Hagá-Quê

Gibi também é cultura, oras! E tem espaço garantido nessa blodega

Quando Mundos Colidem (Parte 1)

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A Relação Conflituosa entre Alan Moore e Hollywood
Quem já lê quadrinhos há muitos anos com certeza já teve em mãos alguma história escrita por Alan Moore, um dos mais respeitados e admirados escritores do gênero, o qual prescinde de maiores apresentações. Suas criações possuem fãs e seguidores, e já renderam milhões em verdinhas para as editoras que as publicam. Nada mais natural que tais histórias de sucesso fossem adaptados a outra mídia. Mas a Bruxa Velha de Northampton não é exatamente uma pessoa de personalidade fácil. Sua relação com as editoras pelas quais já passou nem sempre foi das mais agradáveis. E o assunto piora quando se trata de adaptar suas criações para as telas. Com filmes baseados em quadrinhos rendendo uma graninha boa, claro que os produtores do cinema viriam a querer levar algumas das ideias de Moore para uma grande produção. Mas o padrão blockbuster de qualidade, mais sintonizado com clichês e receitas de sucesso, dificilmente digeriria todas as propostas estéticas e narrativas das melhores histórias escritas por Moore. Daí que os filmes que se basearam em alguma das obras do inglês barbudo dificilmente fazem justiça ao original, na melhor hipótese, isso quando não resultam em uma bomba daquelas que nem Michael Bay conseguiria cometer. Por Moore, nenhuma de suas criações iria às telas para não perverter o conceito original. Infelizmente não depende dele, já que tais criações estão, em sua maioria, nas mãos das editoras para as quais ele trabalhou e escreveu. O máximo que ele pode fazer, nestes casos, é garantir que seu nome não estará associado a tais produções. E claro, falar mal o máximo possível, certamente fazendo algum vodu pesado quando algum desavisado resolve dirigir uma de suas histórias. Esta relação de (pouco) amor e (muito) ódio entre Hollywood e Alan Moore já rendeu produções sofríveis e alguns processos judiciais, além de úlceras nos fãs mais empedernidos, que certamente fazem coro às imprecações de Moore. É um estranho casamento, que apesar de não ter sexo, sempre alguém está se fodendo.
Eddie Campbell Alan Moore From Hell psychogeography.jpg do-inferno01.jpgRelembrando os lances desta relação tempestuosa, a primeira obra de Moore a ser levada ao cinema foi “Do Inferno”. Nesta série, Alan Moore reconta a história de Jack, o Estripador, se baseando nas teorias do historiador Stephen Knight, entre outras teorias, para dar sua versão do criminoso, cuja identidade é logo revelada no início da história. Mas Moore vai muito além de uma mera história policial nessa série em preto e branco desenhada por Eddie Campbell, explorando a psique de Jack sob várias óticas. O filme, produzido em 2001 e dirigido por Albert e Allen Hughes, em si, não é tão ruim. Se alguém que não leu a história original assistir a ele pode acabar gostando. Não chega a ser excelente, mas é um bom passatempo, e o personagem de Johnny Depp segura o filme, mas não passa de um suspense convencional com um romance mal resolvido no meio, e com uma certa dose de violência. Infelizmente a trama e os conceitos apresentados por Moore são solenemente ignorados no roteiro. E, obviamente, Moore não gostou nem um pouco. Mas ele nem imaginava em seus sonhos mais loucos o que o aguardava.
League-of-extraordinary-gen.jpg league-of-extraordinary-gentlemen.jpg“A Liga dos Cavaleiros Extraordinários” é uma das melhores coisas que surgiram nos quadrinhos dos anos 90. Alan Moore usou seu conhecimento da literatura fantástica e de aventura do século XIX e mesclou alguns dos personagens em uma espécie de “Liga da Justiça” vitoriana, que era liderada por Mina, a antiga amante de Drácula, e formada pelo Capitão Nemo, Allan Quaterman, Dr,Jeckill e o Homem Invisível. O resultado é uma história criativa, cheia de referências a personagens da literatura, bastante violenta, algo realçado pelo traço de Kevin O’Neil. Uma premissa muito interessante, uma história pronta para um filme inovador. E o que fizeram? A bomba “A Liga Extraordinária“, de 2003. Pra satisfazer o ego do Sean Connery, que fez Alan Quatermain, seu personagem passou a ser o protagonista e líder da equipe, além dos mais diversos pitacos que o velho 007 obrigou o diretor a engolir. Foram acrescentados outros personagens, como o imortal Dorian Gray e o aventureiro Tom Sawyer. O resultado é um filme com história fraca e roteiro ridículo, que fez algo que raramente ocorre: público e crítica concordarem. Concordarem que o filme é uma bosta. E para terminar de lascar, a produção foi processada pelo uso dos personagens Tom Sawyer e Dorian Gray, que não estavam em domínio público. E como o nome de Alan Moore estava nos créditos como escritor, ele acabou, mesmo que indiretamente, envolvido também. Daí em diante ele fez questão de não ver seu nome envolvido em mais produção alguma. Tanto que, nos filmes posteriores que se baseiam em obras de Alan Moore não levam seu nome como um dos escritores.
Vamos à próxima vítima. John Constantine foi uma criação do Moore quando este estava à frente do título “Monstro do Pântano”, no qual fez um excelente trabalho ao revitalizar um personagem do segundo time e a trazer de volta elementos de terror aos quadrinhos americanos. O personagem fez tanto sucesso que logo estaria em título próprio, “Hellblazer”, que é publicado até hoje pelo selo Vertigo, e já passou pelas mãos de outros bons escritores, como Garth Ennis e Warren Ellis. O cínico mago inglês, sempre de sobretudo e fumando cigarros Silk Cut, é um dos mais fascinantes anti-heróis dos quadrinhos. Em 2005 sai o filmconstantine.jpge com o personagem, sob o título “Constantine“. Os fãs se assustaram, mas pelos motivos errados. Aliás, a coisa já começou errada, hellblazer2.jpgpois Constantine, que é loiro e inglês , virou americano e moreno, e alguém achou uma ótima ideia usar o recém-saído do sucesso “Matrix” Keanu Reeves como protagonista. E, para variar, os produtores e roteiristas não aproveitaram muito mais do que o conceito do personagem. Mesmo usando elementos encontrados nos quadrinhos escritos por Jamie Delano e, principalmente, Garth Ennis, grande parte das melhores ideias, por sinal as mais ousadas e politicamente incorretas, foram simplificadas ou ignoradas. O resultado? Um filme de aventura com alguns elementos de terror, um “Sobrenatural” misturado à “Matrix”. Pode até agradar o público em geral, mas quem já conhecia o personagem deve ter tido ganas em explodir algum estúdio ao ver uma versão estagiário de macumbeiro do Chas, que de taxista brutalhão, praticamente um Hooligan, virou um rapaz franzino. Não deve ter agradado também Constantine se aventurando nos EUA, e não na sua versão sombria de Londres, e usando uma espingarda benzida para matar capetas. Mas o toque final foi o personagem deixar de fumar e passar a mascar chiclete. Tenha dó. Mesmo não se baseando nas histórias escritas por Moore, o personagem foi criado por ele, e este foi mais um bom motivo para o inglês querer distância ainda maior de Hollywood.
Mas Moore estava ocupado demais com outra produção para se preocupar com o que fizeram com Constantine, pois os irmãos Wachowski estavam produzindo “V de Vingança“, baseada na série que Moore escreveu ainda na Inglaterra, mostrando um futuro sombrio no qual o governo, após um av for vendetta mask.jpgto terrorista,vendetta.jpg assume o controle total do país, submetendo-o a uma ditadura de extrema direita, com clara inspiração em “1984“, de George Orwell. Antes mesmo do resultado ser exibido, a celeuma maior foi tentarem dar um “selo de aprovação Alan Moore” ao filme, o que seria uma façanha sem tamanho, pois os produtores afirmaram que o roteiro havia sido lido e aprovado por Alan Moore, que negou veementemente e ainda esculhambou com Deus e o mundo, exigindo que seu nome NÃO aparecesse nos créditos. No caso do roteiro, além de algumas omissões de personagens secundários, haviam pequenas e sutis mudanças na história, mas que acabaram tirando o verniz do texto original. Pois é, aquela mania de tentar suavizar personagens, de adaptar a história para o gosto do público em geral, sabem como é…Resultado? Um filme de ação bom, que aproveitou bem alguns elementos do original mas que estragou outros. Para quem assistiu e gostou, vale a pena ler a obra original para comparar. Mas o que poderia ser a suprema heresia ainda estava por vir.
(claro que este artigo continua...)

