Archive for the ‘Papo de Blodega’ Category

Black Dynamite

Os Bons Tempos Voltaram! Vamos dar porrada outra vez!
Blaxploitation é um termo originado da fusão entre exploitation e black, e rotula os filmes dos anos 70 voltados ao público negro americano, que não se via satisfatoriamente representado nos filmes mainstream de Hollywood, com seus heróis machos, brancos, algo-saxões e protestantes. Essa safra de filmes típica dos anos 70 colocava os manos como protagonistas e os brancos como vilões, representando “the man”, o sistema opressor que perseguia os negros e não os deixavam assumir seu lugar na sociedade.

Apesar de “Shaft” (o de 1971), que trouxe um detetive negro e durão como herói, ser um filme de grande estúdio, não deixa de ser uma referência do gênero. E um dos clichês é mostrar um protagonista fodão, que resolve as coisas na porrada e na bala, não tem pra ninguém e come todas as minas do pedaço, mermão! E logo diretores viram este nicho e criaram uma série de filmes à margem das produções hollywoodianas contendo o que a rapaize queria ver: porrada a três por quatro e um negão ditando as regras. E um som maneiro, claro. Aliás, a trilha sonora destes filme é o que havia de melhor na black music dos anos 70,  De Isaac Hayes a Quincy Jones, passando por James Brown e Marvin Gaye, eram verdadeiras pérolas negras. E, além de destacar protagonistas negros, havia espaço também para as mulheres, como a agente Cleópatra Jones ou a enfermeira vingativa Coffy.

Este gênero tão popular nos anos 70 foi relembrado e satirizado no filme “Black Dynamite“, lançado ano passado e ainda inédito por aqui, com exceção de sua exibição no festival do Rio no ano passado.

Na história, Black Dynamite, ex-agente da CIA, admirado e temido pela comunidade, volta a ação quando seu irmão é morto por traficantes brancos, distribuindo sopapos, golpes de kung-fu e tiros de revólver pra todos os lados, matando todos os que atravessarem seu caminho e traçando todas que olharem e se encantarem por seu penteado Black Power, enquanto tira a droga das ruas e desbarata um complô visando encolher o pinto da população negra americana. Uma verdadeira máquina de dar porrada e fazer sexo, não necessariamente nesta ordem. Jack Bauer, Steven Segal e Chuck Norris não dariam um caldo diante do bigode e da cabeleira do Black Dynamite. O negão é foda!

O grande trunfo de “Black Dynamite” em relação às recentes produções que parodiam estilos e filmes recentes de Hollywood é de não ser forçado e caricato. Bem, não mais forçado e caricato do que os próprios filmes do gênero. Mas infelizmente filmes como “Deu a Louca em Hollywood” ou “Os Espartalhões” apenas parodiam cenas os últimos sucessos do cinema e as costuram sem um maior cuidado, praticamente desenhando para o público “olha, estamos tentando sacanear com o filme X e Y, riam, por favor!”. Deve haver quem goste…

Você pode até não achar tanta graça em “Black Dynamite”, que não funcionaria como comédia propriamente dita, mas ele homenageia os trejeitos e clichês do Blaxploitation de tal forma que um desavisado ao assisti-lo dificilmente saberá que se trata de uma paródia, pois a fotografia, figurino e trilha sonora emulam direitinho os filmes do gênero. O diretor Scott Sanders e o ator Michael Jai White (que também escreveu o roteiro com Byron Minns) fizeram o trabalho direitinho. Daí o trunfo da produção do filme, que deliberadamente – ao menos creio eu – estrai interpretações exageradas e canastronas do elenco, provoca erros grosseiros de continuidade e insere efeitos toscos, com direito a microfone aparecendo em cena ou em uma sequência de voo no qual Black Dynamite pilota um helicóptero e que aparece, em cenas distintas, uns 4 modelos diferentes de helicóptero! Também faz tempo que não vejo um revolver disparar mais do que 6 tiros sem ser recarregado. Destaque para a cena de dedução estrambótica das pistas para desbaratar o complô e a luta final contra “The Man”, nada menos do que Richard Nixon, hábil no Kung Fu e no Nunchaku, um adversário à altura de Black Dynamite.

“Black Dynamite” é divertido como os filmes que ele homenageia, e sua paródia é algo que parece ter sido esquecido pelos produtores de Hollywood, que só produzem coisas do quilate de “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”, os quais não pagam nem a banda gasta para o donwload.

Reblog this post [with Zemanta]

Os Terremotos de Sábado à Noite


Cinema 4D de pobre

Com toda esta conversa sobre a suposta revolução tecnológica promovida pelo filme “Avatar”, estava lembrando as outras “revoluções” técnicas anteriores que aconteceram em Hollywood, as quais foram criadas e implementadas mais como uma tentativa de atrair o público e tentar reverter a queda na arrecadação com bilheteria. Inclusive na Coréia o filme está sendo exibido em “4D”. Antes que imaginem algo quântico, a “quarta dimensão” seria o uso de alguns efeitos na sala de cinema para estimular os outros sentidos. Inclusive até já vi um brinquedo desses de parque de Shopping Center chamado de “Cinema 5D”, que exibe filmes curtos em 3D e adiciona até esguichos de água entre os efeitos. Apesar de que chamar isso de 4D ou 5D me lembra a lógica bizarra de chamar aqueles aparelhos vagabundos que tocam música, passam vídeo, sintonizam TV e o cacete a quatro de MP5 para cima. Se é pra compartilhar as sensações com o público, fico ansioso para que implementem tal recurso em algum filme com muita bebedeira. Já imaginaram distribuírem bebidas no cinema só para você ficar tão melado quanto o personagem?

