Author Archives: Moziel T.Monk

Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Mortíferas

Um Conto de Natal Bizarro

Ontem, duas breves notícias me chamaram a atenção: a morte do russo Mikhail Kalashnikov e o perdão real concedido a Alan Turing. Duas figuras que, provavelmente não se conheceram mas que tinham algo em comum: seu papel relvante na guerra. E, cada um a seu modo, serviu a seu país durante a II Guerra Mundial. Num exercício de imaginação, posso até ver a cena na qual os dois heróis de guerra se encontrariam no pior tipo de visão de inferno que posso conceber: uma repartição pública lotada de buracratas obtusos com bilhões de processos a serem analisados e com o destino pós-morte de muitos em suas mãos. Provavelmente Turing estaria esperando seu recurso póstumo ser analisado e sua situação no eterno ser definida, com os burocratas em dúvida se o despachavam pro Hades devido a sua homossexualidade – ainda é pecado ou não? – ou seu suicídio. E, em plena véspera de Natal, é claro que não havia ninguém pra atender os recém-chegados.

Kalashnikov se tornou famoso por, ao usar sua experiência – e a de seus colegas de farda – durante a II Guerra Mundial para desenvolver uma arma de infantaria simples, confiável e eficiente. Baseando seu projeto no tardio STG-44, a arma alemã que praticamente inaugurou o conceito de fuzil de assalto, Kalashnikov criou a arma leve mais produzida e copiada das últimas décadas, o AK-47. Usando uma munição intermediária entre o das pistolas e o dos antigos fuzis (o 7,62 x 39mm), a arma soviética é de produção rápida e de baixo custo, e sua mecânica é resistente a sujeira e baixa manutenção. Essa combinação tornou a arma um padrão a ser copiado, servindo de base a diversas variantes, de submetralhadoras a fuzis de precisão e metralhadoras leves. Outros países projetaram suas armas de infantaria baseados no projeto de Kalashnikov, Israel com sua série de fuzis Galil e a Finlândia com a série Valmet. Outros países simplesmente copiaram o projeto, com poucas modificações. Entre variantes e cópias, estima-se a produção em dezenas de milhões de unidades. É uma arma icônica, normalmente associada a guerrilheiros e terroristas. Kalashnikov deve ter tido a sensação de dever cumprido ao criar uma arma que desse aos seus irmãos em armas condições de combater seus inimigos, mas deveria lamentar ter criado algo que provavelmente matou mais do que qualquer arma de destruição em massa criada pelo homem. E, ironicamente, nunca recebeu um tostão de royalties. Se os muçulmanos estiverem corretos, Kalashnikov deve ter sido recebido com honras por Alá graças a sua incalculável contribuição à causa islâmica. Se os cristãos estivessem com a razão, deveria passar a eternidade sentado no colo do capeta. Ou, pelo preceitos budistas, carregaria um karma pesado e deveria reencanar pra compensar. No Brasil, de preferência. Isso os burocratas de Plutão é que iriam decidir.

Já o matemático Alan Turing teve uma colaboração mais nobre, se assim preferirem. Os nerds e estudantes de TI devem o conhecer pelo conceito de Máquina de Turing e o Teste de Turing, que definiria a capacidade de um computador exibir comportamento similar ao humano. Mas sua grande contribuição ao esforço de guerra aliado durante a II Guerra Mundial foi estar a frente da equipe de criptoanalistas estabelecidos em Bletchley Park, responsável pelo desafio considerado impossível de realizar:quebrar a criptografia do sistema Enigma, utilizado pelos nazistas para proteger suas comunicações. Anos antes, os poloneses mostraram que a muralha alemã tinha rachaduras, e Alan Turing conseguiu quebrar essa muralha com uma arma tão perigosa quanto um AK-47: seu conhecimento matemático. Daí que as mensagens alemãs se tornaram inteligíveis, mudando o rumo da guerra. Um feito notável, tanto do ponto de vista intelectual quanto na sua relevância em prol do esforço de guerra. Infelizmente, como se tratava de informação altamente classificada, os heróis de Bletchley Park não tiveram seu esforço reconhecido por décadas, apenas quando a inteligência britânica “desclassificou” o assunto e seus detalhes vieram a público. Mas infelizmente o Turing não viveu pra receber seus merecidos créditos, pois no período pós-guerra foi processado por prática homossexual, publicamente exposto, humilhado e obrigado a tomar hormônios femininos. Em depressão, mergulhou uma maçã em cianureto e a comeu, morrendo em junho de 1954.

