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Isso non ecxiste!

Relembrando o Padre Levedo

Para o internauta que adentra no atual cenário da blogosfera brasileira verá a predominância de blogs de entretenimento, que basicamente repostam vídeos e imagens cômicas. Mas a blogosfera (e antes dessa, os sites pessoais) daqueles primeiros anos normalmente tinha bem mais conteúdo para se ler, e muitos bons praticantes do saudável hábito da escrita mantinham homepages e blogs, e alguns chegaram a se tornar celebridades no meio. Desses, muitos se profissionalizaram no ofício de blogar e se mantém até hoje, mesmo que em um ritmo bem menor de postagens. Outros simplesmente encheram o saco e largaram a atividade ou nem chegaram a ter blogs ou sites, se contentando em colaborar com terceiros esporadicamente. A certeza era achar textos bem escritos e ideias sensacionais que levariam um roteirista do Zorra Total a cometer suicídio. E foi por culpa desses elementos que o incontrolável impulso de escrever besteiras me dominou, e posso dizer que tenho uma dívida de gratidão a eles por hoje ser dono dessa blodega.

Um desses elementos que dedicava sua prosa elaborada era alguém que atendia pelo singelo nome de Padre Levedo. Nos primeiros anos que comecei a vasculhar os sites e blogs por acaso, me topei com seu site e sua prosa, e é claro que se tornou parada obrigatória, tanto quanto seria um boteco que vendesse cerveja Antártica Original e tira-gostos excelentes a um preço honesto. Até porque cerveja Kaiser é a ira de Deus engarrafada, por definição do próprio Levedo, que se mostrava entendido do riscado. Sabe Deus quem ele era, de fato, mas criou um personagem para si mesmo – um padre dedicado à servir o divino e a salvar almas através dos prazeres terrenos, o que fatalmente envolvia birita, literatura de primeira, música boa, pois a salvação da alma passava pela palavra sagrada do Jazz e do Blues. Seres como Roy Buchanan ou John Coltrane eram verdadeiros santos padroeiros de sua congregação.  E claro, muita putaria a embalar tudo isso.

Ele entretia seus fiéis com histórias de boteco sensacionais, reminiscências de farras e noitadas, dicas de música, livros, filmes, bebidas e comidas. Lendo seus causos etílicos  e aventuras amorosas pelas noites dos botecos paulistanos pregando a palavra era quase como beber com ele ouvindo tais relatos. Além disso, ele também escrevia contos hilários, como as aventuras surreais do cowboy e astronauta Klauxo Walker, o irmão de Johnnie Walker. E falando em Johnnie Walker, sua narrativa sobre os prazeres de um legítimo uísque 24 anos é uma verdadeira epifânia.

Mas sua grande contribuição para o léxico nacional foi o seu fabuloso gerador de lero-lero. Graças a ele, com simples toques do mouse você tem a disposição um texto inédito com uma laudatória digna de um artigo científico, tese de mestrado ou pauta de reunião corporativa. E há versões aperfeiçoadas circulando pela Internet.

Infelizmente a última postagem do nobre eclesiástico cibernético é 30 de outubro de 2006. Ou seja, a exatos quatro anos que Levedo sumiu sem deixar notícias. O que será que houve com o sacerdote? Teria ele entrado para uma ordem de monges e feito um voto de silêncio eletrônico? Teria saído em uma peregrinação derradeira para salvar algumas almas da vida noturna paulista? Ou simplesmente encheu o saco de escrever um blog e está até hoje enxugando garrafas de uísque?

Para desgraça das almas desgarradas, grande parte do que Levedo escreveu estava hospedado em um domínio do Geocities, que foi para o vinagre junto com todos os sites movidos a vapor que ele hospedava. O que ainda resta de seus ensinamentos ainda sobrevive em seu blog no Ig. Infelizmente sua palavra faz falta aos jovens, que precisam perceber que estria e celulite é irrelevante quando a trepada é de primeira, algo que muito onanista de hoje em dia ignora ao admirar tanto as mulheres de plástico das revistas em detrimento de mulher de verdade. Faz falta alguém que resgate as almas desgarradas que escutam Restart e Cine com solos de guitarra como aqueles de “Sneaking Godzilla Thru The Alley”, do Buchanan.

