Archive for outubro 2010

Isso non ecxiste!

Relembrando o Padre Levedo

Para o internauta que adentra no atual cenário da blogosfera brasileira verá a predominância de blogs de entretenimento, que basicamente repostam vídeos e imagens cômicas. Mas a blogosfera (e antes dessa, os sites pessoais) daqueles primeiros anos normalmente tinha bem mais conteúdo para se ler, e muitos bons praticantes do saudável hábito da escrita mantinham homepages e blogs, e alguns chegaram a se tornar celebridades no meio. Desses, muitos se profissionalizaram no ofício de blogar e se mantém até hoje, mesmo que em um ritmo bem menor de postagens. Outros simplesmente encheram o saco e largaram a atividade ou nem chegaram a ter blogs ou sites, se contentando em colaborar com terceiros esporadicamente. A certeza era achar textos bem escritos e ideias sensacionais que levariam um roteirista do Zorra Total a cometer suicídio. E foi por culpa desses elementos que o incontrolável impulso de escrever besteiras me dominou, e posso dizer que tenho uma dívida de gratidão a eles por hoje ser dono dessa blodega.

Um desses elementos que dedicava sua prosa elaborada era alguém que atendia pelo singelo nome de Padre Levedo. Nos primeiros anos que comecei a vasculhar os sites e blogs por acaso, me topei com seu site e sua prosa, e é claro que se tornou parada obrigatória, tanto quanto seria um boteco que vendesse cerveja Antártica Original e tira-gostos excelentes a um preço honesto. Até porque cerveja Kaiser é a ira de Deus engarrafada, por definição do próprio Levedo, que se mostrava entendido do riscado. Sabe Deus quem ele era, de fato, mas criou um personagem para si mesmo – um padre dedicado à servir o divino e a salvar almas através dos prazeres terrenos, o que fatalmente envolvia birita, literatura de primeira, música boa, pois a salvação da alma passava pela palavra sagrada do Jazz e do Blues. Seres como Roy Buchanan ou John Coltrane eram verdadeiros santos padroeiros de sua congregação.  E claro, muita putaria a embalar tudo isso.

Ele entretia seus fiéis com histórias de boteco sensacionais, reminiscências de farras e noitadas, dicas de música, livros, filmes, bebidas e comidas. Lendo seus causos etílicos  e aventuras amorosas pelas noites dos botecos paulistanos pregando a palavra era quase como beber com ele ouvindo tais relatos. Além disso, ele também escrevia contos hilários, como as aventuras surreais do cowboy e astronauta Klauxo Walker, o irmão de Johnnie Walker. E falando em Johnnie Walker, sua narrativa sobre os prazeres de um legítimo uísque 24 anos é uma verdadeira epifânia.

Mas sua grande contribuição para o léxico nacional foi o seu fabuloso gerador de lero-lero. Graças a ele, com simples toques do mouse você tem a disposição um texto inédito com uma laudatória digna de um artigo científico, tese de mestrado ou pauta de reunião corporativa. E há versões aperfeiçoadas circulando pela Internet.

Infelizmente a última postagem do nobre eclesiástico cibernético é 30 de outubro de 2006. Ou seja, a exatos quatro anos que Levedo sumiu sem deixar notícias. O que será que houve com o sacerdote? Teria ele entrado para uma ordem de monges e feito um voto de silêncio eletrônico? Teria saído em uma peregrinação derradeira para salvar algumas almas da vida noturna paulista? Ou simplesmente encheu o saco de escrever um blog e está até hoje enxugando garrafas de uísque?

Para desgraça das almas desgarradas, grande parte do que Levedo escreveu estava hospedado em um domínio do Geocities, que foi para o vinagre junto com todos os sites movidos a vapor que ele hospedava. O que ainda resta de seus ensinamentos ainda sobrevive em seu blog no Ig. Infelizmente sua palavra faz falta aos jovens, que precisam perceber que estria e celulite é irrelevante quando a trepada é de primeira, algo que muito onanista de hoje em dia ignora ao admirar tanto as mulheres de plástico das revistas em detrimento de mulher de verdade. Faz falta alguém que resgate as almas desgarradas que escutam Restart e Cine com solos de guitarra como aqueles de “Sneaking Godzilla Thru The Alley”, do Buchanan.

Na ausência de sua palavra nestes últimos anos, o que fica aqui a homenagem a este sacerdote virtual, onde quer que ele esteja.  E para completar a homenagem, convido os meus leitores a lerem os textos arquivados em seu blog. De preferência acompanhado de uma boa cerveja. Saúde.

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Plágio ou Influência Musical?

Aqui onde me escondo provisoriamente a Música Sertaneja domina, principalmente nas rádios. E escutando casualmente uma música dessas, a melodia me lembrou uma outra velha canção. Imaginei, a priori, que alguma dessas duplas de corno sertanejas regravara alguma música. Mas ao prestar mais atenção, notei que apenas parte da música sertaneja em questão se parecia por demais com a outra que insistia em tocar na jukebox de minha cachola. Precisei consultar alguém mais especializado no assunto música sertaneja (minha esposa) e descobri que a música em questão se chama Lumiá (Xote da Lua), da dupla Alan e Alex. Mas não é que a danada tem, em um de seus trechos, uma semelhança da porra com “Nuvem Passageira”, uma música dos anos 1970 de Hermes Aquino, e que tocou bastante naqueles tempos, mas que dificilmente quem tem menos de 30 anos se lembra ou conhece essa cantiga? Mas quem conhece ou quem quiser conhecer certamente notará também uma semelhança na melodia e no andamento, mais especificamente na última estrofe.

Eu escrevi seu nome na areia
Mandei recados pro seu coração
Eu passo as noites só pensando em ti
A namorada que eu tanto sonhei
Minha doce paixão

Escute ambas as músicas e compare a estrofe acima com as duas estrofes de “Nuvem Passageira”, que possui praticamente o mesmo andamento, mas versos distintos:

Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar


A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã

Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada por sobre o divã

Aí é que está o busílis. Onde acaba a referência, a homenagem, quiçá a coincidência, e começa o plágio? Esse exemplo é apenas um que por acaso percebi, e nem sei se as canções são perfeitamente idênticas, nota por nota. Mas que o ouvido acha bem parecido, acha. Mas definir onde acaba a homenagem e começa a desapropriação indébita de propriedade intelectual nem sempre é fácil, ainda mais nestes tempos de samples e sintetizadores, onde não só notas, mas trechos completos da obra original podem ser copiados, remixados e usados ao bel prazer do DJ. Se o autor do original vê algum trocado pingar na conta, aí são outros quinhentos (mil dólares, a depender do caso).

