Posts Tagged ‘humor’

Toda Nudez Será castigada – A Missão (divina)

 

O colega Moziel cometeu um texto há algum tempo a respeito das musas que alegraram o imaginário masculino de muito marmanjo maduro, e que no decorrer de suas carreiras, acabaram por se tornarem servas do Senhor, colocando uma enorme pedra sobre seu passado. Mas faltaram algumas em sua seleção, que dada a sua idade avançada, se concentrou em musas dos anos 70 e 80. E, em minha estreia como colaborador, aproveito que há poucos dias Suzana Alves, a eterna Tiazinha, veio a público revelar que se convertera, quero complementar aquele texto com mais algumas musas, dessa vez dos anos 90 e 00, que abandonaram a fantasia de Eva para acolher o evangelho, e aproveitar para mostrar alguma coisa de boa dos anos 90 a geração Naruto. E que Deus seja louvado!

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Pré-Socráticos

O futebol é uma caixinha de surpresas filosóficas

Caros estudiosos da escolástica filosófica do ludopédio brazuca, a aula de hoje versará sobre o período pré-socrático do pensamento ocidental (e acidental) dos pensadores tropicais. Como sabemos, Sócrates foi um grande luminar do futebol e da medicina, precursor do movimento que se tornou conhecido como “democracia corintiana”, pai da filosofia futebolística moderna e com o calcanhar mais famoso do que aquele grego, o Aquiles.

Segue uma breve apresentação dos precursores do grande pensador corintiano:eis os filósofos pré-socráticos

Vicente Matheus

Espanhol radicado na Terra Brasilis, pode se dizer que foi um visionário, inclusive na área empresarial, pois previu a criação da AMBEV com décadas de antecedência quando agradeceu em público a Antártica pelo envio das brahminhas. Mesmo após a sua morte, suas frases e pensamentos continuam influenciando a escola futebolística e se tornaram folclóricas, e até hoje sabemos que o difícil não é fácil e o jogo só acaba quando termina, e haja o que hajar o seu time será campeão, comigo ou sem migo, pois quem está na chuva é pra se queimar. Mesmo pré-socrático, os dois vultos do pensamento chegaram a ser contemporâneos. E sobre Sócrates, foi taxativo: inegociável,invendável, imprestável. Mais sucinto do que o “Veni,Vidi,Vici” de Júlio César (o imperador romano, não o goleiro)

Dadá Maravilha

Sua capacidade de fazer gol só era superada por sua capacidade de promover a si mesmo. Além disso, lhe foi atribuída a habilidade ímpar de parar no ar, comparável ao beija-flor ou helicóptero, capacidade essa adquirida por um peculiar hábito por ele praticado. Podemos considerá-lo um pragmático, e o que fincou essa linha de pensamento foi a sentença divisora de águas: “não me venham com a problemática que eu dou a solucionática”. Sua objetividade e praticidade ficava clara em suas afirmações sobre não ter tempo de aprender a jogar enquanto fazia gols ou de que não existe gol feio, e feio era não fazer gol.

Garrincha

Filósofo e jogador de Pau Grande (sua cidade natal, maldoso), Garrincha foi mais um dos grandes frasistas pré-socráticos. Sua afinidade com o determinismo ficou bem clara no episódio no qual, após o técnico expor toda sua estratégia contra a seleção soviética, tascou:”só falta combinar com os russos”. Esse insight sintetiza uma visão holística sobre as vicissitudes do destino, ainda abarcando a Teoria dos Jogos em seu cabedal teórico. As demais frases a ele atribuída mostram uma visão de mundo simples, porém com observações irônicas do cotidiano. Porém muitos questionam a paternidade de muitas dessas frases. Já a paternidade de seus inúmeros filhos são inquestionáveis. E, como Sócrates, era um apreciador de bebidas, bebidas essas que não eram cicuta, muito menos Sukita.

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O Maravilhoso Mundo de Sampa

Nos últimos dias a donzelosfera nerdesfera entrou em polvorosa devido a compra da Lucasfilms pela Disney e a promessa de novos filmes da franquia Guerra nas Estrelas (Star Wars meu sabre de luz!). Já sendo dona da Marvel, tudo indica que o conglomerado pretenda estender seus tentáculos a várias empresas do ramo de entretenimento. Quem seria a próxima vítima a ser incorporada?

A título de sugestão, nós aqui desse balcão chegamos a conclusão de um ótimo negócio para os herdeiros de Walt Disney: comprar a cidade de São Paulo!