Enquanto Kalasinikov pega sua ficha e espera pra ser atendido, puxa conversa com o colega e, com sorte, antes de morrer talvez tenha ouvido a notícia do perdão real dado a Turing com quase sessenta anos de atraso, e comenta isso com ele. Por mais fleumático e educado que Turing fosse em vida, décadas no inferno burocrático certamente o deixariam meio nervoso, e coroaria o diálogo com a seguinte observação:

“A rainha pode enfiar solenemente esse perdão em seu rabo”

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Reginaldo Rossi, o Social-Democrata do Amor

 

Só pelo fato de ter assumido em um programa da Xuxa que seu apelido de infância era “pé-de-mesa” já seria motivo pra ser ovacionado pelos frequentadores da blodega. Em sua homenagem, rodada de cachaça grátis para todos aqui no balcão!

ANACOEIKE

 

Nesse climão maneiro de Dia de Finados, a lista de péssimas notícias nos últimos dias foi a morte do cartunista Canini. Entre suas diversas criações, a mais conhecida foi a sua versão do Zé Carioca, um personagem criado por Walt Disney nos anos 40 para “representar” o Brasil no seu panteão de personagens. Mas ele só se tornou realmente “brasileiro” quando sua encarnação em quadrinhos passou a ser produzida por aqui, e justamente Canini foi um dos que o inseriu em um contexto realmente nacional. Tanto pelo traço característico quanto pela ambientação, as histórias de Canini eram das melhores, me trazendo ótimas lembranças de minhas leituras de infância. O Zé Carioca abandonou o terno, chapéu e guarda-chuva e passou a usar bermuda e camiseta, e se tornou um ponto de honra fugir de trabalho a qualquer custo e se livrar dos cobradores com agilidade olímpica. Tanto que seus principais credorescriaram uma associação chamada ANACOZECA, acrônimo de “Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca”. E não preciso dizer que nunca tiveram sucesso em seu principal objetivo.

Mas puxo o tema para tecer um paralelo com outro personagem caloteiro que tomou a mídia nesses últimos dias: o empresário Eike Batista, cujo conglomerado de empresas entrou em uma espiral descendente que culminou, nos últimos dias, em um pedido de recuperação judicial. O que quer dizer na prática é que, devo, não nego e foda-se pago quando puder. E isso vai desde o BNDES até o vendedor de cafezinho, sem mencionar os investidores que caíram no papo de bastava ter X no nome pra dar lucro.

Pois do dia pra noite o nosso fanfarrão milionário e corno passou de Tio Patinhas para Zé Carioca, deixando de nadar em dinheiro para ter credores em seus calcanhares. Quem sabe eles não se unem e fundam a Associação Nacional dos Cobradores do Eike Batista, a ANACOEIKE. Ou talvez prefiram um nome de maior impacto, bem em voga atualmente, algo do tipo “Procure Pagar” ou “Bom Senso Investimentos”.

Hal Needham, o Homem das Mil Façanhas

Na sexta-feira o ator, dublê e diretor Hal Needham deu baixa na carteira da vida após muitas décadas de serviços prestados ao show business. Needham era do tempo em que filmes de ação exigiam dos homens-proeza tarefas perigosas e insalubres, décadas antes da digitação gráfica e efeitos especiais substituírem manobras perigosas em veículos e aeronaves. Tanto que, em seu currículo, Needham tinha 20 filmes como diretor, 55 como ator e quase 100 como dublê, o que acrescentou a esse currículo quase 60 fraturas por encarar tarefas que outros colegas de profissão declinavam gentilmente com um “nem fodendo faço essa cena!”. Naturalmente sua dedicação ao ofício o deixou qualificado a dirigir cenas de ação como diretor de segunda unidade, e o caminho natural foi se tornar diretor de filmes. Sua carreira lhe rendeu diversos prêmios, incluindo dois Oscar.