 

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Alguém Ainda Vigia os Vigilantes?

(publicado originalmente em 2007)

Entre setembro de 1986 e outubro de 1987, a DC lança a minissérie “Watchmen”, que acabou se tornando um clássico do gênero, e junto com outras obras como Cavalheiro das Trevas, redefiniu o gênero de super-heróis nos quadrinhos. Para se ter uma ideia de sua relevância e importância, ganhou diversos prêmios concedidos à indústria de quadrinhos, como o Kirby e o Eisner, além de ser a primeira obra em quadrinhos a receber o prêmio Hugo, destinado a obras de ficção científica, e estar incluído na lista dos 100 romances mais importantes do século XX elaborada pela revista Time.

Mas qual o segredo de uma história que, mesmo em um contexto tão diferente, consegue se manter ainda atual e com o mesmo impacto de quando lançado? Não há uma resposta fácil, e explorar todos os elementos dessa história não caberia nesse espaço. Mesmo assim, tentaremos explicar.
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Aranha, o Rei sem Coroa do Crime

Na minissérie “Albion”, escrita pelo maluco do Alan Moore junto com sua filha Leah, os heróis e vilões dos quadrinhos ingleses são revistos em uma história pós-moderna. A maioria deles é quase que ilustremente desconhecida para a maioria dos fãs brazucas. Mas um personagem em especial, o Sr. Chinard, me trouxe algumas lembranças longínquas,e com um certo esforço me lembrei de ter lido suas aventuras na infância, quando ele atendia pelo nome de guerra “O Aranha”, e se auto intitulava “O Rei sem Coroa do Crime”.

Na verdade li apenas duas de suas histórias, em ótimas ilustrações em preto e branco, ambas as histórias publicadas em uma única revista em formato almanaque lançada pela editora Kultus nos anos 70, editora esta que entrou para a história dos quadrinhos nacionais por ser a primeira a publicar as histórias da Vampirella por aqui. Mas só estas duas histórias já mostravam um personagem por demais interessante, pois antes de ser um herói certinho, ele seria um vilão, ou um anti-herói, na melhor das hipóteses, que costumava passar a polícia para trás, planejar maquiavelicamente seus passos, detonar seus oponentes sem dó e tratar seus subalternos como escravos, com equipamentos avançados à sua disposição e um ego maior que o castelo no qual residia.

Infelizmente nunca mais vi nada publicado deste personagem por aqui, tampouco voltei a ver a cor desta revista de novo. Mas é óbvio que o santo padroeiro dos curiosos está aí para nos dar uma forcinha. E eis um breve apanhado a respeito desta fascinante e tão pouco conhecida figura.

O Inimigo da Vizinhança

Antes que se pense que é se trata de um plágio do Homem-Aranha, não se preocupe que nem de longe os personagens têm muito em comum, a não ser o nome e a cidade onde atuam. Esse anti-herói inglês era inicialmente um criminoso megalomaníaco que tinha como maior objetivo se tornar o “rei sem coroa do crime”. Sua base é um castelo medieval transplantado para as proximidades de Nova York, sua área de atuação. Ele não tem poderes sobre-humanos, e sim uma mente brilhante entre suas orelhas pontudas, mente esta que concebera equipamentos e armas ultra-sofisticados, além de uma capacidade ímpar de hipnose. Seu traje é uma roupa escura e justa à prova de balas, além de um exoesqueleto que lhe confere habilidade e força sobre-humana, um foguete portátil às costas e uma pistola lançadora de teias, gás e bolas de fogo. Seu transporte é o Helicar, uma versão compacta de helicóptero com retrofoguetes. Como principais auxiliares ele conta com o cientista Pelham e o hábil ladrão Roy Ordini, que sofrem o diabo nas mãos de seu chefe. Apenas seu ego superava sua genialidade.

Como um perfeito anti-herói, o Aranha tratava seus subordinados com mão de ferro, inclusive apelando para castigos físicos se eles não seguissem suas ordens.  Suas pretensões criminosas o colocaram contra outros bandidos, e mesmo mal intencionado, ele acabou se tornando um involuntário combatente do crime ao eliminar seus rivais no submundo, como o Gênio do Crime ou o Dr. Mysterioso. Acabou deixando o crime e se tornou um mocinho, aliando-se ao grupo inglês de heróis, a Sociedade dos Heróis. O clima das histórias era pura ficção científica dos anos 60.

As histórias do Aranha foram publicadas na revista semanal inglesa “Lion”, da editora Fleetway, entre 1965 e 1969, e o personagem foi criado por Ted Cowan como parte dos esforços da editora em produzir material atualizado para competir com os heróis americanos da era de prata.  Quem viria a assumiras histórias d’O Aranha seria um dos criadores do Super-Homem, Jerry Siegel. Além das aparições semanais, o personagem apareceu nas revistas “Fleetway’s Super Library” e nos especiais anuais da “Lion”. Nos anos 70, muitos dos heróis e vilões publicados nos anos anteriores foram retomados na revista “Vulcan”, que reeditou algumas das histórias do aracnídeo não muito amigo da vizinhança. Além da Inglaterra, tais histórias foram republicadas em outros países da Europa, como Itália, França, Alemanha, Portugal e Espanha.

Após passar os anos 80 praticamente esquecido, o Aranha foi retomado em algumas histórias inglesas. Em 1992, ele faz uma aparição na revista 2000 A.D pelas mãos de Mark Millar, porém essa versão é execrada pelos fãs, pois o mostra como um canibal psicopata, bem ao estilo violento e iconoclasta de Millar. Uma versão que melhor agrada aos fãs apareceu no título “Jack Staff” em 2003. Ele é mostrado como um velho inimigo do personagem-título, que estaria recluso na Inglaterra sob o nome de Alfred Chinard e volta à ativa após ter seus equipamentos roubados. Na já citada “Albion”, de 2006, O Aranha é um personagem-chave da trama, onde heróis e vilões ingleses são mantidos reclusos durante as últimas décadas. Em 2006 foi lançado na Inglaterra uma edição em capa-dura reunindo quatro histórias do Aranha com o título “King Of Crooks”.

