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Como um Bando de Porra-Louca Salvou Hollywood do Buraco

Se você não estava no último fim-de-semana enchendo a cara de cerveja ao som de SteppenWolf com certeza ouviu dizer que o velho ator Dennis Hopper morreu vitimado pelo câncer de próstata, o que não deixa de ser uma piada cósmica, considerando seu histórico de bebedeiras, abusos com drogas, pés na jaca envolvendo violência doméstica e armas de fogo, que poderiam ter feito o serviço sujo décadas antes. Mas esqueçamos as ironias, pois não deixa de ser de um simbolismo triste sua morte neste momento no qual tanto se fala sobre a (fata de) qualidade do cinema americano, pois ele foi um dos responsáveis pelo divisor de águas na história de Hollywood com o filme “Sem Destino”, que inaugurou uma era do cinema americano que é considerada a mais fértil artisticamente falando. Esse período criativo da indústria de entretenimento americana é tema do livro “Easy Riders, Raging Bulls”, do jornalista Peter Biskind. Na época que foi lançado, lá pelos idos de 1998, a revista “Set” fez uma ótima matéria sobre este período retratado pelo livro, mas ele permaneceu inédito em português por muito tempo e só saiu no fim do ano passado com o título “Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’N'Roll Salvou Hollywood”, e imediatamente o adquiri e o li de forma viciante. Na verdade eu pretendia escrever esse texto há meses, mas foi preciso alguém morrer para que eu tomasse uma atitude. Valeu, Dennis Hopper! Agora senta que lá vem história!

Apesar de “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas” ser citado como o primeiro filme que indicou o caminho que a Meca do Cinema seguiria na década seguinte, o que realmente é o marco inicial é o filme “Sem Destino”, com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, que foi produzido e filmado por um bando de porra-loucas, dirigido pelo próprio Dennis Hopper, custado uma ninharia e rendido uma grana preta de retorno para uma produtora independente – a BBS de Bert Schneider, Bob Rafelson e Steve Blaumer. E veio em boa hora, já que o velho sistema de estúdios de Hollywood agonizava desde o pós-guerra e no fim dos anos 60 teve a pior arrecadação de sua história. Grandes empresas estavam comprando os estúdios e tentando transformar aquilo num negócio puramente rentável. Mas para surpresa das raposas velhas dos estúdios e dos novos executivos, a porralouquice parecia ser lucrativa, e o sangue novo que estava surgindo mostrou o novo caminho para que o público voltasse a lotar as salas de cinema, e ainda por cima produzindo obras de qualidade artística comparável ao que o cinema europeu e seu “cinema de autor” já fazia. Foi uma época que os diretores, antes meros funcionários pau-mandados dos donos de estúdio e produtores, tomaram o poder em suas mãos e conseguiram por em prática suas ideias, sonhos, visões e conceitos. E, de acordo com Peter Biskind e muitos cinéfilos, foi a época mais criativa do cinema americano, quando o cinema mainstream produzia filmes de inegável qualidade artística e com retorno de bilheteria, o melhor de dois mundos. Esse paraíso na terra dos cinéfilos teve seu alfa e ômega: os filmes “Sem Destino” e “Touro Indomável”, daí o título do livro – “Easy Riders, Raging Bulls”. E é esse período entre 1969 e 1980 que Peter Biskind explora com riqueza de detalhes, dando nomes aos bois envolvidos, sejam eles atores, roteiristas, diretores, produtores ou críticos.

Nos anos 70, os diretores novos invadiram à força o território dos produtores e tiveram respaldo devido à recepção do público e elogios da crítica, sendo a renomada crítica Pauline Kael a maior divulgadora e defensora desse novo movimento junto à imprensa, movimento este que trouxe diretores como Martin Scorcese, Francis Ford Copolla, William Friedkin, Peter Bogdanovich, Roman Polansky, Michael Cimino, Robert Altman, Mike Nichols e John Boorman, todos com total liberdade criativa e financeira.

Mas a pesquisa e narrativa de Biskind não se resume à trajetórias artísticas e detalhes de produção, pois suas entrevistas e pesquisas trouxeram à tona um mosaico comportamental daqueles tempos da “Nova Hollywood”. Em suma, o subtítulo “Geração Sexo, Drogas e Rock’N'Roll…” é devidamente justificado. E tal crônica não poupa ninguém e não deixa nenhum esqueleto quieto nos armários. O lado negro é mostrado sem muito pudor, e o que se conclui após se ler este livro é que praticamente todos os envolvidos tinham algum vício em drogas, alguma perversão sexual mal resolvida, um ego maior que a tela de cinema IMAX, algum episódio de infidelidade conjugal ou era simplesmente um grande filho da puta. E quando falo todos, isso inclui atores, produtores, roteiristas e o escambau. Só faltou o lanterninha e o pipoqueiro. E muitos preenchiam todos estes requisitos simultaneamente. A grande maioria era viciada em cocaína, maconha ou alguma outra droga sintética, e pelo que lemos podemos concluir que só Hollywood deve ter sido responsável por triplicar o PIB colombiano devido ao seu consumo de pó nos anos 70. O que poderia ser um exercício de mero sensacionalismo é bem embasado, já que ele deixa bem claro quando as versões de um mesmo fato narrado pelos envolvidos não bate.