Sim, por mais absurdo que seja essa proposta, quando confrontados com os fatos, a conclusão não poderia ser mais lógica. Acompanhe nosso raciocínio: o atual alcaide prefeito fez um excelente trabalho ao tornar a cidade um lugar mais seguro para filhos criados por vó, piás de condomínios fechados, coxinhas e pessoas politicamente corretas em geral. Onde mais você estaria a salvo de gente bebendo cerveja na calçada, do cigarro fumado sob toldos, do vinagrete, da gema mole e de mendigos tomando sopa? Mais certinho do que isso só se a cidade fosse comandada pelo chefe dos escoteiros-mirins. Ou seja, é praticamente uma sucursal da Disney World. Por isso, nada mais óbvio e natural que os executivos da Disney resolvam investir seus cobres por aqui e adquiram a cidade a preço de ocasião, transformando-a em seu parque temático mais lucrativo. E o melhor, a classe mais abastada não precisaria singrar os ares para passar as férias nos States, ficando por aqui mesmo. Aliás, para eles, a cidade já é uma Disneylândia de tão perfeita, segura e limpa.

Claro que a administração teria que sofrer algumas adaptações, mas os executivos já teriam os nomes certos para os postos chave: Os Irmãos Metralha tomariam conta da Câmara de Vereadores, enquanto Patacôncio tentaria cuidar das finanças. O problema das torcidas organizadas seria da alçada do Mancha Verde Negra, e João Bafo de Onça lidaria com as alianças políticas, se fosse convencido a firmar acordo com o Maluf. Já o Diário Oficial do Estado (Revista Veja e Folha de São Paulo) seria responsabilidade do Peninha, que até substituiria o Reinaldo Azevedo como porta-voz oficial da cidade, sob  o risco de ser mais levado a sério. E se o Coronel Cintra tiver sorte, acabaria sobrando uma subprefeitura para administrar.

Mas você, leitor amargo e cético, não pense que o mundo maravilhoso de Disney é uma fantasia restrita as áreas nobres da cidade. A periferia e outras partes menos favorecidas da cidade entrarão na festa. Com a época das chuvas começando, boa parte da cidade poderá ser convertida em parque aquático.

A propósito, já mencionei quem seria o Pateta nessa história?

“Queria dizer não, mas o Kassab vai proibir o Donald de andar sem calças”

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O Êxodo para applemaníacos

Após Moises livrar seu povo da tirania e escravidão do Faraó Ramsés Gates com a promessa de um deus único (Steve Jobs), quis esse deus que Moises recebesse seus mandamentos direto em seus tablets, porém o sinal 3G no deserto era ruim de doer, e por isso Moises precisou subir ao monte Sinai – sem trocadilhos, por favor. Finalmente no topo do monte, Moises consegue um sinal decente e uma linha direta com o Divino, que disponibiliza para download gratuito dez de seus mandamentos. Para baixar o Torá ou o Velho Testamento completo, custaria US$ 4,99.

Volta Moises de sua jornada, e para sua surpresa, encontra o seu povo adorando outra divindade, o GNU de ouro. Todos agora queriam tablets e smartphones Android. Tomado pela ira, Moises amaldiçoou aqueles que renegaram o seu Deus único, e quase quebra seu Ipad na cabeça de seu irmão, responsável pela bagunça.

Obviamente todos se voltaram ao único Deus quando seus dispositivos Android não atualizavam para a versão 4.0. E Moises se pôs a guia-los a Terra Prometida, onde teria uma Apple Store e todos os lançamentos mais recentes. Porém, Moises estava usando o Ios 6, e os mapas estavam tudo bugado, o que fez com que todos passassem quarenta anos batendo perna do deserto…

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A Arte de Amar for Dummies

Reduzindo a Poesia Grega a Ruínas

Aprendemos que a cultura helênica influenciou a formação da cultura ocidental como um todo. E, pensando bem, isso vai além das artes, ciências e filosofia. A cafajestagem é algo de origem helênica, também. Basta dar uma olhada nos escritos do poeta Ovídio, principalmente os conselhos contidos em “A Arte de Amar”. Destacamos o seguinte fragmento, um conselho dirigido às mulheres em geral:

Comportem-se, ó mulheres, segundo o exemplo das deusas; e aos homens que o desejarem não neguem alegrias que são também vossas. Admitindo que estes vos enganem, que haveis a perder? Cada virtude vossa permanecerá intacta: que vos possuam em mil, ainda assim nada se subtrairá do que possuís. O ferro se desgasta, o seixo com o uso fica mais roliço; mas aquela vossa parte bem conhecida não desgasta e é imune ao risco de um dano. Todavia, às vezes uma mulher ao homem responde: Não. O que -respondam-me- haveis a perder a não ser a água com que vos lavareis? A minha palavra não visa prostituir-vos, mas vos livra de imaginar danos inconsistentes: pois de todo e qualquer dano está isenta a beleza com que fostes dotadas.”