Por aqui no Brasil, até onde sei, saiu apenas uma edição em preto e branco com duas histórias completas do personagem, a qual mencionei no início deste texto. Uma delas foi “The Professor of Power”, publicada originalmente em 1967 na “Fleetway Super Library – Fantastic Series” numero 2. A outra foi “Crime Unlimited”,  da “Fleet Library”número 4, totalizando umas 240 páginas. Ao menos naqueles tempos não vi mais nenhuma edição além dessa. Infelizmente esta editora fechou as portas há muitos anos e há pouca informação sobre seu acervo.

Mais sobre o Aranha nesse site

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Planetary

É um mundo estranho, e eles fazem questão de mantê-lo assim.

Os anos 90 não foram muito bons para os quadrinhos de super-heróis americanos, pois se os desenhos se tornaram mais vistosos e dinâmicos, com cores vibrantes e poses ousadas, as histórias e os protagonistas dessa época não traziam nada de inovador, sendo em muitos casos apenas versões truculentas e anabolizadas de personagens antigos, com textos geralmente fracos e pouco originais. Parte da culpa dessa tendência foi a editora Image, criada por egressos das duas grandes editoras, Marvel e DC, e que na prática transformaram as revistas em portfólios de pin-ups, bonito aos olhos, mas em detrimento de uma boa história. Na pasmaceira criativa dos quadrinhos americanos na década de 90, o título “Planetary”, juntamente com “Authority”, trouxe ótimas histórias ao mercado americano. E o principal “culpado” disso é o escritor Warren Ellis, pois enquanto a série “Authority” foi resultado do trabalho de reestruturação que Ellis fez em um título obscuro da Image chamado “Stormwach”, “Planetary” foi algo inédito. Cronologicamente, os eventos de “Planetary” estão conectados ao universo do “Authority”, compartilhando alguns conceitos, como o de múltiplos universos interligados pela “sangra”.

O grupo Planetary se autodenomina “arqueólogos do impossível”, e é formado por três pessoas: Jakita Wagner, uma mulher dotada de força, resistência e velocidade sobre-humanas, além de um humor irascível; o Baterista, que tem o dom de interagir com qualquer sistema de informação, e Elijah Snow,  um senhor nascido em primeiro de janeiro de 1900, uma das “crianças do século”, que segundo a concepção de Warren Ellis, são pessoas superdotadas e não afetadas pelo envelhecimento, quase imortais, que seriam um “mecanismo de defesa” produzido pelo planeta Terra. Elijah pode diminuir a temperatura de objetos e elementos com o poder da mente, mas seu principal talento é o de coletar e registrar o conhecimento oculto do século XX. Todos os três trabalham para o “quarto homem”, que supostamente financia a Organização Planetary, organização essa que possui escritórios e empregados por toda a parte do mundo. Inclusive no Brasil, que aparece no número 24.

A Organização Planetary objetiva justamente descobrir os fatos e fenômenos ocultos da humanidade. Mas contra eles está o perigoso grupo conhecido como “os quatro”, composto por pessoas que adquiriram poderes após uma viagem espacial. Seu líder, Randall Dowling, é um brilhante e maquiavélico cientista, que se tornou capaz de esticar diversas partes de seu corpo. Sua companheira Kim Suskind adquiriu o poder de gerar campos de força e de se tornar invisível. Jacob Greene foi transmutado em uma criatura disforme e fisicamente forte, e Willian Leather consegue gerar e controlar chamas. Qualquer semelhança com o Quarteto Fantástico não é mera coincidência. Essa é só uma das inúmeras referências que Ellis deliberadamente insere em suas histórias. Esse quarteto maligno objetiva justamente o oposto que os heróis do Planetary: descobrir e ocultar de todas as formas todo e qualquer conhecimento ou tecnologia que ajude a raça humana a evoluir.

A primeira aparição dos “arqueólogos do impossível” se deu em setembro de 1998 no nº 23 da revista Gen13, e teriam título próprio meses depois, em abril de 1999, numa série bimestral. Cada número normalmente possui uma história fechada em si, mas que forma uma trama maior na série como um todo. Essa é outra virtude da série, que ao contrário de outras séries de quadrinhos e TV, não enrola o leitor com arcos quase intermináveis e jogando migalhas de informação de forma quase aleatória. Tanto que o autor originalmente concebera que a série não teria mais do que 24 números. Porém Ellis resolveu dar uma “esticada”, e a série passou a ser concebida com 27 números. Desde 1999 até outubro de 2009 foram lançados os 27 números, sem uma periodicidade muito regular, já que entre 2001 e 2003 a série não foi publicada. Mas todas sob a batuta de Ellis e com a pena de John Cassaday, que garantiu um ótimo nível a série. O número 26 praticamente conclui a história, e  o 27 é praticamente um epílogo, que resolve a única pendência que Elijah considera importante. A série saiu pelo selo Wildstorm, que atualmente faz parte do cast da DC Comics.

Além da série regular, o trio de arqueólogos apareceu em edições isoladas: um crossover com o Authority, outro com o Batman, onde Elijah e companhia confrontam diversas versões do Cavaleiro das Trevas, e um com a Liga da Justiça, onde o Planetary se torna o vilão da história à imagem e semelhança dos “quatro”, e versões do Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha é que precisam enfrentá-los. Essa última não tem qualquer relação com a cronologia oficial do grupo.

Um Poço de Referências

O grande trunfo da série é ser recheada de diversas referências a personagens do cinema, da literatura pulp, de ficção científica, dos quadrinhos e da vida real, algo tão magistral quanto o trabalho de Alan Moore na série “A Liga dos Cavalheiros Extraordinários”. A já citada versão maligna do Quarteto Fantástico é apenas uma das mais óbvias. Logo na primeira história, os três arrancam de um velho general a história de um brilhante cientista que, durante uma experiência, acidentalmente é transformado em um monstro. Isso deve lembrar aos leitores de quadrinhos um certo gigante esmeralda.