Os únicos que são poupados neste aspecto são George Lucas e Steven Spielberg, que são mostrados como nerds, na pior acepção da palavra. Mas especificamente Lucas, que é “acusado” de ter “traído o movimento” para se tornar um cineasta meramente comercial, alguém que sucumbiu ao lado negro da força. E sobra para a então esposa de Spielberg, Amy Irving, descrita como manipuladora e interesseira.

Mas nem tudo são flores. Com tanta liberdade, dinheiro, ego e pó, muitos diretores acabaram se excedendo e cometendo desvarios e absurdos em nome de seu “cinema autoral”. Ao lado de sucessos como “Operação França”, “O Exorcista”, “O Franco Atirador”, “A Última Sessão de Cinema”, “Amargo Pesadelo” ou “Chinatown”, surgiram muitos filmes que não deram em nada ou se tornaram fracassos retumbantes. O próprio Dennis Hopper, embriagado pelo sucesso de “Sem Destino”, embarcou em um projeto pessoal no filme “The Last Movie”, que foi um total fracasso, não obstante ter ganho o Premio da Crítica no Festival de Veneza. Outros diretores com o ego – e narizes – inflados cometeram seus filmes que, por excessos e preciosismos, acabavam estourando o orçamento e nem sempre recuperavam o investimento, e quase sempre causava úlcera nos produtores. Friedkin, após o sucesso de “O Exorcista” e “Operação França”, resolveu refilmar o filme francês “O Salário do Medo” como “O Comboio do Medo”, decuplicando o orçamento e dando com os burros n’água. Francis Ford Copolla resolve transpor “O Coração das Trevas” para a Guerra do Vietnã, filmando em plena selva das Filipinas na época das chuvas e torturando a equipe com suas megalomanias, o que custou meses de filmagem, uma fortuna para manter a logística e reconstruir cenários destruídos por furacões, além de um ataque cardíaco em Martin Sheen antes de “Apocalipse Now” ficar concluído. Tais fracassos serviram apenas como munição para os executivos tomarem o poder nas suas mãos mais uma vez, e a gota d’água foi “O Portal do Paraíso”, de Michael Cimino, que conseguiu a proeza de levar o orçamento para 44 milhões para uma bilheteria de um pouco mais de um milhão de doletas, o que deixou a United Artists no buraco e a levou à falência. Neste mesmo ano Scorcese lançou “Touro Indomável”, que também foi um fracasso de público e tirou toda a credibilidade do diretor junto à indústria. O resumo desta orgia foi que muitos diretores se queimaram e alguns levaram anos para se recuperar, enquanto outros jamais voltaram a ter a mesma credibilidade. Alguns tiveram que se “vender”, associando seu nome a projetos sem tanto valor artístico para voltarem à direção. Alguns ainda esperam a chance de produzir sua obra definitiva.

Nesse meio tempo os dois “nerds” acabaram se tornando os responsáveis pelo cinema americano como conhecemos hoje. Enquanto Lucas estava associado a Copolla e aguardando uma chance na produtora malsucedida Zootrope, o sucesso lhe chegou após “Loucuras de Verão”, e “Guerra nas Estrelas”, que trouxe novidades como o licenciamento de produtos e a participação nos lucros. A contribuição de Spielberg foi com “Tubarão”, que se tornou o primeiro filme a usar a publicidade na TV em larga escala, algo impensável anos antes. Após estes filmes, a indústria mudou consideravelmente. Se antes os filmes eram lançados aos poucos, com temporadas curtas em cada local, levando-se semanas ou meses para se aferir o verdadeiro retorno do filme, se tornou praxe o lançamento simultâneo em larga escala, por vezes mundial, com a estreia em uma sexta-feira muitas vezes selando o destino do filme e mostrando se ele será um sucesso ou fracasso. Nasciam os blockbusters.

Com os executivos novamente dando as cartas, a indústria de cinema americana foi se tornando apenas uma fábrica de sucessos com retorno garantido sem muita prioridade para os aspectos mais artísticos. Roteiros são modificados apenas para se vender mais produtos licenciados, diretores seguem fórmulas prontas e produtores enchem filmes com efeitos mirabolantes e cenas de ação. Até mesmo o segmento do cinema independente que se mantém até hoje se tornou sinônimo de filmes cult para um público mais restrito,e até estes costumam seguir fórmulas. Hoje diretores talentosos que conseguem levar seus projetos adiante são raros, uma espécie de exceção que comprova a regra. E a cada ano que se passa o orçamento dos filmes se multiplica, já que envolvem pesados esquemas de divulgação e gastos com caríssimos efeitos especiais e digitais de última geração. O autor do livro o conclui com uma nota melancólica sobre estes novos tempos e sobre o destino de muitos dos responsáveis pela revolução artística dos anos 70, pontuando tudo com a descrição dos últimos dias do diretor Hal Ashby.

