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	<title>Papo de Blodega &#187; Ennio Morricone</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Meu Nome é Ninguém</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 11:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="meu nome é ninguém" src="http://farm3.static.flickr.com/2708/4337753674_f01ea76b21_o.jpg" alt="meu nome é ninguém" width="474" height="220" /></p>
<p style="text-align: justify;">O gênero faroeste é americano por excelência. Mas uma ramificação desse gênero são os filmes produzidos na Itália, que se tornaram conhecidos como Western Spaghetti, ou bangue-bangue à italiana. Ao contrário do tom épico e &#8220;bom-mocista&#8221; de boa parte dos filmes americanos, os filmes italianos normalmente apresentavam anti-heróis e elementos não tão bonzinhos como protagonistas. E um dos pais desse gênero é o italiano Sérgio Leone, que dirigiu ótimos exemplos do gênero, como a trilogia &#8220;Três Homens em Conflito&#8221;, &#8220;Por um Punhado de Dólares&#8221; e &#8220;Por Uns Dólares a Mais&#8221;, onde elevou a categoria de protagonista o então jovem ator Clint Eastwood.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se Sérgio Leone é considerado o pai do Western Spaghetti, ele tinha muitos filhos da puta, como ele mesmo costumava afirmar, já que para cada clássico, surgiam uns três filmes não tão bons, pois muitos tentaram imitá-lo, sem muito sucesso nesse intento.</p>
<p style="text-align: justify;">E um de seus &#8220;filhos legítimos&#8221; foi o filme &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0070215/">Meu Nome é Ninguém</a>&#8220;, uma co-produção entre França, Alemanha e Itália datada de 1973. Por nessa época o diretor almejava dirigir filmes de gênero mais &#8220;sérios&#8221;, mas não queria largar o filão dos filmes de faroeste. Por isso nos créditos iniciais vemos que a Sérgio Leone é creditada a &#8220;idéia&#8221; do filme, que foi dirigido por <a class="zem_slink" title="Tonino Valerii" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0884547/">Tonino Valerii</a>, assistente de Sergio em outros trabalhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Um filme com nome de música do Agnaldo Timóteo presta? Ô se presta! Nessa película, o veterano pistoleiro Jack Beauregard (<a class="zem_slink" title="Henry Fonda" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0000020/">Henry Fonda</a>), cansado de guerra e de impor a lei nos cafundós do oeste, está de mala e cuia pronta para se mandar para a Europa no final do século XIX, mas antes parece ter assuntos pendentes com os antigos sócios de seu irmão falecido. E em seu encalço aparece o hilário jovem que se auto-intitula &#8220;Ninguém&#8221; (<a class="zem_slink" title="Terence Hill" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0001352/">Terence Hill</a>), que admira e conhece toda a história de Jack Beauregard. Jack só quer resolver essa pendência da maneira mais limpa possível, mas &#8220;Ninguém&#8221; insiste que ele encerre sua carreira de forma gloriosa, encarando o &#8220;bando selvagem&#8221; com seus 150 pistoleiros. A relação entre &#8220;Ninguém&#8221; e Jack alterna entre rivalidade e amizade, simbolizada pela hilária anedota que &#8220;Ninguém&#8221; conta sobre o pássaro que cai do ninho e é salvo do frio pelo estrume de uma vaca, mas é tirado do estrume por um coiote que o limpa para comê-lo em seguida. E por mais que não queira, Jack acaba sendo conduzido a confrontar os poderosos locais e de encarar o destino armado por &#8220;Ninguém&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A história mistura elementos cômicos e sérios. O lado mais leve é dado pelo ator Terence Hill, protagonista dos faroestes hilários da série &#8220;Trinity&#8221; ao lado de Bud Spencer. Já o contraponto sério fica por conta do ator Henry Fonda, que já fora dirigido por Sérgio Leone em &#8220;Era Uma Vez no Oeste&#8221;, outro clássico do gênero. Enquanto Terence Hill faria qualquer um cair na gargalhada com suas presepadas, Henry Fonda consegue se manter impassível diante de qualquer situação, mesmo quando tem que encarar 150 homens com apenas duas Winchesters e um revólver Colt. Pense num cabra arrochado!</p>