Já o primeiro número apresenta a versão de Ellis para diversos personagens da literatura Pulp americana, como Doc Savage, Fu Manchu, Spider e Tarzan. No número 2 faz menção aos monstros do cinema japonês da produtora Toho, como Godzilla, Gidorah e Mothra. O terceiro número é uma aventura em Hong Kong em busca de um espectro vingativo de um policial traído, que lembra os filmes de ação daquele país, principalmente os do diretor John Woo com o ator Chow Yun-Fat. No quarto surge o personagem Jim Wilder, que é transformado em um poderoso ser que lembra o Capitão Marvel da Fawcett Comics. Já os “Quatro” surgem no número 6. O número 7 é protagonizado por um mago claramente inspirado em John Constantine, e mostra praticamente todos os elementos das histórias da chamada “invasão britânica” que ocorreu nos quadrinhos americanos na segunda metade dos anos 80, como o Monstro do Pântano e Sandman, por exemplo. O número 8 lembra os filmes de ficção científica dos anos 50, protagonizado por uma jovem inspirada no visual de Marilyn Monroe. O 10 mostra três seres similares ao Super-Homem, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde. Na edição 11 somos apresentados ao espião John Stone, uma mistura de James Bond com Nick Fury…

E por aí vai. Outros personagens aparecem como eles mesmos, como, por exemplo, o detetive Sherlock Holmes, que parece fazer parte de uma espécie de “Liga Extraordinária” ao lado do Drácula e outros personagens da literatura fantástica do século XIX, e se torna o mentor do jovem Elijah Snow. O autor de contos de terror H.P.Lovecraft também dá as caras em um crossover do Authority e Planetary. Mas não vamos entregar tudo de bandeja, para não privá-lo da diversão. Mas além das referências à cultura pop, Ellis é ótimo para compor diálogos e personagens. O que sai da boca deles é carregado de ironia e humor. E os conceitos apresentados nas histórias são criativos e ousados, misturando teorias científicas, misticismo e esoterismo.

Planetary no Brasil

No Brasil, os primeiros números de “Planetary” saíram junto com os primeiros números de “Authority” pela editora Pandora Books, que publicou cinco revistas em idos de 2002. A Devir lançou dois encadernados – “Mundo Estranho” e “O Quarto Homem” – reunindo os doze primeiros números da série. A editora Pixel publicou algumas histórias do “Planetary” na revista mensal Pixel Magazine, partindo do número 13. Mas para quem não tem nenhuma paciência para a instabilidade editorial do mercado brasileiro, é só dar um pulinho no fórum do FARRA e seus problemas estarão devidamente sanados.

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O Namoro Conceitual Entre Cinema e Quadrinhos

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Alguns instantâneos desse troca-troca de idéias

Nota: Este texto foi mais um dos que publiquei nos tempos do Busilis, para participar do Carnaval de Quadrinhos das Quartas, cujo tema era cienma e quadrinhos. Ao invés de falarmos sobre uma adaptação específica, resolvemos abordar, de um modo geral, o uso da linguagem dos quadrinhos no cinema.

O flerte entre artes é algo comum, principalmente entre cinema e outras artes. Com o advento do cinema foi pura questão de tempo para que clássicos da literatura universal fossem levados às telas, e até hoje livros clássicos ou best-sellers do momento são transpostos à tela grande. Com quadrinhos a relação poderia ser até mais íntima, já que ambas utilizam essencialmente uma linguagem visual. Não obstante, mesmo sendo duas artes que nasceram praticamente ao mesmo tempo (fins do século XIX) e com o aspecto visual em comum, nem sempre se considerou a relação entre ambas como algo legítimo ou com status digno de arte, já que nos EUA em questão de décadas o cinema se tornou lucrativo e respeitável, bem antes dos quadrinhos. Estes demoraram bem mais a ganhar reconhecimento na terra do Tio Sam, apesar de serem uma fonte de lucro desde seus primeiros anos. Mesmo que nos anos 40 vários personagens de quadrinhos e pulps tenham sido levados às telas em formato de seriados, isso estava longe de ser algo considerado “artístico” realmente. Pelo contrário, quase ninguém via algo além do que diversão barata e descartável nas comics. Na verdade, a relação cinema-quadrinhos tinha um quê de clandestino, como um encontro entre amantes às escondidas num motel barato. E isso piorou quando, nos anos 50, os quadrinhos americanos sofreram perseguição e censura sob a alegação de que influenciavam negativamente os jovens.

Mas como levar a sério uma arte conhecida como “comics”? Pelo menos isso não foi problema em outros países, onde os quadrinhos tinham outro nome que não remetia a algo pouco sério. Na Europa, nos anos 60, os quadrinhos já começaram a ser direcionados a um público mais maduro e se tornar uma arte mais séria. E antes dos “comics” americanos ganharem seriedade sob o nome “Graphic Novel”, outros cineastas estrangeiros assumiam sua relação com a chamada nona arte. Para citar dois ícones do cinema, Akira Kurosawa e Frederico Felini conheciam os quadrinhos e sua linguagem característica, e ambos usavam o recurso de storyboard, que é o desenho em sequencia das cenas a serem filmadas. Aliás, consta que os dois diretores desenhavam os próprios storyboards. Fellini em especial era confesso admirador dos quadrinhos. Uma de suas aspirações era transpor o personagem Mandrake, de Lee Falk, para as telas. Mesmo não sendo possível, Fellini deu seu jeito, transformando Marcelo Mastroiani em Mandrake durante uma cena do filme “Entrevista”. Outra de suas frustrações também rendeu outra bela obra: “Viagem a Turim”, o álbum belamente desenhado por Milo Manara, é baseado em um roteiro não filmado de Fellini, tendo ele e Mastroiani como personagens da história.

Um Círculo Virtuoso

Sabemos que nos States os quadrinhos começaram a ser levados a sério realmente em fins dos anos 70 e no decorrer da década de 80. Antes disso um dos únicos artistas que via o potencial dos quadrinhos praticamente desde seu nascimento, Will Eisner, procurava transcender o lugar-comum do gênero. Uma de suas obras-primas, “Spirit”, já era uma aplicação da linguagem do cinema nos quadrinhos, já que os enquadramentos, closes e seqüências que Eisner usou nessa e em outras obras são realmente cinematográficas. O próprio personagem, mesmo sendo um herói mascarado, estava mais para um Phillip Marlowe do que para o Super-Homem ou Batman, sendo inspirado nos filmes Noir que surgiram nos anos 30 e 40, por sua vez adaptados dos livros policiais de Dashiel Hammet e Raymond Chandler. Por tabela, a arte de Eisner influenciaria muitos desenhistas, e um seguidor do estilo de Eisner é Frank Miller, que desenhou e escreveu “Batman – O cavaleiro das Trevas”, um divisor de águas do gênero. Miller utilizou como recurso narrativo usar a TV e programas jornalísticos dentro da história como contraponto narrativo, complementando a trama, algo que já era visto na série “American Flagg!”. Tal recurso foi utilizado por Paul Verhoeven em “Robocop”, de 1987. Tanto que Frank Miller foi convidado para ser roteiristas das duas seqüências do filme. Infelizmente o resultado não foi tão bom quanto uma boa história de Miller, já que seu roteiro não foi integralmente aceito, sendo modificado e mutilado, e isso afastou Frank Miller de Hollywood quase que em definitivo.

Escaldado das sandices de Hollywood, Frank Miller dificilmente se envolveria no projeto de um outro filme. Mas o comparsa de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, estava decidido a levar a série Sin City, também inspirada no cinema Noir, da maneira mais fiel possível, e estava decidido a enfiar Miller no projeto de todo jeito. Mas para convencê-lo, Rodriguez teve que filmar uma sequencia de cenas e mostrar a Frank, que gostou tanto que acabou se tornando co-diretor do filme que adaptou quatro histórias da série em quadrinhos. “Sin City- A Cidade do Pecado” é um marco na relação cinema-quadrinhos, pois é a mais fiel adaptação já levada às telas. Não só fiel à história, mas o que se vê na tela é uma transposição literal do que se vê nos quadrinhos.