Sintetizando esse lapidar fragmento do pensamento helênico sobre o amor feminino, o pós-socrático Frank Aguiar, também conhecido como “o cãozinho dos teclados”, sintetizou bem esse dilema nos versos de uma de suas obras mais conhecidas, “Mulher Madura”. Os seguintes versos resumem bem o que o “eu lírico” de Ovídio quis dizer com a passagem transcrita acima:

Lavou, tá nova
Lavou, tá nova
Mulher madura é o bicho
Lavou, enxugou, tá nova…

Por isso, leitores, desarmem suas mentes e seus ouvidos dos preconceitos e busquem no subtexto desses Ovídios modernos a cultura helênica ainda ressoando e reverberando. Ou como diria Frank Aguiar:”Áuuu!”

Antologia da Trolagem

Aprendendo a sacanear com mestres

Fazer os outros de besta é uma arte, que pelos mais óbvios motivos, nem todo mundo admira, principalmente aqueles que são enganados. A geração Y acabou criando o neologismo “trolagem” para designar esse tipo de ação sacana. Já falamos um pouco sobre algumas “troladas” durante a Ditadura Militar. Só para remover a poeira do balcão, escolhemos quatro “troladas” em grande estilo, e todas anteriores a popularização da Internet

Um fio de cabelo no meu projetor

Um problema comum nas projeções antigas era quando algum fio de cabelo se prendia entre as lentes, o que ocasionava sua participação forçada nas imagens projetadas, e forçavam os projecionistas a desmontarem os equipamentos para remover a sujeira. O animador Tex Avery, quando trabalhava na Warner, resolveu fazer uma gag metalinguística ao incluir, em suas animações, o fio de cabelo como um “personagem”, inclusive interagindo com os demais personagens do desenho. Dois famosos exemplos são as animações “Aviation Vacations”, de 1941, e “Magical Maestro”, de 1952. No primeiro exemplo, há uma cena onde um personagem caracterizado como irlandês interrompe sua cantoria e pede, não muito educadamente, para que alguém tire a porra porcaria do cabelo dali. É só prestar atenção por volta dos 4:00. No segundo desenho, o barítono, sofrendo na mão do maestro mágico, em um determinado momento, percebe o tal fio de cabelo e ele mesmo resolve removê-lo, lá pelos 3:25 min.

O detalhe é que esses fios de cabelo eram tão “realistas”, por assim dizer, que muitos projecionistas o tomaram por real, e perderam muito tempo desmontando os seus equipamentos atrás do falso cabelo pentelho. E Tex Avery deve ter rido muito dos coitados.

Fazendo a caveira dos cientistas

Na história da paleontologia, um dos casos mais cabeludos é o do Homem de Piltdown. Há exatos 100 anos, o arqueólogo amador Charles Dawson encontrou no sítio arqueológico de Piltdown, na Inglaterra, vestígios e fósseis de um hominídeo que, dado as suas características, poderia vir a ser o ancestral comum entre os macacos e os humanos, o tão famoso Elo Perdido, e uma evidência forte da tão combatida Teoria da Evolução, de Charles Darwin. O hominídeo a quem pertencera aqueles restos de crânio recebeu o nome de Eoanthropus dawsoni, em homenagem ao arqueólogo.

Todavia, nas décadas seguintes, a ciência da paleontologia evoluiu, novas descobertas de fósseis começaram a traçar uma linha evolutiva coerente, mas aquele crânio descoberto na Inglaterra parecia destoar de todas as evidências novas que apareciam, uma anomalia na escala evolutiva. Finalmente, com o desenvolvimento de técnicas mais precisas de datação de fósseis, os cientistas chegaram a conclusão, em 1953, de que aquele crânio era uma fraude deliberada, nada mais do que partes de um crânio humano e a mandíbula de um macaco. Foi um baque na comunidade científica, e até hoje os que atacam a Teoria da Evolução usam esse caso como argumento para abalar a credibilidade dos cientistas. Já os cientistas argumentam que, graças a essa fraude isolada, a ciência desenvolveu técnicas diversas para se identificar e datar fósseis.