A estreia na direção foi no filme “Smokey and the Bandit”, que no Brasil recebeu o título de “Agarra-me se Puderes”, com outro ex-dublê como protagonista, Burt Reynolds. O filme era uma bobagem inofensiva e divertida, uma desculpa para brincar com carros, praticamente um tio-avô da franquia “Velozes e Furiosos”. No filme, Bandit é contratado para apanhar uma carga de cerveja no Texas e voltar em tempo recorde. Dirigindo um Pontiac Trans-AM e guiando seu colega caminhoneiro Cledus, Bandit cruza vários Estados e desafia a lei, principalmente o xerife Buford T.Justice, cujo filho foi largado no altar e a noiva em fuga (Sally Field, pura tetéia nesse tempo) pega carona justamente com Bandit. Sob a direção de Needham, seus filmes são cheios de perseguições de carros, manobras perigosas e destruição desenfreada de veículos, o que garantiu trampo pra um monte de colega de profissão, além de elevar a profissão ao de dublê ao Estado da Arte e torná-la conhecida – e reconhecida – pelo grande público. O filme fez sucesso e gerou mais duas sequências pro cinema e quatro filmes pra TV.

Porém o meu preferido da dupla Needham/Reynolds é “Hooper – O Homem das Mil Façanhas”, em que Burt é o personagem-título, um grande e veterano dublê cujo esqueleto já está mais maltratado que amante de bandido, mas que reluta em se aposentar, mesmo tendo a possível concorrência de um ousado novato Ski (Jan-Michael Vincent, ainda um promissor ator de ação). E tome carros voando, brigas em bar (onde todos acabam amigos após destruírem o estabelecimento), conselhos médicos sendo solenemente ignorados e todos aqueles clichês que nós amamos.

Não sei até que ponto esses filmes serviram de fonte para inspirar outros filmes e séries, mas é inegável a similaridade de temas e pontos em comum: além das proezas em veículos,  tinha muita mulher bonita e cheia de amor pra dar, música country e bastante cerveja, praticamente uma ode ao modo de vida simples dos homens que viviam com o pé na estrada do sul dos Estados Unidos.Sò sei que estes filmes bobos e despretensiosos fizeram a alegria da molecada na primeira metade dos anos 80, quando eram exibidos na TV aberta, eu incluído. Até o velho Clint Eastwood embarcou nessa onda nos divertidíssimos filmes “Doido Para Brigar, Louco Para Amar” e “Punhos de Aço”, em que era um caminhoneiro e lutador de rua, e enquanto tentava faturar um trocado pra comprar bananas para seu orangotango Clyde, paquerava a cantora Country Lynn (Sondra Locke, então sua esposa) e se metia em brigas com uma gangue de motoqueiros completamente tapada.

E algumas séries de TV seguiram essa trilha – esburacada e cheia de rampas improvisadas. Só para mencionar as que ficaram mais conhecidas por aqui temos Os Gatões, onde os primos Bo e Luke Duke (e a gostosa prima Daisy) contrabandeiam uísque no Condado de Hazzard guinado seu Dodge Charger batizado de General Lee só para sacanear o xerife Roscoe B.Coltrane, que devia gastar uma fortuna pra repor sua frota de viaturas. A série foi levada ao cinema em 2005, e teve a participação de Burt Reynolds. Nessa temática, havia também a série que tinha como protagonista um caminhoneiro chamada Carga Pesada As Aventuras de BJ, que por sua vez gerou um spin-off, Xerife Lobo.

Mas a que realmente teve inspiração direta nos filmes da dupla Needham/Reynolds foi a série “The Fall Guy”, que no Brasil recebeu o título de “Duro na Queda” (eu sei, antigamente era uma beleza os títulos nacionais de séries). Como o filme “Hooper”, é uma homenagem aos dublês americanos. Na história, o dublê Colt Seavers (Lee Majors, já famoso por outra série, “O Homem de Seis Milhões de Dólares”) trabalha, entre uma produção e outra, como caçador de recompensas. Os episódios acabam brincando com o folclore dos bastidores dos filmes e a vida dos dublês, com a eventual participação de astros do cinema e TV interpretando a si mesmos. A série foi exibida entre 1981 e 1986, e no Brasil a série estreou em 1983, e era exibida na Globo nas tardes de domingo. O destaque era a enorme pickup que o personagem dirigia, uma GMC Sierra, e com a qual fazia proezas que até o diabo mais ousado se atreveria a repetir, o que ajudou a Glasslite a vender bastante brinquedo naquela época. Uma, porque a meninada queria ter os veículos que viam em filmes, e também porque acabavam quebrando tudo enquanto tentavam emular as proezas na segurança do quintal.