Com o sucesso de “Sin City”, outro trabalho de Miller sofreu o mesmo tratamento para ser transposto “ipsis literis” para a tela. Em “300″, a maioria das cenas foram levadas como estavam nos quadrinhos, com a fotografia lembrando os tons pastéis das aquarelas de Lynn Varley. A história foi um pouco alterada pelo diretor Jack Snyder, não a deixando tão literal quanto “Sin City”, mas o resultado em termos de transposição é quase o mesmo. E com Miller de volta aos cinemas, o ciclo iniciado com Will Eisner se fechou, de certa forma, pois Frank Miller adaptou o personagem “Spirit” para um longa-metragem lançado no inicio de 2009.

A propósito, para finalizar essa referência ao mestre Eisner, o cinema nacional já lhe rendeu uma bela homenagem no filme “Cidade Oculta”, de 1986, que mesmo com nossos recursos limitados, é claramente inspirado no universo de personagens de “Spirit”.

A Vingança dos Nerds


mallrats.jpgNo decorrer da década de 80 e 90, diretores que assumidamente liam e entendiam de quadrinhos e cultura pop em geral foram aos poucos “saindo do armário”. Anos antes do “boom” das adaptações cinematográficas dos quadrinhos, o diretor Sam Raimi fez a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos até então: “Darkman – Vingança sem Rosto”. O detalhe é que esse personagem não existia nos quadrinhos, mas a linguagem adotada e o personagem eram comics puro, e nesse filme ele mostrou o quão viável era transpor a linguagem das HQ´s para as telas. Tanto que, muitos anos depois, Sam Raimi se tornaria diretor da franquia baseada em quadrinhos mais bem-sucedida dos anos recentes: o Homem-Aranha.

Outro diretor “nerd” é Kevin Smith seguiu um caminho inverso ao de Frank Miller, começando a escrever para o cinema para depois ir aos quadrinhos. O ex-balconista já escreveu diversos filmes, como “O Balconista”, “Procura-se Amy”, “Barrados no Shopping”, “Dogma” e “O Império do Besteirol Contra-Ataca”. Grande conhecedor de cultura pop, Kevin usa e abusa de citações a esta cultura, incluindo os quadrinhos. Tanto que dois dos personagens que aparecem com freqüência em seus filmes é uma dupla de criadores de comics, vividos por Ben Afleck e Jason Lee. Há até a aparição do próprio Stan Lee em “Barrados no Shopping”. Essa bagagem lhe credenciou a escrever um roteiro para um filme do Super-Homem, baseado nas sagas “A Morte do Super-Homem” e “O Retorno do Super-Homem” em 1997. Caso as ideias de Kevin realmente se realizassem, o resultado seria um senhor filme baseado em quadrinhos. Mas o diretor Tim Burton e os produtores tentaram mutilar o roteiro e descaracterizar tanto o personagem que, por obra e graça divina, o projeto nunca saiu do papel. Depois Kevin Smith escreveria alguns roteiros de quadrinhos, como a série “Demolidor” e uma minissérie do Homem-Aranha e Gata Negra.

Quentin Tarantino, que surgiu no meio dos anos 90 como grande promessa criativa do cinema americano, é outro diretor que adora citar a cultura pop em seus trabalhos, abrangendo desde música até filmes de ação dos anos 70, passando, obviamente, por quadrinhos. Um de seus primeiros roteiros, que resultou no filme “Amor à Queima-Roupa”, tem como personagem um balconista de comic shop que se envolve com uma prostituta e se envolve em uma violenta jornada, lembrando bastante os quadrinhos de “Torpedo”. Seu pitaco (não creditado) no roteiro de “Maré Vermelha” enfiou o inusitado diálogo de dois marinheiros do submarino USS Alabama brigando pra decidir qual Surfista Prateado seria o melhor, o desenhado por Moebius ou o original de Jack Kirby. Mas sua maior influência dos quadrinhos é vista em “Kill Bill”, cujas cenas remetem à violentos mangás e animes, além dos filmes de artes marciais de Honk-Kong.

Outro grande exemplo de filme influenciado por quadrinhos é o desenho em CGI da Pixar, “Os Incríveis”. Mesmo não adaptando nenhum personagem existente em comics (apenas se inspirando no Quarteto Fantástico), o longa é uma grande homenagem aos super-heróis dos quadrinhos, usando e parodiando os clichês e situações, e aborda um tema que já é comum nos quadrinhos: o medo da população aos super-poderosos e a necessidade de controlá-los ou registrá-los, algo visto sob vários enfoques em obras como “Watchmen”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e mais recentemente na saga da Marvel “Guerra Civil”. É hilária as observações da estilista de uniformes, Edna Moda, ao desaconselhar o uso de capas nos trajes dos super-heróis.

M.Night Shyamalian, após o sucesso de “O Sexto Sentido”, escreveu e dirigiu “Corpo Fechado” em 2000, que nada mais é do que a transposição da clássica história de super-herói mas com uma linguagem e abordagem mais dramática. Está tudo lá: a descoberta casual dos poderes, a tragédia pessoal do herói e até o arqui vilão, só que de uma forma que foge aos padrões quadrinísiticos. Mesmo não sendo tão bem compreendido pelo público não iniciado nos quadrinhos, não deixa de ser um exercício criativo interessante. Uma série de sucesso que segue essa fórmula é “Heroes”, que atualmente está em sua quarta temporada.

E hoje, com tanta adaptação sendo levadas às telas do cinema, a linguagem dos quadrinhos está se tornando mais popular, conhecida e utilizada, e a relação cinema-quadrinhos está abençoada e santificada, de papel passado e legitimada. Com uma geração de diretores e roteiristas que realmente curte e entende de quadrinhos, bem como de roteiristas e desenhistas que conhecem e eventualmente se inspiram no cinema, ambos podem entrar pela porta da frente sem precisar para encontros mais clandestinos.



Os “Cabra”!

Conheça “The Boys”, de Garth Ennis

O irlandês Garth Ennis é famoso por enfiar nas suas histórias bastante violência gráfica, diálogos inusitados, palavrões aos montes, abordagens politicamente incorretas e muito humor negro, algo como uma versão Ultimate de Quentin Tarantino para os quadrinhos. Quem leu “Hellblazer” ou “Justiceiro” na fase Garth Ennis sabe do que eu falo. Ele também foi responsável por pegar um personagem obscuro da DC para protagonizar um divertidíssimo título mensal: “Hitman”. Além de assumir personagens já criados, a figura já criou outros personagens em séries regulares ou minisséries, como Bloody Mary ou Preacher. Os fãs do escritor sempre aguardam ansiosos por algum lançamento com sua assinatura, seja uma minissérie ou um título regular. Por isso, o anúncio de uma nova série mensal escrita por Ennis para a Wildstorm em idos de 2006 pode causou taquicardia em muitos fãs.