Mas tudo isso está realmente me lembrando é das peripécias de um ex-colega de trabalho que já incorporava tais recursos nos cinemas paraibanos nos anos 70. Nas horas de ócio, esse meu colega nos divertia com a narração de algumas de suas peripécias juvenis, parte delas justamente durante a projeção de algum filme em um dos cinemas do centro de João Pessoa, como o Plaza, o Municipal ou o Rex, para nossa diversão e deleite. Em um desses episódios, ele e sua turma assistiam a “Os Embalos de Sábado à Noite”, com John Travolta reclamando das meninas que queriam dançar com ele só porque lhe deram. E em plena era Disco, os destaques do filme eram as cenas de dança. E para dar um efeito 3D nestas cenas, ele e sua trupe subiam e ficavam dançando em frente à tela, acompanhando a trilha sonora dos Bee Gees e os passos de Travolta. Mas este avanço tecnológico não foi bem aceito pelo público e nem pelo gerente, que chamou a polícia para descer a borracha nos Tony Manero paraibanos. A correria foi tanta que eles poderiam participar do filme “Carruagens de Fogo”.

"Essa Porra tá desabando mesmo!"

Mas este foi fichinha comparado ao que viria, o precursor do “4D” devidamente testado no velho cinema “Plaza”, um cinemão antigo que deveria caber umas 700 pessoas, tinha uma espécie de “camarote”, com algumas dezenas de cadeiras. Nos anos mais decadentes, normalmente quem subia ao “camarote” era a pirralhada doida pra bagunçar e pra jogar alguma coisa nos pobres espectadores das cadeiras de baixo.

Ainda nos anos 70 foi lançado o filme “Terremoto”, mais um exemplar do subgênero “cinema-catástrofe”, cuja receita era reunir um elenco de estrelas decadentes, cujos personagens viviam seus pequenos dramas pessoais até alguma desgraça das grandes acometer a todos e o elenco ir morrendo ao longo do filme. A desgraça poderia ser um incêndio no arranha-céu, um Boeing em pane ou um transatlântico indo a pique, e em “Terremoto” não deve ser difícil imaginar a causa da catástrofe. Mas o filme trouxe uma inovação técnica em relação aos efeitos sonoros, já que empregava a tecnologia “sensuround”, que deve ter sido o avô do Dolby Surround, THX e coisas do gênero. O prometido é que os efeitos sonoros trariam realismo às cenas de terremoto. Se isso funcionou no velho Plaza e seu sistema de som capenga, vai saber. Mas meu colega ainda deu uma forcinha, pois foi assistir ao filme munido de saquinhos de areia, e sabidamente ficou no camarote do Plaza. E nas cenas onde o chão tremia e o estrondo vibrava a sala, ele derramava a areia lá de cima, e quem tava embaixo se entusiasmava tanto com a novidade tecnológica que imaginava até um tremor de verdade, já que alguns gritavam coisas do tipo “o cinema vai cair!” ou “essa porra tá desabando mesmo!”, pra deleite de meu colega. Nisso James Cameron não pensou.

Mas isso tudo é passado e obsoleto frente aos recursos digitais dos filmes atuais. Esse meu colega já deve ter se aposentado, e a maioria dos cinemas citados nem mais existem, sendo ocupados por lojas de calçados ou agências bancárias. Com exceção do Municipal, que ainda passava filme, mas de um gênero njo qual o efeito “4D” que pode ser proporcionado é uma bela duma esporrada na cara, algo bem fácil de acontecer, dado o tipo de espectador dessas películas…

Reblog this post [with Zemanta]

Rapidinhas Carnavalescas de Sexta

E põe rapidinhas nisso. Apesar de não trabalhar no sambódromo de Sumpaulo, passarei o Carnaval inteiro trabalhando, e a noite. Não acreditam? Pois é, nem minha esposa. Por isso, para os que vão ficar em Sampa no feriadão, nossa singela sugestão de fantasias para curtir as festas de Momo. E se vai trabalhar durante todo o feriado, apenas pense que poderia ser pior. Você poderia passar o Carnaval preso, por exemplo…
Reblog this post [with Zemanta]

Meu Nome é Ninguém

meu nome é ninguém

O gênero faroeste é americano por excelência. Mas uma ramificação desse gênero são os filmes produzidos na Itália, que se tornaram conhecidos como Western Spaghetti, ou bangue-bangue à italiana. Ao contrário do tom épico e “bom-mocista” de boa parte dos filmes americanos, os filmes italianos normalmente apresentavam anti-heróis e elementos não tão bonzinhos como protagonistas. E um dos pais desse gênero é o italiano Sérgio Leone, que dirigiu ótimos exemplos do gênero, como a trilogia “Três Homens em Conflito”, “Por um Punhado de Dólares” e “Por Uns Dólares a Mais”, onde elevou a categoria de protagonista o então jovem ator Clint Eastwood.

Mas se Sérgio Leone é considerado o pai do Western Spaghetti, ele tinha muitos filhos da puta, como ele mesmo costumava afirmar, já que para cada clássico, surgiam uns três filmes não tão bons, pois muitos tentaram imitá-lo, sem muito sucesso nesse intento.