Mas não estou acusando ninguém de plágio, até porque não tenho conhecimento técnico suficiente para afirmar isso de forma jurídica e peremptória (vixe!). Apenas aproveitei a ocasião para pegar uma velha ideia pela orelha e finalmente fazer esse pequeno texto sobre casos de plágio, homenagem ou influência na música. E antes que eu precise revirar as teias de aranha de meus neurônios e alfarrábios, cito dois casos recentes no mundo pop internacional: o grupo australiano Men at Work, que perdeu um processo de plágio movido contra a música “Down Under”, e o Coldplay, que foi processado por Joe Sartriani, pois o guitarrista que surfa com alienígenas achou que “Viva La Vida” tinha semelhança demais com uma música sua de 2004, “If I Could Fly”.

Mas citemos alguns exemplos notórios. Um brasileiro que sofreu diversas acusações de plágio foi Tom Jobim, sendo a mais conhecida acusação a de seu sucesso “Águas de Março”. Quem levantou esta e outras acusações de pirataria autoral foi o arqui-inimigo da Bossa Nova, o crítico José Ramos Tinhorão. Segundo o veterano crítico, autores clássicos e de musicais americanos seriam parceiros involuntários do brasileiro, como Irving Berlim e Chopin, e que no caso de “Águas de Março” a “inspiração” seria uma música chamada “Águas do Céu”, famosa na voz de Leny Eversong. Mas cá entre nós, se há plágio nesses casos não é nada muito óbvio, e os defensores de Jobim alegam, no máximo, uma ispiração ou homenagem. Já Tinhorão, que nunca foi com a cara da Bossa Nova, resume tudo a falta de talento do pianista carioca, que na visão do velho crítico não passa de uma mera esponja musical. Concordo que ele era esponja, mas por outros motivos mais etílicos…

Ainda no ramo da MPB, duas figuras que foram carimbadas com a suspeita de plágio foram Fagner e Zé Ramalho. No caso do cearense, ele foi processado pelas filhas da poetisa Cecília Meireles porque ele teria adaptado trechos da poesia “Marcha” para a letra de um de seus grandes sucessos, “Canteiros”, que foi gravada em seu primeiro LP de 1973, “Manera Fru Fru Manera”,  sem creditar a original. Para completar, no mesmo LP, a música “Sina” teria versos de um poema de Patativa do Assaré, “O Vaquêro”. Raimundo Fagner não deixou de adaptar poemas em forma de canção, mas começou a tomar o cuidado de dar o devido crédito, já que no LP de 1981, “Traduzir-se”, há duas músicas cuja origem são poemas – uma é a música que dá título ao disco, de Ferreira Gullar. Outra faixa é “Fanatismo”, adaptado de um belo poema da poetisa Florbela Espanca.

Já o meu conterrâneo Zé Ramalho teve dois revezes. Um deles foi com um de seus maiores sucessos, “Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem gemer Sem Sentir Dor”, que se popularizou ao ser tema da minissérie “Lampião e Maria Bonita”, da Rede Globo, e na voz de Amelinha. Porém o título da música era um mote de repente usado por diversos cantadores populares,e se a princípio poderia se pensar que isso seria de domínio público, acabou gerando controvérsia e muitas histórias. O fato é que hoje o cantador Otacílio Batista Patriota é creditado como autor da letra da música, mas tem muito cantador que diz que ele se apropriou dos improvisos alheios e registrou a letra em seu nome. Mas o caso de plágio mais insólito de Zé Ramalho e pelo qual foi processado é na música “Força Verde”, cuja letra seria quase que totalmente “chupada” de uma tradução em português de um poema de  W.B Yeats. O mais irônico é que o caso veio à tona porque este poema – que fala sobre forças da natureza – teria sido usado na introdução de uma história do personagem O Incrível Hulk, que foi publicada em 1972 no Brasil pela GEA, e obviamente – para azar do Zé – um nerd paraibano notou a semelhança e o caso veio à tona, o que trouxe muita dor de cabeça ao cantor. Daí pra frente o Zé – que é admirador de Bob Dylan – acabou se dedicando eventualmente a verter versões em português, devidamente creditadas. Há um disco inteiro só com versões de Bob Dylan. Mas um de seus grandes sucessos, “Entre a Serpente e a Estrela”, com letra de Aldir Blanc, é uma versão de uma música country pouco conhecida por aqui, “Amarillo By Morning”. Obviamente está devidamente creditado, para evitar novos problemas.

Segundo Nizan Ganaes, o único brasileiro que ganhou dinheiro com “feeling” foi Morris Albert, nome artístico do carioca Maurício Alberto, autor de “Feelings”, música que chegou a ser considerada a música mais executada de todos os tempos, mas que também foi acusada de plágio por um francês, o cantor Louis Gaste. Morris perdeu, mas nega o plágio até hoje, e só de raiva processou o Offspring por uma versão meio satírica de “Feelings”, com trechos da letra modificados.

Só que nem sempre são os brazucas que plagiam, pois por vezes nós é quem somos plagiados. Por exemplo, no auge do grupo Gipsy Kings, lá pelos anos 90 (urgh!), o cantor verticalmente prejudicado Nelson Ned processou-os por plágio de uma de suas músicas. Só que o caso mais notório foi o de Jorge Benjor, que quando se chamava Jorge Ben – não confundir com George Benson e achar que é plágio – gravou a música “Taj Mahal” – uma puta música, por sinal – que teria sido plagiada por Rod Stewart em “Do ya think i’m sexy”. Nesse caso não tem muito como negar mesmo. Apenas escutem o refrão onomatopéico de “Taj Mahal” (teteteretete…) e comparem com o refrão de  “Do ya Thing I’m Sexy”:  “If you want my body/and you think I’m sexy/Come on, sugar, let me know/If you really need me/just reach out and touch me/Come on, honey, tell me so”. Nem um juiz surdo negaria isso. Rod jogou a culpa para o parceiro na canção e, em um xeque-mate moral, doou o lucro sobre a canção para a UNICEF. E Jorge Benjor ficou a ver navios, e tudo que poderia fazer era reclamar com o síndico (TIM MAIA, TIM  MAIA! – foi mal, não resisti).

P.S – Mas querem ver um festival de plágios, homenagens, referências ou o caralho a quatro que preferirem achar, é só buscar na época áurea do pop-rock brazuca dos anos 80, o qual foi bem influenciado pelo cenário internacional, o qual não era conhecido do grande público naqueles tempos que só quem garimpava Lp’s em pequenas lojas conhecia. Como estamos falando de plágio, eu iria plagiar na cara dura esse texto aqui, mas deu preguiça acabou a cerveja a mulher me proibiu achei que seria ironia demais para um post só. Ainda assim plagiei o título. Nóis é jeca mai é jóia, pois nóis copia e cita a fonte.

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My One and Only Love

Romantismo sofisticado e sem açúcar

Para aplacar este clima beligerante das eleições, um pouco de Jazz para os leitores e leitoras da Blodega. Essa música foi apresentada ao mundo em 1953, sendo cantada por Frank Sinatra, e acabou se tornando um Standard do Jazz, reinterpretada por inúmeros cantores, cantoras e instrumentistas. Para citar alguns nomes: Ella Fitgerald, Sarah Vaughan, John Coltrane , Sting, Jamie Cullum e Sonny Rollins emprestaram seu talento para interpretar este clássico do romantismo sofisticado. Na humilde opinião deste que vos escreve, a versão da veterana cantora inglesa Cleo Laine é uma mistura de libido e beleza, com a gaita de Toots Thielemans fazendo bom par com a voz da cantora. Para quem não o conhece, este senhor de 90 anos ainda está na ativa, e entre outros grandes trabalhos, ele se uniu a Elis Regina em 1969 para gravar o disco “Aquarela Brasileira”, e recentemente lançou o álbum “One More For The Road” e “Toots Thielemans – European Quartet Live”.