Considerando que este livro foi escrito no fim dos anos 90, podemos avaliar que hoje a indústria ainda está pior, pois nunca antes se adaptou ou se reaproveitou tanto material antigo, denotando uma óbvia falta de vontade de se apostar no criativo e no novo, se preferindo investir na nova onda salvadora da indústria, o 3D digital. Os lucros podem até estar nas nuvens, mas há o prenúncio de uma crise de criatividade forte, além do desafio de se lidar com a pirataria digital e a distribuição de filmes via Internet. Ler esse livro pode dar uma ideia de como as coisas chegaram a este ponto, e recomendo enfaticamente a qualquer um que goste de cinema.

Um adendo: Há um documentário baseado neste livro que foi lançado em 2003. Não sei se já passou em algum canal por assinatura da TV brasileira, mas seu DVD não chegou ainda por estas terrinhas.

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Espetáculo de Velhas Novidades

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Com toda esta conversa sobre a suposta revolução tecnológica promovida pelo filme “Avatar”, estava lembrando as outras “revoluções” técnicas anteriores que aconteceram em Hollywood, as quais foram criadas e implementadas mais como uma tentativa de atrair o público e tentar reverter a queda na arrecadação com bilheteria…Hã, eu acho que já falei isso antes, mas agora é (quase) sério, já que é óbvio para todos que essa nova tecnologia 3D está aí para combater o inimigo da vez que ameaça o cinema: a distribuição digital dos filmes e a pirataria. Se hoje o que faz os produtores arrancarem os cabelos são os DVD’s piratas vendidos pelos camelôs ou a distribuição de filmes pela Internet antes mesmo deles chegarem às salas de cinema, a indústria de filmes enfrentou coisas piores no passado, e nem por isso morreu, apenas se adaptando à nova realidade. Se olharmos em perspectiva a evolução do cinema americano, desde que os estúdios se mudaram de Nova Iorque e se estabeleceram na Califórnia que novas tecnologias foram tornando o cinema mais atrativo. Alguns desses avanços foram incorporados paulatinamente, outros foram vendidos como grandes inovações para aumentar a bilheteria frente a alguma ameaça ou concorrência ao cinema. Alguns  foram incorporados, outros demoraram a ter aceitação total e muitos não vingaram ou foram suplantados por técnicas mais modernas.
Por exemplo, lembremos do som. A era dos grandes estúdios foi consolidada em cima do cinema em preto e branco e mudo durante os anos 20, mas no fim desta década o som já começava a desempregar os músicos que tocavam durante a projeção, sendo o primeiro a usar uma trilha sonora gravada em discos para acompanhar o filme foi “Don Juan,” de 1926, uma aplicação da tecnologia Vitaphone, que permitia sincronizar o som com o filme. Já no ano seguinte a Warner lançou “O Cantor de Jazz“, considerado o primeiro filme falado, que empregava trilha sonora e alguns diálogos, aplicando o sistema desenvolvido pela Western Eletric, o qual teve rápida aceitação entre os estúdios. O advento do som no cinema provocou grandes mudanças e desempregos, desde os músicos necessários em cada sala de projeção quanto os letreiristas que “escreviam” os breves diálogos que eram exibidos entre as cenas, até atores e atrizes que, por conta de problemas de dicção ou sotaque se viram sem carreira do dia pra noite, como a húngara Vilma Banks ou o estridente John Gilbert. Mas criou uma demanda por roteiristas de talento que escrevessem diálogos e histórias que atraíssem o público, e na década seguinte o cinema amadureceu, com o nascimento dos musicais. Mas nem todos aderiram de pronto a novidade. Charles Chaplin relutou em adotar a nova tecnologia, e só o fez de forma plena em “O Grande Ditador“, de 1940, quando seu sucesso já era inegável.
Outra tecnologia bem sucedida foi o cinema em cores. Mesmo o crack de 1929 não afetou tanto a indústria de cinema, que se recuperou da crise econômica, mas a Grande Depressão fez diminuir a arrecadação com bilheterias, e fez surgir os filmes “B” para sessões duplas, como chamariz para mais público pagante. A grande novidade tecnológica da década era o cinema em cores através do Technicolor. A tecnologia começou a ser criada ainda nos anos 1910, mas só se mostrou promissora e adequadamente desenvolvida nos anos 1930. Mesmo quando a empresa Technicolor Motion Picture Corporation conseguiu aperfeiçoar a tecnologia, utilizando as três cores, os estúdios não aderiram em massa, principalmente devido aos custos de se filmar nesta técnica. Inicialmente adotado mais em animações, como as de Walt Disney, foi necessário esperar o fim da década para uma maior aceitação da técnica. O primeiro longa-metragem live-action a empregar a a técnica das trễs cores foi “Vaidade e Beleza”, de 1935. O ano de 1939, um dos mais prolíficos deste tempo e que legou clássicos às gerações seguintes, teve duas grandes produções que se tornaram ótimos veículos para as cores: “E O Vento Levou” e “O Mágico de Oz“, este último combinando imagens monocromáticas com as coloridas. Aos poucos as produções aderiram as cores, mas a fotografia em preto e branco nunca foi totalmente abandonada, voltando a ser utilizada esporadicamente.
