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Livros Perigosos Para Garotos


Cultura e Traquinagens Para Crianças de Todas as Idades

Nos meus tempos de criança a fonte de informações inúteis era o “Almanaque Alfa”, que era dado aos alunos de escolas públicas dentro de Projeto Alfa, uma das várias iniciativas do governo para minimizar a defasagem educacional no ensino fundamental. Tal Almanaque era distribuído juntamente com os livros didáticos desse projeto. Em dois volumes, lá havia informações fascinantes a qualquer garoto que já dominasse o rudimento da leitura e que tinha a natural curiosidade das crianças. Havia instruções de como usar ou construir brinquedos artesanais como piões, pipas, estilingues e apitos,  ensinava regras de jogos e brincadeiras de rua,  tinha instruções para produzir adubo orgânico, desentupir pias e criar formigueiros em vasilhames de maionese, produzir fogo sem fósforos, e achar os pontos cardeais sem bússola, além de informações sobre personagens, fatos históricos e lendas do folclore regional. Uma pequena enciclopédia, que infelizmente se perdeu na bacia das almas e virou ração de traça há algumas décadas.

Naqueles tempos também havia o “Almanaque do Escoteiro Mirim”, editado várias vezes desde os anos 70 e em diversos formatos. A depender da edição, cada volume era temático, e a depender do tema recebia o título de um personagem Disney. Por exemplo, o manual do Tio Patinhas tratava de dinheiro e finanças e todo tipo de curiosidade sobre a criação das moedas, o da Vovó Donalda trazia receitas e a história dos alimentos. Havia também a coleção completa em capa dura e vários volumes, A Biblioteca do Escoteiro Mirim, no qual a lombada de todos, quando unida, formava uma gravura com os personagens Disney. Dia desses vi em um sebo esta coleção completa, pela bagatela de 150 mangos. Havia também uma edição de luxo única em capa dura, o Supermanual do Escoteiro Mirim, com direito a cadeado na capa. No fim dos anos 80 a Abril chegou a relançar a coleção em brochura pela Nova Cultural. Não preciso dizer que eu babava por este material em minha infância, mas infelizmente não tinha como adquiri-los, já que o “papa-figo” da esquina não pagava pelos órgãos internos que procurava nas crianças, o que inviabilizava qualquer negociação com um de meus rins. Mas os Almanaques Alfa supriram boa parte de minha curiosidade infantil.

Pra que tantas reminiscências? É que hoje que sou pai e meu filho mais velho já tem aquela curiosidade natural em procurar informações em livros, senti a falta de um tipo de literatura dessas, que ao mesmo tempo que informa, estimula as brincadeiras ao ensinar às crianças a criarem seus brinquedos e as regras das brincadeiras de rua. Cheguei a cogitar a compra dos livros em sebos, mas relutei principalmente por conta de muitas informações estarem desatualizadas. Não que a tecnologia em construção de pipas tenha mudado muito nas últimas três décadas, mas há outras informações de conhecimento geral que certamente estão defasadas. Além do que, imaginei que  esse tipo de literatura tivesse pouco apelo a esta geração criada por pais que foram (des)educados pelo Show da Xuxa, que seguia o preceito de que toda criança deve ser tratada como retardada até que se prove o contrário, uma geração que só quer saber de Videogame e Internet, expandindo exponencialmente a piada sobre filho criado por vó em condomínio fechado, empinando pipa em ventilador e jogando bola de gude em carpete. E apesar do Google ter mais informação do que qualquer manual Disney, nem sempre o infante terá o interesse em procurar especificamente aquela informação, mais interessado em descobrir as trapaças e senhas para algum jogo on-line.

Mas o que havia passado totalmente batido por minha miopia é que um livro, lançado por aqui há três anos e escrito por dois irmãos ingleses – Conn e Hal Iggulden – resgatou para os dias de hoje esse tipo de literatura, e ainda conseguiu a proeza de se tornar um best-seller: “O Livro Perigoso Para  Garotos”. A ideia dos dois irmãos foi justamente resgatar as brincadeiras de antigamente para a geração pós-Pokemon, além das pérolas de conhecimento geral, o que inclui aforismos de autores famosos, expressões em latim e a biografia de grandes vultos e heróis da história. Para os pais super protetores e politicamente corretos de hoje, que sequer permitem que o seu filho vá a padaria da esquina comprar pão e gastar o troco com balas, esse livro pode ser um pesadelo. Não que tenha lá receita para se fazer bomba caseira com produtos de limpeza (isso tem em outros livros), mas há uma série de experiências e construções que exigem o uso de canivetes, fósforos e substâncias diversas,  o que deve dar úlcera nas mães mais paranoicas. Dificilmente algum moleque viabilizará a construção de uma casa em uma árvore, algo tradicional em outros países, mas aprenderá a fazer tinta invisível com substâncias orgânicas, como a urina, sendo mais recomendável o sumo do limão ou leite, e saberá construir um bom arco e flecha ou estilingue, para terror da sua progenitora. A edição brasileira ganhou sabor local ao ter fatos e personagens locais acrescentados ao texto original. Pode até parecer algo politicamente incorreto nos dias de hoje nos quais os pais são estimulados a mimar e superproteger os filhos para não traumatizá-los. Mas que seja, esta geração precisa de um pouco mais de incorreção política, oras!

