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A Balada do Samurai

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É ruim de doer, mas é bom

Esse é da série de filmes que de tão ruins se tornam cultuados e acumulam uma série de fãs. E esse em especial tem acumulado poeira na minha estante, já que é o único DVD do meu acervo que eu não consegui emprestar a ninguém, muito em parte pela propaganda negativa de minha digníssima esposa, que sempre quando ensaio um bote para exibir ou emprestar o filme, ela alerta aos amigos incautos e desprevenidos sobre a (falta de) qualidade do filme, com críticas sucintas do tipo “isso é uma bosta!”. Para sacanear, apenas descrevo o filme como um episódio dos Power Rangers filmado no sertão da Paraíba com figurinos da feira da Sulanca. Bem, quem sabe com essa resenha consiga convencer alguém a assistir a essa película no melhor estilo “sacaneei”.

Um “Kill Bill” genérico

Esse pequeno exemplo de incompetência cinematográfica se chama “Six-String Samurai” e foi lançado em 1998, e por aqui já recebeu o título “O Samurai do Rock´n´Roll”, mas atualmente é disponível em DVD com o título “A Balada do Samurai”. No universo do filme, a Guerra Fria acabou bem antes, já que a União Soviética bombardeou os Estados Unidos em 1958 e invadiu o que sobrou. O único bastião da civilização americana é a cidade de Las Vegas, que foi rebatizada para Lost Vegas e é governada pelo rei Elvis Presley. Sim, a premissa é essa, e não é nenhuma paródia escrita por nós. É sério. Ou quase.

O filme começa realmente quando Elvis morre e deixa vago o trono de rei de Lost Vegas. E o guitarrista e espadachim Buddy vaga pelo deserto de Nevada em direção à cidade para disputar a vaga deixada pelo eterno rei do Rock. No caminho ele se depara com gangues de roqueiros, mutantes, famílias canibais, tribo de doentes em roupas de apicultor, o que sobrou do exército vermelho e a própria morte em pessoa. Por sinal, a morte usa cartola e uma guitarra Falcon (seria o Slash da velha banda Gun´s´Roses?) e sai matando todos os possíveis guitarristas que se aventuraram pelo deserto em direção a Lost Vegas. E seguindo os seus passos, um garoto que Buddy salvara logo no início do filme e cuja mãe fora morta por mutantes canibais (ou o que quer que fossem aqueles caras maltrapilhos e sujos).

O culpado desse absurdo cinematográfico é o diretor Lance Mungia. E eu creio piamente que ninguém seria capaz de cometer tanta ruindade sem ser de propósito, só para fazer estilo. A produção é pobre de doer, os diálogos no filme não devem somar mais do que cinco minutos, já que a maioria dos atores não se preocupou muito com falas, principalmente o protagonista. As cenas de ação não chegam a ser um banho de sangue no melhor estilo Kill Bill, até porque Buddy não usa exatamente uma Katana Hatori Hanzo (ou porque faltou dinheiro para sangue cinematográfico). Mas bem que poderiam ser mais violentas para completar o ar “trash cult”. Pelo menos o visual pós-guerra decadente soa autêntico, num cenário natural que lembra os velhos filmes do Mad Max.

A trilha sonora , no melhor estilo rockabilly com uma pitada de polca, é toda de uma banda chamada The Red Elvises, que inclusive faz uma participação no filme. Não é brilhante, mas funciona legal.

Há algumas cenas interessantes, como quando o pretenso futuro rei de Lost Vegas sai no braço e espada com o exército vermelho, que representando bem o regime comunista, não recebe munição desde o final dos anos 50. E não deixaria de citar a batalha final entre Buddy e a Morte, inicialmente um duelo de guitarras seguido de porradaria e de um final completamente nonsense. Se você relaxar e não chegar ao final do filme com um “putaquepariu!” na ponta da língua, dá pra se divertir. Se não, era melhor ter dado ouvidos a minha esposa…

Mais ruindade informação lá no Fórum do FARRA

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