Já outras tecnologias não tiveram tanta aceitação para garantir tanta longevidade quanto as cores e o som tiveram. Nos anos 40 não houve o surgimento notável de nenhuma tecnologia nova, apenas a consolidação das já desenvolvidas. No pós-guerra, os estúdios começaram a sentir um decréscimo na arrecadação de bilheteria, algo que piorou nos anos 50 com a televisão invadindo grande parte dos lares americanos, oferecendo entretenimento gratuito às famílias. O cinema sentiu o baque, pois parafraseando um produtor daqueles tempos, se as pessoas podiam ver lixo de graça, porque pagariam para vê-lo? A TV se tornou “o adversário”, já que ameaçava a galinha dos ovos de ouro dos estúdios, que por mais que esperneassem, tiveram que dar adeus a sua era de ouro dos anos passados. E nesse clima de desespero e concorrência que Hollywood voltou a investir em tecnologia para inovar seus filmes. E uma das novidades foi o emprego de técnicas 3D em suas produções, também conhecida como Natural Vision. O primeiro filme foi “A Sombra e a Escuridão“, de 1952, que prometia ao público um leão em seu colo. Mas a tecnologia, mesmo sendo empregada em diversas produções, não era madura o suficiente para produzir resultados satisfatórios ou regulares. Se comparado a atual tecnologia 3D digital, o 3D destes tempos produziam imagens com cores irregulares e causavam desconforto visual ao público, obrigado a usar aqueles óculos de papelão e plástico celofane. Vendido como uma novidade tecnológica e usado de maneira indiscriminada por Hollywood, a novidade teve um “boom” de público breve, sendo considerada a “era de ouro do 3D” o período entre 1952 e 1955, no qual se produziu cerca de 30 filmes por ano em 3D. Alguns destes filmes seriam relançados de forma “convencional” pouco depois quando o modismo esfriou. Antes das atuais tecnologias, o 3D voltaria de forma esporádica nos anos 60, 70 e 80.
Além do 3D, frente à concorrência com a televisão, outras tecnologias lançadas nos anos 1950 foram o Cinerama , que empregava telas curvas com quase 180 graus, som estéreo e 3 projetores para passarem a sensação espacial do filme, o Todd-AO, que usava películas de 70mm e seis canais de som estéreo e o VistaVision, no qual o filme em 35mm era rodado na vertical, conseguindo uma qualidade fotográfica superior sem distorção da imagem. Mas entre as inovações da década que efetivamente “pegaram” uma delas foi o Cinemascope, não obstante seu custo total. Basicamente a imagem era distorcida e alongada com o uso de lentes anamórficas, ocupando toda a tela do cinema e obtendo uma largura com quase o dobro obtido por filmes 35mm convencionais. Isso impulsionou produções épicas, grandes espetáculos visuais, como “O Manto Sagrado“, primeiro filme que empregou esta técnica, a qual foi licenciada pela Fox aos demais estúdios, com exceção da Paramount, que já usava o processo VistaVision, lançando em 1954 o filme “Natal Branco” neste formato. Apesar de relativa aceitação, tais formatos se tornariam obsoletos nos anos seguintes, sendo substituídos por técnicas mais avançadas, como o Panavision.
Mas nem toda a tecnologia e inovação salvou o regime vigente desde os anos 20, e o tempo dos grandes estúdios chegou ao fim no inicio dos anos 60. Reivindicações trabalhistas por parte de roteiristas e atores, além da concorrência dos filmes europeus só pioravam a situação, e os outrora grandiosos estúdios, que mantinham grandes cadeias de cinemas, foram adquiridos por multinacionais e se tornaram apenas meras empresas entre tantas em conglomerados financeiros. A face de Hollywood mudava para permanecer igual, ou quase. E até o fim dos anos 70 o que realmente se inovou foi na qualidade dos roteiros e na liberdade artística dada aos diretores, antes meros funcionários a serviço dos produtores. Mas entre as obras-primas desta época ainda havia espaço para experimentalismos técnicos, sendo alguns explorados pelo marketing do filme. Nos anos 70, auge do cinema-catástrofe, “Terremoto” prometia passar a sensação dos tremores através do sistema de som Sensurround, desenvolvido pelos estúdios Universal, o que seria o equivalente acústico em 1974 ao estardalhaço que “Avatar” está produzindo hoje. Mas poucos filmes subsequentes adotaram este sistema de som, que quase derruba alguns velhos cinemas com sua intensidade sonora, principalmente nos sons graves, além de interferir no som de salas adjacentes exibindo outros filmes. Na prática, o padrão de som que passou a ser ditado nas produções atendia pelo nome de Dolby, que aos poucos começou sua hegemonia técnica justamente nos anos 70, evoluindo até os sistemas de som digitais utilizados hoje.
E qual a moral da história? Aí você decide se a tecnologia 3D vingará e mudará a forma como vemos filmes, sendo a salvação da indústria ou se é apenas um modismo passageiro, e caso Hollywood queira realmente continuar vendendo filmes que passe a ser mais ousada e aposte em histórias criativas que não ofendam a inteligência do público.
Update: Até James Cameron está reclamando do modismo 3D (via Ambrosia)!
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O Namoro Conceitual Entre Cinema e Quadrinhos