Há pouco tempo a Galera Record – divisão de literatura infanto-juvenil da Record – lançou uma edição de bolso desse livro, compilando o conteúdo do original e adicionando algumas novidades, dividido em dois volumes, que vem em uma caixa de cartão para protegê-lo. Ao menos dá mais praticidade, considerando que é um pequeno manual para traquinagens, o qual eventualmente acaba sendo levado para lá e para cá, nem que seja para ser mostrado a algum coleguinha. Foi essa edição que acabei comprando para presentear meu filho mais velho, que anda devorando seu conteúdo e pondo em prática algum de seus ensinamentos. Claro que comentei entredentes que o livro ensinava a explodir coisas para que minha esposa ouvisse, só para vê-la por alguns segundos de cabelo em pé…

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Uma Paranóia Patológica

Para Ler o Pato Donald

Quando o ranzinza Donald foi promovido a agente da CIA

Nos anos 50 o livro do psicólogo Fredric Wertham, “Seduction Of Inocent”, acusou os quadrinhos americanos de induzirem a juventude ao crime. Esse livro é inédito em português, e por aqui não trouxe maiores consequências diretas, não obstante esta mídia sofrer de todo tipo de acusação por aqui em décadas passadas. Mas guardadas as devidas proporções, outro livro publicado ao sul do Equador também demonizou os singelos personagens dos quadrinhos. Se o psicólogo alemão acusava Batman e Robin de viadagem, o Pato Donald virou instrumento de alienação das massas em prol do imperialismo americano no livro “Para Ler o Pato Donald – Comunicação de Massa e Colonialismo”, escrito no Chile em 1972.

O embrião do livro foi o seminário “Subliteratura e modo de combatê-la”, e os autores, o argentino radicado no Chile Ariel Dorfman e o belga Armand Mattelard, eram funcionário da Quimantú, antiga editora de quadrinhos Zig-Zag que fora estatizada por Salvador Allende. Usando da semiótica – e da grana do contribuinte chileno, diga-se de passagem – os dois então jovens autores empunharam a lupa ideológica para decifrar o significado oculto nos aparentemente infantis e inocentes personagens de Walt Disney. E o que descobriram foi uma conspiração engendrada pelo grande satã americano para alienar as massas e divulgar sub-sub-repticiamente a ideologia capitalista e pequeno-burguesa.

Por exemplo, o Pato Donald, o sobrinho do Tio Patinhas e que comumente é usado como mão-de-obra barata nas aventuras do seu tio sovina, é um agente do imperialismo, corruptor da inocência infantil e sexualmente pervertido, mas não por se abster do uso de calças, e sim porque sua família não tem pais ou laços de parentescos diretos, e ninguém sabe quem é filho de quem. E, claro, Tio Patinhas em suas viagens mundo afora em busca de riquezas e aventuras seria a essência do capitalismo selvagem, que invade as culturas dos países “subdesenvolvidos” para sugar suas riquezas materiais até o talo. Mas tem acusação pra todo mundo. Até o sortudo Gastão serve de exemplo de conformismo pequeno-burguês. Patópolis seria o próprio EUA, centro do mundo civilizado, e o “resto do mundo” seriam os países periféricos e em desenvolvimento, obviamente inferiores em relação à “matriz”. Nem os Irmãos Metralha escapam da condenação de não serem marxistas o bastante, já que querem expropriar o capital da classe dominante apenas para eles próprios se aburguesarem. Mas cá entre nós, mais comunista do que isso eu não posso conceber.

Pior que essa mixórdia já foi, e ainda é levada a sério. Eu mesmo fui apresentado a esta obra por um professor de OSPB (isso ainda existe?) no segundo grau, e numa primeira leitura foi como um choque, e me surpreendi com o significado oculto e, admito, até levei a sério essa grande conspiração de idiotização mundial. E logo achei que Walt Disney e Carl Barks ganhavam dólares diretamente da CIA para conceber ardilosas histórias. Tudo bem que durante a II Guerra Mundial, praticamente sob encomenda do governo americano, Disney produziu desenhos e criou personagens para simbolizar a política de boa vizinhança entre os países americanos, saindo dessa safra o galo mexicano Panchito e o papagaio malandro Zé Carioca. Mas daí a extrapolar que há todo um plano maligno para deturpar os valores das crianças do mundo, convenhamos, é dose difícil de engolir. Mas essa ideia foi muito popular nos anos 70 e 80. Mas como diria Freud, às vezes um charuto é só um charuto. E um ceticismo saudável é sempre bem-vindo. E analisando friamente, hoje podemos ver que essas ideias são apenas frutos de paranoia esquerdista e doutrinação marxista. Os autores apenas pegam das histórias os elementos que venham a corroborar suas ideias, forçando a barra nas interpretações e chegando a adulterar o significado dos quadrinhos, substituindo o texto original por outros mais convenientes à reforçar sua tese, o que não deixa de ser um estelionato intelectual.