E um de seus “filhos legítimos” foi o filme “Meu Nome é Ninguém“, uma co-produção entre França, Alemanha e Itália datada de 1973. Por nessa época o diretor almejava dirigir filmes de gênero mais “sérios”, mas não queria largar o filão dos filmes de faroeste. Por isso nos créditos iniciais vemos que a Sérgio Leone é creditada a “idéia” do filme, que foi dirigido por Tonino Valerii, assistente de Sergio em outros trabalhos.

Um filme com nome de música do Agnaldo Timóteo presta? Ô se presta! Nessa película, o veterano pistoleiro Jack Beauregard (Henry Fonda), cansado de guerra e de impor a lei nos cafundós do oeste, está de mala e cuia pronta para se mandar para a Europa no final do século XIX, mas antes parece ter assuntos pendentes com os antigos sócios de seu irmão falecido. E em seu encalço aparece o hilário jovem que se auto-intitula “Ninguém” (Terence Hill), que admira e conhece toda a história de Jack Beauregard. Jack só quer resolver essa pendência da maneira mais limpa possível, mas “Ninguém” insiste que ele encerre sua carreira de forma gloriosa, encarando o “bando selvagem” com seus 150 pistoleiros. A relação entre “Ninguém” e Jack alterna entre rivalidade e amizade, simbolizada pela hilária anedota que “Ninguém” conta sobre o pássaro que cai do ninho e é salvo do frio pelo estrume de uma vaca, mas é tirado do estrume por um coiote que o limpa para comê-lo em seguida. E por mais que não queira, Jack acaba sendo conduzido a confrontar os poderosos locais e de encarar o destino armado por “Ninguém”.

A história mistura elementos cômicos e sérios. O lado mais leve é dado pelo ator Terence Hill, protagonista dos faroestes hilários da série “Trinity” ao lado de Bud Spencer. Já o contraponto sério fica por conta do ator Henry Fonda, que já fora dirigido por Sérgio Leone em “Era Uma Vez no Oeste”, outro clássico do gênero. Enquanto Terence Hill faria qualquer um cair na gargalhada com suas presepadas, Henry Fonda consegue se manter impassível diante de qualquer situação, mesmo quando tem que encarar 150 homens com apenas duas Winchesters e um revólver Colt. Pense num cabra arrochado!

O ponto negativo do filme é que a história é meio confusa, e dá a impressão que o roteiro seria uma desculpa para o diretor aglutinar boas sequências de ação e comédia, justamente os pontos fortes do filme. Terence rouba a cena, desarmando os meliantes com seus trejeitos. A cena no bar, onde ele esbofeteia um pistoleiro é de rolar de rir, como também a da sala de espelhos.

Mesmo não tendo Leone como diretor, sua marca está lá. O início do filme é a cara do diretor: uma longa sequência sem diálogos, com closes nos rostos dos pistoleiros, elevando a tensão até o máximo, quando finalmente o tiroteio irrompe. Leone faz referência e presta homenagem a um colega de ofício, o diretor americano Sam Peckimpah, cujos filmes ficaram conhecidos por sua violência explícita e coreografada. Uma delas é na cena onde “Ninguém” e Jack Beauregard se encontram em um cemitério índio, e entre as cruzes, “Ninguém” vê o nome “Sam Peckimpah” e comenta ser um nome estranho para um índio. E o nome “bando selvagem” dado aos 150 bandidos que “Ninguém” quer ver Jack confrontar é uma referência ao título original de um clássico de Peckimpah, “Meu Ódio Será Tua Herança“.

A trilha sonora é assinada por Ennio Morricone, que praticamente criou a marca registrada das trilhas dos faroestes à italiana, que normalmente incluía a presença de coral, flautas e guitarras aos temas. A música do personagem “Ninguém” é leve e alegre, e inclusive era muito usada em vinhetas televisivas até início dos anos 80. Mas épico mesmo é o tema usado nas cenas em que aparece o “Bando Selvagem”, com direito a coral feminino e referência à “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner.

Lembro-me desse filme dos velhos tempos em que a Globo exibia filmes de faroeste nas tardes de sábado. Mas não precisa esperar uma eventual reprise em algum canal perdido, já que este filme está disponível em DVD pela Paris Filmes, que mesmo sem extras, é uma excelente pedida para os apreciadores do gênero.

Reblog this post [with Zemanta]

Motivos Para Esquecer os Anos 90

Em continuação ao texto anterior, nossa modesta colaboração para a amnésia coletiva, desta vez apontando nossa memória seletiva para a última década do século XX.

Vanilla Ice e Milly Vanilly
O Rap e o Hip-hop começaram a sair dos guetos e vender muitos discos. E é claro que os executivos de gravadoras tentam reproduzir a coisa em laboratório, e o que conseguem é coisa como o Vanilla Ice. Ou pior, os fajutos Milli Vanilli, cujas vozes verdadeiras eram terceirizadas. Com sorte, o prazo de validade destas bostas era bem curto.