<p style="text-align: justify;">O ponto negativo do filme é que a história é meio confusa, e dá a impressão que o roteiro seria uma desculpa para o diretor aglutinar boas sequências de ação e comédia, justamente os pontos fortes do filme. Terence rouba a cena, desarmando os meliantes com seus trejeitos. A cena no bar, onde ele esbofeteia um pistoleiro é de rolar de rir, como também a da sala de espelhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo não tendo Leone como diretor, sua marca está lá. O início do filme é a cara do diretor: uma longa sequência sem diálogos, com closes nos rostos dos pistoleiros, elevando a tensão até o máximo, quando finalmente o tiroteio irrompe. Leone faz referência e presta homenagem a um colega de ofício, o diretor americano <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001603/">Sam Peckimpah</a>, cujos filmes ficaram conhecidos por sua violência explícita e coreografada. Uma delas é na cena onde &#8220;Ninguém&#8221; e Jack Beauregard se encontram em um cemitério índio, e entre as cruzes, &#8220;Ninguém&#8221; vê o nome &#8220;Sam Peckimpah&#8221; e comenta ser um nome estranho para um índio. E o nome &#8220;bando selvagem&#8221; dado aos 150 bandidos que &#8220;Ninguém&#8221; quer ver Jack confrontar é uma referência ao título original de um clássico de Peckimpah, &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0065214/">Meu Ódio Será Tua Herança</a>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">A trilha sonora é assinada por <a class="zem_slink" title="Ennio Morricone" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0001553/">Ennio Morricone</a>, que praticamente criou a marca registrada das trilhas dos faroestes à italiana, que normalmente incluía a presença de coral, flautas e guitarras aos temas. A música do personagem &#8220;Ninguém&#8221; é leve e alegre, e inclusive era muito usada em vinhetas televisivas até início dos anos 80. Mas épico mesmo é o tema usado nas cenas em que aparece o &#8220;Bando Selvagem&#8221;, com direito a coral feminino e referência à &#8220;Cavalgada das Valquírias&#8221;, de Richard Wagner.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro-me desse filme dos velhos tempos em que a Globo exibia filmes de faroeste nas tardes de sábado. Mas não precisa esperar uma eventual reprise em algum canal perdido, já que este filme está disponível em DVD pela Paris Filmes, que mesmo sem extras, é uma excelente pedida para os apreciadores do gênero.</p>
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		<title>Os Felas da Puta sem Glória de Tarantino</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 10:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<div style="text-align: center;"><em><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2703/4320179546_2c5325f73f_b.jpg" alt="inglorius basterd brad pitt" width="512" height="341" /><br />
“E aí, seu nazista, prefere uma suástica gravada  na testa ou “I Love Brad Pitt” na bunda?”<br />
</em></div>
<p>Na cena final de “Bastardos Inglórios”, o tenente Aldo Laine, personagem interpretado por Brad Pitt, solta o último dialogo, “&#8230;acho que isso pode ser muito bem minha obra-prima”,  se referindo a suástica que marcaria com sua Bowie na fronte de um vilão nazista. Seria Quentin Tarantino falando através de seu personagem? E seria “Bastardos Inglórios” sua obra-prima, uma suástica gravada à ponta de faca na testa dos críticos de seu trabalho?</p>
<p><span id="more-958"></span></p>
<p>Nestes últimos dias resolvi pagar a fatura devida a filmografia de Quentin Tarantino. Ou quase. Há algumas semanas assisti ao ainda inédito por aqui “Death Proof”, e ontem finalmente encarei os bastardos inglórios do tio Quentin. E escapei sem uma tatuagem de suástica na testa.</p>
<p>Mas Quentin é foda, dificilmente se fica indiferente à sua obra. Ou é idolatrado como um novo gênio, herdeiro da geração de diretores dos anos 70, ou é execrado, seja pela crítica mais purista ou pelo público mais habituado a produções convencionais, os ditos blockbusters. Pessoalmente tenho o velho Quentin em boa conta desde “Pulp Fiction”, que foi hype de descolados nos anos 90 e apontado como o “novo Scorcese” por alguns críticos, mas sobreviveu ao provável estrelismo que tal condição poderia trazer, sem levar tão a sério tais títulos.</p>
<p>Mas deixa esta porra pra lá. O negócio é “Bastardos Inglórios”, o qual infelizmente perdi de ver no cinema e agora vejo em DVD, finalmente. Confesso que criei uma expectativa sobre este filme totalmente diversa do que eu acabei vendo. Dado o título e a premissa, imaginei um filme de guerra típico, no estilo “calhordas com uma missão”, no melhor estilo “Os Doze Condenados”, até porque o título remete a uma produção “genérica” italiana deste subgênero dos filmes de guerra, “Assalto ao Trem Blindado”, cujo título original é <a href="http://www.imdb.com/title/tt0076584/">“Quel Maledetto Treno Blindato”</a>, mas cujo título americano é justamente “Inglorious Bastard”. Por isso imaginei um filme de guerra típico, apenas com o tempero de Tarantino adicionado – violência gráfica extrema e diálogos inusitados &#8211; , mas mantendo os clichês intactos, com ação e explosões para dar e vender, com direito a mortes heroicas e redentoras e um final com a missão bem sucedida, mas sem maiores consequências históricas, já que falamos de II Guerra Mundial e sabemos muito bem como ela acabou.</p>