E, na verdade, se extrapolarmos a percepção e forçarmos a barra, veremos conspiração e perversão em qualquer obra infantil. Um dos autores do livro, Ariel Dorfman, ainda escreveria “Super-Homem e seus amigos do Peito”, levando a mesma teoria aos heróis dos quadrinhos americanos. Em anos mais recentes, é comum vermos pastores mais exaltados afirmarem que os funcionários da Disney são tarados, homossexuais e maconheiros que enchem os desenhos com símbolos fálicos e mensagens de conotação sexual em suas produções infantis. Mas cá entre nós, quem vê pica em tudo que é canto é, no mínimo, suspeito…

Em cima desse mote, o sacana Ruy Goiaba parodiou a ideia central do livro chileno ao enxergar uma grande conspiração urdida por Maurício de Souza com seus personagens ao escrever “Para Ler a Turma da Mônica”, que inclusive já foi publicado na revista “Playboy”. Porém tem gente que leva a piada a sério e há poucos meses um artigo intitulado “Violência na Turma da Mônica” causou rebuliço entre os fãs dos quadrinhos ao tentar trazer significados negativos aos personagens de Maurício de Souza.

Mesmo que hoje muitos ainda comprem as ideias desse livro, que se encontra ainda disponível, só mesmo os esquerdistas mais xiitas poderiam levar tamanha teoria conspiratória a sério. No livro “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, uma obra dedicada a descascar com sólidos argumentos e fina ironia o mito de que a culpa do subdesenvolvimento latino é pura e exclusivamente dos planos malignos oriundos do Primeiro Mundo, seus três autores dedicam algumas páginas à obra chilena, e procuram explicar o motivo do sucesso do livro “Para Ler o Pato Donald” entre os que ele intitula “idiotas latino-americanos”:

“..está escrito em clave paranoica, e não há nada que excite mais a imaginação de nossos idiotas do que acreditar-se objeto de uma conspiração internacional encaminhada para subjugá-los. Para esses desconfiados seres sempre existem uns ‘americanos’ tentando enganá-los, tratando de roubar-lhes seus cérebros, arruinando-os nos centros financeiros, impedindo-lhes de criar automóveis ou peças sinfônicas, intoxicando-lhe a atmosfera, ou combinando com os cúmplices locais a forma de perpetuar a subordinação intelectual que padecemos”

Acho que nem o Professor Ludovico falaria melhor

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Manual do Escoteiro Mirim x O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Para a geração atual que elevou o google à condição de oráculo universal, anos, quiçá décadas antes, já havia algo que funcionava tão bem quanto o google para se descobrir como se pede um caldo de cana em aramaico ou para saber o caminho mais curto para Alpha Centauri. Estamos falando de dois livros fantásticos da cultura popular. Um deles é o “Manual do Escoteiro Mirim”, sempre presente nas mochilas de Huguinho, Zezinho e Luizinho, e o outro é o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, ferramenta deveras útil que dá título a série de livros de Douglas Adams que narra as aventuras e desventuras do último terráqueo, Arthur Dent. Esqueçam o Google. Mas qual é o melhor dos dois? Vamos a um breve comparativo…

guideb.jpgPara quem leu as clássicas histórias do Tio Patinhas escritas por Carl Barks, sabe que a maioria das buscas do velho pão-duro em busca de tesouros escondidos em cidades perdidas no meio do nada se originaram de alguma informação contida naquele livrinho carregado por Huguinho, Zezinho e Luizinho. E de tão alegre, o pão-duro Tio Patinhas sempre dobrava sua contribuição anual aos Escoteiros. Mas como o dobro de nada continua nada…

E quando a aventura propriamente dita começa, a família Pato sempre se mete em enrascada. Como eles não são parentes de Jack Bauer, não apelam para a violência, senão os Metralhas estariam mortos desde os anos 50. Sempre utilizando de saídas inteligentes e engenhosas, os sobrinhos de Donald  apelam para o pequeno livro quando todos estão metidos em algum rabo-de-foguete. E praticamente em todas as situações o livrinho tem uma resposta útil, seja para encontrar alguma passagem secreta em algum castelo em ruínas, aprender a pilotar naves extraterrestres ou saber qual a dieta mais indicada para unicórnios. E (quase) sempre o Tio Patinhas enche os cornos de ouro e os escoteiros colecionam mais medalhas de honra ao mérito.