Na ausência de sua palavra nestes últimos anos, o que fica aqui a homenagem a este sacerdote virtual, onde quer que ele esteja.  E para completar a homenagem, convido os meus leitores a lerem os textos arquivados em seu blog. De preferência acompanhado de uma boa cerveja. Saúde.

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Escrever é Obsoleto?

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“Cacete! Como atualizo meu twitter nessa porra?”

Nesses tempos em que a sociedade pós-industrial promete livrar as pessoas de uma série de afazeres manuais e arcaicos, temo que isso venha a se estender a boa e velha prática da escrita. Ao menos é a impressão que temos ao percorrer a Internet. Dá a impressão que perder tempo lendo ou escrevendo é algo tão ultrapassado quanto sites em HTML puro, uma excrescência do início da Internet comercial, lá pelo já longínquo meio dos anos noventa. E escrever quilometricamente, como eu costumo fazer quando não me contenho, então deve ser considerada uma excentricidade das mais esquisitas.

Hoje o conteúdo típico de boa parte dos blogs é postar vídeos do Youtube ou linkar algo interessante perdido no mar de bits da velha rede mundial. E com o twitter, alguns nem se dão mais ao trabalho de postar em blogs. Nada contra, mas mesmo quem faz isso seria bom agregar algum comentário ao post, algo que nem sempre ocorre, ou quando ocorre, é bem provável que o blogueiro incorra em algum erro gramatical ou deliberadamente rasgue a gramática e escreva no famigerado miguxês.

Será que é elitismo querer escrever, e ainda por cima, tentar escrever corretamente? Para alguns linguistas, o uso da gramática normativa e a ignorância de variações dela seriam usados como instrumentos de dominação da elite, e até cunharam o termo “preconceito linguístico”. No Brasil, o autor que mais divulga essas ideias é Marcos Bagno, e um de seus livros mais conhecidos é “Preconceito Linguístico”. Na prática, o que ele propõe é que a linguagem falada é dinâmica e incorpora novos trejeitos de falar concomitante a colocar em desuso formas arcaicas da língua, enquanto que a gramática normativa é estanque e demora a incorporar esses aspectos novos, além de insistir no uso de regras arcaicas. E os grupos regionais ou socialmente inferiores sofreriam preconceito por não dominarem o correto português ou de usarem dialetos ou costumes regionais. Os linguistas praticamente abominam pessoas como o professor Pasquale, que disseminam o uso correto da língua portuguesa. E, por tabela, preconizam o abandono da gramática, e que o importante é que a mensagem seja compreendida por quem recebe.

Em parte até concordo, mas dá pra notar certo rancor marxista nesse discurso, e não creio ser viável simplesmente ignorar a gramática normativa, senão essa porra vira um cabaré. Extrapolando essa teoria, o miguxês tão difundido pelos jovens seria uma variação linguística aceitável, e que os “elitistas” da internet, seja lá o que isso signifique, estão apenas implicando com os pobres blogueiros, fotoblogueiros, orkuteiros e twitteiros. E em última análise, escrever não é tão importante assim…

Mas vamos e convenhamos, até entendo que um pobre que vive no fiofó do sertão está pouco se fodendo para o uso correto da próclise, até porque ele não teve a oportunidade de obter uma educação formal. Mas esse argumento justifica um jovem que, teoricamente, teve acesso à educação em seu ensino fundamental e médio escrever de uma forma tão tortuosa? A desculpa maior é ganhar tempo para passar torpedos via SMS ou escrever em programas de mensagens instantâneas. O que importa é passar a mensagem de forma inteligível, né? No cu, pardal!

Mas além do miguxês, é comum em blogs encontrarmos erros crassos de ortografia nos posts. A principal linha de defesa é que quem bloga o faz com urgência, pois se torna mister passar uma informação ou novidade no mais curto tempo possível, já que fatos e notícias se tornam velhos em questão de horas. E o pior, não dá nem pra embrulhar o peixe com eles. Mas isso não é nada que um corretor ortográfico não resolva, oras. E mesmo que os editores de ferramentas de blogs não possuam (ainda) essa facilidade, nada impede que o blogueiro digite o texto no Word (ou seu editor preferido) e depois copie e cole no blog. Até porque copiar e colar é uma prática comum em muitos blogueiros…

Admitamos que a língua portuguesa e suas regras seja um peteleco nos bagos, mas nós devemos ter um mínimo de boa vontade para tentarmos aprender suas nuances. Claro que, na prática, não dá pra querer usar as quatro regências do verbo “assistir”, e que realmente algumas regras acabam mesmo caindo em desuso, até mesmo na imprensa formal.