Não se sabe ao certo quem foi o responsável pela fraude  do Homem de Pitdown. O primeiro suspeito seria o próprio responsável pela descoberta, mas há muitos candidatos, a maioria envolvida direta ou indiretamente com a descoberta. Porém, o mais notório dos suspeitos não é ninguém menos do que o escritor Arthur Conan Doyle. Sim, o criador de Sherlock Holmes. Ao menos é a tese defendida pelo historiador Richard Milner. A motivação seriam suas desavenças com a comunidade científica britânica, que refutavam suas teorias espiritualistas. Milner argumenta que ele tinha as habilidades necessárias, o motivo e a oportunidade – já que vivia perto do sítio arqueológico, e que no seu livro “O Mundo Perdido” haveria pistas dessa fraude. Um caso digno para o detetive de Baker Street resolver.

Espírito de Porco

Mas agora a ciência resolveu dar o troco. Em 1988, um médium chamado José Alvarez chegou a Austrália e, sob a alegação de que invocava o espírito ancestral de Carlos, que lhe dava poderes de cura e premonitórios, promoveu uma série de apresentações em auditórios lotados, apareceu em programas de TV, foi assunto da imprensa local, causou comoção entre os crédulos. Porém, dias depois, o cético James Randi veio a público informar que tudo não passava de uma fraude, que José Alvarez era, na verdade, um mágico profissional, e que tudo não passava de um experiência promovida pelo Canal 9 para mostrar a todos que poderiam ser facilmente enganados por charlatões mal-intencionados dispostos a explorar a credulidade alheia, numa época em que gurus new age estavam na moda. Usando técnicas e truques, o suposto médium enganou a praticamente todo mundo. A imprensa australiana foi feita de besta, já que se limitaram a replicar o que estava nos releases distribuídos, e ninguém se preocupou em verificar a veracidade das informações, todas falsas. O própio James Randi relembra essa história em vídeo. Não preciso dizer que muitos australianos ficaram tão putos que se ambos resolverem voltar ao país podem acabar espetados na faca do Crocodilo Dundee.

Mais Valia Beber Capelinha

Durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação alemã na França, os nazistas procuraram pilhar de toda maneira o povo francês. E um dos tesouros gauleses que a alta cúpula nazista cobiçava era justamente a produção dos excelentes vinhos das diversas regiões vinícolas. E os vinhos eram, de fato, um tesouro e um orgulho nacional para uma nação acostumada a ser desmamada com  vinhos da região de Bordeaux, Champagne, Borgonha ou similares. E os vinicultores, obviamente, não poderiam deixar isso acontecer. No íntimo, todos sabiam que aquela guerra um dia acabaria com a derrota da Alemanha e que todos deveriam segurar as pontas para quando esse dia chegasse. Daí, passar a perna nos alemães se tornou um esporte nacional, praticamente um dever cívico. E os vinicultores usaram de todo tipo de subterfúgio para manterem as melhores safras longe das mãos alemãs. Praticamente todos emparedaram milhões de garrafas, as mais valiosas, e cobriam essas paredes com teias de aranha para lhes dar aparência de velhas. E, sempre que possível, os produtores empurravam os piores vinhos, que nem para vinagre serviriam, como se fossem excelentes exemplares. Em suma, muito alemão, crente que levava legítimos Moët-Chandon ou Romaneé-Conti, estavam bebendo uma lavagem que não seria digna de lavar os pneus de um Renault. Entre mortos, feridos e prisioneiros, ao fim da guerra a maior parte dos melhores vinhos acabou se mantendo na França, e os produtores ainda conseguiram desovar a péssima safra de 1939 com os nazistas. Toda essa história foi resgatada no excelente livro “Vinhos & Guerra”, de Don e Peter Kladstrup.

