Posts Tagged ‘Hellblazer’
Quando Mundos Colidem (Parte 1)

Relembrando os lances desta relação tempestuosa, a primeira obra de Moore a ser levada ao cinema foi “Do Inferno”. Nesta série, Alan Moore reconta a história de Jack, o Estripador, se baseando nas teorias do historiador Stephen Knight, entre outras teorias, para dar sua versão do criminoso, cuja identidade é logo revelada no início da história. Mas Moore vai muito além de uma mera história policial nessa série em preto e branco desenhada por Eddie Campbell, explorando a psique de Jack sob várias óticas. O filme, produzido em 2001 e dirigido por Albert e Allen Hughes, em si, não é tão ruim. Se alguém que não leu a história original assistir a ele pode acabar gostando. Não chega a ser excelente, mas é um bom passatempo, e o personagem de Johnny Depp segura o filme, mas não passa de um suspense convencional com um romance mal resolvido no meio, e com uma certa dose de violência. Infelizmente a trama e os conceitos apresentados por Moore são solenemente ignorados no roteiro. E, obviamente, Moore não gostou nem um pouco. Mas ele nem imaginava em seus sonhos mais loucos o que o aguardava.
“A Liga dos Cavaleiros Extraordinários” é uma das melhores coisas que surgiram nos quadrinhos dos anos 90. Alan Moore usou seu conhecimento da literatura fantástica e de aventura do século XIX e mesclou alguns dos personagens em uma espécie de “Liga da Justiça” vitoriana, que era liderada por Mina, a antiga amante de Drácula, e formada pelo Capitão Nemo, Allan Quaterman, Dr,Jeckill e o Homem Invisível. O resultado é uma história criativa, cheia de referências a personagens da literatura, bastante violenta, algo realçado pelo traço de Kevin O’Neil. Uma premissa muito interessante, uma história pronta para um filme inovador. E o que fizeram? A bomba “A Liga Extraordinária“, de 2003. Pra satisfazer o ego do Sean Connery, que fez Alan Quatermain, seu personagem passou a ser o protagonista e líder da equipe, além dos mais diversos pitacos que o velho 007 obrigou o diretor a engolir. Foram acrescentados outros personagens, como o imortal Dorian Gray e o aventureiro Tom Sawyer. O resultado é um filme com história fraca e roteiro ridículo, que fez algo que raramente ocorre: público e crítica concordarem. Concordarem que o filme é uma bosta. E para terminar de lascar, a produção foi processada pelo uso dos personagens Tom Sawyer e Dorian Gray, que não estavam em domínio público. E como o nome de Alan Moore estava nos créditos como escritor, ele acabou, mesmo que indiretamente, envolvido também. Daí em diante ele fez questão de não ver seu nome envolvido em mais produção alguma. Tanto que, nos filmes posteriores que se baseiam em obras de Alan Moore não levam seu nome como um dos escritores.
e com o personagem, sob o título “Constantine“. Os fãs se assustaram, mas pelos motivos errados. Aliás, a coisa já começou errada,
pois Constantine, que é loiro e inglês , virou americano e moreno, e alguém achou uma ótima ideia usar o recém-saído do sucesso “Matrix” Keanu Reeves como protagonista. E, para variar, os produtores e roteiristas não aproveitaram muito mais do que o conceito do personagem. Mesmo usando elementos encontrados nos quadrinhos escritos por Jamie Delano e, principalmente, Garth Ennis, grande parte das melhores ideias, por sinal as mais ousadas e politicamente incorretas, foram simplificadas ou ignoradas. O resultado? Um filme de aventura com alguns elementos de terror, um “Sobrenatural” misturado à “Matrix”. Pode até agradar o público em geral, mas quem já conhecia o personagem deve ter tido ganas em explodir algum estúdio ao ver uma versão estagiário de macumbeiro do Chas, que de taxista brutalhão, praticamente um Hooligan, virou um rapaz franzino. Não deve ter agradado também Constantine se aventurando nos EUA, e não na sua versão sombria de Londres, e usando uma espingarda benzida para matar capetas. Mas o toque final foi o personagem deixar de fumar e passar a mascar chiclete. Tenha dó. Mesmo não se baseando nas histórias escritas por Moore, o personagem foi criado por ele, e este foi mais um bom motivo para o inglês querer distância ainda maior de Hollywood.
to terrorista,
assume o controle total do país, submetendo-o a uma ditadura de extrema direita, com clara inspiração em “1984“, de George Orwell. Antes mesmo do resultado ser exibido, a celeuma maior foi tentarem dar um “selo de aprovação Alan Moore” ao filme, o que seria uma façanha sem tamanho, pois os produtores afirmaram que o roteiro havia sido lido e aprovado por Alan Moore, que negou veementemente e ainda esculhambou com Deus e o mundo, exigindo que seu nome NÃO aparecesse nos créditos. No caso do roteiro, além de algumas omissões de personagens secundários, haviam pequenas e sutis mudanças na história, mas que acabaram tirando o verniz do texto original. Pois é, aquela mania de tentar suavizar personagens, de adaptar a história para o gosto do público em geral, sabem como é…Resultado? Um filme de ação bom, que aproveitou bem alguns elementos do original mas que estragou outros. Para quem assistiu e gostou, vale a pena ler a obra original para comparar. Mas o que poderia ser a suprema heresia ainda estava por vir.
John Constantine – Um Patife dos Diabos
publicado originalmente em 13/03/2005
Vamos falar aqui de um mago inglês. Mas não se preocupem que não é o Harry Potter. Aliás, a única coisa em comum entre Harry Potter e o nosso personagem é a nacionalidade e o hábito de lidar com o metafísico. Mas fora estes aspectos, há diferenças abissais entre ambos.
Em época em que o mago mais famoso é um rapaz que usa óculos e é bem comportado, já existe a uns vinte anos um outro mago que não é um garoto, fuma e bebe desvairadamente, seu caráter é um tanto flexível e são poucos os seus amigos que sobreviveram a esta amizade para contar suas historias. Estamos falando de John Constantine.
O jovem de Liverpool não era exatamente um exemplo de bom moço. Meteu-se com drogas e arruaças, mas o que realmente mudou a sua vida foi o flerte com a magia negra. E tudo começou na cidade de Newcastle, quando ele e seus amigos tentaram usar de magia negra para enfrentar um demônio que possuía uma garotinha chamada Astra. Ele consegue acabar com o demônio, mas invoca outro pior, chamado Nergal, que reinvidica a garotinha ao inferno. Constantine tenta salvar a menina das garras de Hades, mas escapa do inferno apenas com um dos braços dela. Ele acaba internado como louco, e seus amigos são amaldiçoados pelo demônio, e cada uma acaba caindo em desgraça ao longo de suas vidas.
Mas o arrogante mago inglês não deixaria barato, e ao longo de suas aventuras no mundo do ocultismo, acaba reencontrando o demônio Nergal e se vingando dele. Mas, como em todas as suas histórias, suas vitórias são de Pirro, já que sempre sai com um gosto amargo e por que aqueles que ele usa para atingir seus objetivos morrem de forma pouco agradável, o que torna o personagem mais cínico, pois perde muito de seus amigos desta forma.


Se Ligue na Blodega!