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	<title>Papo de Blodega &#187; bastardos inglorios</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Os Felas da Puta sem Glória de Tarantino</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 10:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema à Granel]]></category>
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“E aí, seu nazista, prefere uma suástica gravada  na testa ou “I Love Brad Pitt” na bunda?”<br />
</em></div>
<p>Na cena final de “Bastardos Inglórios”, o tenente Aldo Laine, personagem interpretado por Brad Pitt, solta o último dialogo, “&#8230;acho que isso pode ser muito bem minha obra-prima”,  se referindo a suástica que marcaria com sua Bowie na fronte de um vilão nazista. Seria Quentin Tarantino falando através de seu personagem? E seria “Bastardos Inglórios” sua obra-prima, uma suástica gravada à ponta de faca na testa dos críticos de seu trabalho?</p>
<p><span id="more-958"></span></p>
<p>Nestes últimos dias resolvi pagar a fatura devida a filmografia de Quentin Tarantino. Ou quase. Há algumas semanas assisti ao ainda inédito por aqui “Death Proof”, e ontem finalmente encarei os bastardos inglórios do tio Quentin. E escapei sem uma tatuagem de suástica na testa.</p>
<p>Mas Quentin é foda, dificilmente se fica indiferente à sua obra. Ou é idolatrado como um novo gênio, herdeiro da geração de diretores dos anos 70, ou é execrado, seja pela crítica mais purista ou pelo público mais habituado a produções convencionais, os ditos blockbusters. Pessoalmente tenho o velho Quentin em boa conta desde “Pulp Fiction”, que foi hype de descolados nos anos 90 e apontado como o “novo Scorcese” por alguns críticos, mas sobreviveu ao provável estrelismo que tal condição poderia trazer, sem levar tão a sério tais títulos.</p>
<p>Mas deixa esta porra pra lá. O negócio é “Bastardos Inglórios”, o qual infelizmente perdi de ver no cinema e agora vejo em DVD, finalmente. Confesso que criei uma expectativa sobre este filme totalmente diversa do que eu acabei vendo. Dado o título e a premissa, imaginei um filme de guerra típico, no estilo “calhordas com uma missão”, no melhor estilo “Os Doze Condenados”, até porque o título remete a uma produção “genérica” italiana deste subgênero dos filmes de guerra, “Assalto ao Trem Blindado”, cujo título original é <a href="http://www.imdb.com/title/tt0076584/">“Quel Maledetto Treno Blindato”</a>, mas cujo título americano é justamente “Inglorious Bastard”. Por isso imaginei um filme de guerra típico, apenas com o tempero de Tarantino adicionado – violência gráfica extrema e diálogos inusitados &#8211; , mas mantendo os clichês intactos, com ação e explosões para dar e vender, com direito a mortes heroicas e redentoras e um final com a missão bem sucedida, mas sem maiores consequências históricas, já que falamos de II Guerra Mundial e sabemos muito bem como ela acabou.</p>
<p>Obviamente que nada disso aconteceu. Um mérito de Tarantino é fugir de certos clichês óbvios, apesar de sua obra sempre fazer referência a algum elemento da cultura pop, mas sempre sob a sua ótica. Isso pode acabar afugentando o público habituado a dieta de fórmulas prontas dos grandes blockbusters aos quais estamos habituados. O “timing” dos filmes de Tarantino normalmente “desrespeitam” o padrão estabelecido, no qual cada reviravolta ou mudança no roteiro é milimetricamente prevista pelo “manual”, por assim dizer. Também não veremos a construção de um vilão digno de ser justiçado no final, nem a retratação dos nazista como a escória da raça humana, até porque já sabemos o que eles fizeram, seja pelos livros de história ou pelos filmes de Hollywood. Quentin privilegia longos diálogos, referências mil à elementos da cultura pop &#8211; A trilha sonora remete aos temas de Ennio Morricone para filmes bangue-bangue à italiana &#8211; e uma trama deliberadamente confusa, envolvendo histórias paralelas e diversos personagens. Acaba que muitos acham seus filmes verborrágicos e com um ritmo bem mais lento do qual se está habituado a ver nas telas. Por exemplo, a cena inicial, na qual a família judia é encontrada e morta, em um filme típico não passaria dos 3 minutos. Mas com Tarantino somos brindados com longos diálogo, uma estrutura narrativa  atípica e um desenrolar dos fatos inusitados, e não importa se o pano de fundo são fatos históricos. A própria história pode ser subvertida! Tarantino está pouco se fodendo pra isso, da mesma maneira que não parece ligar tanto para os <a href="http://www.blodega.com/index.php/2009/08/12/narrativa-e-roteiro/">mandamentos do roteirista hollywoodiano </a>.</p>
<p>Mas vamos ao ponto, não estou aqui pra analisar a obra de Tarantino, tampouco escrever um tratado sobre cinema. Como falei, criei uma expectativa diferente da realidade para este filme. E Tarantino trabalhou o roteiro sobre uma história de vingança de uma judia cuja família foi morta pelo eficiente e metódico Coronel Hans Landa, mas que se expande para inúmeros núcleos e protagonistas, incluindo personagens reais como Adolph Hitler e Joseph Goebbels. Nesse cenário, os “Bastardos Inglórios” &#8211; uma equipe de soldados judeus-americanos estabelecida na França com o objetivo de espalhar o terror entre as tropas nazistas de ocupação – são apenas mais um “personagem” nessa trama quase épica. E as cenas nas quais eles agem são relativamente poucas, menos do que se poderia esperar em um típico filme de guerra tendo eles como personagens-título. Mas nas poucas cenas nas quais os métodos dos “Bastardos” é mostrado, a mão de Tarantino pesa como de habitual, sem poupar o espectador de cenas violentas, com espancamentos, mutilações e escalpelamento.   Aliás, é até interessante ver mais uma vez Brad Pitt usar uma enorme faca Bowie  de caça para escalpelar militares alemães, já que ele fez isso lá no início da carreira em “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0110322/">Lendas da Paixão</a>”.</p>
<p>Mas como falei, os “Bastardos” são apenas mais um elemento nesta trama propositadamente complexa, na qual a sobrevivente judia do massacre de sua família planeja se vingar dos nazistas quando o acaso faz com que a première de um filme-propaganda de Goebbels é transferida para seu cinema, concomitante a um plano do governo inglês de aproveitar o episódio para cometer um atentado contra a cúpula do Terceiro Reich com a ajuda de uma atriz alemã e dos “Bastardos”.</p>
<p>Com tantos personagens em pouco mais de duas horas e meia, fica aquele retrogosto de última lata de cerveja e muita sede ainda sobrando, já que bastante coisa poderia ser desenvolvida em cima de tantos personagens interessantes. Da forma como foi apresentado, o filme parece o resumo de uma minissérie de, no mínimo, umas 10 horas de duração, tal o grau o potencial de desenvolvimento dos personagens apresentados, como o “Urso Judeu” (vivido pelo direto Eli Roth, diretor de “O Albergue”) ou o  sargento alemão rebelde e psicopata Hugo Stiglitz (Til Schweiger).</p>
<p>Mas pra resumir – e respondendo a questão levantada no início deste texto -, não sei  ainda se é a obra-prima de Tarantino. Ele se mantem em forma, exercitando o ofício de citar elementos do pop, criando diálogos interessantes e extensos, Ainda prefiro “Pulp Fiction” e os dois “Kill Bill”, por mais que tenha gostado deste filme. Espero que nesses tempos de “Avatar” Tarantino ainda tenha chance de fazer filmes e de pôr sua visão de mundo neles, a despeito do que os produtores queiram.</p>
</div>
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