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Dois anos de Farrazine!

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Mais uma vez os conspiradores do Apagatti conseguiram concluir um número do Farrazine. E este é um especial de aniversário, comemorando os dois anos de existência desse periódico eletrônico que tanto sucesso faz entre os nerds e afins. E como diria qualquer publicitário fraco de imaginação, quem ganha o presente é você! Acabei de baixar meu exemplar e ainda o estou folheando, mas já vi que tem ótimas matérias sobre Milo Manara, a série Fringe e suas semelhanças com Planetary, outra com dicas sobre escrever e criar histórias em quadrinhos, o mundo de Beakman, contos diversos, a penúltima parte da série “Albaria”, entrevistas com ALZIR ALVES e RAIMUNDO GUIMARÃES, mais uma pá de coisa interessante, as quais ainda estou lendo. Inclusive tem uma pequena participação minha nesse número com um pequeno depoimento na seção de cartas. Por isso, o jabá dessa vez terá desconto.

Mas vejam por si mesmos e façam o download, na Versão Rar ou na versão PDF

Só Sei que Foi Assim

Os 82 anos de Ariano Suassuna

Além do dia 16 de junho  ser comemorado o Bloomsday, há mais um motivo para os amantes das letras comemoraram hoje: 16 de junho também é aniversário do escritor paraibano Ariano Suassuna. E seria uma puta sacanagem falar do escritor irlandês e esquecer meu mais ilustre  conterrâneo. Se ele já era bem conhecido entre os paraibanos e nordestinos há décadas ficou popular no Brasil todo para a geração recente após a adaptação de sua famosa e bastante encenada peça de teatro, “O Auto da Compadecida”, em uma bem-sucedida série para a Rede Globo, dirigida por Guel Arraes, um verdadeiro biscoito fino para as massas. Não obstante sua obra já ter sido levada ao teatro e TV antes, inclusive o próprio “Auto da Compadecida”, foi com essa versão que seu nome se tornou mais conhecido ainda, mesmo que tal popularidade na mídia eletrônica tenha vindo com algumas décadas de injusto atraso. Mas antes tarde do que mais tarde.

Ostentando e defendendo um certo xenofobismo cultural, rejeitando influências e elementos da indústria cultural e da cultura de massa, principalmente a americana, Suassuna soube reunir elementos do folclore e da tradição oral de sua terra em um formato novo. Seu maior mérito seja justamente esse: apesar de sua formação acadêmica e erudita, nunca se afastou de suas origens culturais. Ao contrário, é o principal defensor e divulgador da cultura nordestina. Além da cultura nordestina, o catolicismo é presente e influente em suas obras.

Além de autor de romances e de teatro, professor e advogado, concebeu e popularizou o Movimento Armorial, cujo objetivo seria justamente mesclar os elementos da cultura nordestina em um formato erudito nas diversas expressões artísticas. Ao menos na música o resultado é belíssimo. Basta ouvir qualquer disco do Quinteto Armorial ou o disco que o Quinteto de Cordas da Paraíba dedicou a Música Armorial. Aliás, dois, já que o lançado no Brasil dividia o tema com músicas de Astor Piazzolla, e o exclusivo com canções armoriais foi lançado apenas na Europa. Mas isso é mero detalhe em tempos de Internet…

Todo esse currículo lhe rendeu três cadeiras em academias de letras: na paraibana, na pernambucana e na brasileira. E mesmo aos 82 anos se mantém na ativa, dando palestras, aulas-espetáculos e entrevistas, demonstrando lucidez e um ótimo humor. E em tempos de Internet e cultura globalizada ainda tem espaço garantido. Basta procurar seu nome no Youtube para ver a quantidade de vídeos que aparecem, os comentários entusiasmados dos visitantes e o número de vezes eu tais vídeos foram vistos. Tem desde entrevista em J6o Soares, onde rouba a cena, como também uma esculhambação para a Banda Calypso. E o mais popular, sem sombra de dúvida, é aquele no qual relata a infrutífera tentativa de convertê-lo a ouvir música dita “moderna”. Como diria Branchú, ao redor do buraco tudo é beira.

Mas o homem tem muito mais a dizer. Então não se limite a ver vídeos na Internet e vá ler alguns de seus romances ou peças, como “O Romance da Pedra do Reino”, “Uma Mulher Vestida de Sol”, “A Pena e a Lei” e o próprio “Auto da Compadecida”, mesmo que já tenha visto alguns desses textos adaptados para a TV, já que nem sempre são fielmente seguidos.

Fica então os parabéns do pessoal aqui da Blodega e os votos de muitos anos de vida, lucidez e defesa da cultura nordestina. E como diz o texto originalíssimo daqueles comerciais de loja baratos, o aniversário é dele, mas quem ganha o presente são vocês. Fiquem com esse texto interessantíssimo de Cândida Nobre sobre a cultura do mix e Ariano Suassuna . Ariano ainda é moderno e vanguardista, por que não queira ou aceite.

Ariano na Wikipedia

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  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
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