Segundo as lendas de Patópolis (não confundir com Patos, na PB), esse livro foi escrito originalmente pelos guardiões da Biblioteca de Alexandria e descoberto pelo fundador da cidade, Cornelius Pato, cujo filho teria fundado os Escoteiros-Mirins para protegerem este livro. Nesses tempos em que o Universo Disney está prestes a se fundir com o Universo Marvel, talvez venhamos a saber se o Manual dos Escoteiros também conterá informações definitivas sobre o passado de Wolverine, de como reconhecer um Skrull disfarçado de herói ou saber como o Surfista Prateado satisfaz suas necessidades fisiológicas… A dúvida é saber como diacho cabe tanta informação em um livrinho do tamanho daqueles livros “Sabrina”…site_28_rand_1262454774_hitchhiker_maxed.jpg

Ao menos esse não é o problema de nosso outro livro, o “Guia do Mochileiro das Galáxias”, já que ele é um dispositivo eletrônico multimídia em forma de livro e é constantemente atualizado, sendo o companheiro de aventuras de Arthur Dent e Ford Prefect pelos locais mais estranhos do universo. Se o lema dos escoteiros é “sempre alerta!”, a frase estampada na capa do guia é “Não Entre em Pânico”, mesmo que você esteja flutuando no vácuo sem proteção alguma ou que seu planeta natal seja obliterado em minutos. O “Guia do Mochileiro das Galáxias” é o mais famoso repositório de conhecimento universal, superando em vendas a “Enciclopédia Galática”, até porque é bem mais barata, e é um dos livros mais vendidos da galáxia, superando outros tomos úteis como “A Enciclopédia Celestial do Lar” e “Mais 53 Coisas Para se Fazer em gravidade Zero”, contendo o conhecimento coletado por diversos “mochileiros” espalhados pelo universo afora, que prestam serviço para a Companhia Cibernética Sírius, aquela composta por “um monte de babacas que serão os primeiros a irem para o paredão quando a revolução estourar”. E um desses mochileiros é o filho do planeta Betelgeuse, Ford Prefect, que só conseguiu uma carona para escapar da Terra pouco antes dessa ter sido removida do Universo para dar passagem de uma via expressa hiperespacial. Outro conselho utilíssimo desse guia é o de sempre portar uma toalha, objeto de muita utilidade para qualquer mochileiro, e a única coisa que você precisará quando o universo der tilte. Além de informar a respeito de milhões de planetas e plagas inter-espaciais, traz dicas muito relevantes, como a receita do famoso drinque chamado Dinamite Pangalática a partir de aguardente Janx, bem como do endereço completo das ONGs que lhe ajudarão a se recuperar da ressaca. Também dá para descobrir locais interessantes, como o Restaurante no Fim do Universo. Só não tem a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo o mais. Aliás, nem a pergunta, já que todo mundo sabe que a resposta é “42″, mas não se sabe exatamente qual a pergunta correta…

Ironicamente, as edições mais antigas do “Guia…” não trazem muitas informações sobre a Terra, sendo seu maior ponto fraco. Aliás, a única informação disponível por muito tempo sobre o planeta azul se resumia a palavra “inofensiva”. Após uma atualização do guia, a informação se tornou mais completa: “praticamente inofensiva”. Elucidador pra cacete…

Mas um defeito em ambos os guias é a ausência de referências ou maneiras de se encontrar um puteiro em cidadezinhas do interior, algo deveras útil para alguns mochileiros e eventuais turistas acidentais. No caso do “guia…”, talvez até ajude nesse quesito, desde que você queira putas com três seios em algum cafundó do outro lado da galáxia de Andrômeda. E o “manual do Escoteiro…” nem pensar, senão seria “manual do escroteiro”. No máximo pode indicar algum tesouro escondido nas ruínas da Casa da Mãe Joana, em Avignon

Mas para isso você não precisa nem de um nem de outro. Mesmo que não seja uma informação que seja divulgada nos classificados do jornalzinho ou difusora da cidade, dá pra descobrir sem maiores dificuldades. Mas também pega mal sair perguntando aonde as putas trabalham pro primeiro transeunte da cidade. O método infalível para se descobrir discretamente a localização da “casa de favores” em qualquer cidadezinha é simples e rápido: passeie descompromissadamente pela cidade até encontrar o padre da paróquia. Puxe conversa, e sem mais nem menos, pergunte onde fica a igreja, informação a qual ele responderá prontamente. Aí complete:
- Ah, então a igreja fica perto da rua do cabaré?
- Nããão! O cabaré fica do outro lado da praça, na primeira rua à esquerda.
- Obrigado, padre!
Isso nunca falha.

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