E por experiência própria, posso garantir que a maneira mais prática de se familiarizar com a ” última flor do Lácio, inculta e bela ” é lendo bastante. E escrevendo, também. E para mim acho que perderia mais tempo tentando verter meus pensamentos para algo tão esdrúxulo quanto essa linguagem cibernética.

Mas para facilitar a vida de fósseis como eu, caso o miguxês se torne obrigatório em um futuro próximo (pouco depois do homossexualismo compulsório), nos últimos dias foi divulgado um tradutor para miguxês , muito útil para quem ainda encontra dificuldades em ignorar a nossa gramática normativa nesse idioma que dói nos olhos e que se perpetua em blogs, fotologs fofuchos, páginas do orkut e perfis no twitter, categoria internética que se espalha mais rapidamente que aqueles bichos fofos de Jornada nas Estrela, os Pingos .

E antes que seja realmente acusado de elitista, ou pior, de alguém apontar algum erro de semântica, concordância, regência ou o caralho a quatro neste texto, não me jacto em ser perfeito ou correto. Certamente há algum erro crasso aqui ou em qualquer outro dessa humilde blodega. Infelizmente a patroa vetou minha proposta em contratar uma jovem estudante de letras fisicamente palatável para revisar meus textos.

P.S – Depois de ver o tradutor português-miguxês acima citado, creio que minha contribuição às letras virtuais será desenvolver um conversor Tourette para textos internéticos, capaz de transformar uma bula papal em um festival de impropérios de fazer corar a finada Dercy Golçalves.

Heroísmo Blogueiro

Nota do blodegueiro:Bem, com mais de um mês de atraso que posto esse texto. Pouco antes de conseguir acabá-lo o meu velho notebook pediu demissão sem aviso prévio e…Ah, vocês já sabem. Mas antes tarde do que mais tarde ainda.

O escritor americano Michael A.Banks recentemente escreveu 3 livros usando a mesma fórmula: entrevista a 30 personalidades relevantes das novas mídias, no caso os blogs, a web 2.0 e o marketing online.  Um desses trabalhos da editora americana Wiley originou o livro “Blogging Heroes”, que foi trazido ao Brasil pela editora Digeratti. A frase de capa desse livro é “As 30 maiores personalidades da blogosfera revelam o segredo do sucesso”. Não, não li o livro para aprender a transformar a modesta blodega num shopping mall virtual, nem tampouco como um manual de auto-ajuda, pois não tenho a mínima vocação ou paciência para ser problogger. Mas fiquei curioso em relação ao conteúdo do livro, que consiste em trinta entrevistas a blogueiros bem conceituados em língua inglesa. Coincidentemente, boa parte desses blogs fazem parte do portal Weblogs,inc, que foi comprado pela AOL em 2005. Desses, a maioria é sobre tecnologias, hardware, softwares, games e gadgets como o Joystiq, Engadget, The Unofficial Aplle Weblog e Download Squad. Há outros temas, como veículos (Autoblog ), dicas para pais (ParentDish), artigos de luxo (Luxist) e dicas para pequenos consertos (DIY Life).

Mas há outros blogueiros fora do cast da AOL, como o “blog mais popular do mundo” Boingboing, o blog de Chris Anderson The Long Tail sobre suas idéias acerca de segmentação de mercado que já foram publicadas em livro e o PostSecret, do artista plástico Frank Warren, que convida pessoas a enviarem postais com a revelação de algum segredo bem pessoal, publicando-os no seu blog. Uma variedade razoável de temas.

