Miolo de Pote

Qualquer assunto que seja pertinente. Ou não.

Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Mortíferas

Um Conto de Natal Bizarro

Ontem, duas breves notícias me chamaram a atenção: a morte do russo Mikhail Kalashnikov e o perdão real concedido a Alan Turing. Duas figuras que, provavelmente não se conheceram mas que tinham algo em comum: seu papel relvante na guerra. E, cada um a seu modo, serviu a seu país durante a II Guerra Mundial. Num exercício de imaginação, posso até ver a cena na qual os dois heróis de guerra se encontrariam no pior tipo de visão de inferno que posso conceber: uma repartição pública lotada de buracratas obtusos com bilhões de processos a serem analisados e com o destino pós-morte de muitos em suas mãos. Provavelmente Turing estaria esperando seu recurso póstumo ser analisado e sua situação no eterno ser definida, com os burocratas em dúvida se o despachavam pro Hades devido a sua homossexualidade – ainda é pecado ou não? – ou seu suicídio. E, em plena véspera de Natal, é claro que não havia ninguém pra atender os recém-chegados.

Kalashnikov se tornou famoso por, ao usar sua experiência – e a de seus colegas de farda – durante a II Guerra Mundial para desenvolver uma arma de infantaria simples, confiável e eficiente. Baseando seu projeto no tardio STG-44, a arma alemã que praticamente inaugurou o conceito de fuzil de assalto, Kalashnikov criou a arma leve mais produzida e copiada das últimas décadas, o AK-47. Usando uma munição intermediária entre o das pistolas e o dos antigos fuzis (o 7,62 x 39mm), a arma soviética é de produção rápida e de baixo custo, e sua mecânica é resistente a sujeira e baixa manutenção. Essa combinação tornou a arma um padrão a ser copiado, servindo de base a diversas variantes, de submetralhadoras a fuzis de precisão e metralhadoras leves. Outros países projetaram suas armas de infantaria baseados no projeto de Kalashnikov, Israel com sua série de fuzis Galil e a Finlândia com a série Valmet. Outros países simplesmente copiaram o projeto, com poucas modificações. Entre variantes e cópias, estima-se a produção em dezenas de milhões de unidades. É uma arma icônica, normalmente associada a guerrilheiros e terroristas. Kalashnikov deve ter tido a sensação de dever cumprido ao criar uma arma que desse aos seus irmãos em armas condições de combater seus inimigos, mas deveria lamentar ter criado algo que provavelmente matou mais do que qualquer arma de destruição em massa criada pelo homem. E, ironicamente, nunca recebeu um tostão de royalties. Se os muçulmanos estiverem corretos, Kalashnikov deve ter sido recebido com honras por Alá graças a sua incalculável contribuição à causa islâmica. Se os cristãos estivessem com a razão, deveria passar a eternidade sentado no colo do capeta. Ou, pelo preceitos budistas, carregaria um karma pesado e deveria reencanar pra compensar. No Brasil, de preferência. Isso os burocratas de Plutão é que iriam decidir.

Já o matemático Alan Turing teve uma colaboração mais nobre, se assim preferirem. Os nerds e estudantes de TI devem o conhecer pelo conceito de Máquina de Turing e o Teste de Turing, que definiria a capacidade de um computador exibir comportamento similar ao humano. Mas sua grande contribuição ao esforço de guerra aliado durante a II Guerra Mundial foi estar a frente da equipe de criptoanalistas estabelecidos em Bletchley Park, responsável pelo desafio considerado impossível de realizar:quebrar a criptografia do sistema Enigma, utilizado pelos nazistas para proteger suas comunicações. Anos antes, os poloneses mostraram que a muralha alemã tinha rachaduras, e Alan Turing conseguiu quebrar essa muralha com uma arma tão perigosa quanto um AK-47: seu conhecimento matemático. Daí que as mensagens alemãs se tornaram inteligíveis, mudando o rumo da guerra. Um feito notável, tanto do ponto de vista intelectual quanto na sua relevância em prol do esforço de guerra. Infelizmente, como se tratava de informação altamente classificada, os heróis de Bletchley Park não tiveram seu esforço reconhecido por décadas, apenas quando a inteligência britânica “desclassificou” o assunto e seus detalhes vieram a público. Mas infelizmente o Turing não viveu pra receber seus merecidos créditos, pois no período pós-guerra foi processado por prática homossexual, publicamente exposto, humilhado e obrigado a tomar hormônios femininos. Em depressão, mergulhou uma maçã em cianureto e a comeu, morrendo em junho de 1954.