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Alguns instantâneos desse troca-troca de idéias

Nota: Este texto foi mais um dos que publiquei nos tempos do Busilis, para participar do Carnaval de Quadrinhos das Quartas, cujo tema era cienma e quadrinhos. Ao invés de falarmos sobre uma adaptação específica, resolvemos abordar, de um modo geral, o uso da linguagem dos quadrinhos no cinema.

O flerte entre artes é algo comum, principalmente entre cinema e outras artes. Com o advento do cinema foi pura questão de tempo para que clássicos da literatura universal fossem levados às telas, e até hoje livros clássicos ou best-sellers do momento são transpostos à tela grande. Com quadrinhos a relação poderia ser até mais íntima, já que ambas utilizam essencialmente uma linguagem visual. Não obstante, mesmo sendo duas artes que nasceram praticamente ao mesmo tempo (fins do século XIX) e com o aspecto visual em comum, nem sempre se considerou a relação entre ambas como algo legítimo ou com status digno de arte, já que nos EUA em questão de décadas o cinema se tornou lucrativo e respeitável, bem antes dos quadrinhos. Estes demoraram bem mais a ganhar reconhecimento na terra do Tio Sam, apesar de serem uma fonte de lucro desde seus primeiros anos. Mesmo que nos anos 40 vários personagens de quadrinhos e pulps tenham sido levados às telas em formato de seriados, isso estava longe de ser algo considerado “artístico” realmente. Pelo contrário, quase ninguém via algo além do que diversão barata e descartável nas comics. Na verdade, a relação cinema-quadrinhos tinha um quê de clandestino, como um encontro entre amantes às escondidas num motel barato. E isso piorou quando, nos anos 50, os quadrinhos americanos sofreram perseguição e censura sob a alegação de que influenciavam negativamente os jovens.

Mas como levar a sério uma arte conhecida como “comics”? Pelo menos isso não foi problema em outros países, onde os quadrinhos tinham outro nome que não remetia a algo pouco sério. Na Europa, nos anos 60, os quadrinhos já começaram a ser direcionados a um público mais maduro e se tornar uma arte mais séria. E antes dos “comics” americanos ganharem seriedade sob o nome “Graphic Novel”, outros cineastas estrangeiros assumiam sua relação com a chamada nona arte. Para citar dois ícones do cinema, Akira Kurosawa e Frederico Felini conheciam os quadrinhos e sua linguagem característica, e ambos usavam o recurso de storyboard, que é o desenho em sequencia das cenas a serem filmadas. Aliás, consta que os dois diretores desenhavam os próprios storyboards. Fellini em especial era confesso admirador dos quadrinhos. Uma de suas aspirações era transpor o personagem Mandrake, de Lee Falk, para as telas. Mesmo não sendo possível, Fellini deu seu jeito, transformando Marcelo Mastroiani em Mandrake durante uma cena do filme “Entrevista”. Outra de suas frustrações também rendeu outra bela obra: “Viagem a Turim”, o álbum belamente desenhado por Milo Manara, é baseado em um roteiro não filmado de Fellini, tendo ele e Mastroiani como personagens da história.

Um Círculo Virtuoso

Sabemos que nos States os quadrinhos começaram a ser levados a sério realmente em fins dos anos 70 e no decorrer da década de 80. Antes disso um dos únicos artistas que via o potencial dos quadrinhos praticamente desde seu nascimento, Will Eisner, procurava transcender o lugar-comum do gênero. Uma de suas obras-primas, “Spirit”, já era uma aplicação da linguagem do cinema nos quadrinhos, já que os enquadramentos, closes e seqüências que Eisner usou nessa e em outras obras são realmente cinematográficas. O próprio personagem, mesmo sendo um herói mascarado, estava mais para um Phillip Marlowe do que para o Super-Homem ou Batman, sendo inspirado nos filmes Noir que surgiram nos anos 30 e 40, por sua vez adaptados dos livros policiais de Dashiel Hammet e Raymond Chandler. Por tabela, a arte de Eisner influenciaria muitos desenhistas, e um seguidor do estilo de Eisner é Frank Miller, que desenhou e escreveu “Batman – O cavaleiro das Trevas”, um divisor de águas do gênero. Miller utilizou como recurso narrativo usar a TV e programas jornalísticos dentro da história como contraponto narrativo, complementando a trama, algo que já era visto na série “American Flagg!”. Tal recurso foi utilizado por Paul Verhoeven em “Robocop”, de 1987. Tanto que Frank Miller foi convidado para ser roteiristas das duas seqüências do filme. Infelizmente o resultado não foi tão bom quanto uma boa história de Miller, já que seu roteiro não foi integralmente aceito, sendo modificado e mutilado, e isso afastou Frank Miller de Hollywood quase que em definitivo.