Macareña

O que começou como uma rima improvisada numa festa Venezuelana acabou como uma das mais irritantes e insistentes músicas da década, que nos legou uma coreografia ridícula e um passado de vergonha a muitos que foram na onda. Um dos grandes mistérios da humanidade é saber como essa música e dança sem-futuro viraram mania na Gringolândia. Ou é a prova que um marqueteiro esperto pode vender qualquer coisa ou que o povo americano é capaz que engolir qualquer bosta. O que não é prerrogativa exclusiva deles, como veremos a seguir…

Música sertaneja, Axé, Pagode
Com o esgotamento e a decadência do pop/rock nacional dos anos 80, as gravadoras apelaram para empurrar lixo da pior qualidade no público. E tome lambada, dupla sertaneja, banda de axé e pagode mela-cueca. Pra cada música ou artista que desse pra salvar, haveria dezenas de porcarias destes gêneros tocando nas rádios e TV´s. Mas a música baiana merece menção especial, já que se espalhou como gafanhoto pelas micaretas Brasil afora. E junto com a axé music a Bahia exportou tudo que é tipo de dança ridícula: dança da manivela, dança da galinha, boquinha da garrafa, tcham, tchaco… Ou seja, só a produção cultural da Bahia já seria motivo suficiente para se esquecer os anos 90. Mas a trupe “É o Tchan”, comandada por Compadre Washington era concorrente sério a ser o elemento mais bizarro desses anos. Quando não estava dando chance a morenas e loiras gostosas se darem bem na vida, mesmo que debaixo de chutes e pontapés, parecia mais parque temático do que banda de axé. E tome É o Tchan na selva, no Egito, na baixa da égua, na passeata do MST, na Bósnia ou na puta que pariu.

Jordy
Os franceses ainda falam que nós não temos um país sério. Como é que os bastiões do mau-humor e do politicamente incorreto impõem ao mundo uma música cantada por uma criança de quatro anos e que se torna sucesso, sendo tocada em tudo que é FM e TV adeptas do jabá? Que falta fez um Siro Darlan naquelas bandas. Ao menos os franceses se redimiram com o mundo pop ao nos presentear com a lolita Alizée

José Sarney
Pois é, ele de novo. Após terminar o mandato de presidente em 1990 e deixar o país mais quebrado do que arroz de terceira, o bigodudo larga o Maranhão e se muda para o Amapá, onde a piada corrente é que lá teria uma fazenda de burros, e desde então vem sido eleito sucessivamente como Senador, se agarrando como carrapato à qualquer governo que chegue à Brasília e empregando toda a sua família em cargos públicos.  Pra falar a verdade, Sarney apareceria em qualquer lista de motivos para esquecer a década desde os anos 50, já que sempre perseguiu uma boquinha junto à situação. E se acham pouco, esperem até fazermos os motivos para esquecermos os anos 00…

Fernando Collor
É, elle de novo! Já não bastou ter sido eleito no fim da “década perdida”, suas trapalhadas chegaram aos anos 90, e foi solenemente pénabundado de seu cargo executivo nos primeiros anos da década. E se acha pouco ele aparecer nesta lista e na dos anos 80, espere até a próxima. E falando em próximo, lembremos o que ele nos deixou…

itamar franco e lilian ramos no carnaval

O topete do presidente

Itamar Franco
Nosso Forrest Gump teve a sorte de estar no lugar certo e na hora certa, já que nunca deve ter planejado se tornar presidente nem tampouco tirar o país do buraco da hiperinflação. Na realidade saímos do buraco não por causa dele, mas apesar dele. Pois não dá pra levar a sério um estadista que ressuscita o Fusca  e é flagrado ao lado de uma buceta em pleno Carnaval. Nada contra a buceta, obviamente, mas isso tudo dava uma ideia do quão sério  era nosso presidente. E a ele devemos oito anos de FHC no poder. Vade retro

Copa de 1990
O escrete de Sebastião Lazaroni não lembrava nem de longe o esquadrão reunido nas duas últimas copas, as quais não ganharam. E o fiasco em 1990 só seria comparável ao fiasco de 2006, mas esse deixemos pra quando formos escrever sobre os motivos para esquecer os anos 00…

Lair Ribeiro
Toda década tem o guru espertinho que merece. No meio da praga oportunista dos livros de auto-ajuda, o “papa” daqueles tempos foi Lair Ribeiro, que prometia mundos e fundos para quem seguisse seus ensinamentos . E como todo livro de auto-ajuda, quem realmente encheu o cu de dinheiro foi o autor.

Quadrinhos Image e similares
Mesmo com muita coisa boa surgindo nos quadrinhos nessa década, o que predominou foi a mediocridade de ideias e histórias e uma temporária supremacia do visual. E tome colorização por computador e imagens de página inteira. História decente e ideia original que é bom, tava difícil de aparecer. E ainda serviu pra garantir emprego a artista que não sabe desenhar, como o caso de Rob Liefeld, Michael Turner e Jim Lee…

Tamagotchi
Cultura nipônica é um troço estranho da porra, e uma dessas manias nos anos 90 era a de criar bichos virtuais, os tais tamagoshis, que não passavam de chaveirinhos eletrônicos nos quais os desocupados donos dos bichos virtuais os alimentavam, davam atenção, botavam pra dormir e outras coisas. Não era mais fácil criar um vira-lata com restos de tira-gosto? Parece coisa de menino criado por vó em condomínio fechado, empinando pipa em ventilador, jogando bola de gude em carpete e criando tamagotchis. Bem, dos males o menos. Os japoneses tem manias muito mais feias que podiam ter se espalhado

Bug do Milênio
A última grande picaretagem da década, a versão digital do apocalipse bíblico prometia remeter a todos de volta a idade média tecnológica. E pra variar alguém ganhou muita grana com esse terrorismo cibernético decorrente da suposta incompetência de projetistas e programadores. Incompetência sim, já que até os maias, há uns bons séculos, já tinham calendário que ia até 2012, e a porra dos engenheiros e programadores achavam que 1999 já seria bem otimista. No frigir dos ovos foi muito barulho por nada, como quase tudo dessa década.