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Dia dos Pais

Acertando as contas

Os dois adolescentes estavam a pouco assistindo ao filme sentados juntinhos ao sofá. Ela encosta sua cabeça no ombro do rapaz. Em poucos minutos, o filme é ignorado, e sob a penumbra da sala, começam a se beijar. Não é necessário muito tempo para que os dois iniciem um amasso mais intenso, mãos frenéticas sob roupas em busca de áreas sensíveis e cobiçadas. Ele tira a blusa da menina, e ela ajuda-o a tirar a camiseta. Ambos estão ofegantes, os seios dela apalpados pelas mãos intrépidas do jovem. Com mordidas e beijos no pescoço, ele começa a tirar o sutiã da garota.
- Interrompo alguma coisa?
Os dois pulam, assustados, e ela trata de cobrir seu busto despido. Ambos olham para o homem de meia-idade que está de pé, observando-os. O rapaz se manifesta.
- Pai, o que está fazendo aí? Nos assustou!
- Foi? Por que? Estavam fazendo algo errado?
- Não exatamente. O que acha? – diz o adolescente, com um sorriso cínico, como se solicitasse a cumplicidade masculina de seu pai.
- Sei, sei…
Dito isso, o garoto apenas se volta a sua garota e a beija, ensaiando uma volta ao intenso amasso de poucos segundos antes. O pai pigarreia forte, fazendo-os parar.
- Sem querer ser chato mocinha, mas acho que tá na hora de meu garoto ir para a cama. Sozinho.
- Pô, pai…
- Não tem Popeye aqui. Estou mais para Brutus. Boa noite, minha jovem. Desculpe o mau jeito.
Ela se veste apressadamente e se levanta do sofá, beijando rapidamente o jovem e se despedindo. Ao bater da porta, o homem ainda está de pé, braços cruzados. O menino ainda está surpreso e frustrado.
- Pai, por que fez isso?
- Isso o que? – responde o homem, que tira do bolso da calça um pequeno bloco de notas e começa a ler suas anotações.
- Você sabe. Empatou minha foda.
- Não diga. Você já está bem crescidinho, e já está aprendendo certas coisas da vida…
- Pai, não vem com essa de conversa de homem para homem. Já tivemos isso, e já sei que você vai falar sobre prevenção a gravidez, camisinha, doenças, responsabilidades…
- Não exatamente, como você diria.
- E o que é, então?
- Como você está descobrindo o bom da vida, por assim dizer, creio que já está apto a pagar sua dívida comigo.
- Que dívida?
- Esta aqui.
O adolescente apanha o bloco oferecido pelo pai e lê as anotaçõs.
- O que é isso, pai?
- São as vezes que você atrapalhou eu e sua mãe. Tá tudo anotado.
- Atrapalhei em que?
- Você sabe. Uma atacadinha, uma trepadinha, um sexozinho, fazer amor…entendeu?
- Ah, pai! Não acredito!…
- Era exatamente o que eu dizia quando você acordava chorando bem no meio da trepada com a senhora sua mãe, a qual não comi mais por sua culpa.
- Mas isso é…ridículo.
- Incrível como você diz exatamente as coisas que eu falava.
- Eu era uma criança, apenas.
- Por isso não cobrei antes. Por mais raiva que eu tivesse das vezes que meu coito foi interrompido, me limitei apenas a anotar as vezes que isso ocorreu . Para um dia cobrar.
- Cobrar? Como?
- Na mesma moeda. Tá tudo anotado. E eu vou cobrar tudo. E comecei a cobrar agora. Bonita, sua namorada…
- Meu pai, isso é brincadeira, não é?
- Essa eu disse quando você tinha dois anos e emburacou no quarto às duas da manhã, quase pegando eu e sua mãe em uma posição meio constrangedora. E pedindo para que eu imitasse o Jaspion!
- …
- É hora do troco! Você vai me pagar na mesma moeda!. Acho que até os seus dezoito anos, você me paga a dívida.
O filho aflito folheia as páginas do bloco de anotações.
- Tudo isso?
- Sim. E porque só considerei as vezes em que já estava no ato. Ignorei as vezes em que apenas dei uns beijinhos e você aparece com novidade, pois afinal sou pai, não padrasto.
- Mas deste jeito, eu não vou perder o cabaço nunca! Ah, mas eu posso ir a um motel…
- E quem é que vai financiar o pernoite e emprestar o carro, sabidão?
- Isso é sacanagem.
- Também falei muito isso.
- Pô, pai!
- Não tem Popeye nem espinafre. Assuma suas responsabilidades e pague o que deve.
- Vamos negociar.
- Eu não tive esta chance.
- Puxa, pai! Esperava até que um dia você viesse me cobrar os anos e dinheiro investidos em minha educação e saúde! Mas isso…
Um breve silêncio. O filho rompe-o.
- Ei, o dia dos pais está perto!
- Que bom que você lembra. Ao contrário de meu aniversário, mês passado.
- Pois é….podemos negociar um bom presente, aí você esquece esta história toda…
- Tá tentando me subornar, moleque?
- Não, painho, apenas compensá-lo de alguma maneira pelos inconvenientes que eu causei…
- E como pretende fazê-lo?
- Bem…sabe aquele canivete suíço que o senhor tinha, roubaram e você nunca mais comprou? Pois é…estava pensando em algo assim. Ou então aquele uísque de rótulo azul que o senhor sempre comenta, mas que nunca se permite gastar tanto…
- Claro que lembro!
- Então…podemos negociar. Um presente destes pode realmente compensar algumas coisas que ocorreram no passado. Que tal o canivete? Fechado?
- Mas é suíço mesmo, não? Não quero saber daquelas porcarias chinesas que não durariam um dia em minhas mãos…
- Claro. Suíço da Suíça, e não suíço de Hong Kong.
- Aquele com espessura de uns três dedos com bem umas cinqüenta funções?
- Estava pensando naquele modelo mais simples com duas lâminas…Estes que o
senhor está falando são muito volumosos e pesados…
- Não tem problema. Eles vem em estojos de couro. E o uísque tem que ser 24 anos.
- Ei, pai! Ou um ou outro! Não se pode ter tudo, foi o que você me ensinou.
Ou pelo menos é o que você argumentava quando eu pedia um videogame e uma bicicleta…
- Tudo bem. Você escolhe. Mas onde vai arrumar esta grana?
- É um dinheirinho que eu vinha juntando a algum tempo. Como eu não tinha mulher com quem gastar, a mesada até que rendia…
- Muito bem, filho. Vou deixar o presente por sua conta, aí esquecemos estas cobranças. Dê me um abraço!
- Valeu, pai!
Pouco depois, o filho e sua namorada se encontram em frente a uma praça. Ele a beija e abraça. E conta tudo que ocorreu.
- Agora vamos aproveitar enquanto podemos, gata!
- Mas agora ta tranqüilo, não é? Digo, teu pai não vai mais pegar no seu pé…
- Só até chegar a fatura do cartão de crédito. Aí ele vai descobrir como consegui dinheiro para comprar o presente dele..

