Clark After Dark Vuvuzelas

Se você, caro leitor ou amada leitora, já está de saco cheio de ouvir Galvão Bueno, copa do mundo, e principalmente o nome VUVUZELA, chegou à b(l)odega certa. Sinceramente não sei o que é mais irritante: chamar uma corneta de plástico de vuvuzela ou o som da dita. Aliás, até o som da pronúncia de “vuvuzela” dói no meu ouvido. E para meu azar, esse “neologismo” caiu no gosto da imprensa por conta da copa na África do Sul, e todos os estagiários de jornalismo adoram mencioná-la sem moderação.
Mas já que estamos falando em instrumentos de sopro com nome estranho, citemos um mais interessante: flugelhorn. E que diacho é um flugelhorn? Digamos que seja uma espécie de trompete mais gordinho, e que produz um som mais, podemos dizer, aveludado. E alguns artistas do Jazz o preferiram ao popular trompete. E para purgar o diacho das vuvuzenas de meus pavilhões auditivos resolvi apelar para um dos grandes mestres deste instrumento: Clark Terry, um verdadeiro jazzista antediluviano e que ainda está na ativa no alto de seus quase 90 anos, tendo tocado ao lado de feras como Duke Ellington, Count Basie e Quincy Jones, além de ter influenciando músicos ao longo das décadas.
Mesmo não tendo conspirado para virar o Jazz do avesso por várias vezes, como Miles Davis, ou se tornado um arauto do tradicionalismo como Winton Marsalis, a obra de Clark Terry resistiu à prova do tempo, e meio que comendo pelas beiradas, já que não é tão lembrado ou citado quanto outros monstros, como Chet Baker. E com a vantagem de ter sobrevivido à maioria de seus colegas de ofício contemporâneos. Tanto que este ano ele foi um dos homenageados pelo Grammy agraciados com o Lifetime Achievement Award, prêmio também concedido postumamente à Michael Jackson na mesma cerimônia. Também estou vendo que este camarada enterrou muito musico, e ainda está com fôlego para enterrar mais alguns.
Por isso ignorem as vuv…Ah, dane-se que não vou mais citar este nome. Apenas escutem esta versão de “Angel Eyes”, do disco “Clark After Dark”, de 1978. E aproveite o Dia dos Namorados para rolar um clima com a patroa.
Mais sobre o coroa do flugelhorn em seu site oficial
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Vuvuzela is the new corneta de pobre.
Welton – Não sei o que seria pior: isso “pegar” aqui no Brasil ou na copa de 2014 a vingança vir em forma de Funk Carioca. Abraços!
Moiza – Isso talvez seja uma das grandes vantagens do som de Clark: além de atemporal, acaba agradando mesmo quem não é fã de Jazz. O coroa manda bem mesmo! Abraços!
Jazz não é o som que costumo escutar sempre, mas… putz! O velho manda bem demais, hein? Uma boa pedida, nestes tempos de vuvuzela, hehhauehaea
Abraços o/