Os Rapazes de Ennis

Ennis não é muito chegado a super-heróis tradicionais, e sempre que pode ele deixa isso bem claro, da forma mais retumbante possível, seja matando-os ou expondo-os ao ridículo. Quem leu a Graphic Novel “Justiceiro Massacra o Universo Marvel” sabe muito bem disso. Nessa história, Frank Castle teve sua família morta não por testemunhar uma execução da máfia no Central Park, e sim por estar no meio de um combate entre heróis e vilões, e sua sanha vingativa se volta contra todo e qualquer poderoso que usasse cueca por cima da calça. Também é hilária cena no primeiro número de Hitman na qual o assassino Monaghan detona um pomposo grupo de super seres mascarados em menos de três quadrinhos.

O irlandês voltou a esse tema na série mensal da Wildstorm e escrita por ele, “The Boys”. No universo de Ennis, grandes poderes não trazem grandes responsabilidades, e os super-heróis se comportam de maneira arrogante e irresponsável, sem se importar com os danos que possam causar a inocentes, se estabelecendo acima da lei. Nesse contexto, um grupo a serviço da inteligência americana é responsável por manter os super-heróis “na linha”, e caso seus atos fujam ao controle, os “rapazes” estarão lá para mostrar quem realmente manda. E a página de abertura do primeiro número é bem emblemática, já que mostra um herói mascarado (que lembra bastante o Capitão América) tendo o crânio esmagado por uma bota. Meio George Orwell, mas com estilo. Com desenhos a cargo de Darick Robertson, o Garth Ennis não esconde a pretensão de alcançar o mesmo sucesso em um título regular que atingira com o polêmico e aclamado Preacher, que teve 66 números. Ennis planeja escrever 70 números.

O grupo é liderado pelo escroto e inescrupuloso Billy Butcher, que volta a reunir seus colegas de ofício “The Frenchman”, “The Female (Of The Species)” e “Mother’s Milk”. Cada um teria motivos de sobra para querer ver a caveira dos super-heróis. Por exemplo, o novato conhecido como Wee Hughie é recrutado porque sua namorada foi morta na sua frente devido a ação de um super-herói, deixando-o apenas com as lembranças (e os braços decepados da amada). O próprio Butcher revela que sua esposa teria sido estuprada por um dos “grandes” super-heróis, e morrido ao abortar um feto metahumano.

Os eventos da série não ocorrem em nenhum universo de eventos já existentes na DC ou na Wildstorm, o que deve ser um alívio para os fãs de outros heróis. Mas nem por isso Ennis evita referências óbvias a personagens populares e conhecidos, como o grupo de heróis adolescentes Teenage Kix, bem inspirado nos Novos Titãs. Claro que você nunca veria uma orgia na Torre Titã. E há também “Os Sete”, claramente inspirado na Liga da Justiça, cujo trio de principais e veteranos heróis – Patriarca, Black Noir e Rainha Maeve – são versões no Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. Apesar de publicamente terem a imagem de heróis honrados, eles são totalmente inescrupulosos e pervertidos. Uma cena antológica e hilária é quando uma nova e ingênua heroína é recepcionada pelo líder Patriarca e descobre a verdadeira natureza do grupo ao ser obrigada a fazer sexo oral com ele.

Talvez por estas e outras a DC simplesmente deixa de publicar a série em janeiro de 2007, após 6 números. Não se sabe exatamente o que motivou a decisão, já que as declarações públicas, tanto da editora quanto do escritor, são meio reticentes. O que se especula é que as referências nada respeitosas a personagens medalhões da editora podem não ter agradado a alguns, não obstante a editora já ter publicado algo tão polêmico quanto Preacher, onde literalmente Deus e o mundo eram execrados sem piedade. Como comentou Eudes, do Rapadura Açucarada, tirar sarro de Deus pode, mas não mexa com o Super-Homem.

Para sorte dos fãs, os direitos dos personagens não ficaram com a editora, e Garth levou a história para a editora Dynamite, que continuou a publicar a série a partir do que seria o número 7, e continua editando até o presente momento. À época, Ennis já declarou que os números que já foram lançados pela Wildstorm pareceriam um passeio na Vila Sésamo comparados ao que sairia em seguida. E a promessa foi devidamente cumprida, com direito à violência gratuita, perversões sexuais de vários sabores, teorias conspiratórias e mais elementos tradicionais dos quadrinhos sendo impiedosamente sacaneados. A minissérie “Herogasm” é um chute nos bagos nos grandes crossovers e sagas envolvendo diversos heróis enfrentando uma grande ameaça, e o grupo G-Men transforma os conhecidos mutantes da Marvel em desajustados, mercenários e traumatizados com abuso infantil.

Bem, nem preciso dizer que, até o presente, nenhuma editora brasileira anunciou que pretende trazer essa série para cá. Quem quiser ler esse material terá que apelar para as importadoras, ou se preferir, ler os scans. Inclusive já rola na rede uma versão traduzida para o português pelo pessoal do Vertigem HQ

Update: No início desse ano a Devir anunciou a intenção de trazer, entre outros títulos, a série de Garth Ennis para o Brasil. Preparem os bolsos!


O Fim da Infância

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Relembrando Calvin e Haroldo

Nota do Blodegueiro: A convite de Hiroshi, vamos tentar mais uma vez ressuscitar o CQQ, com o tema crianças nos quadrinhos. Como destes dias estou meio ocupado, além de estar tentando instalar uma Internet que preste aqui na Blodega, não houve tempo para escrever nada decente. Mas aproveito para tirar o mofo de um texto que escrevi no fim de 2005 em homenagem aos dez anos sem publicação das tiras de Calvin e Haroldo, devidamente atualizado (espero)

Caro editor
Eu vou parar com Calvin e Haroldo no final do ano. Esta não foi uma decisão fácil ou tomada às pressas, e saio com tristeza. De qualquer modo, meus interesses mudaram e acredito ter feito o possível de acordo com as obrigações de fechamentos diários e quadros pequenos. Estou ansioso para trabalhar num ritmo mais atencioso, com menos compromissos artísticos. Ainda não decidi sobre futuros projetos, mas meu relacionamento com o Universal Press Syndicate continuará.
É uma honra que tantos jornais publiquem Calvin e Haroldo e me orgulho disso. Agradeço seu apoio e indulgência durante a década passada. Desenhar a tira foi um privilégio e um prazer e agradeço a você por ter me dado esta oportunidade.

Sinceramente
Bill Waterson

Com estas palavras, o criador de um dos mais populares personagens de tiras de jornais anunciava sua aposentadoria precoce há dez anos. A última história do pirralho hiper-ativo e de imaginação fértil foi publicada em 31 de dezembro de 1995. E não foi por falta de público, já que a tira era publicada, até esta data, em cerca de 2400 jornais mundo afora, ganhou no Brasil diversos prêmios HQ Mix e lá nos States seu autor recebeu o prêmio de cartunista do ano concedido pela Associação Nacional dos Cartunistas por duas vezes. Foram cerca de três mil tiras publicadas em pouco mais de dez anos em jornais diários e reunidas em diversos livros. Milhões de pessoas acompanhavam diariamente as aventuras deste garoto. Não obstante, todos eles deixaram de ver material novo desde o início de 1996. E este hiato completará catorze anos ao final de 2009.
Em homenagem a este personagem tão importante para os amantes da “arte seqüencial”, tentaremos mostrar o criador e a criatura, ao mesmo tempo em que tentamos entender o porquê de hoje não termos mais histórias inéditas do garoto sonhador.