Reblog this post [with Zemanta]

Poesias de Boteco – A Missão

Há algumas semanas nosso compadre Washington Tio Xiko abriu o mote de poesias de boteco para declamar aqui no balcão da bodega, com a concordância deste, que já ouviu muita poesia lubrificada por água que passarinho não bebe e tubarão não nada. Publicou sob a promessa de coletar mais material em sua eterna odisséia pelos botecos da vida. Pela demora em ver a continuação desta série, e considerando seus hábitos, ele já deve ter colhido material equivalente ao Velho Testamento. Mas notícia que é bom, nada. Para não matar o assunto, reproduzo aqui a colaboração de dois colegas de ofício, oriundos diretamente da paróquia de Luiz Berto. Segue a colaboração de Ismael Gaião e Carlos Aires.

Ismael Gaião

Sou um vivo semimorto
no leito da desventura
Meu remédio é amargura
e a tristeza é meu conforto
Remando o barco pro porto
da esperança perdida
E a matéria convencida
desiludida da sorte
Só esperando que a morte
parta a corrente da vida

De viver tenho vontade,
me esforço, luto e pelejo
Mas olho atrás e não vejo
os dias da mocidade
Ja descambei da metade
estou chegando ao fim
Nada pra mim é ruim,
nem a saudade me afronta
E brevemente tira a conta
dos dias que faltam a mim

APOLOGIA A CACHAÇA!!! (Carlos Aires)

De primeiro só bebia
Caboclo negro e mulato
Hoje gente de recato
Bebe de noite e de dia
Até vossa senhoria
Eu já vi acontecer
Nas ruas tombar pender
Fazer seus passos errados
Se, bebem os ilustrados
Não é defeito eu beber

Eu já vi no bar bebendo
Engenheiro, deputado
Major, coronel, soldado
Até mesmo o reverendo!!
Pelo que estou percebendo
A bebida deve ser
Algo que só dar prazer
E não de imoralidades
Se, bebem as autoridades
Não é defeito eu beber

Bebe o padre bebe a freira
Bebe o espírita e o crente
Vejo que a aguardente
Aquela cana brejeira
Conquista de uma maneira
E como se pode ver
Se, bebe aquele que crê
Crente, espírita, freira e padre
Então veja meu compadre
Não é defeito beber

Se o time for vencedor
De uma competição
Haja comemoração
Tomando cana em louvor
Porém em outro setor
Vendo seu time perder
Bebendo pra esquecer
Na cachaça ele se vinga
Metendo a cara na pinga
Não é defeito beber

Bebe-se por quem nasceu
Quando ao mundo vem a luz
Ou se acaso deixa a cruz
No lugar em que morreu
Quem foi que já não bebeu
Alguém queira me dizer
Se apenas por lazer
Por alegria ou tristeza
Secando a taça na mesa
Não é defeito beber

Um bêbado inveterado
Que já está de cara inchada
Se acorda de madrugada
Toma um gole caprichado
Chega fica arrepiado
Sentindo a cana descer
Ele espera amanhecer
Levanta de perna fraca
Vai correndo pra barraca
Não é defeito beber

Chegam em casa com ressaca
As mulheres não aceitam
Tem delas que até o enfeitam
Com alguns biliros de vaca
Diz, não agüento a inhaca
Sendo assim não vou querer
Estragar o meu viver
Com um ser dessa qualidade
Ele diz com humildade
Não é defeito beber

O ébrio não é doente
É apenas viciado
Se acaso for bem tratado
Abandona a aguardente
Quando sóbrio e consciente
Logo irá compreender
Que depende do querer
Para mudar de repente
Bebendo socialmente
Não é defeito beber

O Sóbrio e o Ébrio
O sóbrio!!
Porque bebes assim meu grande amigo
Pois caminhas pra o fim a cada dose
Se não sabes, a bebida é um perigo!!
Poderá contrair uma cirrose
É que o álcool aos poucos lhe remete
Ao caminho que leva a diabetes
Alterando de vez sua glicose!!
O ébrio!!
A bebida me causa apoteose
Quando bebo esqueço meus conflitos
Tenho sonhos e delírios tão bonitos
Com o efeito feliz dessa hipnose
É por isso que bebo e em resumo
Sem controle eu faço esse consumo
Que me leva de vez a psicose!!
O sóbrio!!
Caro amigo a bebida lhe devora
E lhe causa a terrível depressão
Afetando-lhe a coordenação
E a perda do senso a toda hora
A família às vezes intervém
E o que fazem é apenas pro seu bem
Evitando que a morte o leve embora
O ébrio!!
Se meu time perder é um motivo
Vou beber pra evitar desolação
Se ganhar para a comemoração
A bebida me dar mais incentivo
E nos goles tomados me deleito
E assim eu revejo satisfeito
Cada gol e a vitória do “timão”
O sóbrio!!
Mas, amigo a bebida lhe destrói
Arrasa-lhe e até lhe desfigura
Demolindo a sua estrutura
Lentamente aos poucos lhe corrói
São por isso os apelos veementes
Da esposa dos filhos e parentes
Porque vê-lo arrasar-se isso lhes dói
O ébrio!!
Eu concordo com a sua insistência
Mas escute meu caro companheiro
Se não bebo, da fábrica ao barraqueiro
Um a um irão todos a falência
Pra o comércio não sentir esses abalos
Estou bebendo no intuito de ajudá-los
Agradeço-lhe, mas tenha paciência!!