Enquanto Kalasinikov pega sua ficha e espera pra ser atendido, puxa conversa com o colega e, com sorte, antes de morrer talvez tenha ouvido a notícia do perdão real dado a Turing com quase sessenta anos de atraso, e comenta isso com ele. Por mais fleumático e educado que Turing fosse em vida, décadas no inferno burocrático certamente o deixariam meio nervoso, e coroaria o diálogo com a seguinte observação:

“A rainha pode enfiar solenemente esse perdão em seu rabo”

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Reginaldo Rossi, o Social-Democrata do Amor

 

Só pelo fato de ter assumido em um programa da Xuxa que seu apelido de infância era “pé-de-mesa” já seria motivo pra ser ovacionado pelos frequentadores da blodega. Em sua homenagem, rodada de cachaça grátis para todos aqui no balcão!

ANACOEIKE

 

Nesse climão maneiro de Dia de Finados, a lista de péssimas notícias nos últimos dias foi a morte do cartunista Canini. Entre suas diversas criações, a mais conhecida foi a sua versão do Zé Carioca, um personagem criado por Walt Disney nos anos 40 para “representar” o Brasil no seu panteão de personagens. Mas ele só se tornou realmente “brasileiro” quando sua encarnação em quadrinhos passou a ser produzida por aqui, e justamente Canini foi um dos que o inseriu em um contexto realmente nacional. Tanto pelo traço característico quanto pela ambientação, as histórias de Canini eram das melhores, me trazendo ótimas lembranças de minhas leituras de infância. O Zé Carioca abandonou o terno, chapéu e guarda-chuva e passou a usar bermuda e camiseta, e se tornou um ponto de honra fugir de trabalho a qualquer custo e se livrar dos cobradores com agilidade olímpica. Tanto que seus principais credorescriaram uma associação chamada ANACOZECA, acrônimo de “Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca”. E não preciso dizer que nunca tiveram sucesso em seu principal objetivo.

Mas puxo o tema para tecer um paralelo com outro personagem caloteiro que tomou a mídia nesses últimos dias: o empresário Eike Batista, cujo conglomerado de empresas entrou em uma espiral descendente que culminou, nos últimos dias, em um pedido de recuperação judicial. O que quer dizer na prática é que, devo, não nego e foda-se pago quando puder. E isso vai desde o BNDES até o vendedor de cafezinho, sem mencionar os investidores que caíram no papo de bastava ter X no nome pra dar lucro.

Pois do dia pra noite o nosso fanfarrão milionário e corno passou de Tio Patinhas para Zé Carioca, deixando de nadar em dinheiro para ter credores em seus calcanhares. Quem sabe eles não se unem e fundam a Associação Nacional dos Cobradores do Eike Batista, a ANACOEIKE. Ou talvez prefiram um nome de maior impacto, bem em voga atualmente, algo do tipo “Procure Pagar” ou “Bom Senso Investimentos”.

Feliz Dia Das Crianças!

hit girl quer brinquedo

E um lembrete:presenteie crianças com brinquedos (sim, videogames com certeza contam).

Marina, Você se Pintou

Um ano para as eleições de 2014, e não faltará pauta, dada as últimas notícias. Preparem a pipoca e sua bebida preferida que a diversão está garantida. Te cuida, Dilma!