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O Destrutor de Intestino de Spider Jerusalém

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E a arte de causar incontinência nos poderosos

Nota do Blodegueiro: Esse texto foi escrito originalmente para participar do Blog Carnival organizado por Hiroshi, o Carnaval de Quadrinhos das Quartas , na sua terceira edição, honrosamente convidado pelo Quadrideko. Cada edição trazia um tema diferente do mundo dos quadrinhos, e cada blog participante postava algo a respeito. Para o primeiro que participei, o tema eram armas dos quadrinhos, coisas como o anel do Lanterna Verde, o Martelo de Thor ou o escudo do Capitão América. Escolhi algo não muito óbvio ou conhecido: uma pistola de raios que produz incontrolável caganeira. Sim, é sério. E achei pertinente trazer este texto de volta, já que andei falando de jornalismo em alguns textos recentes, já que o portador dessa “arma” é o jornalista Spider Jerusalem.

“E quem cacete é o Spider Jerusalém, cazzo?” pode perguntar algum leitor mais desavisado. Se você não o conhece, não sabe o que está perdendo, mas vamos tentar dar uma ideia. Num visual e linguagem pra lá de cyberpunk, o insano Warren Ellis criou em 1997 a série “Transmetropolitan” cujo protagonista é o repórter Spider Jerusalém, uma mistura de H.L.Mencken e Hunter S.Thompson, um escroto, misantropo, porra-louca e ermitão que se vê obrigado a abandonar seu isolamento e voltar a trabalhar em um jornal na “Cidade”, uma Babel caótica e futurista onde religiões novas surgem constantemente para se unir as dezenas de milhares já existentes, as propagandas invadem os sonhos das pessoas, há milhares de canais de TV disponíveis, convivem diversas mutações genéticas e estéticas alienígenas, pessoas transferem suas consciências para nuvens de nano dispositivos e humanos conservados criogenicamente são despertos apenas para serem rejeitados pela sociedade. Nesse mundo a mentira é notícia e a verdade é obsoleta. A principal arma de Jerusalém é a verdade. Como ele mesmo afirma, aponte a verdade para o alvo e mande tudo pelos ares. E como repórter polêmico, a máxima de Spider é a busca pela verdade, mesmo que para alcançá-la e divulgá-la ele precise atropelar a própria mãe com um tanque M1 Abrams.

Menos metaforicamente, ele também usa como arma uma curiosa pistola chamada “destrutor de intestino”, a estrela dessa matéria. Não estamos falando de um Cubo Cósmico, escudo de adamantium ou Nulificador Universal. É simplesmente uma pistola que provoca diarréia no coitado que estiver do lado errado do dispositivo, e na intensidade que se desejar, desde um simples desarranjo até um prolapso retal. Dá até medo tentar imaginar o princípio de funcionamento de uma bagaça dessas e o que diabos ele supostamente faz no sistema nervoso de alguém pra provocar um repentino tsunami intestinal totalmente involuntário.

À primeira vista essa arma não parece tão glamourosa ou ter o mesmo apelo que uma manopla Witchblade, as garras do Wolverine ou o anel de energia de um Lanterna Verde. Aliás, nem a segunda ou terceira vista. O martelo de Thor pode invocar tempestades e rachar o chão, a cara de pau do Constantine engana o próprio capeta e as cápsulas de gás do Batman podem derrotar até o Galactus. Cadê o apelo de uma arma cujo poder é fazer alguém borrar as calças? Está mais para o ridículo.

Todavia, por mais absurdo que possa parecer, um repórter com uma arma capaz de causar caganeira nos outros é mais uma ótima sacada do Ellis. Realmente um jornalista é capaz de causar incontinência em muita gente dado o poder que tem em mãos. Basta lembrar os grandes magnatas da imprensa. Assis Chateaubriant se queria comprar um colar de diamantes para presentear a Rainha da Inglaterra simplesmente reunia o maior numero de empresários e levantava a grana. E ai daquele que não entrasse na vaquinha. Todos tinham medo de ter seu nome difamado nos Diários Associados, independente se era verdade ou não. E o paraibano Chatô nem se importava em exagerar ou inventar fatos quando queria lascar um. E isso deveria dar uma disenteria em muito cabra. Isso sem citar outros poderosos, como Roberto Marinho ou Willian “Cidadão Kane” Randolph Hearst. Em menor escala, repórteres podem derrubar presidentes ou acabar guerras. Basta lembrar a dupla de repórteres do Washington Post que denunciou o esquema Watergate e levou o presidente Richard Nixon a renunciar. Bem parecido com Spider disparando sua arma contra o próprio Presidente dos Estados Unidos, que deve ter transformado o piso do banheiro em algo parecido com um quadro do Pollock.

Obviamente que no mundo real quem detém o poder de fazer políticos, empresários e poderosos cagarem de medo não necessariamente usa tal poder para nobres causas ou tenham um maior compromisso com a verdade. Aliás, a grande maioria que usa dessa prerrogativa é tão ou mais escrota quanto nosso anti-herói Spider Jerusalém, por estarem comprometidos com causas menos louváveis e cagarem para a verdade.

Posto isso, nada mais adequado que um profissional da imprensa usar uma arma que provoque diarreia em políticos e poderosos em geral que se enquadrem em sua alça de mira.

Manual do Escoteiro Mirim x O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Para a geração atual que elevou o google à condição de oráculo universal, anos, quiçá décadas antes, já havia algo que funcionava tão bem quanto o google para se descobrir como se pede um caldo de cana em aramaico ou para saber o caminho mais curto para Alpha Centauri. Estamos falando de dois livros fantásticos da cultura popular. Um deles é o “Manual do Escoteiro Mirim”, sempre presente nas mochilas de Huguinho, Zezinho e Luizinho, e o outro é o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, ferramenta deveras útil que dá título a série de livros de Douglas Adams que narra as aventuras e desventuras do último terráqueo, Arthur Dent. Esqueçam o Google. Mas qual é o melhor dos dois? Vamos a um breve comparativo…

guideb.jpgPara quem leu as clássicas histórias do Tio Patinhas escritas por Carl Barks, sabe que a maioria das buscas do velho pão-duro em busca de tesouros escondidos em cidades perdidas no meio do nada se originaram de alguma informação contida naquele livrinho carregado por Huguinho, Zezinho e Luizinho. E de tão alegre, o pão-duro Tio Patinhas sempre dobrava sua contribuição anual aos Escoteiros. Mas como o dobro de nada continua nada…

E quando a aventura propriamente dita começa, a família Pato sempre se mete em enrascada. Como eles não são parentes de Jack Bauer, não apelam para a violência, senão os Metralhas estariam mortos desde os anos 50. Sempre utilizando de saídas inteligentes e engenhosas, os sobrinhos de Donald  apelam para o pequeno livro quando todos estão metidos em algum rabo-de-foguete. E praticamente em todas as situações o livrinho tem uma resposta útil, seja para encontrar alguma passagem secreta em algum castelo em ruínas, aprender a pilotar naves extraterrestres ou saber qual a dieta mais indicada para unicórnios. E (quase) sempre o Tio Patinhas enche os cornos de ouro e os escoteiros colecionam mais medalhas de honra ao mérito.