Escaldado das sandices de Hollywood, Frank Miller dificilmente se envolveria no projeto de um outro filme. Mas o comparsa de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, estava decidido a levar a série Sin City, também inspirada no cinema Noir, da maneira mais fiel possível, e estava decidido a enfiar Miller no projeto de todo jeito. Mas para convencê-lo, Rodriguez teve que filmar uma sequencia de cenas e mostrar a Frank, que gostou tanto que acabou se tornando co-diretor do filme que adaptou quatro histórias da série em quadrinhos. “Sin City- A Cidade do Pecado” é um marco na relação cinema-quadrinhos, pois é a mais fiel adaptação já levada às telas. Não só fiel à história, mas o que se vê na tela é uma transposição literal do que se vê nos quadrinhos.

Com o sucesso de “Sin City”, outro trabalho de Miller sofreu o mesmo tratamento para ser transposto “ipsis literis” para a tela. Em “300″, a maioria das cenas foram levadas como estavam nos quadrinhos, com a fotografia lembrando os tons pastéis das aquarelas de Lynn Varley. A história foi um pouco alterada pelo diretor Jack Snyder, não a deixando tão literal quanto “Sin City”, mas o resultado em termos de transposição é quase o mesmo. E com Miller de volta aos cinemas, o ciclo iniciado com Will Eisner se fechou, de certa forma, pois Frank Miller adaptou o personagem “Spirit” para um longa-metragem lançado no inicio de 2009.

A propósito, para finalizar essa referência ao mestre Eisner, o cinema nacional já lhe rendeu uma bela homenagem no filme “Cidade Oculta”, de 1986, que mesmo com nossos recursos limitados, é claramente inspirado no universo de personagens de “Spirit”.

A Vingança dos Nerds


mallrats.jpgNo decorrer da década de 80 e 90, diretores que assumidamente liam e entendiam de quadrinhos e cultura pop em geral foram aos poucos “saindo do armário”. Anos antes do “boom” das adaptações cinematográficas dos quadrinhos, o diretor Sam Raimi fez a melhor adaptação de um personagem de quadrinhos até então: “Darkman – Vingança sem Rosto”. O detalhe é que esse personagem não existia nos quadrinhos, mas a linguagem adotada e o personagem eram comics puro, e nesse filme ele mostrou o quão viável era transpor a linguagem das HQ´s para as telas. Tanto que, muitos anos depois, Sam Raimi se tornaria diretor da franquia baseada em quadrinhos mais bem-sucedida dos anos recentes: o Homem-Aranha.

Outro diretor “nerd” é Kevin Smith seguiu um caminho inverso ao de Frank Miller, começando a escrever para o cinema para depois ir aos quadrinhos. O ex-balconista já escreveu diversos filmes, como “O Balconista”, “Procura-se Amy”, “Barrados no Shopping”, “Dogma” e “O Império do Besteirol Contra-Ataca”. Grande conhecedor de cultura pop, Kevin usa e abusa de citações a esta cultura, incluindo os quadrinhos. Tanto que dois dos personagens que aparecem com freqüência em seus filmes é uma dupla de criadores de comics, vividos por Ben Afleck e Jason Lee. Há até a aparição do próprio Stan Lee em “Barrados no Shopping”. Essa bagagem lhe credenciou a escrever um roteiro para um filme do Super-Homem, baseado nas sagas “A Morte do Super-Homem” e “O Retorno do Super-Homem” em 1997. Caso as ideias de Kevin realmente se realizassem, o resultado seria um senhor filme baseado em quadrinhos. Mas o diretor Tim Burton e os produtores tentaram mutilar o roteiro e descaracterizar tanto o personagem que, por obra e graça divina, o projeto nunca saiu do papel. Depois Kevin Smith escreveria alguns roteiros de quadrinhos, como a série “Demolidor” e uma minissérie do Homem-Aranha e Gata Negra.

Quentin Tarantino, que surgiu no meio dos anos 90 como grande promessa criativa do cinema americano, é outro diretor que adora citar a cultura pop em seus trabalhos, abrangendo desde música até filmes de ação dos anos 70, passando, obviamente, por quadrinhos. Um de seus primeiros roteiros, que resultou no filme “Amor à Queima-Roupa”, tem como personagem um balconista de comic shop que se envolve com uma prostituta e se envolve em uma violenta jornada, lembrando bastante os quadrinhos de “Torpedo”. Seu pitaco (não creditado) no roteiro de “Maré Vermelha” enfiou o inusitado diálogo de dois marinheiros do submarino USS Alabama brigando pra decidir qual Surfista Prateado seria o melhor, o desenhado por Moebius ou o original de Jack Kirby. Mas sua maior influência dos quadrinhos é vista em “Kill Bill”, cujas cenas remetem à violentos mangás e animes, além dos filmes de artes marciais de Honk-Kong.