Para a geração de hoje, habituada ao ritmo de edição frenético e a efeitos digitais deixando a vida dos dublês mais seguras, deve ser estranho comparar um “Velozes e Furiosos” com alguns desses filmes, mas podemos arriscar que os produtores devem ter visto muitos filmes do Hal Needham e Burt Reynolds em sua infância. E cá entre nós, tem mais graça ver um carro saltando de verdade do que um efeito especial simulando tudo. E devemos agradecer ao Hal Needham e aos que nele se inspiraram.

Feliz Dia Das Crianças!

hit girl quer brinquedo

E um lembrete:presenteie crianças com brinquedos (sim, videogames com certeza contam).

Marina, Você se Pintou

Um ano para as eleições de 2014, e não faltará pauta, dada as últimas notícias. Preparem a pipoca e sua bebida preferida que a diversão está garantida. Te cuida, Dilma!

Eduardo Campos e Marina Silva

Eduardo Campos e Marina Silva cuidando da imagem

Doc Savage e Buckaroo Banzai

Para os geeks e nerds que estão bebericando informações aqui no nosso balcão terão uma rodada por conta da casa agora sobre dois personagens que tem muito em comum, apesar das décadas que separam suas histórias. Para quem ainda não conhece, sejam apresentados à Doc Savage e a Buckaroo Banzai.

Doc Savage foi criado nos anos 30 como personagem de literatura pulp pela editora Street & Smith, sendo o principal autor o escritor Lester Dent.Clark Savage Jr foi criado por seu para ser o ápice da perfeição física e intelectual do ser humano. Sem nenhum poder sobrehumano, além de suas habilidades físicas e sua inteligência acima do normal. Cirurgião, cientista, aventureiro, pesquisador e músico, detentor de uma fortuna, uma mistura de Sherock Holmes, Tarzan e Craig Kennedy. Com a ajuda dos “Cinco Fabulosos”, amigos especialistas em diversas áreas que conheceu durante a I Guerra Mundial, combate o crime em qualquer parte do mundo. Além de ocupar a cobertura de um arranha-céu em New York, possui uma base no Ártico chamada de “Fortaleza da Solidão” (ele chegou primeiro, Kal-El, não reclame de plágio).

Suas histórias foram publicadas até fins dos anos 40, mas além das revistas pulp, Doc Savage esteve presente em programas de rádio, quadrinhos e em diversos livros publicados nas últimas décadas. Mais especificamente nos quadrinhos, o personagem já passou por diversas editoras e versões. A mais recente foi na linha “First Wave” da DC, editora que adquiriu os direitos do personagem em 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 1975 foi lançado o filme “Doc Savage – O Homem de Bronze”, produzido por George Pal e com o ator Ron Ely, famosos pela série de TV “Tarzan”. A ideia era criar uma franquia com o personagem. Nessa aventura, Doc Savage, após a morte de seu pai em circunstâncias pouco claras,  luta contra o vilão Capitão Seas enquanto procura uma civilização perdida em um país fictício na América do Sul chamado Hidalgo. O roteiro é um apanhado de diversos elementos encontrados nos romances pulp do personagem, com a história se passando na década de 30. A produção adotou uma estética camp, deliberadamente exagerada e quase caricata, remetendo a linguagem dos quadrinhos e dos pulps. Pra completar o “clima”, a trilha sonora usa marchas militares de John Phillip Sousa. Ao fim do filme, é prometida uma sequência: “Doc Savage: -The Arch Enemy of Evil”, a qual jamais foi realizada, pois a recepção do filme foi péssima, não agradando aos fãs do personagem e ao público em geral, em um ano que deu origem a era dos Blockbusters com o lançamento de Tubarão. Pessoalmente eu gosto bastante desde a primeira vez que o vi, pois continha em um único filme tudo que eu esperava em uma história de aventura, mas admito que hoje o assistiria por pura nostalgia. No decorrer dos anos, houveram diversas tentativas de se produzir mais uma adaptação do personagem, inclusive cogitou-se de ter Arnold Schwarzenegger no papel-título em uma delas, mas nada foi realizado até hoje.