Segundo as lendas de Patópolis (não confundir com Patos, na PB), esse livro foi escrito originalmente pelos guardiões da Biblioteca de Alexandria e descoberto pelo fundador da cidade, Cornelius Pato, cujo filho teria fundado os Escoteiros-Mirins para protegerem este livro. Nesses tempos em que o Universo Disney está prestes a se fundir com o Universo Marvel, talvez venhamos a saber se o Manual dos Escoteiros também conterá informações definitivas sobre o passado de Wolverine, de como reconhecer um Skrull disfarçado de herói ou saber como o Surfista Prateado satisfaz suas necessidades fisiológicas… A dúvida é saber como diacho cabe tanta informação em um livrinho do tamanho daqueles livros “Sabrina”…site_28_rand_1262454774_hitchhiker_maxed.jpg

Ao menos esse não é o problema de nosso outro livro, o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, já que ele é um dispositivo eletrônico multimídia em forma de livro e é constantemente atualizado, sendo o companheiro de aventuras de Arthur Dent e Ford Prefect pelos locais mais estranhos do universo. Se o lema dos escoteiros é “sempre alerta!”, a frase estampada na capa do guia é “Não Entre em Pânico”, mesmo que você esteja flutuando no vácuo sem proteção alguma ou que seu planeta natal seja obliterado em minutos. O “Guia do Mochileiro das Galáxias” é o mais famoso repositório de conhecimento universal, superando em vendas a “Enciclopédia Galática”, até porque é bem mais barata, e é um dos livros mais vendidos da galáxia, superando outros tomos úteis como “A Enciclopédia Celestial do Lar” e “Mais 53 Coisas Para se Fazer em gravidade Zero”, contendo o conhecimento coletado por diversos “mochileiros” espalhados pelo universo afora, que prestam serviço para a Companhia Cibernética Sírius, aquela composta por “um monte de babacas que serão os primeiros a irem para o paredão quando a revolução estourar”. E um desses mochileiros é o filho do planeta Betelgeuse, Ford Prefect, que só conseguiu uma carona para escapar da Terra pouco antes dessa ter sido removida do Universo para dar passagem de uma via expressa hiperespacial. Outro conselho utilíssimo desse guia é o de sempre portar uma toalha, objeto de muita utilidade para qualquer mochileiro, e a única coisa que você precisará quando o universo der tilte. Além de informar a respeito de milhões de planetas e plagas inter-espaciais, traz dicas muito relevantes, como a receita do famoso drinque chamado Dinamite Pangalática a partir de aguardente Janx, bem como do endereço completo das ONGs que lhe ajudarão a se recuperar da ressaca. Também dá para descobrir locais interessantes, como o Restaurante no Fim do Universo. Só não tem a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo o mais. Aliás, nem a pergunta, já que todo mundo sabe que a resposta é “42″, mas não se sabe exatamente qual a pergunta correta…

Ironicamente, as edições mais antigas do “Guia…” não trazem muitas informações sobre a Terra, sendo seu maior ponto fraco. Aliás, a única informação disponível por muito tempo sobre o planeta azul se resumia a palavra “inofensiva”. Após uma atualização do guia, a informação se tornou mais completa: “praticamente inofensiva”. Elucidador pra cacete…

Mas um defeito em ambos os guias é a ausência de referências ou maneiras de se encontrar um puteiro em cidadezinhas do interior, algo deveras útil para alguns mochileiros e eventuais turistas acidentais. No caso do “guia…”, talvez até ajude nesse quesito, desde que você queira putas com três seios em algum cafundó do outro lado da galáxia de Andrômeda. E o “manual do Escoteiro…” nem pensar, senão seria “manual do escroteiro”. No máximo pode indicar algum tesouro escondido nas ruínas da Casa da Mãe Joana, em Avignon

Mas para isso você não precisa nem de um nem de outro. Mesmo que não seja uma informação que seja divulgada nos classificados do jornalzinho ou difusora da cidade, dá pra descobrir sem maiores dificuldades. Mas também pega mal sair perguntando aonde as putas trabalham pro primeiro transeunte da cidade. O método infalível para se descobrir discretamente a localização da “casa de favores” em qualquer cidadezinha é simples e rápido: passeie descompromissadamente pela cidade até encontrar o padre da paróquia. Puxe conversa, e sem mais nem menos, pergunte onde fica a igreja, informação a qual ele responderá prontamente. Aí complete:
- Ah, então a igreja fica perto da rua do cabaré?
- Nããão! O cabaré fica do outro lado da praça, na primeira rua à esquerda.
- Obrigado, padre!
Isso nunca falha.

Uma Breve História dos Catecismos

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Sacanagem é um negócio deveras lucrativo e quase sempre com retorno garantido, em qualquer mídia. E em quadrinhos não seria diferente. Hoje em dia há uma infinidade de opções de álbuns com temáticas eróticas ou até pornográficas. Como europeu já levava a sério quadrinhos há muitas décadas, até a sacanagem ganha status de arte. O melhor exemplo são os álbuns desenhados por Milo Manara, com suas belas e sensuais personagens magras, de bundinha arrebitada, olhares lânguidos e narizes minimalistas, com muito amor pra dar. E outra beldade é Drunna, cujo rabo sensacional desenhado pelo italiano Paolo Eleuteri Serpieri são um espetáculo da nona arte safada, o estado-da-arte na putaria.

Porém, vendo esses álbuns de luxo vendidos livremente em livrarias e bancas especializadas a um preço nem sempre tão acessível à maioria da população que (sobre)vive de salário mínimo, lembrei dos bons tempos no qual quadrinhos “de sexo explícito” não tinha o status de arte respeitável, ao menos aqui no Brasil, e ser pego com um exemplar desses seria equivalente a ser apanhado por sua vizinha sexagenária e fofoqueira saindo de um cinema pornô no centro de São Paulo.E se fosse de menor, aí é que o bicho pegava. Mas independente disso, a juventude de muito marmanjo foi devidamente acalentada por quadrinhos pornográficos, a maioria considerada de gosto duvidoso e malvista por pais e defensores da moral. Entre fotonovelas pornográficas e revistas masculinas estilo “Playboy”, haviam os quadrinhos, alguns conhecidos por “catecismo”, geralmente com desenhos em preto e branco. E é desses quadrinhos, em especial, que me peguei lembrando há poucos dias. Não se aprendia a rezar com esses catecismos, e sim a ver e fazer coisas que até o capeta duvidaria.

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  • Moziel T.Monk: Pessoalmente eu nunca vi disponível esse tipo de material online. Por ser algo relativamente antigo, é...
  • Ricardo: Tenho saudades das histórias e gostaria de saber em que site eu consigo ler online ou baixar. Grato Ricardo
  • Ribamar: Branchu é o nada de onde todo vazio provém
  • padre levedo: ouça isto, Moziel http://www.youtube.com/watch?v =wdX6ly6ftUM
  • Moziel T.Monk: Sim, tanto que deixo claro no texto que a história foi criação de David Nasser, apesar de na época de...

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