Outro grande exemplo de filme influenciado por quadrinhos é o desenho em CGI da Pixar, “Os Incríveis”. Mesmo não adaptando nenhum personagem existente em comics (apenas se inspirando no Quarteto Fantástico), o longa é uma grande homenagem aos super-heróis dos quadrinhos, usando e parodiando os clichês e situações, e aborda um tema que já é comum nos quadrinhos: o medo da população aos super-poderosos e a necessidade de controlá-los ou registrá-los, algo visto sob vários enfoques em obras como “Watchmen”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e mais recentemente na saga da Marvel “Guerra Civil”. É hilária as observações da estilista de uniformes, Edna Moda, ao desaconselhar o uso de capas nos trajes dos super-heróis.

M.Night Shyamalian, após o sucesso de “O Sexto Sentido”, escreveu e dirigiu “Corpo Fechado” em 2000, que nada mais é do que a transposição da clássica história de super-herói mas com uma linguagem e abordagem mais dramática. Está tudo lá: a descoberta casual dos poderes, a tragédia pessoal do herói e até o arqui vilão, só que de uma forma que foge aos padrões quadrinísiticos. Mesmo não sendo tão bem compreendido pelo público não iniciado nos quadrinhos, não deixa de ser um exercício criativo interessante. Uma série de sucesso que segue essa fórmula é “Heroes”, que atualmente está em sua quarta temporada.

E hoje, com tanta adaptação sendo levadas às telas do cinema, a linguagem dos quadrinhos está se tornando mais popular, conhecida e utilizada, e a relação cinema-quadrinhos está abençoada e santificada, de papel passado e legitimada. Com uma geração de diretores e roteiristas que realmente curte e entende de quadrinhos, bem como de roteiristas e desenhistas que conhecem e eventualmente se inspiram no cinema, ambos podem entrar pela porta da frente sem precisar para encontros mais clandestinos.



Intrigas de Estado: jornalismo às antigas

2009_state_of_play_002.jpgFilmes sobre jornalismo costumam dar resultados variáveis, a depender da abordagem adotada. Normalmente o protagonista central vai até as últimas consequências para revelar a verdade ao público, arriscando a vida ou a reputação, como em “Todos os Homens do Presidente“, de Alan J.Pakula, ou é um escroto de marca maior para o qual a verdade é um mero detalhe a se adequar às necessidades da linha editorial, me ocorrendo diversos exemplos de filmes que adotam essa linha, sendo o escroto Chuck Tatum do excelente “A Montanha dos Sete Abutres“, de Billy Wilder, o primeiro exemplo que me ocorre, e passando por outros filmes, como “Ausência de Malícia” ou “Quinze Minutos“. Há ainda aqueles que satirizam e expõe ao ridículo certos arquétipos do jornalismo ao mesmo tempo em que o homenageia, como “A Caçada“, com Richard Gere.

Ontem finalmente assisti em DVD ao filme “Intrigas de Estado“, do diretor Kevin MacDonald, de “O Último Rei da Escócia”, e ao realizar este filme (baseado em uma série da BBC), MacDonald preferiu seguir a primeiro exemplo que citei. Aliás, o filme inteiro parece fazer referência ao clássico de Pakula sobre o escândalo Watergate, com direito a participação especial do edifício Watergate como cenário de mais uma conspiração política.

A história começa com um assassinato de um viciado nas ruas de Washington, que começa a ser investigado pelo veterano repórter Cal McAffrey (Russel Crowe), um digno representante da velha guarda jornalística, sem maiores preocupações financeiras ou estéticas, mas com contatos e informantes em todos os lugares necessários para se obter a informação que precisar. Seu contraponto é a jovem repórter Della Frye (Rachel McAdams), que edita o blog do “Washington Globe” alimentando-o com notícias e matérias mais imediatistas e sensacionalistas, e está cobrindo o suposto suicídio de uma funcionária do Congresso, assistente do político em ascensão Stephen Collins (Ben Afleck), e o episódio revela um suposto romance extraconjugal entre ambos. Coincidentemente, o congressista é amigo de faculdade de McAffrey, e este já teve um caso com a esposa do colega. Não preciso falar que o assassinato investigado por MacAffrey está relacionado com a morte da amante de Collins, ambos ligados a uma conspiração envolvendo a privatização de serviços militares e de segurança investigados no congresso e envolvendo bilhões de dólares.state-of-play-2.jpg

A editora do Washington Globe, Cameron Lynne (Herren Miller) oscila entre o jornalismo investigativo e bem trabalhado do veterano repórter e o imediatismo e superficialidade exigido pelos novos acionistas do jornal. O roteiro trabalha bem a conspiração, sem cair nos clichês inverossímeis do tema, e ainda abordando de forma sutil o dilema entre a “velha escola” de jornalismo e o modelo de jornalismo dos tempos de Internet e blogs. O personagem do Russel Crowe é mostrado como um jornalista à moda antiga, daqueles que ainda manda flores vão às ruas, chafurdam em locais pouco recomendáveis e pressionam suas fontes até o talo, não se furtando de omitir informações importantes à polícia. Inclusive há um recado implícito (ou bem explícito, sei lá) para os adeptos do “novíssimo jornalismo” praticado por blogueiros, bem ao modo como Gay Talese recentemente comentou quando esteve no Brasil: que é preciso sair da frente do notebook, mover o rabo e correr atrás da notícia. E a novata, antes relutante, acaba seguindo os conselhos da “puta velha” do jornalismo.