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National Exploitation

Ex-presidentes e Filmes B – Tudo a ver

 

Quando ouvi falar em um livro e um filme retratando o presidente Abrahan Lincoln como um caçador de vampiros, achei que era gozação. Mas subestimando a vida real, alguém teve colhão de produzir um filme com essa premissa. E, obviamente, nossos produtores caras-de-pau preferidos foram na onda e se inspiraram pra fazer uma versão genérica com zumbis.

Pois bem, já que resolveram retratar algum presidente americano como um cara durão combatendo as forças do mal em uma história digna de filme de segunda categoria, isso dá margem a muitos argumentos no melhor estilo Exploitation a serem explorados em produções de baixo orçamento. Eis nossa pequena lista de futuros sucessos de Hollywood.

Ronald Reagan, o Pistoleiro do Apocalipse

Em uma realidade alternativa, o presidente-ator conseguiu levar o mundo a uma hecatombe nuclear, e a civilização se reduz a um deserto radioativo, sem lei e sem alma. E para manter a ordem nesse caos, o último inquilino da Casa Branca fará o que sabe fazer melhor: será um cowboy e xerife da nova ordem mundial, mandando bala em qualquer comunista que queira bagunçar sua quebrada. E sem precisar concorrer a reeleição.

Franklin Roosevelt, Caçador de Nazistas

Dado como morto após o fim da Segunda Guerra Mundial, o ex-presidente atua secretamente para caçar e punir criminosos nazistas foragidos, reunindo uma equipe de militares criminosos, os doze bastardos sem glória. Em uma missão de rotina na América do Sul, descobre que o próprio Adolph Hitler ainda está vivo e escondido na Argentina. Será a batalha definitiva entre os dois arqui-inimigos.

George W.Bush, Secret Texas Ranger

Após concluir seu segundo mandato, Bush lidera um grupo secreto dos Texas Ranger criado para combater a conspiração hispânica que quer destruir a economia americana ao facilitar a entrada de milhões de imigrantes ilegais no país. Mexploitation de primeira. Participação especial de Danny Trejo.

Obama Black Tiger

Anos antes de sequer pensar em entrar para a política, o jovem Barack usou seu penteado Black Power e suas habilidades de combate para defender a comunidade negra contra a opressão do sistema e do homem branco. Ao investigar uma série de crimes ligados ao tráfico de drogas, Obama segue uma trilha de sangue que verterá em um confronto mortal na Casa oval com o próprio Richard Nixon!