Eduardo Campos e Marina Silva

Eduardo Campos e Marina Silva cuidando da imagem

Toda Nudez Será castigada – A Missão (divina)

 

O colega Moziel cometeu um texto há algum tempo a respeito das musas que alegraram o imaginário masculino de muito marmanjo maduro, e que no decorrer de suas carreiras, acabaram por se tornarem servas do Senhor, colocando uma enorme pedra sobre seu passado. Mas faltaram algumas em sua seleção, que dada a sua idade avançada, se concentrou em musas dos anos 70 e 80. E, em minha estreia como colaborador, aproveito que há poucos dias Suzana Alves, a eterna Tiazinha, veio a público revelar que se convertera, quero complementar aquele texto com mais algumas musas, dessa vez dos anos 90 e 00, que abandonaram a fantasia de Eva para acolher o evangelho, e aproveitar para mostrar alguma coisa de boa dos anos 90 a geração Naruto. E que Deus seja louvado!

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Usina de Reciclagem de Piadas Velhas Apresenta…

Já que a polêmica da vez é a “importação” de médicos cubanos, seria proveitoso aproveitar a deixa e importar outros tipos de profissionais pra ver se essa bodega tem jeito. Aproveitando que na Europa emprego tá algo mais raro do que obstetra em convento, poderíamos importar uma série de profissionais de lá, com as seguintes sugestões:

- Policiais ingleses

-Cozinheiros franceses

- Engenheiros mecânicos alemães
- Gestores Suíços

- E, porque não, mulheres italianas (sim, Monica Belluci, é tu mesmo)

Seríamos o melhor país do mundo. Mas considerando nossa burocracia, que oscila naquela zona cinzenta entre a incompetência e a má-fé, certamente iríamos importar profissionais da seguinte maneira:

- Policiais alemães
- Cozinheiros ingleses
- Engenheiros mecânicos franceses
- Mulheres suíças
- E, pra administrar essa porra toda, gestores italianos (Berlusconi, ma che cazzo!)

O que, pra falar a verdade, não seria muito diferente do que temos hoje.

 

Pré-Socráticos

O futebol é uma caixinha de surpresas filosóficas

Caros estudiosos da escolástica filosófica do ludopédio brazuca, a aula de hoje versará sobre o período pré-socrático do pensamento ocidental (e acidental) dos pensadores tropicais. Como sabemos, Sócrates foi um grande luminar do futebol e da medicina, precursor do movimento que se tornou conhecido como “democracia corintiana”, pai da filosofia futebolística moderna e com o calcanhar mais famoso do que aquele grego, o Aquiles.

Segue uma breve apresentação dos precursores do grande pensador corintiano:eis os filósofos pré-socráticos

Vicente Matheus

Espanhol radicado na Terra Brasilis, pode se dizer que foi um visionário, inclusive na área empresarial, pois previu a criação da AMBEV com décadas de antecedência quando agradeceu em público a Antártica pelo envio das brahminhas. Mesmo após a sua morte, suas frases e pensamentos continuam influenciando a escola futebolística e se tornaram folclóricas, e até hoje sabemos que o difícil não é fácil e o jogo só acaba quando termina, e haja o que hajar o seu time será campeão, comigo ou sem migo, pois quem está na chuva é pra se queimar. Mesmo pré-socrático, os dois vultos do pensamento chegaram a ser contemporâneos. E sobre Sócrates, foi taxativo: inegociável,invendável, imprestável. Mais sucinto do que o “Veni,Vidi,Vici” de Júlio César (o imperador romano, não o goleiro)

Dadá Maravilha

Sua capacidade de fazer gol só era superada por sua capacidade de promover a si mesmo. Além disso, lhe foi atribuída a habilidade ímpar de parar no ar, comparável ao beija-flor ou helicóptero, capacidade essa adquirida por um peculiar hábito por ele praticado. Podemos considerá-lo um pragmático, e o que fincou essa linha de pensamento foi a sentença divisora de águas: “não me venham com a problemática que eu dou a solucionática”. Sua objetividade e praticidade ficava clara em suas afirmações sobre não ter tempo de aprender a jogar enquanto fazia gols ou de que não existe gol feio, e feio era não fazer gol.