Reblog this post [with Zemanta]

Motivos Para Esquecer os Anos 80

"Vem Dançar Mambolê!"

Nota: Com o fim dos “anos 00″, antes mesmo do fim da década propriamente dita, os apressados já listaram o que havia de melhor (e pior, eventualmente) destes anos. E fatalmente teremos, em breve, algum movimento saudosista mais forte em relação aos anos passados, como tivemos na primeira metade dos anos 00 um oportunista saudosismo dos anos 80. Por isso, antes de lembrarmos bons motivos para esquecermos os ano 90 e 00, vamos reeditar este texto que foi publicado durante o auge do saudosismo oitentista.

O saudosismo dos anos 80 tem tomado espaço na mídia fazendo a alegria dos saudosistas. Mas como todo saudosismo, sempre aparece aquela impressão de que “naquele tempo” era melhor. Uma porra, já que há coisas boas e ruins em todas as épocas, salvo períodos de guerra, peste, ditadura, caça às bruxas ou leis secas. Por isso, para não passarmos à geração Pokemon a impressão de que os anos 80 só tinham coisas boas, sentimo-nos na obrigação de lembrar algumas coisas que nossa memória afetiva querem esquecer. Por um bom motivo.

Guerra Fria
Ronald Reagan no governo americano, mísseis Pershing na Europa, guerras assolando a África e o Oriente Médio, programa Guerra nas Estrelas, o perigo constante da III Guerra Mundial, estudo dos cientistas mostrando as consequências de uma guerra atômica, além do filme “The Day After”. Por sorte os comunistas conseguiram acabar com o comunismo antes que a Guerra Fria transformasse o planeta em um Spa para escorpiões e baratas. O que não aconteceu por muito pouco

Yuppies
Um bando de jovens arrogantes que  queriam ganhar seu primeiro milhão a qualquer custo, investindo no mercado de ações. Representaram o pior do american way of life. Além de vestirem aqueles blazers roxos com ombreiras ridículos, os caras eram fúteis até a medula. Um bocado deles acabou indo ver o sol nascer quadrado, por conta de irregularidades em seus negócios.

As Músicas do Mister Sam
Tudo bem que a macharia daqueles tempos adorava ver o rabo de Gretchen balançando no palco do Cassino do Chacrinha (e no Clube do Bolinha). Mas aquelas músicas (??) que ela cantava (!!) como se tivesse copulando com um ornitorrinco eram todas de autoria de um tal de Mister Sam. O rabo de Gretchen chegou ao século 21 intacto (ou quase), como pode ser visto naqueles DVD=s da “Brasileirinhas”. Já o Mister Sam, sabe Deus quem era esta criatura. Mas cada década tem o Mister Sam que merece. Para estes tempos, temos o Latino.

Hiperinflação
Overnight, cotação oficial e paralela do dólar, incontáveis planos econômicos (cruzado, verão, Bresser. Cruzado II, Collor e o cacete a quatro), remarcações diárias de preço, achatamento de salário, inflação mensal beirando os três dígitos. Uma beleza. Você não sabia quanto pagaria por aquele refrigerante no final da semana. Lembro-me que paguei TRÊS valores diferentes por uma Coca-Cola na mesma semana. Gibi, nem se fala. Não tinha salário (e mesada) que durassem. Em suma, a economia cresceu para baixo, igual à raiz e rabo de cavalo. Não é à toa que chamam estes saudosos anos de “década perdida”. Deixar o bolo crescer pra dividir depois meus ovos, Delfim Neto!

Fernando Collor
A grande promessa das elites para salvar a nação, já desacreditada de muita coisa. O caçador de marajás assumiu o poder confiscando a poupança do povo e afirmando que tinha uma arma com um único tiro para acabar com a inflação. O que deu é que a inflação continuou fodendo o povo e ele foi defenestrado do poder após o cunhado entregar o esquema todo e a casa cair. Era melhor ele usado o único tiro para  atirar na sua cabeça

Governo Militar
Metade dos saudosos anos 80 viveram sob a ditadura militar do saudoso General Batista de Figueiredo. A imprensa era censurada, mas as torturas estavam cessando. E eu tinha que cantar o hino e hastear  bandeira todo dia na escola. Mas o sincero Presidente Figueiredo deixou algo mais do que um país falido aos civis, devido a sua autenticidade: respondeu que atiraria na cabeça se tivesse que viver de salário mínimo, que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, achava seu sucessor civil um traidor feladaputa e não lhe passou a faixa presidencial, saindo pelos fundos, e pediu para que todos o esquecessem. Ah, tem também como legado um bairro que leva o nome de sua mãe, e onde morava o digníssimo Tio Xiko.