No final não é o tipo de filme no qual você exclama “puta que pariu!” ao final, seja por admiração ou por raiva. Mas é um bom filme, com a trama bem conduzida, atuações boas e personagens bem construídos, mas com uma pequena e desnecessária reviravolta ao fim da trama. Mas a mensagem final mesmo é que, se você quer jornalismo de verdade, procure os jornais, apesar de todas as suas limitações e defeitos.

Narrativa e Roteiro

Vou desistir de Hollywood e escrever novela para a Globo

"Vou desistir de Hollywood e escrever novela para a Globo"

Estava lendo o que Tio Xiko andou postando nesse meu período de ausência e li o texto sobre o filme “Anjos e Demônios”, onde ele desce o malho na adaptação do livro de Dan Brown. Nesse meio tempo de volta ao século XIX também aproveitei para atualizar minha leitura e diminuir a eterna pilha de livros pendentes, e um desses foi o “Manual do Roteiro”, do americano Syd Field. E aproveito o mote para falar sobre este livro.

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Anjos X Demônios

Depois de ler o livro e assistir o filme da obra de Dan Brown, Anjos e Demônios, fiquei espantado sobre como hollywood pode acabar com qualquer coisa, afinal fazer caber um livro de 400 páginas em 2 horas de filme é uma coisa por demais díficil, ou não?

Na verdade o filme é totalmente feito nas coxas do roteirista, que deve ter lido o livro passando de 3 em 3 páginas. Mesmo sendo o próprio Dan Brown um dos produtores executivos, o filme pra mim ficou uma bosta. Logo nas primeiras cenas uma verdadeira burrice cinematográfica: O velho cientista, que é o primeiro a morrer, tem seu olho arrancado para que o assassino entre na sala onde está anti-matéria. Só que quando a Vittoria entra na sala, o velho morto está lá dentro. Como pode? O Assassino tirou o olho do cara, colocou no leitor de retina e arrastou o cara pra dentro? Não era mais fácil colocar o cara direto la no scanner? Sim, e o pior, o velho já estava dentro do laboratório, então o assassino entrou, arrancou o olho dele, saiu e entrou de novo, agora sim usando o scanner. No livro ele morre no seu quarto, e não no laboratório. Coisas de cinema…

São várias outras coisas que acontecem, como personagens importantes no livro, o diretor do CERN por exemplo, simplesmente não existirem no filme. Fora os nomes trocados e uma confusão que no final não da pra entender. E que final… Tudo mudado, será que foi devido ao tempo? Não vou fazer spoiler, mas por que tão diferente?  Alguém tomou tequila no vaso do Papa?

Em suma, leia o livro, veja o filme e tire suas conclusões. Espero que o próximo filme baseado em obras dele seja pelo mesmo mais semelhante com o livro. Por exemplo, Ponto de Impacto é um livro que já é um filme pronto. Se for pra fazer merdas como essa melhor deixar os livros só na imaginação mesmo.

Sexo, mentiras e DVD

As Desventuras Sexuais de um Cinéfilo

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As Muitas Faces de Bond, James Bond (1)

A longevidade do agente secreto de sua majestada

O agente com nome de especialista em passarinho, criado pelo ex-espião e escritor Ian Fleming e levado ao cinema nos anos 60, provavelmente teria uns oitenta anos se houvesse uma cronologia estabelecida desde o primeiro filme. Ninguém se preocupou muito em dar o dom da imortalidade nem tampouco o especialista em bugigangas “Q” desenvolveu um ativador celular entre suas invenções. Mas quem raios imaginaria que aquela produção barata de 1962, cujo custo foi de menos de um milhão de doletas, teria um retorno tão substancial e geraria a série de cinema de maior longevidade em língua inglesa? Para justificar os eternos quarenta anos de James Bond, os roteiristas teriam que mudar seu nome para James Bond McLeod e trocar a pistola Walther por uma katana. Ou simplesmente ignorar essa história de cronologia e reinventar o personagem ao longo do tempo. Afinal, isso de que só pode haver um só funcionou em filmes de escoceses imortais. Bem, funcionou é modo de falar…

Sei que todo crítico fala isso, mas não há como fugir à constatação óbvia de que o trunfo da franquia do agente mais eficiente do MI-6 é se reinventar ao logo das décadas, se adequando camaleonicamente ao zeighest de cada período pelo qual a série tem passado, algo que funciona com diversos personagens em vários tipos de mídia. Ao menos os roteiros ajudaram por omissão, já que detalhes biográficos e datas não são mencionados, o que permite colocar qualquer história praticamente em qualquer época.  E para entendermos essa longevidade, rememoremos a trajetória do agente com permissão para matar e carcar.

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  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
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