Então aqui vai a dica: escolha uma versão dessas e mande ver naquele sofisticado xaveco. Frases como “eu sinto seus lábios tão quentes e ternos”, “o toque de suas mãos é como o paraíso” ou “cada beijo que você me dá incendeia minha alma” derretem o coração da mulher mais gélida.  Junto com um Dry Martini, o efeito pode ser tão devastador quanto uns comprimidos de Viagra. Para acompanhar, abaixo posto as versões de Cleo Laine e a do Sting, usada na trilha sonora do filme “Despedida em Las Vegas”. Enjoy!


(Guy Wood – Robert Mellin)

The very thought of you makes
My heart sing
Like an
April breeze
On the wings of spring
And you appear in
all your splendour
My one and only love

The
shadows fall
And spread their mystic charms
In the
hush of night
While you’re in my arms
I feel your
lips so warm and tender
My one and only love

The
touch of your hand is like heaven
A heaven that I’ve
never known
The blush on your cheek
Whenever I
speak
Tells me that you are my own

You fill my
eager heart with
Such desire
Every kiss you give
Sets my soul on fire
I give myself in sweet surrender
My one and only love

The blush on your cheek
Whenever I speak
Tells me that you are my own
You
fill my eager heart with
Such desire
Every kiss you
give
Sets my soul on fire
I give myself in sweet
surrender
My one and only love

My one and only
love

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Repo Men – Os Coletores

Jude Law vai tomar seu coração, se você atrasar as prestações

Normalmente filmes que mostram futuros pessimistas pegam uma premissa atual e extrapolam o conceito, servindo como crítica social. Infelizmente é mais fácil um filme deixar a crítica social em segundo plano e cair no clichê fácil do gênero. Um exemplo recente que me vem à mente é “Gamer”, que levava a obsessão por jogos e simuladores virtuais, como o Sim City ou Second Life, a um extremo no qual pessoas de verdade serviam de avatares para os jogadores on-line em um futuro não tão distante. O que poderia vir a ser uma sutil e inteligente crítica social descamba em um filme de ação descerebrado, se perdendo todo o potencial crítico. Outro exemplo mais antigo é “O Demolidor”, de Silvester Stallone, num futuro visivelmente inspirado no Admirável Mundo Novo concebido por Adous Huxley, e com uma pitada de crítica ao “politicamente correto”, mas os esteróides de Stallone foram mais fortes do que a crítica social. Nada contra cenas de ação, mas nestes exemplos a história desanda e estraga uma boa ideia. Outros exemplos desse caso que poderia citar são “The Running Man” ou “Total Recall“, mas acho que deu para pegar a ideia.

O recente filme “Repo Men – Os Coletores” também trabalha uma visão sombria de futuro. Mas desta vez não há um regime autocrático ou um colapso do sistema. Está tudo bem com a democracia e o capitalismo, obrigado por se preocupar, e a tecnologia biomédica evoluiu o suficiente para produzir órgãos artificiais melhores do que os originais humanos, e morte por mal funcionamento de algum órgão não existe, desde que você possa arcar com o custo de um órgão desses, na casa dos nove ou dez dígitos. Como nem todos podem pagar à vista este valor, existem ótimos planos de financiamento. Mas caso atrase em mais de 3 meses o pagamentos das “suaves” prestações, aí a empresa pega de volta a mercadoria, como lhe é de direito. E aí entramos funcionários conhecidos como Coletores, que são treinados para encontrar os inadimplentes e recuperar o órgão artificial, desde uma simples orelha ou até mesmo um órgão vital como fígado ou coração. Se o cliente morrer ou ficar gravemente ferido no processo…Bem, azar o dele, quem mandou não pagar suas contas? Isso é feito com imóveis e carros, porque não com caríssimos órgãos artificiais?

Para quem imagina ser um exagero que em um Estado de Direito a vida humana seja relegada a um plano inferior ao lucro financeiro, lembremos de que é uma extrapolação de uma realidade atual, na qual qualquer devedor incapaz de liquidar sua dívida terá seu bem apreendido sumariamente. Para quem acompanhou os acontecimentos dos últimos anos certamente deve ter ouvido sobre o grande número de residências apreendidas de famílias incapazes de pagar suas dívidas com os bancos, como também já deve ter visto alguns absurdos cometidos pelo sistema de saúde americano àqueles que não tem a cobertura de um seguro saúde ou os artifícios usados para que certos procedimentos e serviços não sejam cobertos pelo seguro, resultando que a vida do indivíduo acaba dependendo exclusivamente de sua capacidade de pagamento. Há dois documentários de Michael Moore que abordam bem estes temas: “Sicko” e “Capitalism- A Love Story”. Mesmo descontando os maneirismos de Moore e seu afã de criticar o sistema, já dá pra se ter uma boa ideia do que ocorre naquela sociedade quando o interesse financeiro das corporações é contrariado pelo homem comum.

Mas estou tergiversando, para usar uma palavra da moda. Dois velhos colegas de infância e companheiros da vida militar, Remy (Jude Law) e Jake (Forrest Whitaker) são dois dos melhores coletores em serviço. Remy tem esposa e filho, mas seu casamento vai mal devido a sua profissão, que não é bem vista por sua esposa, e ele planeja sair desse ofício. Mas isso muda quando, por ironia do destino, Remy sofre um acidente de trabalho e necessita de um coração artificial. Se vendo na mesma situação que seus antigos “clientes”, surge uma empatia em Remy e este se torna incapaz de exercer seu ofício, e por tabela não consegue pagar a dívida. E em uma situação clássica, o caçador se torna caça e seu antigo parceiro o persegue. Na fuga se envolve com uma jovem na mesma situação que ele, Beth (Alice Braga), que possui mais partes artificiais do que a Ângela Bismarchi.

Uma premissa dessas poderia facilmente cair na armadilha do clichê fácil e se tornar mais um filme de ação como os citados no início. Mas o praticamente estreante diretor Miguel Sapochnik fez um bom trabalho com seu elenco. A história é baseada em um livro de Eric Garcia, que co-escreveu o roteiro. Aviso que há diversas cenas nas quais os personagens executam pequenas cirurgias para a remoção dos órgãos, o que pode ser chocante para muitos. O trunfo é que Remy e Jake executam seu ofício com a maior naturalidade do mundo, sem maiores dilemas morais, um indicativo da aceitação social daquela prática – há uma cena, inclusive, na qual os dois estão em um churrasco em família e Jake interrompe para fazer um servicinho rápido de remoção de rim de um caloteiro ali mesmo. Há também boas cenas de ação, com destaque para a sequência final. A história é cheia de pequenas ironias e situações que beiram o humor negro,  e a trilha sonora está ótima.