Reserva do Mercado de Informática
O que deveria ser um artifício de mercado para que a indústria nacional fosse protegida da concorrência externa para desenvolver tecnologia própria em informática, acabou como a maioria dos grandes planos nacionais: deu merda. Durante anos os brasileiros teriam que cagar dinheiro para ter acesso ao que havia de mais moderno lá fora para que as empresas nacionais aprendessem a montar um computador. Acabamos trabalhando com artigos inferiores, e quando o mercado se abriu, a indústria nacional não conseguia fazer um disquete melhor e mais barato que os concorrentes estrangeiros. Mais uma boa intenção que acabou calçando o caminho do oblívio.

José Sarney
Entrou na história graças ao acaso de ter o presidente titular morrido antes de assumir o cargo. Tentou acabar com a inflação com cruzado, maribondos de fogo, congelamento, fiscais do Sarney. Parecia que tudo daria certo, como teria que dar, mas faltou sorte, leite e carne. Tudo que conseguiu foi mais um ano de governo e aumentar a inflação. Tem que dar certo o caralho!

Cinema Nacional
Naquela época, existia e Embrafilme, que subsidiava produções nacionais com dinheiro público. Assim, o diretor não tinha maiores obrigações em dar lucro na bilheteria. Daí que saía cada bosta sob o pretexto de ser filme de ator, filme de arte…E o que se salvavam destas masturbações intelectualóides eram tecnicamente sofríveis. O melhor mesmo eram as pornochanchadas…

Cometa Halley
Sobre ele já escrevi um texto inteiro (que pretendo repuplicar), mas pra resumir a palhaçada, nas vezes anteriores que o cometa passara todo mundo pensava que o mundo iria acabar. Como isso nunca aconteceu, os marqueteiros resolveram então, ao invés de espalhar o pânico, vender tudo que é bugiganga em cima do hype da aparição do cometa, de caneta a filmes. O que ninguém comentou a época é que o cometa passaria tão longe da Terra que o espetáculo prometido não passaria de um pontinho no céu visível apenas por um puta telescópio. Ninguém sequer viu a cauda do cometa, e muito esperto encheu o rabo de dinheiro.

Reblog this post [with Zemanta]

Extreme Makeover

casablanca.jpg

“Passo o ponto baratinho!”

Os menos distraídos já devem ter percebido a mudança no visual da Blodega. Pois é, como avisei no post anterior, este humilde estabelecimento precisava de um tapa no visual, já que desde o início o tema era uma bela duma gambiarra feita a partir de um desses temas que encontramos aos montes para download, o que era meio como comprar a bodega de alguém passando o pponto e não mudar muita coisa. Mas serviu durante os últimos meses, ao menos até eu tomar vergonha e criar um tema próprio. Até porque o tema anterior tinha umas imagens meio pesadas, e alguns colegas frequentadores da blodega se queixavam da demora de carregar as páginas. Como o cliente é chato pra cacete tem sempre razão, mudamos para algo mais leve e de visual renovado.

girls-with-power-tools.jpg

“Essa moleza vai acabar! Meninas, mudem o visual dessa birosca!”

passoponto.jpg

“É isso aí! Visual Totalmente renovado! Ou quase…”

Mas agora vamos produzir alguma coisa, quem nem todo mundo pode viver só de beleza.

Um blodegueiro subaquático

apocalipsenowsp.jpg

Acabei de chegar de uns dias de folga passeando pela terra da garoa. Aliás, se autointitular terra da garoa é de uma senhora humildade por parte dessa senhora de 456 anos (devidamente parabenizada pessoalmente por este blodegueiro), já que nestes últimos dias podemos chamar esse aguaceiro de qualquer coisa, menos de garoa. Não, não estive no Campus Party, apesar de ter passado perto. Deixei a blodega sendo devidamente cuidada pelos vizinhos e com a programação quase normal, reciclando uns textos agendados durante os últimos dias. Agora de volta, estou aqui trabalhando numa nova fachada para esta blodega de todos vocês.Em breve teremos notícias. Agora com licença que vou mandar meu hovercraft pra revisão.

Escrever é Obsoleto?

First Modem-420-90.jpg

“Cacete! Como atualizo meu twitter nessa porra?”

Nesses tempos em que a sociedade pós-industrial promete livrar as pessoas de uma série de afazeres manuais e arcaicos, temo que isso venha a se estender a boa e velha prática da escrita. Ao menos é a impressão que temos ao percorrer a Internet. Dá a impressão que perder tempo lendo ou escrevendo é algo tão ultrapassado quanto sites em HTML puro, uma excrescência do início da Internet comercial, lá pelo já longínquo meio dos anos noventa. E escrever quilometricamente, como eu costumo fazer quando não me contenho, então deve ser considerada uma excentricidade das mais esquisitas.

Hoje o conteúdo típico de boa parte dos blogs é postar vídeos do Youtube ou linkar algo interessante perdido no mar de bits da velha rede mundial. E com o twitter, alguns nem se dão mais ao trabalho de postar em blogs. Nada contra, mas mesmo quem faz isso seria bom agregar algum comentário ao post, algo que nem sempre ocorre, ou quando ocorre, é bem provável que o blogueiro incorra em algum erro gramatical ou deliberadamente rasgue a gramática e escreva no famigerado miguxês.