Infelizmente, um ponto fraco é que as entrevistas acabam se tornando curtas e um pouco repetitivas, com praticamente as mesmas perguntas a todos os entrevistados, com poucas variações, o que também torna algumas respostas repetitivas. Praticamente todos disseram a mesma coisa sobre a motivação para blogar, que o blogueiro seja apaixonado e tenha entusiasmo pelo tema escolhido, e que seja bem específico nesse tema para atingir determinado nicho, e que, por fim, tenha muito a dizer a respeito, para que o interesse não se esvazie rapidamente.

No caso da edição brasileira, outro aspecto negativo é a tradução. Para quem teve acesso ao texto original deve ter percebido muito mais erros de tradução, mas pelo contexto já dá pra perceber alguma coisa errada. Um dos mais gritantes foi traduzir “humor político” com “humor policial”.

Mas em um apanhado geral, as dicas dadas pelos blogueiros entrevistados podem ser resumidas da seguinte maneira:

- Saber aceitar críticas e reconhecer seus erros;

- Criar seu próprio conteúdo, e não simplesmente replicar;

- Não visar imediato retorno financeiro nem blogar tendo isso como objetivo final.

- Manter regularidade nas postagens, para segurar e garantir visitas

- Procurar responder a e-mails e comentários dos leitores, dedicando tempo e prioridade a tal atividade igual à de elaboração dos posts;

- Confirmar informações antes de publicá-las, mesmo que implique em perder um eventual “furo” ou a liderança na divulgação dos fatos;

- Não existe uma única “blogosfera”, e sim inúmeras, com suas tendências e idiossincrasias próprias;

- Ter paciência, pois o retorno raramente é imediato;

- Evitar postar apenas para aumentar a audiência de seu blog, preferindo postar sobre temas interessantes;

Se tais dicas por si só não lhe garantirem o sucesso, ao menos servem de norte para evitar alguns erros básicos. Nada de tão novo, apenas o uso do velho e bom senso e, no caso, da experiência obtida por estes decanos do ramo. Mas há outros pontos não tão óbvios ou convergentes apontados pelos entrevistados. Quase todos confirmaram que acompanham outros blogs, em média de 150 a 200, mas poucos são os que costumam comentar nestes, e os que comentam preferem comentar apenas quando há algo de relevante a acrescentar, assim o fazendo com pouca constância. Ou seja, nada de “gostei do teu blog, passa no meu”.

Em relação a estratégias de SEO, a tal da otimização para sites de busca, objetivando um incremento nas visitas, não há um consenso, e para surpresa de muita gente,  muitos afirmaram não se preocupar com isso, e que o que atrai visitas é conteúdo de qualidade e original, postado regularmente, algo que vai um pouco na contramão dos “manuais” e dicas para blogueiros que constantemente vemos pela Internet. Peter Rojas, do Engadget, não acredita em SEO, e Robert Scoble, do Scobleizer, defende que o bom conteúdo derruba o SEO. Alguns procuram equilibrar as técnicas básicas de SEO com bom conteúdo, e no geral foram poucos os que admitiram empregar essas técnicas, em maior ou menor grau. Deborah Petersen, do Life in de Fast Lane, começou a blogar como uma alternativa para melhor divulgar o site da empresa de transportes da família, a Fast Lane, e o próprio blog era uma técnica de SEO. Joel Comm, do joelcomm.com, emprega SEO justamente por seu site ser mantido inteiramente por publicidade, e inclusive ele escreveu o livro “The Adsense Code”, explicando como otimizar a exposição e retorno de anúncios. Grant Robertson, do Download Squad, apóia o uso de técnicas básicas e válidas, repudiando as técnicas “proibidas”, o chamado SEO Black Hat.

Quanto a ganhar dinheiro com o blog, outro ponto divergente. Entre os blogueiros, há quem privilegie os anúncios (joelcomm.com), outros os possui em pequena quantidade e estão tentando diminuir o número de anúncios (www.arstechnica.com), e alguns que nem cogitam por anúncios no blog (postcripts). Outra questão envolvendo ganhos é quanto a posts pagos ou patrocinados. Alguns até o admitem, desde que o blogueiro informe isso no post. No geral todos preferem manter uma independência quanto ao objeto do post, como por exemplo algum hardware, software, veículo ou equipamento a ser avaliado, evitando receber os itens a serem avaliados como presentes ou ganharem benefícios, tais como passagens ou estadias pagas, para garantir uma maior isenção na opinião.

O livro não traz nem promete nenhuma fórmula mágica para montar um blog bem sucedido e está longe de ser uma receita de sucesso para o blogueiro iniciante. Até porque se isso existir, quem souber não vai entregar o ouro tão facilmente. Como a maioria dos entrevistados já bloga desde a década de 90 alguns antes mesmo do termo “blog” ser cunhado, o que os torna pioneiros, alguns em suas respectivas áreas de postagem, isso significa que suas dicas talvez não valham tanto para alguém que inicia seu blog hoje, em um universo de milhões de blogs, muitos extremamente parecidos entre si. E, em última análise, o livro trata de blogueiros americanos, em sua maioria. É provável que uma versão brazuca do livro trouxesse um tempero diferente.

Não obstante suas limitações, o livro não deixa de ser um apanhado interessante sobre o fenômeno, ajudando a entender suas nuances e características.

Psicanálise Blogueira

freu e os blogs

A concepção de um blog pela análise freudiana

Superego – Olá, ego, estava passando por aqui perto e resolvi fazer uma visitinha…
Ego – Ih, lá vem bronca…
Superego – Deixe de coisa, você sabe que o que te falo é para o seu próprio bem. Vim te avisar que precisas fazer um regime. Ando observando que você anda muito inflado, muito cheio de si.
Ego – Agora a mona virou personal trainer, também?
Superego – Você entendeu o que eu quis dizer. O que está havendo?
Ego – Quer ver? Vai implicar comigo agora porque estou escrevendo em um blog.
Superego – Como assim, escrevendo para um blog?
Ego – Sim, escrevendo para um blog. Quer que eu desenhe o template para entender?
Superego – Olha a má-criação. Que moda é essa?
Ego – Eu preciso compartilhar com o mundo meu brilhante intelecto, minha cultura…
Id – E peitinhos!Coloca peitinhos!
Superego – A conversa não chegou na cozinha do inconsciente não, Id. Fica na tua. Já basta o ego trip do ego, você já quer acanalhar o blog com putaria.
Id – O superego é bicha! É bicha!
Superego – Bicha seu rabo.
Ego – Ei, superego. Você sabe que o Id não tem papas na língua. Tenha paciência com ele. E você não pode falar palavrão!
Superego – Quem regula alguma coisa aqui sou eu, ego! Vocês são quem não podem sair falando putaria por aí.  Para vocês, eu falo o que quiser. E por que diabos o Id ta tão agitado, Ego?
Ego – Deve ter sido porque estávamos vendo as fotos da Scheila Carvalho pelada, nua, sem roupa, despida…
Superego – Eu sei o que é isso, ego.
Ego – …Pois é, nua na Playboy. Desculpe, eu tava deixando bem claro porque eu sei que tu não és muito chegado…
Superego – Eu sou chegado, Ego, apenas gosto de um pouco de disciplina. Mas não mude de assunto não.Essa história de manter um blog só serve pra isso, mesmo. Daqui a pouco estarás viciado em comentários aduladores. Isso engorda, sabia?
Ego – Às vezes eu sinto que uma parte de mim foi criada por vó. Larga de ser fresco, super.
Superego – Bem, então vamos ver esse seu blog…Hum, você escreve demais.
Ego – Até que enfim, um elogio!
Superego – Não, não foi um elogio. Quero dizer que você escreve em excesso, é prolixo, redundante, cheio de floreios. Tu achas que na Internet o povo vai parar pra ler um texto de sete laudas?
Ego – Mas esse será meu diferencial. Um texto bonito, elaborado…
Superego – Seu diferencial é que teu blog não terá visitas, isso sim. A não ser a da senhora sua mãe, que deve achar tudo muito lindinho.
Ego – Não mete a minha mãe no meio, super.
Superego – E para de me chamar de super, cacete! Serei algum herói da Liga da Justiça? E vê se não se irrita. Pensei que já tínhamos superado essas paradas edipianas.
Ego – Que mane Édipo. Não quero comer minha mãe não, super. Isso é coisa de vienense viciado em cocaína. E você está errado, pois já tenho bastantes visitas e comentários.