Mas o arquétipo de herói de ação representado por Doc Savage influencia até hoje a maioria dos personagens conhecidos, principalmente os primeiros super-heróis de quadrinhos que surgiram no vácuo das revistas pulp. Há muito de Doc Savage no Batman e no Super-Homem, só pra ficar nos exemplos mais óbvios. Ciente da sua importância, personagens foram criados fazendo direta alusão a ele, como o Doc Brass da série “Planetary” de Warren Ellis ou “Tom Strong”, clara homenagem de Alan Moore ao personagem pulp.

E falando em personagem inspirado em Doc Savage, outro criado nos anos 80 é praticamente uma atualização do “Homem de Bronze”. Buckaroo Banzai foi criado diretamente para o cinema pelo roteirista e diretor W.D.Ritcher. Um moderno homem da renascença, Buckaroo Banzai é um multitalentoso cientista, neurocirurgião e bandleader de um conjunto de rock, e nas horas vagas combate ameaças a paz mundial. Praticamente um Doc Savage dos tempos modernos. E, igual a Doc Savage, ele é ajudado por uma equipe de talentosos chamada de “Cavaleiros de Hong Kong”.

No filme de 1984, “As Aventuras de Buckaroo Banzai”, o protagonista dá continuidade a experiência que matou seu pai e consegue atravessar uma montanha em um veículo, tornando-se intangível. Porém, fazendo isso, esse tem acesso à 8º dimensão, que serve de prisão à uma civilização alienígena oriunda do “décimo planeta”. Isso desencadeia uma trama que mistura guerra fria e invasão alienígena, e é óbvio que Banzai e seus acólitos são os únicos capazes de salvar o dia.

O elenco tem rostos que se tornariam conhecidos em filmes dos anos 80 e 90. O próprio Buckaroo Banzai é vivido pelo ator Peter Weller, que anos depois encarnaria o agente Alex Murphy na primeira versão de “Robocop” e ainda está na ativa, mais recentemente em “Star Trek – Além da Escuridão”, e entre os Cavaleiros de Hong Kong há o Jeff Goldblum e Clancy Brown, além da então jovem tetéia Ellen Barkin. No lado dos vilões temos John Lithgow e Christopher Loyd.

A narrativa do filme é deliberadamente absurda, lembrando a linguagem das histórias em quadrinhos. Talvez por isso não tenha agradado ao público em geral, mas se tornou um cult entre os nerds e geeks. O filme envelheceu ou pouco para o público atual, principalmente os efeitos especiais e a trilha sonora, mas seu estilo seria mais adequado ao atual momento do cinema americano, com produções baseadas ou inspiradas em personagens de quadrinhos.

A óbvia intenção do diretor era criar uma série com o personagem, tanto que nos créditos finais é prometida uma sequência intitulada “Buckaroo Banzai Against the World Crime League”,   mas dado o pouco êxito comercial, tal filme jamais foi feito, exatamente como ocorreu com “Doc Savage – O Homem de Bronze”. No fim dos anos 90 a Fox cogitou de criar uma série de TV, mas que não vingou. Porém o personagem apareceu em Graphics Novels, livros e videogames.

Será que um dia veremos as tão prometidas sequencias desses personagens no cinema ou na TV, uma refilmagem atualizada ou, em um delírio de fã, quem sabe os dois não protagonizem um crossover? Certamente ambos teriam muito que conversar, ao menos enquanto não estivessem salvando o mundo…

P.S: OS filmes são relativamente fáceis de se encontrar nos torrents da vida, porém legendas para o de Doc Savage são difíceis. Já o Buckarro Banzai está mais acessível aqui.

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Fugindo da Ratoeira Humana

 ”Escape from Tomorrow” e o fetiche de se filmar um suspense na Disney World

Essa semana foi divulgado o primeiro trailer de um filme de suspense intitulado “Escape from Tomorrow”. Escrito e dirigido pelo estreante Randy Moore, a premissa – e o trailer – prometem: um homem de meia idade tenta manter a pose após perder o emprego e leva as filhas para um passeio na DisneyWorld, e se envolve com duas adolescentes estrangeiras, e pelo trailer, a coisa desanda  para delírios surreais e cenas absurdas. Mas o detalhe bizarro da produção é que ela foi filmada realmente no parque da Disney, de forma dissimulada e, obviamente, sem autorização alguma. Só esse fato já trouxe publicidade gratuita ao filme. Se os donos dos Vingadores vão mandar o Hulk e uma penca de advogados darem uma coça no diretor por essa traquinagem, aí é que mora o suspense. Até o momento ele só foi exibido durante o Festival de Sundance, causando boa impressão no público, mas não se sabe se conseguirá entrar em circuito comercial.