Na meia hora final o filme parece dar uma derrapada e quase se torna um filme clichê, mas uma pequena reviravolta na história salva tudo e torna o filme bem acima da média do gênero. O espectador atento tem grande chance de não ser pego de surpresa, já que há “dicas” ao longo da história de como tudo vai acabar, mas é bem provável que alguns se surpreendam – e até se decepcionem com o final, principalmente se for fã dos tipos de filme que mencionei. Talvez por isso este filme não tenha sido lançado por aqui nos cinemas, e só chegará em DVD.

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Vaporpunk

Steampunk lusófono

Mais uma vez volto ao tema “Steampunk”, que já abordei aqui antes. Percebo um discreto, porém constante, crescimento no interesse, adesão e curiosidade quanto ao segmento de ficção científica steampunk, principalmente na Internet, que vem divulgando iniciativas por todo o país contos de entusiastas amadores, escritores profissionais e obras lançadas recentemente. Há algum tempo comentei sobre a coletânea de contos “Steampunk”, e mencionei uma segunda coletânea sobre o tema que estava prestes a ser lançada, prometendo um comentário sobre ela. E admito que é um material fascinante a se trabalhar, moldando a história recente sob outros caminhos e misturando personagens reais e fictícios com extrapolações tecnológicas compatíveis com tal contexto histórico, além de acrescentar nessa mistura elementos do sobrenatural e fantástico. Recentemente foi destaque na imprensa em geral o lançamento de livros que mesclavam clássicos da literatura brasileira com elementos fantásticos, despertando críticas moderadas a irascíveis

Lançada pela editora Draco em fins de julho, o livro “Vaporpunk – Relatos steampunk publicados sob as ordens de suas majestades” reúne relatos em língua portuguesa de autores brasileiros e lusitanos. São oito histórias  sob a temática do Steampunk, e a maioria ambientadas fora do circuito anglo-vitoriano, o cenário mais comum das histórias do gênero.  Ao invés de Londres, temos cidades e paisagens brasileiras ou portuguesas. Aqui uma breve comparação com a coletânea anterior, já que ambas são, até o momento, as que tomaram a iniciativa de reunir histórias brasileiras e portuguesas do gênero. Enquanto o livro da Tarja editorial contem 9 contos em pouco menos de 200 páginas, o da Draco possui oito histórias distribuídas em cerca de 300 páginas, o que abre um maior espaço para o desenvolvimento das tramas e personagens. Tanto que os organizadores, Gerosn Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva deixam isso claro no prefácio, e preferem denominar as histórias de “noveletas” e não de contos, dada a narrativa mais extensa e passível de contemplar mais elementos do que contos mais curtos. O aspecto geral das histórias em “Steampunk” é um clima de aventura leve e gostosa de ler, com algumas poucas histórias mais sombrias e sisudas e ancoradas principalmente em ficção científica. Já nesta coletânea as histórias são mais pesadas, violentas e sérias, com fortes elementos sobrenaturais permeando boa parte delas, com direitos a deuses pagãos, vampiros e lobisomens. Não que eu esteja afirmando que um seja melhor que o outro, apenas estou levantando algumas diferenças significativas, e afirmo que gostei bastante de ambos. Mas há mais pontos em comum, como o uso de personagens históricos reais ou fictícios da literatura fantástica de fins do século XIX e o de personagens fictícios e reais da história e literatura brasileira.

Após este breve comparativo, comentemos sobre os oito contos desse livro, com o cuidado de não revelar detalhes importantes (vai que algum autor esteja lendo isso e me espinafre :) ).

- A primeira história, “A Fazenda-Relógio”, de Octávio Aragão, mostra as consequências sociais e políticas do advento do automatismo a vapor na agricultura brasileira, com autômatos substituindo a mão-de-obra escrava e relegando os negros à uma sobrevida fora das fazendas, o que faz surgir uma espécie de movimento ludista entre os ex-escravos. Destaque para a participação de um personagem clássico de um romance de Machado de Assis e de personagens históricos, como o Visconde de Mauá e Conde D’Eu.

- “Os Oito Nomes do Deus sem Nome”, Yves Robert mostra a ascensão do Império Português ante a França e a Inglaterra, potências estas que se unem para tentar descobrir o porquê das circunstâncias tanto favorecerem a nação de Portugal, segredo que envolve um pacto secreto entre a família real portuguesa e forças de origem pagã oriundas das colônias africanas.

- Flávio Medeiros Jr, que também está presente na coletânea “Steampunk –Histórias de um Passado Extraordinário” com o conto “Por um Fio”, retoma o mesmo universo de eventos desse conto em “Os Primeiros Astecas na Lua” de uma forma bem mais ampla, mostrando os bastidores de espionagem da “guerra fria” entre França e Inglaterra, usando e abusando de personagens das histórias de H.G.Wells e Julio Verne, inclusive usando os próprios autores como personagens, além da participação de outros personagens do universo de Arthur ConanDoyle. Pessoalmente foi a história que mais me divertiu pela maneira como ele reuniu tantos elementos e referências de forma harmoniosa, dentro do contexto de sua história.

- O organizador da coletânea, Gerson Lodi-Ribeiro, participa com a história “Consciência de Ébano”, sobre uma República fundada por negros em parte do território brasileiro e uma ordem secreta mantenedora do segredo dessa república, um acordo com uma criatura sobrenatural que lhes dá vantagem estratégica em ações militares e de espionagem, sob a ótica do desconforto e dilema moral de um dos mais novos membros dessa ordem. De todos é o que tem a conclusão mais pesada e perturbadora.

- “Unidade em Chamas”, do português Jorge Candeias, mostra a supremacia militar de Portugal com o advento das passarolas, espécie de dirigíveis concebidos por Bartolomeu de Gusmão, que na história são mostradas como eficientes armas militares contra o inimigo francês. Mas o foco principal é o conflito racial em uma unidade de passaroleiros que recebe, à contragosto, o reforço de tripulantes oriundos das colônias africanas, o que fez crescer uma tensão entre os portugueses e os colegas negros.

- Na noveleta do paulista Carlos Orsi, um jovem Charles Darwin é narrador e protagonista de “A Extinção das Espécies”, testemunhando, em sua viagem no “Beagle” pela América do Sul as maravilhosas e aterradores possibilidades tecnológicas advindas das invenções de um grupo secreto de engenheiros e construtores que criam autômatos e dispositivos nano tecnológicos baseados num método intitulado Waldman-Ingolstadt, uma referência a elementos do livro“Frankeinstein”.

- Um Brasil do Segundo Império incentivando a pesquisa científica sob as bençãos de D.Pedro II, aspirando a grandeza das potências mundiais e atraindo a atenção  e cobiça de países vizinhos e do império britânico é o mote de “O Dia da Besta”, que também traz a Princesa Isabel como uma piloto de aeronaves e líder de uma gangue de piratas que combatem e pilham ilegalmente os inimigos da coroa brasileira. Todos eles se confrontam com uma ameaça de origem desconhecida, uma criatura metamórfica encontrada nos restos de um naufrágio.

- A noveleta que fecha a coletânea é “O Sol é Que Alegra o Dia…”, um interessante exercício de especulação sobre a vida de um personagem real,  o padre português Manoel Antonio Gomes, mais conhecido como Padre Himalaya, alcunha ganha devido a sua avantajada altura. Padre e cientista, ele teria concebido um aparelho para aproveitar a energia solar no início do século XX, o Pyrheliophero, obtendo altíssimas temperaturas apenas usando a energia solar. Mas seu invento foi eclipsado – com perdão do trocadilho infame -pelos interesses econômicos da emergente indústria petrolífera e automotiva. Na noveleta, o autor João ventura reconta a biografia do padre inventor caso o seu invento conseguisse se sobrepor a escolha dos combustíveis fósseis, com lances de sabotagem e guerra industrial, mostrando uma alternativa bem mais sustentável e ecológica ao rumo escolhido há décadas.

Além da qualidade de todos os textos ali reunidos, a arte gráfica em si chama a atenção, tanto pela gramatura do papel quanto pelo design de capa e de algumas páginas internas. Em suma, um belo investimento para os fãs de literatura fantástica ou para aqueles que querem ingressar nesse segmento tão promissor e com grande potencial de crescimento. E a editora já prometeu outra coletânea dessa natureza para o ano que vem, a qual vem sendo referenciada com o título Dieselpunk. Esperemos ansiosos, então.


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Livros Perigosos Para Garotos


Cultura e Traquinagens Para Crianças de Todas as Idades

Nos meus tempos de criança a fonte de informações inúteis era o “Almanaque Alfa”, que era dado aos alunos de escolas públicas dentro de Projeto Alfa, uma das várias iniciativas do governo para minimizar a defasagem educacional no ensino fundamental. Tal Almanaque era distribuído juntamente com os livros didáticos desse projeto. Em dois volumes, lá havia informações fascinantes a qualquer garoto que já dominasse o rudimento da leitura e que tinha a natural curiosidade das crianças. Havia instruções de como usar ou construir brinquedos artesanais como piões, pipas, estilingues e apitos,  ensinava regras de jogos e brincadeiras de rua,  tinha instruções para produzir adubo orgânico, desentupir pias e criar formigueiros em vasilhames de maionese, produzir fogo sem fósforos, e achar os pontos cardeais sem bússola, além de informações sobre personagens, fatos históricos e lendas do folclore regional. Uma pequena enciclopédia, que infelizmente se perdeu na bacia das almas e virou ração de traça há algumas décadas.

Naqueles tempos também havia o “Almanaque do Escoteiro Mirim”, editado várias vezes desde os anos 70 e em diversos formatos. A depender da edição, cada volume era temático, e a depender do tema recebia o título de um personagem Disney. Por exemplo, o manual do Tio Patinhas tratava de dinheiro e finanças e todo tipo de curiosidade sobre a criação das moedas, o da Vovó Donalda trazia receitas e a história dos alimentos. Havia também a coleção completa em capa dura e vários volumes, A Biblioteca do Escoteiro Mirim, no qual a lombada de todos, quando unida, formava uma gravura com os personagens Disney. Dia desses vi em um sebo esta coleção completa, pela bagatela de 150 mangos. Havia também uma edição de luxo única em capa dura, o Supermanual do Escoteiro Mirim, com direito a cadeado na capa. No fim dos anos 80 a Abril chegou a relançar a coleção em brochura pela Nova Cultural. Não preciso dizer que eu babava por este material em minha infância, mas infelizmente não tinha como adquiri-los, já que o “papa-figo” da esquina não pagava pelos órgãos internos que procurava nas crianças, o que inviabilizava qualquer negociação com um de meus rins. Mas os Almanaques Alfa supriram boa parte de minha curiosidade infantil.

Pra que tantas reminiscências? É que hoje que sou pai e meu filho mais velho já tem aquela curiosidade natural em procurar informações em livros, senti a falta de um tipo de literatura dessas, que ao mesmo tempo que informa, estimula as brincadeiras ao ensinar às crianças a criarem seus brinquedos e as regras das brincadeiras de rua. Cheguei a cogitar a compra dos livros em sebos, mas relutei principalmente por conta de muitas informações estarem desatualizadas. Não que a tecnologia em construção de pipas tenha mudado muito nas últimas três décadas, mas há outras informações de conhecimento geral que certamente estão defasadas. Além do que, imaginei que  esse tipo de literatura tivesse pouco apelo a esta geração criada por pais que foram (des)educados pelo Show da Xuxa, que seguia o preceito de que toda criança deve ser tratada como retardada até que se prove o contrário, uma geração que só quer saber de Videogame e Internet, expandindo exponencialmente a piada sobre filho criado por vó em condomínio fechado, empinando pipa em ventilador e jogando bola de gude em carpete. E apesar do Google ter mais informação do que qualquer manual Disney, nem sempre o infante terá o interesse em procurar especificamente aquela informação, mais interessado em descobrir as trapaças e senhas para algum jogo on-line.

Mas o que havia passado totalmente batido por minha miopia é que um livro, lançado por aqui há três anos e escrito por dois irmãos ingleses – Conn e Hal Iggulden – resgatou para os dias de hoje esse tipo de literatura, e ainda conseguiu a proeza de se tornar um best-seller: “O Livro Perigoso Para  Garotos”. A ideia dos dois irmãos foi justamente resgatar as brincadeiras de antigamente para a geração pós-Pokemon, além das pérolas de conhecimento geral, o que inclui aforismos de autores famosos, expressões em latim e a biografia de grandes vultos e heróis da história. Para os pais super protetores e politicamente corretos de hoje, que sequer permitem que o seu filho vá a padaria da esquina comprar pão e gastar o troco com balas, esse livro pode ser um pesadelo. Não que tenha lá receita para se fazer bomba caseira com produtos de limpeza (isso tem em outros livros), mas há uma série de experiências e construções que exigem o uso de canivetes, fósforos e substâncias diversas,  o que deve dar úlcera nas mães mais paranoicas. Dificilmente algum moleque viabilizará a construção de uma casa em uma árvore, algo tradicional em outros países, mas aprenderá a fazer tinta invisível com substâncias orgânicas, como a urina, sendo mais recomendável o sumo do limão ou leite, e saberá construir um bom arco e flecha ou estilingue, para terror da sua progenitora. A edição brasileira ganhou sabor local ao ter fatos e personagens locais acrescentados ao texto original. Pode até parecer algo politicamente incorreto nos dias de hoje nos quais os pais são estimulados a mimar e superproteger os filhos para não traumatizá-los. Mas que seja, esta geração precisa de um pouco mais de incorreção política, oras!

Há pouco tempo a Galera Record – divisão de literatura infanto-juvenil da Record – lançou uma edição de bolso desse livro, compilando o conteúdo do original e adicionando algumas novidades, dividido em dois volumes, que vem em uma caixa de cartão para protegê-lo. Ao menos dá mais praticidade, considerando que é um pequeno manual para traquinagens, o qual eventualmente acaba sendo levado para lá e para cá, nem que seja para ser mostrado a algum coleguinha. Foi essa edição que acabei comprando para presentear meu filho mais velho, que anda devorando seu conteúdo e pondo em prática algum de seus ensinamentos. Claro que comentei entredentes que o livro ensinava a explodir coisas para que minha esposa ouvisse, só para vê-la por alguns segundos de cabelo em pé…

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Machete

Um Luxo de Filme Trash

Robert Rodriguez é um fanfarrão, e de longa data. Apesar de ter adorado seu primeiro filme, “El Mariachi”, ainda não engoli aquela jogada de marketing de afirmar que o filme só custou 7 mil mangos. Mas o que importa é que o mexicano conseguiu se firmar em Hollywood e criou uma marca pessoal em seus filmes. O pontapé inicial ainda renderia uma trilogia, completada com “A Balada do Pistoleiro”, com um elenco de rostos conhecidos – Antonio Banderas e Salma Hayek – e um orçamento mil vezes maior, e finalizada com “Era uma Vez no México”. Além desses, o diretor se aliou a outro nome que despontou no cinema dos anos 90:Quentin Tarantino. Juntos iriam parir coisas como “Um Drink no Inferno” e o projeto “Grindhouse”.

Quem assistiu aos filmes do projeto “Grindhouse”, de Rodriguez e Tarantino, assistiu a uma série de trailers falsos de filmes bem estilo Exploitation, e um deles, exibido antes de “Planeta Terror”,  chamou a atenção de muita gente: “Machete”, que apresentava o eterno vilão ou coadjuvante feioso Dany Trejo como o protagonista-título de um filme de ação e violência. Bem, o projeto Grindhouse, que previa uma “sessão dupla”, acabou não dando tão bom retorno, mas dele acabou saindo um projeto que gerou expectativa por parte dos fãs nos últimos meses. A história do trailer falso virou uma produção, e “Machete” se tornou realidade.

A história é simples: Machete é um policial mexicano honesto, que combatendo o traficante Torrez (Steven Segal), cai em desgraça e aparece anos depois como imigrante ilegal nos EUA, e é contratado por um misterioso empresário para assassinar um político demagogo e xenófobo, o senador John McLaughlin (Robert de Niro) apenas para servir de bode expiatório em uma conspiração política. Mas ele comete a grosseria de não morrer conforme os planos e parte em busca de vingança, já que eles “foderam com o mexicano errado”. Daí pra frente é só contar os corpos.

O filme é um trash de luxo, uma homenagem àqueles filmes de ação e violência de baixo orçamento, bem no clima “Grindhouse” mesmo. Temos decepamentos aos montes, uso habilidoso de objetos perfurocortantes, bandidos mortos à três por quatro e até rapel com tripas humanas. E claro, um monte de mulher gostosa em cena, em sua maioria hispânicas, como é de praxe nos filmes do Rodriguez, as mais conhecidas sendo a Jessica Alba e Michele Rodriguez, que é uma gata quando não está fazendo força para fazer cara de mal. A Lindsay Lohan dá as caras também, mas achei seu personagem meio inútil na trama. O ator Danny Trejo, finalmente protagonista de um grande filme, consegue ser bastante expressivo com sua cara carrancuda. Até Steven Segal parece melhor ator nesse filme – mas não espere muito. E quase não reconheci o sumido Don Johnson, o eterno detetive James Crockett da série “Miami Vice”.

Pessoalmente achei que o filme pecou um pouco por se levar meio a sério ao trazer a discussão sobre a imigração mexicana aos EUA em um tom um tanto quanto panfletário.  também não houve tanta nudez quanto insinuava o trailer, principalmente da parte das atrizes mais conhecidas – até a tão comentada cena de Jessica Alba em que ela aparece de perfil e pelada foi filmada originalmente com roupa , a qual foi removida digitalmente. Mas isso não atrapalha tanto a diversão. Também achei um pouco excessivo a quantidade de personagens e subtramas da história, apesar de Rodriguez ter aprendido a trabalhar vários personagens e histórias paralelas no filme desde “Era Uma Vez no México”,  que tinha um ar épico mas que derrapou um pouco por se perder em tantas tramas e personagens. Ou quase, já que tem um personagem que simplesmente some da história sem maiores satisfações – como o personagem de Tom Savini, um pistoleiro de aluguel. Mas no geral a história corre tranquilamente, e olha que tem muitos personagens interessantes no filme, que poderiam roubar a atenção do protagonista. E como de praxe, as “chicas” do elenco são de encher os olhos, com bastante sangue latino.  Mas ao menos foi mais uma a entrar no currículo de Machete, que se deu bem geral. Ô cabra feio pra ter sorte!

Nos créditos finais, o clima escrachado continua, já que é prometido – ou ameaçado, sei lá – mas DUAS sequências: “Machete Kills” e “Machete Kills Again”. Parece mais brincadeira, mas se esta brincadeira der retorno, teremos mais uma trilogia. O público – e Danny Trejo – agradecem antecipadamente.

Mais informações sobre o filme aqui. Divirtam-se

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Pequeno Guia de Educação Nerd – Parte 1

Vez por outra, o compadre, amigo e sócio de corpo ausente da blodega que atende pela alcunha de Alan Geek vem questionar a educação que eu dou aos meus filhos, mais especificamente ao meu filho mais velho. Várias vezes ele dirige a palavra a mim, em tom de indignação:

- Seu filho ainda não assistiu a esse filme? Você não tem vergonha não?

Em suma, estou sendo rotulado de pai negligente por não dar a devida atenção à educação do meu filho mais velho. E quando falo em educação, é educação em cultura pop. Além de ouvir críticas aos meus métodos, ele ainda cata algum dos seus DVD´s e coloca o petiz para assistir a filmes, trilogias, tetralogias ou temporadas inteiras de velhas séries. Ele já se auto-proclamou padrinho cultural de meu filho.

Diante de tanta pressão, faço aqui um “mea culpa”, e infelizmente admito que delegara esta função educacional a velha “Sessão da Tarde”, e até imaginei que boa parte dos “clássicos” ainda fosse exibida nesse prestigiado horário, que aprontou altas confusões com suas reprises de ótimos filmes oitentistas que moldaram o caráter de um bocado de marmanjo. Mas os filmes que atualmente passam nesse horário eu não recomendaria nem para os meus piores desafetos. Não deixe seu filho a mercê da programação nefasta da TV aberta, nem tampouco nas mãos de alguma tia velha. O pobre pode acabar gostando de novela mexicana e reality shows toscos.