Superego – É, estou vendo. E já vi que você ta apelando, escolhendo assuntos polêmicos e tomando um partido diferente da maioria e do senso comum. Que idéia fanfarrona é essa de fazer citações obscuras de pensadores desconhecidos do grande público só para mostrar sua suposta superioridade intelectual e humilhar seus interlocutores e leitores? Você sabe que eles estão certos!
Ego – Bem melhor que essa sua humildade auto-indulgente, coisa de veado. E além do mais, desde quando se precisa ter razão para se vencer uma discussão?
Ego2 – Isso aí.
Superego – E quem é esse?
Ego2 – Sou eu mesmo, que mudo de nome, entro nos comentários para me elogiar e para esculhambar os outros leitores. Também vou a outros blogs para ficar tirando onda. É divertido.
Superego – Danou-se. Agora teremos uma dupla personalidade?
Ego3 – Tripla, pra falar a verdade.
Superego – E tu, quem és?
Ego3 – Ora, sou um escritor fantasma. O blog deve parecer algo sério e cheio de articulistas e colaboradores. Passamos a impressão de que há mais de um autor do blog. É chique. Sou eu quem assina as matérias engraçadinhas como “Adamastor Andaluz”. Também ando pensando em por umas fotos de mulher pelada. Sabe, isso atrai visitantes…
Superego – Que nome ridículo. E que porra é essa, ego, de dividir em três?
Ego – Pois é, quem deveria se chamar superego sou eu, que valho por três.
Superego – Você poderia tomar uma para me nocautear. Pelo menos teria uma desculpa para fazer esses tipos de bobagens. E sabe o que esse blog precisa? De um Ombudsman, para regular esses excessos.
Ego – Ombudsman deve significar “cara chato do caralho”, em esperanto.
Superego – Não, significa “se não andar na linha eu te enquadro, cazzo” em javanês. Vamos pôr ordem na casa. E nada de mulher pelada. Se quiser manter um blog, mantenha. Mas que seja algo sério.
Ego – Tu és bicha, superego? Eu tenho quase certeza que tu é fresco.
Id – Ele está tendo um caso com o inconsciente coletivo! Ele dá pra todo mundo! Mulherzinha!
Superego- Fique quieto, Id, senão o reprimo por desacato a autoridade, e aí você fica sem ver a luz do sol por uns seis meses. E você, ego, posso te providenciar um complexo de inferioridade ou um sentimento de culpa se não andar na linha. Pode escolher.
Ego – Suas ameaças não me assustam. Pode ir você, Freud e a psicanálise todinha esfregar o rabo nas ostras. Eu tomo Prozac, não sinto culpa. Rerê. Lalalalá…
Superego – Não me provoque, ego.
Ego – Superego não é de nada…
Superego – Terei que apelar, então. Sabe o que farei? Vou convencer o Id de que a homossexualidade é uma opção viável.
Ego – Brincadeira tem hora, super.
Superego – Brincadeira? Brincadeira é o que farão com sua bunda assim que você não conseguir segurar a vontade de dar ré no quibe que o Id terá depois que eu conversar com ele. Despertarei nele seus instintos mais primitivos.
Ego – Super, você tem um nome a zelar. Deixe de onda.
Superego – Ta nervozinha, santa? Você tem um nome a zelar e eu sou o responsável. Mas já que você quer esculhambar, que seja uma esculhambação completa.
Ego  – Acho que vou querer trocar de superego…
Superego – Se quer alguém que seja conivente com suas viagens, procure a sua mãe. Ou seja, vá pra puta que pariu!
Ego – Já te falei pra não meter minha mãe no meio!
Superego – Quem, aquela gostosa?
Ego – Ah, agora sei quem é que tem complexo de Édipo aqui! E quer saber? Desisto do blog! Cara mais chato!
Superego – Até que enfim algo sensato.
Ego – Acho que vou fazer um fotolog. Vê só meu bíceps, meu abdômen bem definido…
Superego – Agora lascou. Pelo menos aprenda a usar o Photoshop pra disfarçar essa sua barriga de cerveja.
Id – Mostra a bunda, mostra a bunda!
Superego e Ego – Vai te lascar, Id!

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