Mas, por mais estranha que seja a ideia, Randy Moore não foi o primeiro a ter vontade de filmar um suspense no parque do pai do Mickey Mouse. Sim, o mestre do gênero, Alfred Hitchcock teve a mesma inspiração nos anos 60. Em “The Blind Man”, o protagonista seria um pianista cego que recebe um transplante de córnea. E ao estrear sua visão com sua família na Disney World, ele descobre que o seu doador de córneas foi, de fato, assassinado, pois começa a ter visões do assassino e dos últimos momentos do homem morto. O roteiro seria escrito por Ernest Lehman, e o pianista seria interpretado por James Stewart.

Mas Walt Disney deve ter dito algo parecido com “Má nem fudenu!” para Hitchcock, provavelmente por ter assistido a “Psicose” e temer que o Mancha Negra saísse esfaqueando a Margarida enquanto ela tomava banho,  logo após empalhar o corpo de sua mãe, Vovó Donalda. E com a negativa do criador do Mickey, o projeto acabou arquivado, e faz parte daquela grande lista de filmes jamais realizados. E se Hitchcok invejava Disney porque, caso não gostasse de um autor, simplesmente poderia apagá-lo, deve ter tido vontade de que milhares de pardais desovassem fezes na cabeça de Disney por ter que abortar seu projeto. E, quem sabe com essa ideia em mente, ele tenha partido para outra empreitada intitulada “Os Pássaros”…

A esta altura Hitchcock deve estar rindo por último pela vingança póstuma cometida por Randy Moore. E se  ele estiver com  Disney por perto, deve estar gritando para ele:”chupa, Mickey!”.

Well, assistam ao trailer.

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O Livro dos Códigos

“Every breath you take, every move you make, every bond you break, every step you take, I’ll be watching you”

Ou, de Júlio Cesar a Obama, como os governantes tentam desvendar o sorrateiro

Nas últimas semanas as notícias relativas a espionagem de países e indivíduos promovida pelo governo americano ganhou evidência nos veículos de imprensa, e os jornais passaram os últimos dias ruminando a denúncia de que o governo brasileiro foi diretamente espionado, o que causou um certo constrangimento diplomático entre países supostamente aliados.

Mas essas notícias causarem surpresa ou indignação é, no mínimo ingenuidade. Desde que o mundo é mundo, Raimundo, que governos procuram descobrir os segredos e estratégias de outros governos, aliados ou inimigos, e por outro lado, os governos buscam maneiras de manter sua informação fora do alcance de enxeridos não autorizados. E essa competição entre criadores de criptografias e aqueles que tentam decifrá-las é uma história fascinante que percorre séculos da história humana. E um livro excelente que aborda esse tema é “O Livro dos Códigos”, de Simon Singh, bem conhecido por relatar em livro a epopeia para se desvendar “O Ultimo Teorema de Fermat”. E claro que aproveito pra soprar a poeira dele e tento, nas próximas linhas, convence-los a buscar esse livro e le-lo num fôlego só.

Nesse livro, o autor narra com tons e cores fascinantes a história das cifras, de como foram criadas e destruídas no decorrer da história humana, e de como isso levou países a guerra, matou monarcas, impulsionou o conhecimento humano ou levou gente a beira da loucura -ou, ao menos, a se tornar corno. Simon Singh traz ao público leigo a explicação para cada sistema de cifra, bem como do método para decifrá-lo, além de contextualizar cada descoberta e suas implicações históricas, políticas ou estratégicas. E tudo partindo de uma premissa simples: como se comunicar com seus aliados sem que seus inimigos saibam? Ou, de outra maneira, como criar mensagens com uma cifra forte o bastante pra não ser quebrada e cuja chave possa chegar ao destinatário aliado de forma segura. De outro lado, as nações buscavam maneiras de se quebrar as cifras e de se conseguir acessar os segredos dos inimigos, uma corrida de conhecimento, ora pendendo para os criadores das cifras, ora laureando os que se esforçavam para destruí-las. Os aspectos técnicos são explicados de forma simples para ser acessível ao leitor leigo, e a retomada do contexto histórico torna a leitura prazerosa e bem longe de ser tediosa.