Por isso, em conjunto com o compadre Washington Alan, monto este pequeno guia educacional para que seu filho aprenda o básico da cultura nerd e que seja capaz de entender todo o referencial cultural que norteia boa parte das obras modernas, de filmes, quadrinhos, séries e desenhos animados. Como o material é vasto, foi luta selecionar apenas alguns tópicos para este breve texto, o qual muitos acharão bem incompleto, e corremos o risco disso gerar uma série de outros textos similares. Para não estender muito o assunto nesse primeiro artigo, nos concentramos em filmes e trilogias mais importantes, a grande maioria da década de 80, cujos anos praticamente formataram a cultura nerd contemporânea no cinema, tentando lembrar o que os inspirou e o que foi inspirado por eles, o que pode servir de “lição de casa”. Mas lembrem-se que é apenas um material introdutório para não iniciados. Se sobrar tempo e fígado, voltemos ao tema de forma mais profunda, digna de uma pós-graduação em nerdismo cultural.

Trilogia De Volta Para o Futuro
Viagens no tempo são mote para a ficção científica desde “A Máquina do Tempo”, de H.G.Wells, com histórias que sempre brincam com a possibilidade de mudar o passado ou vislumbrar o futuro, ora utópico, ora apocalíptico. Com 25 anos de lançado o primeiro filme da série, essa trilogia ainda consegue prender a atenção de jovens espectadores, como pude comprovar recentemente com meus dois filhos. As aventuras de Marty McFly e Doc Brown, viajando no tempo em um DeLorean tunado com um capacitor de fluxo e um reator nuclear – atualizado para um de fusão logo em seguida – carregam um apelo universal e, ao que parece, atemporal, com perdão do trocadilho. E após assistir a este filme, seu herdeiro terá aprendido alguns fundamentos sobre futuros alternativos e paradoxos temporais, além de descobrir a verdadeira inspiração de Chuck Berry para compor “Johnnie B Goode”, aprender a evitar ser paquerado pela própria mãe e a ignorar provocações gratuitas. E, por fim, terá a curiosidade atiçada para histórias envolvendo viagens temporais, o que nos leva a próxima sugestão.

Tetralogia O Exterminador do Futuro
Além de abordar o tema viagens no tempo de modo bem mais sombrio, a série de filmes retoma outro arquétipo da ficção científica: o temor que máquinas criadas pelo homem sejam responsável pela dominação ou aniquilação da raça humana, algo recorrente desde a peça de 1921 “Robôs Universais de Rossum”, de Karel Capek, que criou o termo “robô”. Desde então androides, robôs e computadores invariavelmente entram em choque com seus criadores. Cavocando outros filmes, podemos citar “Colossus:The Forbin Project”, de 1970, onde os EUA criam um supercomputador e lhe entregam o controle do seu arsenal nuclear, e a partir de então o computador coloca a raça humana como refém de seus desígnios. Todos estes temas voltam aglutinados em “O Exterminador do Futuro”, a série de filmes sobre um provável futuro distópico no qual as máquinas dominam o mundo e tentam eliminar o líder da resistência humana, John Connor, enviando androides ao passado para exterminar a mãe de John, Sarah, ou o próprio John ainda jovem. O primeiro filme, violento e com um final fatalista, digno de um conto de ficção científica, ganhou ares de superprodução em suas três continuações e uma série de TV- “As Crônicas de Sarah Connor” – com duas temporadas. Mas se não quiser entortar a cabeça do jovem logo de cara, ignore a série com seu samba do Terminator com bug e os quiprocós temporais que são acrescentados ao conjunto como um todo.

Depois de assistir a estes dois exemplos, seu filho já estará iniciado no tema viagens no tempo, paradoxos temporais e realidades alternativas. Em breve ele poderá assistir a filmes como “Efeito Borboleta” e “FAQ About Time Travel”,  ficará fã de carteirinha do “Dr Who” e vocês dois estarão discutindo e tentando entender juntos filmes como “Donnie Darko” e “Primer”.

Guerra nas Estrelas
Praticamente um dos responsáveis pelo início da era dos Blockbusters, ao lado de “Tubarão”, de Spielberg, a saga criada por George Lucas em 1977 criou uma mitologia que não se limita ao cinema, se estendendo por praticamente todo tipo de mídia. Só no cinema são duas trilogias. Sua estrutura segue fielmente o arquétipo mitológico identificado pelo mitólogo americano Joseph Campbell, “A Jornada do Herói”, que é praticamente a matriz de todas as histórias de aventura. O sucesso da trilogia “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi” foi tanto que, anos depois, o criador retomou a história e produziu mais três filmes – “A Ameaça fantasma, “O Ataque dos Clones” e “A Vingança de Sith” – que seriam cronologicamente anteriores à trilogia clássica. Ao assistir a queda e redenção dos Cavaleiros Jedis protagonizada pelo clã Skywalker, nosso padawan de cultura pop logo irá querer devorar todo e qualquer material a respeito, e estará apto a entender uns 70% de referências e piadinhas contidas na maioria dos desenhos e filmes recentes, principalmente aquelas envolvendo a paternidade de Luke Skywalker. A dúvida é se devemos exibir os filmes na ordem em que foram lançados – já que o filme de 1977 seria o “capítulo 4” de uma grande saga – ou na ordem cronológica da história. Na verdade tem fã que preferiria ignorar a segunda trilogia por causa de um nome infame: Jar Jar Binks, e prefere passar a comédia “Fanboys”, cujo pré-reuisito é justamente assistir aos filmes da série para entender uns 97% das piadas e referências.  Só tenha cuidado para que ele não siga o lado negro da Força e se torne um fã chato xiita da série e adepto da religião jedaísta – ou um tarado por mulheres em biquínis dourados acorrentadas. E lembre-se: Han Solo atirou primeiro!

Tetralogia Indiana Jones
Frustrado por nunca dirigir um filme de James Bond, Spielberg trouxe a vida em 1981 o personagem Indiana Jones, um arqueólogo em busca de relíquias e aventuras nos anos pré – II Guerra, um personagem que deu fama ao ator Harrison Ford. Em seu primeiro filme, “Os Caçadores da Arca Perdida”, Indiana vai à procura da Arca da Aliança, o artefato bíblico no qual Moisés guardou as tábuas dos 10 Mandamentos, lutando contra nazistas que também ambicionam usar o poder do objeto sagrado. Após o sucesso de bilheteria, seguiram-se mais dois filmes nos anos seguintes: “Indiana Jones no Templo da Perdição”, de 1984, e “Indiana Jones e a Última Cruzada”, de 1989. Desde então, qualquer filme com aventureiros em busca de tesouros é moldado sobres os clichês contidos nesses filmes, com direito a armadilhas clássicas no caminho para o tesouro e uma trilha sonora que chupa os acordes de John Williams. Lara Croft, dos jogos e filmes da série Tomb Raider, é um claro exemplo. E sempre que seu filho vir em um desenho ou série alguém fugindo de uma pedra rolando  ou se desviando de setas envenenadas após meter a mão onde não devia  já entenderá a referência.

Pode parecer incrível, mas a fonte de inspiração para tanta aventura e inverossimilhança, além dos velhos seriados exibidos nas matinês de cinema na era pré-televisão,  são os quadrinhos de Tio Patinhas escritos por Carl Barks, cujo falecimento completou 10 anos em agosto último. Em tais aventuras, Tio Patinhas e seus sobrinhos Donald, Huguinho, Zezinho e Luizinho se metiam em busca de tesouros de civilizações perdidas nos rincões mais isolados do planeta.  Estas histórias também  inspiraram a série de animação dos anos 80, “Duck Tales”, e o quadrinista Don Rosa deu continuidade ao legado de Barks, inclusive procurando seguir uma cronologia dentro das velhas histórias. Eis uma ótima leitura complementar ao moleque que se agradar de Indiana Jones.

Após muito lenga-lenga, uma quarta parte da série saiu quase vinte anos após “Indiana Jones e a Última Cruzada”, de 1989, intitulada “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”,  mostrando um Indiana Jones mais velho nos anos 50 se vendo a volta com russos em busca de um objeto extraterrestre, a tal caveira de cristal do título. Mesmo com toda movimentação e reviravoltas na trama, o filme não conseguiu recriar o climão de matinê dos primeiros filmes da série. Por isso, exiba por sua conta e risco. Ainda não me conformo com a cena na qual Indiana escapa de uma explosão atômica dentro de uma geladeira revestida de chumbo…

Trilogia Matrix

Outra trilogia que dividiu águas na cultura pop foi Matrix. Mais uma vez as máquinas estão em guerra contra os humanos, que são aprisionados para servirem de fonte de energia e vivem em uma ilusão criada por computador, a “Matrix”. Um grupo de resistência busca o Enviado que libertará a humanidade, “hackeando” a realidade virtual na qual a maior parte da raça humana vive, e o encontram na forma de Neo, um programador que está destinado a decifrar o código da Matrix e a derrubar este sistema.

No fim dos anos 90, este filme conseguiu a proeza de trazer a estética do cyberpunk para o cinema Mainstream, algo tentado antes sem muito êxito por filmes como “Johnny Mnemonic”. Além das referências bíblicas à histórias messiânicas, o filme é diretamente inspirado na bíblia do gênero, o livro “Neuromancer”. A obra dos irmãos Wachowski misturou o cyberpunk, filosofia e filmes de artes marciais chinesas com um ritmo que influenciou praticamente todos os filmes de ação feitos desde então. Mas o filme vai além do que efeitos “Bullet Time” e ação desenfreada. O questionamento do que é real, de fato, remete a “Alegoria da Caverna”, de Platão, o próprio conceito de “matrix”, foi criado por Wiliam Gibson em “Neuromancer”, e as sequencias de lutas belamente coreografadas são a marca registrada dos filmes de Honk Kong.

Após o filme de 1999, os irmãos  Wachowski retomaram a história em mais dois filmes: “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”. Infelizmente o último filme da trilogia não fecha a história a contento, mas ao menos tem uma coisa boa: Monica Belluci, o que será um ótimo material para seu filho pesquisar durante a adolescência…

That’s All Folks! Aqui já há material o bastante para ir entretendo seu filho pelas próximas semanas (ou dias, a depender do afã dele). Na verdade este texto deveria ter saído antes do Dia das Crianças, mas meu compadre não é muito afeito a prazos, pelo que pude perceber pela longa convivência. Mas como ainda estamos na semana da criança, tá valendo.

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X-Pirralhos

Seu filho pode ser um mutante!

Apesar de curtir quadrinhos de super-heróis, nunca levei muito a sério suas “possibilidades extremas”. Mas de uns tempos para cá tenho revisto meus conceitos e estou considerando a possibilidade de que mutantes possam existir, com todos os seus superpoderes.

Mas por que isso, de repente assim? Ah… É a paternidade. Meu pimpolho está me fazendo perder os cabelos de tanto trabalho que me dá. Mas seu comportamento está se mostrando estranho, e me chamado a atenção. Por isso acredito piamente que ele esteja manifestando poderes especiais. E digo mais. Isso pode estar ocorrendo em sua casa, também!

Duvida? Pois se você é pai, responda as perguntas abaixo:

  • Ele desloca móveis e outros objetos pesados com uma facilidade inesperada?

  • Mesmo após sofrer algum acidente, ele não parece se importar muito. Aliás, ele parece se recuperar de pancadas com espantosa rapidez?

  • Ele às vezes some como num passe de mágica?

  • Quando você tenta alcançá-lo, ele se desloca velozmente e você se cansa antes de alcançá-lo?

  • Se você planeja algo como vaciná-lo, levá-lo ao médico ou alguma outra atividade da qual ele não goste, justamente ele dá um jeito de dificultar as coisas, como se lesse a sua mente?

  • Ele aparece ao lado dos pais como se fosse teletransportado, principalmente quando eles tentam namorar um pouco dentro de ambientes fechados?

  • Ele encontra o que não deve encontrar, por melhor que esteja escondido, como se tivesse visão de raios-X?

  • Ele alcança objetos que, teoricamente, estão fora de seu alcance, como se ele pudesse esticar os seus membros?

  • Ele tem estranhos poderes de persuasão, convencendo você a fazer certas coisas que originalmente você não planejava fazer?

Se você respondeu “sim” a pelo menos uma destas perguntas, então seu filho pode ser um mutante! Eu já me convenci de que o meu filho tem super poderes, já que ele preenche TODAS as características acima descritas. Estaríamos diante do surgimento de uma nova raça, o Homo Superior? Espero que ele não resolva usar os seus poderes para o mal, senão ele vai levar umas chineladas. Só que vou precisar de uma havaiana de adamantium quando eu subir pelas paredes e ficar verde de raiva.

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Como Era Gostosa Nossa Infância

Para quem chiou do excesso de homem no post sobre cinema porrada, eis aqui um festival de mulher com pouca roupa para equilibrar as coisas. E aproveitando a Semana das Crianças, o pretexto para exibir tanta carne mijada é homenagear as crianças de 30 e 40 anos e fazê-las lembrar das delícias da infância e adolescência. Pois é, nos meus tempos era mais fácil uma apresentadora de programa infantil compartilhar sua anatomia com o público mais adulto. Hoje em dia tá mais complicado. Até a coitada da Katy Perry teve cortada sua participação do “Vila Sésamo” por causa de um mero decote.  Em mais um esforço de arqueologia cultural, relembramos aqui algumas beldades que alegraram a infância de muitos trintões e quarentões.

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  • Moziel T.Monk: Pessoalmente eu nunca vi disponível esse tipo de material online. Por ser algo relativamente antigo, é...
  • Ricardo: Tenho saudades das histórias e gostaria de saber em que site eu consigo ler online ou baixar. Grato Ricardo
  • Ribamar: Branchu é o nada de onde todo vazio provém
  • padre levedo: ouça isto, Moziel http://www.youtube.com/watch?v =wdX6ly6ftUM
  • Moziel T.Monk: Sim, tanto que deixo claro no texto que a história foi criação de David Nasser, apesar de na época de...

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