George Washington, o Psicopata Americano

O maior segredo da história americana é que o seu primeiro presidente era, nas sombras, um assassino psicótico, que usava seu machado para degolar e mutilar suas vítimas indefesas.

John Kennedy – O Primeiro Homem na Lua

Após a crise dos mísseis em Cuba, Kennedy determina que a NASA leve um homem a Lua antes do fim da década, pois seu objetivo é montar uma base no satélite natural onde ele possa levar seus casos e amantes sem ter que se preocupar com repórteres, a oposição ou os ciúmes de Jackeline Kennedy. Uma trama de espionagem recheada de mulheres voluptuosas em trajes sumários.

Teddy Roosevelt na Montanha dos Canibais

Em um safári na África, o histórico presidente americano vê um grupo ser atacado por uma tribo de canibais que idolatram um deus pagão sedento por sangue e mulheres virgens e gostosas. Só ele é capaz de enfrentar os selvagens antropofágicos e retornar a civilização com a virgindade das atrizes intacta.

Bill Clinton – a XXX Parody

Simplesmente a verdadeira história do governo democrata de 1993 a 2001. Sem cortes.

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Visões do Inferno

Invasões de Privacidade e Suas Desagradáveis Surpresas

 

Desde sexta que as redes sociais estão em polvorosa por conta do vazamento de fotos particulares da atriz Carolina Dieckmann. E, de acordo com as informações posteriores, quem vazou as fotos tentou extorqui-la em dez mil reais, e uma das suspeitas é que ela mencionou que teria levado o computador para a assistência técnica e que o “vazamento” poderia ter ocorrido ali. E isso me lembrou uma historinha. (e não, não vou postar as fotos, se é isso que estão procurando).

Não sei como as coisas funcionam atualmente, mas na época em que eu trabalhava em assistência técnica, no laboratório de microinformática, quando baixava um computador com defeito por lá, a primeira coisa que os tarados dos técnicos faziam era justamente vasculhar o HD em busca de fotos e vídeos de putaria entretenimento adulto. E normalmente havia muita coisa, mas nada pessoal e comprometedor em relação a pessoa propriamente dita.

Mas uma vez a surpresa foi deveras desagradável. O cliente deixou o seu equipamento e os safadenhos já foram executar a subrotina de busca por sacanagem. E encontraram rapidinho, aos megabytes. O problema é que o que encontraram não foi exatamente do seu agrado:centenas de machos pelados. E pra completar o humilhante quadro, cada um ostentando um instrumento digno do Obelisco do Ibirapuera. Inclusive o próprio dono do equipamento (o computador, só pra esclarecer).

Claro que essa raça do cão não podia sofrer calada, e tiveram que compartilhar sua miséria. Chamaram-me e, na expectativa de ver um espetáculo feminino, parei na primeira foto e, digamos, recolhi-me a minha insignificância. Mas quem sofreu mesmo com a presepada a pobre da recepcionista, que foi apresentada as fotos da seguinte maneira:”sabe aquele cliente, com jeito de macho, sério todo, olha aí do que ele gosta…”. Claro que a coitada caiu na gargalhada. E pra terminar de lascar, ela praticamente teve que prender a respiração para não rir histericamente quando o cliente veio apanhar o equipamento.

Aliás, esta coitada sofria na mão dos obscenos. Uma vez, ao imprimir um recibo para o cliente, os malucos haviam pedido uma impressão coincidentemente na mesma hora. A coitada só fez tirar o primeiro papel que saiu da impressora e entregou a cliente para assinar. Ao ler, a cliente devolveu o papel, dizendo que não era dela. Ao conferir, a recepcionista viu o revelador título da impressão:”dez dicas para um boquete perfeito”. Não sei qual das duas ficou mais constrangida ( e nem qual dos fuleiras riu mais).

E como toda historinha decente, essa tem uma lição. Ou três, nesse caso. Ei-las:

- Aprenda a consertar seu próprio computador, principalmente se você guarda fotos comprometedoras no Disco Rígido. Ao menos aprenda a tirar o Disco Rígido do equipamento antes de remetê-lo ao conserto.

- Aos técnicos:cuidado com o que procuram, pois a surpresa pode ser beeeem desagradável, pois ao invés de uma Dieckmann, pode achar vários Dick Men…

- Se estão achando pouco o que o suposto chantagista pediu para não vazar as fotos, deveriam ver quanto ganha um técnico de microinformática…

Palavras ao Léu

Um Breve Manifesto em Defesa do Botequim Honesto e sem Frescura

Ontem, enquanto atestava a qualidade de algumas cervejas escuras na segurança do meu lar, me surpreendi com essa bizarra notícia  a respeito do Bar  Léo, um dos bares mais conhecidos e considerados pra caramba pelos bebuns que frequentam o centro de São Paulo, um lugar que se assemelha a algo entre uma praça de guerra e um dos círculos do inferno de Dante, caso vire na esquina errada e na hora inoportuna. Mas contra todas as tentativas e omissões do poder público de tornar a região habitável apenas por zumbis, este estabelecimento ainda era uma referência entre apreciadores de um chope bem tirado acompanhado de algum quitute. Infelizmente falsificação de chope não é crime inafiançável, porém o crime lesa-boêmia maior foi manchar o nome e reputação do boteco que levou décadas para se estabelecer. Mas a derrocada parecia vir há algum tempo, e  constatara isso a contragosto em minha última visita ao local em fins do ano passado, já que era pra mim uma referência de boteco desde que conheci São Paulo há priscas eras.

Todavia o Bar do Léo não é o único. Outro point bom que garantia um chope bem tirado era o Bar da Brahma, na esquina mais famosa da música baiana. Porém, a última vez que tentei entrar lá,  a burocracia era tanta que só me faltaram pedir exame de DNA e atestado de antecedentes criminais só para poder entrar e pedir algo. Isso sim é decadência pior do que ser comprado pela Kaiser. Sinceramente, tanta burocracia vai de encontro ao clima informal que deve imperar em qualquer boteco, bar ou afins, locais simples onde a gente simplesmente se senta e pede a cerveja (ou chope) de sua preferência enquanto se decide pelo que vai pedir para distrair os dentes.

Citei tais exemplos apenas para ilustrar quanto terreno estão perdendo os dipsomaníacos amantes da informalidade e do quase improviso na arte de se gerir um bar ou boteco, algo que compartilho com muitos dos que me conhecem – alguns dos quais conheci justamente em algum desses estabelecimentos. Supondo que haja uma guerra entre os que apreciam os hábitos simples e informais e os que querem tornar o mundo uma linha de montagem taylorista, lamento constatar que os coxinhas uniformizados de pólo Lacoste estão vencendo com larga vantagem. Ao menos neste front avançado ao sudeste do Brasil. Se os tecnocratas da vida moderna não conseguem transformar o mundo numa imensa plantação de soja, conseguem de toda forma tentar impor um modo de vida asséptico e politicamente correto a maioria da população. E isso acaba até afetando os botecos. Quando não se transformam em points afetados onde as pessoas vão para serem vistas e não se importam em pagar caro por um serviço porco,  o estabelecimento acaba caindo em franca decadência e começa a utilizar de expedientes desonestos para com sua clientela cada vez menos fiel. Ao que me consta, uma geração inteira de frustrados por não terem sua carta lida no programa da Xuxa está chegando a cargos importantes e tomando decisões de gosto duvidoso. Chegará um ponto no qual o cidadão que queira saborear seu tônico preferido apenas o faça em casa. E sem esquecer de levar a sacola ecológica pro armazém para trazer as latinhas ou garrafas.

Frequentar botecos, sujinhos, botequins ou similares é um modo de vida em extinção, já que as novas gerações criadas por vós em condomínios fechados não desenvolveram anticorpos e lactobacilos (muito) vivos pra suportarem meia hora respirando o ar próximo ao balcão de um botequim, quiçá digerindo aqueles acepipes expostos nas estufas de balcão. No máximo os jovens frequentam sujinhos de butique, que dos originais só tomam emprestado a estética. Há alguns baluartes bravamente se mantendo, mas até quando, pergunto eu, pois um dia seu zeloso proprietário passará a frente o seu avental e pano de prato (sujos de gordura, obviamente), e nem sempre quem os receber será digno de tais mantos.

Senhores e senhoras aficcionados pelo suzinho de várzea, de raiz, moleque, convoco-vos para que aproveitem o domingo e prestigiem seu estabelecimento de confiança, aquele cujo dono é meio surdo e grosso igual parede de castelo, mas que lhe dá atendimento personalizado. Aproveite enquanto ele ainda existe, antes que algum gênio do marketing o modernize e substitua a caderneta de fiado por uma comanda eletrônica, oferecendo um serviço pior pelo triplo do preço, e ainda sob o risco de servir chope batizado.

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