<p>Obviamente que nada disso aconteceu. Um mérito de Tarantino é fugir de certos clichês óbvios, apesar de sua obra sempre fazer referência a algum elemento da cultura pop, mas sempre sob a sua ótica. Isso pode acabar afugentando o público habituado a dieta de fórmulas prontas dos grandes blockbusters aos quais estamos habituados. O “timing” dos filmes de Tarantino normalmente “desrespeitam” o padrão estabelecido, no qual cada reviravolta ou mudança no roteiro é milimetricamente prevista pelo “manual”, por assim dizer. Também não veremos a construção de um vilão digno de ser justiçado no final, nem a retratação dos nazista como a escória da raça humana, até porque já sabemos o que eles fizeram, seja pelos livros de história ou pelos filmes de Hollywood. Quentin privilegia longos diálogos, referências mil à elementos da cultura pop &#8211; A trilha sonora remete aos temas de Ennio Morricone para filmes bangue-bangue à italiana &#8211; e uma trama deliberadamente confusa, envolvendo histórias paralelas e diversos personagens. Acaba que muitos acham seus filmes verborrágicos e com um ritmo bem mais lento do qual se está habituado a ver nas telas. Por exemplo, a cena inicial, na qual a família judia é encontrada e morta, em um filme típico não passaria dos 3 minutos. Mas com Tarantino somos brindados com longos diálogo, uma estrutura narrativa  atípica e um desenrolar dos fatos inusitados, e não importa se o pano de fundo são fatos históricos. A própria história pode ser subvertida! Tarantino está pouco se fodendo pra isso, da mesma maneira que não parece ligar tanto para os <a href="http://www.blodega.com/index.php/2009/08/12/narrativa-e-roteiro/">mandamentos do roteirista hollywoodiano </a>.</p>
<p>Mas vamos ao ponto, não estou aqui pra analisar a obra de Tarantino, tampouco escrever um tratado sobre cinema. Como falei, criei uma expectativa diferente da realidade para este filme. E Tarantino trabalhou o roteiro sobre uma história de vingança de uma judia cuja família foi morta pelo eficiente e metódico Coronel Hans Landa, mas que se expande para inúmeros núcleos e protagonistas, incluindo personagens reais como Adolph Hitler e Joseph Goebbels. Nesse cenário, os “Bastardos Inglórios” &#8211; uma equipe de soldados judeus-americanos estabelecida na França com o objetivo de espalhar o terror entre as tropas nazistas de ocupação – são apenas mais um “personagem” nessa trama quase épica. E as cenas nas quais eles agem são relativamente poucas, menos do que se poderia esperar em um típico filme de guerra tendo eles como personagens-título. Mas nas poucas cenas nas quais os métodos dos “Bastardos” é mostrado, a mão de Tarantino pesa como de habitual, sem poupar o espectador de cenas violentas, com espancamentos, mutilações e escalpelamento.   Aliás, é até interessante ver mais uma vez Brad Pitt usar uma enorme faca Bowie  de caça para escalpelar militares alemães, já que ele fez isso lá no início da carreira em “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0110322/">Lendas da Paixão</a>”.</p>
<p>Mas como falei, os “Bastardos” são apenas mais um elemento nesta trama propositadamente complexa, na qual a sobrevivente judia do massacre de sua família planeja se vingar dos nazistas quando o acaso faz com que a première de um filme-propaganda de Goebbels é transferida para seu cinema, concomitante a um plano do governo inglês de aproveitar o episódio para cometer um atentado contra a cúpula do Terceiro Reich com a ajuda de uma atriz alemã e dos “Bastardos”.</p>
<p>Com tantos personagens em pouco mais de duas horas e meia, fica aquele retrogosto de última lata de cerveja e muita sede ainda sobrando, já que bastante coisa poderia ser desenvolvida em cima de tantos personagens interessantes. Da forma como foi apresentado, o filme parece o resumo de uma minissérie de, no mínimo, umas 10 horas de duração, tal o grau o potencial de desenvolvimento dos personagens apresentados, como o “Urso Judeu” (vivido pelo direto Eli Roth, diretor de “O Albergue”) ou o  sargento alemão rebelde e psicopata Hugo Stiglitz (Til Schweiger).</p>
<p>Mas pra resumir – e respondendo a questão levantada no início deste texto -, não sei  ainda se é a obra-prima de Tarantino. Ele se mantem em forma, exercitando o ofício de citar elementos do pop, criando diálogos interessantes e extensos, Ainda prefiro “Pulp Fiction” e os dois “Kill Bill”, por mais que tenha gostado deste filme. Espero que nesses tempos de “Avatar” Tarantino ainda tenha chance de fazer filmes e de pôr sua visão de mundo neles, a despeito do que os produtores queiram.</p>
</div>
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