Será que é elitismo querer escrever, e ainda por cima, tentar escrever corretamente? Para alguns linguistas, o uso da gramática normativa e a ignorância de variações dela seriam usados como instrumentos de dominação da elite, e até cunharam o termo “preconceito linguístico”. No Brasil, o autor que mais divulga essas ideias é Marcos Bagno, e um de seus livros mais conhecidos é “Preconceito Linguístico”. Na prática, o que ele propõe é que a linguagem falada é dinâmica e incorpora novos trejeitos de falar concomitante a colocar em desuso formas arcaicas da língua, enquanto que a gramática normativa é estanque e demora a incorporar esses aspectos novos, além de insistir no uso de regras arcaicas. E os grupos regionais ou socialmente inferiores sofreriam preconceito por não dominarem o correto português ou de usarem dialetos ou costumes regionais. Os linguistas praticamente abominam pessoas como o professor Pasquale, que disseminam o uso correto da língua portuguesa. E, por tabela, preconizam o abandono da gramática, e que o importante é que a mensagem seja compreendida por quem recebe.

Em parte até concordo, mas dá pra notar certo rancor marxista nesse discurso, e não creio ser viável simplesmente ignorar a gramática normativa, senão essa porra vira um cabaré. Extrapolando essa teoria, o miguxês tão difundido pelos jovens seria uma variação linguística aceitável, e que os “elitistas” da internet, seja lá o que isso signifique, estão apenas implicando com os pobres blogueiros, fotoblogueiros, orkuteiros e twitteiros. E em última análise, escrever não é tão importante assim…

Mas vamos e convenhamos, até entendo que um pobre que vive no fiofó do sertão está pouco se fodendo para o uso correto da próclise, até porque ele não teve a oportunidade de obter uma educação formal. Mas esse argumento justifica um jovem que, teoricamente, teve acesso à educação em seu ensino fundamental e médio escrever de uma forma tão tortuosa? A desculpa maior é ganhar tempo para passar torpedos via SMS ou escrever em programas de mensagens instantâneas. O que importa é passar a mensagem de forma inteligível, né? No cu, pardal!

Mas além do miguxês, é comum em blogs encontrarmos erros crassos de ortografia nos posts. A principal linha de defesa é que quem bloga o faz com urgência, pois se torna mister passar uma informação ou novidade no mais curto tempo possível, já que fatos e notícias se tornam velhos em questão de horas. E o pior, não dá nem pra embrulhar o peixe com eles. Mas isso não é nada que um corretor ortográfico não resolva, oras. E mesmo que os editores de ferramentas de blogs não possuam (ainda) essa facilidade, nada impede que o blogueiro digite o texto no Word (ou seu editor preferido) e depois copie e cole no blog. Até porque copiar e colar é uma prática comum em muitos blogueiros…

Admitamos que a língua portuguesa e suas regras seja um peteleco nos bagos, mas nós devemos ter um mínimo de boa vontade para tentarmos aprender suas nuances. Claro que, na prática, não dá pra querer usar as quatro regências do verbo “assistir”, e que realmente algumas regras acabam mesmo caindo em desuso, até mesmo na imprensa formal.

E por experiência própria, posso garantir que a maneira mais prática de se familiarizar com a ” última flor do Lácio, inculta e bela ” é lendo bastante. E escrevendo, também. E para mim acho que perderia mais tempo tentando verter meus pensamentos para algo tão esdrúxulo quanto essa linguagem cibernética.

Mas para facilitar a vida de fósseis como eu, caso o miguxês se torne obrigatório em um futuro próximo (pouco depois do homossexualismo compulsório), nos últimos dias foi divulgado um tradutor para miguxês , muito útil para quem ainda encontra dificuldades em ignorar a nossa gramática normativa nesse idioma que dói nos olhos e que se perpetua em blogs, fotologs fofuchos, páginas do orkut e perfis no twitter, categoria internética que se espalha mais rapidamente que aqueles bichos fofos de Jornada nas Estrela, os Pingos .

E antes que seja realmente acusado de elitista, ou pior, de alguém apontar algum erro de semântica, concordância, regência ou o caralho a quatro neste texto, não me jacto em ser perfeito ou correto. Certamente há algum erro crasso aqui ou em qualquer outro dessa humilde blodega. Infelizmente a patroa vetou minha proposta em contratar uma jovem estudante de letras fisicamente palatável para revisar meus textos.

P.S – Depois de ver o tradutor português-miguxês acima citado, creio que minha contribuição às letras virtuais será desenvolver um conversor Tourette para textos internéticos, capaz de transformar uma bula papal em um festival de impropérios de fazer corar a finada Dercy Golçalves.

Olha o Passaralho!
RSS
Nossa Filial no Tumbrl
Bate-Boca
  • Moziel T.Monk: Pois é, Lucas. Tu que está mais perto de nossos hermanos, caso veja algum, mande meus parabéns ( e...
  • Lucas Colombo: Eu não disse?
  • Moziel T.Monk: Já que você lembrou “A História Oficial”, este filme ganhou o Oscar em 1986, mesmo ano...
  • Amanda Aouad: O cinema Argentino vem crescendo muito, e está em uma fase consistente, não é a toa que já tem dois...
  • Moziel T.Monk: Welton, tenho medo é que eles tenham mais um motivo depois de junho…
Balaio
Outras Bodegas
Todo dia é dia
março 2010
S T Q Q S S D
« fev    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  
Divulgue essa Blodega

Blodega do Moziel

Clientela



Cata-Corno
Agregadores
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline