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Oscar:Uma Rasteira Atrás da Outra

“O Oscar, Wilder!”

Todo ano a ressaca pós Oscar é a mesma, com muitos reclamando dos comentaristas da Globo, do fato do Big Brother ter mais prioridade na grade de programação, mas a chiadeira aumenta ao fim da premiação e com a lista dos contemplados, com as queixas de sempre  – boa parte com razão – sobre os “injustiçados” que não ganharam nem o prêmio de melhor lanterninha e pipoqueiro. E claro que esse ano não foi diferente, com muita gente chiando pelos poucos prêmios que “A Origem” levou ou pelo matulão vazio que os irmãos Coen carregaram para fora da cerimônia pelo remake de “Bravura Indômita”. Entre o lobby dos estúdios e os reais méritos de uma produção nem sempre prevalece o “que vença o melhor” . E claro que nos dias politicamente corretos de hoje os perdedores, mesmo se sentindo injustiçados, no máximo fazem uma cara de cu enquanto batem palmas ao concorrente vitorioso.

Mas nem sempre isso ocorreu. Aproveito o mote para relembrar uma pequena anedota sobre o folclórico diretor Billy Wilder. Na cerimônia de 1944, duas produções da Paramount concorriam ao Oscar na categoria de melhor diretor. O preferido de todos era “Pacto de Sangue”, dirigido por Billy Wilder e roteirizado por este e pelo escritor policial Raymond Chandler. Mas o estúdio preferiu apoiar “O Bom Pastor”, de Leo McCarey. E não deu outra: o Oscar foi para McCarey. Sentindo que lhe passaram a perna, o escroto do Billy Wilder não perdeu tempo: sentado no corredor, o “colega” passou ao seu lado para receber o Oscar. Sem titubear, ele põe sorrateiramente o pé no caminho, e McCarey se estabaca no chão. Em suma, o velho Wilder deu o que, no jargão dos internautas, costuma se chamar trollada. Uma pena que as transmissões televisivas do Oscar só começaram em 1953. Seria bem interessante ter visto isso ao vivo, e iria ser sucesso no Youtube.

Ah, antes que me esqueça, outra saideira sobre Wilder e o Oscar. Já aposentado em 1994, ninguém corria o risco de levar uma topada no pé de Wilder se surrupiasse seu Oscar. Após ganhar o prêmio de melhor filme estrangeiro daquele ano por “Sedução”, o diretor espanhol Fernando Trueba disse em seu discurso que agradeceria a Deus se acreditasse nele. Como não acreditava, agradeceu a Billy Wilder. Diz a lenda que, no dia seguinte, o diretor recebeu um telefonema, e ao atender, escutou uma voz afirmando “Aqui fala Deus”. Era o próprio – Wilder, obviamentre. Mesmo não participando, Billy Wilder ainda assistia ao Oscar. E continuava impagável.

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