Historicamente o livro inicia com exemplos de como ocultar mensagens na história antiga, mas considera como primeiro código amplamente utilizado a cifra monoalfabética ou a cifra de César. Um código hoje simples, mas que demorou séculos para ser quebrado através do método de análise de frequência, desenvolvido pelos sábios árabes, mas vindo a ser amplamente usado mesmo durante a idade média. Uma cifra fraca pode ser a diferença entre a vida e a morte, como bem soube a Rainha Maria da Escócia, cujas cartas codificadas foram decifradas e serviram de prova para lhe implicarem em uma conspiração contra a Rainha Elizabeth, e lhe custaram literalmente a cabeça.

Os criadores de cifra precisavam criar outro código,e a cifra polialfabética, ou cifra de Vigenére foi criada em meados do século XV e se tornou o método mais eficiente por séculos, tanto que era conhecida pela alcunha de “Le chiffre indéchiffrable “ e demorou para que os esforços em decifrá-la surtissem efeito, algo que só veio a ocorrer no século XIX por graça de Charles Babbage.

O Enigma da Enigma

Mas o episódio mais fascinante é o da máquina Enigma, criada na Alemanha e adotada pelo governo nazista, e que consistia em um dispositivo eletromecânico no qual se datilografava uma mensagem que era automaticamente embaralhada de acordo com a disposição de discos e da configuração do teclado. Também tida como indecifrável, inicialmente os matemáticos poloneses conseguiram encontrar um ponto fraco no sistema, mas sem recursos tecnológicos e financeiros para por em prática suas descobertas a medida que a Enigma se tornava mais complexa, eles deram de bandeja seus estudos para que a Inglaterra montasse um dos maiores complexos de decifragem jamais concebidos, empregando equipamentos e matemáticos em um esforço conjunto, no qual se destacou Alan Turing, que deu o golpe definitivo pra quebrar a codificação alemã. Mesmo com o conhecimento das mensagens que a cúpula alemã julgavam impenetráveis, muitas vezes os aliados precisavam tomar medidas para que os alemães não desconfiassem, e informações importantes eram por vezes sonegadas a generais para não comprometer os esforços dos criptógrafos, heróis anônimos cuja valorosa contribuição raramente era reconhecida em vida, pois suas descobertas permaneceram “classificadas” por décadas após o fim da guerra. Vide o fim melancólico de Turing, cuja condição homossexual o levou a exposição pública e a problemas legais, a ponto de cometer suicídio.

Mas o livro aborta muitos outros aspectos da criptografia moderna, como a criação dos padrões modernos de criptografia digital, a concepção do padrão de chaves públicas RSA (que teoricamente acabaria com o problema de distribuição de chaves), a importância e militância a favor da privacidade de dados, o fator idioma como empecilho e o uso do idioma Navajo como código do exército americano no Pacífico durante a II Guerra e o futuro da criptografia, com a criptografia quântica e a computação quântica.

Ao fim da leitura, você chegará a inevitável conclusão de que espionagem e violação de dados é algo por demais antigo, e que ninguém deveria mais se surpreender quando se descobre que a comunicação de governos é constantemente monitorada, inclusive por aliados.

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Usina de Reciclagem de Piadas Velhas Apresenta…

Já que a polêmica da vez é a “importação” de médicos cubanos, seria proveitoso aproveitar a deixa e importar outros tipos de profissionais pra ver se essa bodega tem jeito. Aproveitando que na Europa emprego tá algo mais raro do que obstetra em convento, poderíamos importar uma série de profissionais de lá, com as seguintes sugestões:

- Policiais ingleses

-Cozinheiros franceses

- Engenheiros mecânicos alemães
- Gestores Suíços

- E, porque não, mulheres italianas (sim, Monica Belluci, é tu mesmo)

Seríamos o melhor país do mundo. Mas considerando nossa burocracia, que oscila naquela zona cinzenta entre a incompetência e a má-fé, certamente iríamos importar profissionais da seguinte maneira:

- Policiais alemães
- Cozinheiros ingleses
- Engenheiros mecânicos franceses
- Mulheres suíças
- E, pra administrar essa porra toda, gestores italianos (Berlusconi, ma che cazzo!)

O que, pra falar a verdade, não seria muito diferente do que temos hoje.

 

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