu. Com o sobe-e-desce do banco, acabou ocorrendo um curto-circuito no relé, produzindo faíscas. Pois é, o banco estava pegando fogo, e obviamente esquentando a bunda da loira. Quando o casal percebeu que estavam prestes a virarem tochas humanas, esqueceram a atividade recreativa rapidamente. Minha morena ficou segurando meu cacete e começou a gritar fogo, como se meu pinto tivesse uma linha direta com o Corpo de Bombeiros. E o que é pior, não saía do canto nem largava meu dito-cujo.
- Joga o banco fora! Joga o banco fora!
E eles até que estavam tentando. Mas fica meio difícil fazer isso quando se está sentado no banco. A morena estava entrando em pânico e quase arranca meu pau fora. Mas sequer saía do seu lugar. E o diálogo que se seguiu foi algo bem edificante:
- Nós vamos morrer!
- Solta meu pau e abre a porta, porra!
- Saiam da frente vocês dois, caralho!
Aquela cena de cinema burlesca durou o suficiente até eu me soltar, sair do fusca e arrancar a morena do carro. A loira tentava fugir pela fresta do quebra-vento.  Meu amigo conseguiu tirar o banco traseiro, jogou-o no chão e sacudiu areia sobre ele. O fogo deixou um imenso buraco no estofado. Eu e meu amigo passamos cinco minutos rindo, e as duas mulheres ficaram putas da vida. Para uma noite de sexo interrompido, até que foi divertido.

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