Garrincha

Filósofo e jogador de Pau Grande (sua cidade natal, maldoso), Garrincha foi mais um dos grandes frasistas pré-socráticos. Sua afinidade com o determinismo ficou bem clara no episódio no qual, após o técnico expor toda sua estratégia contra a seleção soviética, tascou:”só falta combinar com os russos”. Esse insight sintetiza uma visão holística sobre as vicissitudes do destino, ainda abarcando a Teoria dos Jogos em seu cabedal teórico. As demais frases a ele atribuída mostram uma visão de mundo simples, porém com observações irônicas do cotidiano. Porém muitos questionam a paternidade de muitas dessas frases. Já a paternidade de seus inúmeros filhos são inquestionáveis. E, como Sócrates, era um apreciador de bebidas, bebidas essas que não eram cicuta, muito menos Sukita.

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Sorria, Você Está em Recife

Em breve, espanando a poeira da blodega.

Dia de Reis

Tres Reis do Blues
Já que o cristianismo comemora hoje o Dia de Reis, a Igreja de Eric Clapton já deveria ter instituído o seu próprio Dia de Reis. E nesse esforço litúrgico, apresentamos aqui os “Três Reis do Blues”. Prepare aquela dose de Bourbon e mande goela abaixo!

BB King

O mais conhecido e ainda vivo, B.B.King é a imagem do Blues impressa no inconsciente coletivo, inclusive daqueles incréus que ainda não conhecem a palavra. E com a nítida vantagem de ainda se manter vivo, e na ativa, não obstante seus quase noventa anos. Reza a lenda que a alcunha “Lucille” atribuída a sua guitarra Gibson se deve a uma briga em um inferninho onde tocava e que causou um incêndio no local, ao qual ele voltou para apanhar seu instrumento. O motivo da briga? Uma mulher chamada Lucille, obviamente. Seu último álbum é de 2008, lançou um DVD ao vivo ano passado e é objeto do documentário “BB King: The Life of Riley Movie. Nada mal para um octagenário.Para petisco, sua participação no DVD/BD “Crossroads 2010”, no qual encerra o show beneficente capitaneado por Eric Clapton em uma memorável Jam Session

Site oficial

Albert King

Um gigante canhoto com quase dois metros de altura, empunhando uma Gibson Flying V, Albert King foi uma daquelas figuras que influenciaram músicos posteriores que ficaram mais conhecidos do que ele, como Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton e Gary Moore. Seu álbum mais conhecido é o clássico “Born Under a Bad Sign”, um verdadeiro hino dos azarados. Outro de seus memoráveis álbuns é o dueto que fez com Stevie Ray Vaughan em “In the Session”, lançado postumamente em 1999. Segue uma apresentação ao vivo de “Born Under a Bad Sign”, além de minha preferida, “Wild Woman”.

wild women

Freddie King

Os bons morrem jovens, principalmente quando se tem úlcera e sua dieta é baseada apenas em Bloody Mary. Nascido no Texas, porém indo morar em Chicago ainda na adolescência, o futuro músico sofreu toda a influência do emergente Blues Elétrico. Freddie tinha uma maneira peculiar de usar a guitarra:com a alça pendurada no ombro direito, sem atravessar o peito, e usando duas palhetas – um no polegar, outra no indicador. Dele, Eric Clapton chegou a declarar que foi ele quem o ensinou a “fazer amor” com a guitarra. Abaixo, um de seus mais conhecidos blues, o qual o próprio Eric Clapton tocou em diversas ocasiões.

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