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O Amor Vem pra Cada Um

No post no qual falei sobre a música “Layla”, mencionei uma música de George Harrison intitulada “Love Comes to Everyone”, que o ex-Beatle lançou em forma de single em 1979. Não sei se é o caso e até acho difícil, mas sempre imaginei esta música como uma resposta musical a Eric Clapton sobre as acasos do amor, acasos estes que levaram o seu amigo a lhe “tomar” a sua esposa. Claro e mais provável que a composição não esteja em nada relacionada ao caso, mas me deixem com minhas ilusões e divagações. Mas coincidência ou não, o próprio Eric Clapton regravou a música em seu álbum “Back Home”, de 2005.
O fato é que é uma música que conheci pelo meio tortuoso de uma versão em português que fez sucesso nos anos 80 na voz de Zizi Possi, “O Amor Vem Pra Cada Um”, segunda faixa do disco “Pra Sempre e Mais um Dia”, de 1983.Ao contrário da maioria das versões, que se limitam a copiar o ritmo da original e enfiar uma letra sem relação nenhuma com a original, por vezes forçando até a métrica, esta versão (escrita por Beto Fae) é uma daquelas que é praticamente uma tradução ipsi literis da letra original. O que convenhamos, além de respeitar o artigo original, é mais difícil do que enfiar uma letra qualquer em uma melodia já existente e conhecida. E a voz da Zizi completa o serviço, deixando a música uma delícia aos ouvidos.
Abaixo segue a letra de ambas para que vocês mesmos comparem. E, obviamente, segue as versões para sua audição – a de Zizi Possi e a de Eric Clapton.
Vá e entre por aquela porta ali
Não tem caminho fácil não!
É só dar um tempo que o amor
Vem pra cada um
Fique feliz, na boa e tudo vem
Mas nunca chove sem molhar
É só dar um tempo que o amor
Chega até você
Seu coração
Tem algo que nunca muda
Mas que também
Não envelhece nunca
Seu coração…
Sério, eu vejo tudo melhorar, lá
É só bater na porta e abrir
Bem que eu disse pra você que
O amor vem pra cada um
Go do it,
Got to go through that door,
There’s no easy was out at all . . .
Still it only takes time
‘Til love comes to everyone.
For you who it always seems blue
It all comes, it never rains
But it pours,
Still it only takes time . . .
‘Til love comes to everyone.
There in your heart . . .
Something that’s never changing;
Always a part of . . .
Something that’s never ageing,
That’s in your heart . . .
It’s so true it can happen to you all; there,
Knock and it will open wide,
And it only takes time
‘Til love comes to everyone.
Layla

O único álbum de uma banda que se tornou clássico
Por mais que a carreira de Eric Clapton o conduzisse a ser um rock star, ele deliberadamente evitava que isso ocorresse. Isso o fez sair da banda Yardbirds quando essa assumiu uma veia mais pop, pois ele preferia dedicar fidelidade ao Blues. Para Clapton, era melhor ser um coadjuvante em alguma banda de Blues do que um bandleader de um grupo mais pop. Mas isso não impedia que ele se tornasse popular e famoso entre os jovens ingleses, pois na época em que tocava na John Mayal and The BluesBreakers foi que a cidade de Londres se viu pichada com as inscrições “Eric is God”.
Por esse seu desejo quase obsessivo de não se tornar uma estrela que, em 1970, após já ter gravado seu disco solo, que ele montou uma banda. E para não querer se sobressair em relação a seus colegas, essa banda foi batizada de Derek and The Dominos. Ele era apenas mais um na banda, que tinha Bobby Whitlock aos teclados e nos vocais, Carl Radle no baixo e Jim Gordon na batera, que eram dissidentes da banda Delanie and Bonnie and Friends, além do próprio Eric nos vocais e guitarra.
Por melhor que fosse a banda, ela acabou gravando apenas um álbum duplo, intitulado Layla And Others Assorted Love Songs. Gravado em Miami entre agosto e setembro de 1970, o disco seria lançado no final daquele ano. As catorze faixas que seguiam entre o rock, blues e country mostravam um Eric Clapton em excelente forma e fase, antes de seus problemas com drogas ilícitas e álcool.
Infelizmente a crítica recebeu o álbum com frieza na época de seu lançamento, e a própria banda passou por intempéries que acabaram com ela, como a morte do guitarrista Duane Allman, que participara das gravações do álbum e seria considerado pela revista Rolling Stone como o segundo maior guitarrista de todos os tempos, atrás apenas de Jimi Hendrix. Hendrix, por sinal, também morreria meses antes e também abalaria a todos, pois passara seus últimos meses de vida na Inglaterra, impressionando a todos, inclusive Eric, com seu estilo de tocar guitarra. A faixa 11, “Little Wings”, é uma homenagem da banda a Jimi. Para terminar de lascar tudo, o baterista da banda seria internado sob o diagnóstico de esquizofrenia após matar a própria mãe. Pense numa banda zicada!
A banda ainda chegou a excursionar pelos EUA e gravar um álbum ao vivo, mas acabaram se separando antes do segundo disco de estúdio. O próprio Clapton praticamente deixou de tocar devido a seus problemas com drogas, e só voltaria a engrenar sua carreira a partir de 1973. Hoje, o álbum é considerado uma obra-prima, o ápice da carreira jovem de Clapton e normalmente figura entre os maiores álbuns de todos os tempos em eventuais listas que surgem nas publicações especializadas.
O High Society leva chifre e não tem ciúmes
A música-título, Layla, tem como inspiração, além do conto árabe “Majnun e Layla”, a paixão de Eric Clapton pela então esposa do ex-Beatle George Harrison, Patti Boyd-Harrison. Ela deixaria Harrison a ver navios e viveria com Clapton até 1988. Mas o serviço de galha de Clapton com seu amigo rendeu uma das mais belas músicas do pop-rock, que em sua versão original, tem o belíssimo solo de piano composto e executado pelo baterista Jim Gordon. Eric revisitaria a música no álbum “Unplugged”, gravado ao vivo na MTV, praticamente reconstruindo a canção original.
E o corn…digo, George Harrison? Bem, ao que parece, o caso não abalou tanto assim a amizade, tanto que o casamento acabou, mas eles continuaram amigos, tanto que Eric prestou uma homenagem a Harrison após sua morte com o Concert for George, em 2002, e ao regravar a música “Loves Come to Everyone” no álbum “Back Home”, de 2005. Por sinal, essa música já teve uma versão em português surpreendentemente literal, que fez sucesso na voz de Zizi Possi. Mas esse é outro assunto…
Vitrola de Ficha
E para uma amostra grátis, comparem as duas versões da música-tema do affair Clapton-Patty-Harrison. A primeira é a original, de 1970. A outra é a versão “desplugada” (ou acústica, como preferir) de 1992. Sigam a bolinha e acompanhem a música
And nobody’s waiting by your side?
You’ve been running and hiding much too long.
You know it’s just your foolish pride.
Layla, you’ve got me on my knees.
Layla, I’m begging, darling please.
Layla, darling won’t you ease my worried mind.
I tried to give you consolation
When your old man had let you down.
Like a fool, I fell in love with you,
Turned my whole world upside down.
Let’s make the best of the situation
Before I finally go insane.
Please don’t say we’ll never find a way
And tell me all my love’s in vain.


Se Ligue na Blodega!