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	<title>Papo de Blodega &#187; José Sarney</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Motivos Para Esquecer os Anos 90</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 11:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<div><img class="aligncenter" style="max-width: 800px;" title="nevermind sarney" src="http://farm3.static.flickr.com/2787/4331905577_6774a26115_b.jpg" alt="" width="450" height="446" /></p>
<div>Em continuação ao <a href="http://www.blodega.com/index.php/2010/02/04/motivos-para-esquecer-os-anos-80/" target="_blank">texto anterior</a>, nossa modesta colaboração para a amnésia coletiva, desta vez apontando nossa memória seletiva para a última década do século XX.</p>
<p><strong>Vanilla Ice e Milly Vanilly</strong><br />
O Rap e o Hip-hop começaram a sair dos guetos e vender muitos discos. E é claro que os executivos de gravadoras tentam reproduzir a coisa em laboratório, e o que conseguem é coisa como o Vanilla Ice. Ou pior, os fajutos Milli Vanilli, cujas vozes verdadeiras eram terceirizadas. Com sorte, o prazo de validade destas bostas era bem curto.<br />
<strong><br />
Macareña</strong><br />
O que começou como uma rima improvisada numa festa Venezuelana acabou como uma das mais irritantes e insistentes músicas da década, que nos legou uma coreografia ridícula e um passado de vergonha a muitos que foram na onda. Um dos grandes mistérios da humanidade é saber como essa música e dança sem-futuro viraram mania na Gringolândia. Ou é a prova que um marqueteiro esperto pode vender qualquer coisa ou que o povo americano é capaz que engolir qualquer bosta. O que não é prerrogativa exclusiva deles, como veremos a seguir&#8230;</p>
<p><strong>Música sertaneja, Axé, Pagode</strong><br />
Com o esgotamento e a decadência do pop/rock nacional dos anos 80, as gravadoras apelaram para empurrar lixo da pior qualidade no público. E tome lambada, dupla sertaneja, banda de axé e pagode mela-cueca. Pra cada música ou artista que desse pra salvar, haveria dezenas de porcarias destes gêneros tocando nas rádios e TV´s. Mas a música baiana merece menção especial, já que se espalhou como gafanhoto pelas micaretas Brasil afora. E junto com a axé music a Bahia exportou tudo que é tipo de dança ridícula: dança da manivela, dança da galinha, boquinha da garrafa, tcham, tchaco&#8230; Ou seja, só a produção cultural da Bahia já seria motivo suficiente para se esquecer os anos 90. Mas a trupe “É o Tchan”, comandada por Compadre Washington era concorrente sério a ser o elemento mais bizarro desses anos. Quando não estava dando chance a morenas e loiras gostosas se darem bem na vida, mesmo que debaixo de chutes e pontapés, parecia mais parque temático do que banda de axé. E tome É o Tchan na selva, no Egito, na baixa da égua, na passeata do MST, na Bósnia ou na puta que pariu.</p>
<p><strong>Jordy</strong><br />
Os franceses ainda falam que nós não temos um país sério. Como é que os bastiões do mau-humor e do politicamente incorreto impõem ao mundo uma música cantada por uma criança de quatro anos e que se torna sucesso, sendo tocada em tudo que é FM e TV adeptas do jabá? Que falta fez um Siro Darlan naquelas bandas. Ao menos os franceses se redimiram com o mundo pop ao nos presentear com a <a href="http://www.wiihotties.com/2009/08/07/french-singer-alizee-jacotey-is-the-hotness-of-the-day/alizee6/">lolita Alizée</a>&#8230;</p>
<p><strong>José Sarney</strong><br />
Pois é, ele de novo. Após terminar o mandato de presidente em 1990 e deixar o país mais quebrado do que arroz de terceira, o bigodudo larga o Maranhão e se muda para o Amapá, onde a piada corrente é que lá teria uma fazenda de burros, e desde então vem sido eleito sucessivamente como Senador, se agarrando como carrapato à qualquer governo que chegue à Brasília e empregando toda a sua família em cargos públicos.  Pra falar a verdade, Sarney apareceria em qualquer lista de motivos para esquecer a década desde os anos 50, já que sempre perseguiu uma boquinha junto à situação. E se acham pouco, esperem até fazermos os motivos para esquecermos os anos 00&#8230;</p>
<p><strong>Fernando Collor </strong><br />
É, elle de novo! Já não bastou ter sido eleito no fim da “década perdida”, suas trapalhadas chegaram aos anos 90, e foi solenemente pénabundado de seu cargo executivo nos primeiros anos da década. E se acha pouco ele aparecer nesta lista e na dos anos 80, espere até a próxima. E falando em próximo, lembremos o que ele nos deixou&#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 325px"><strong><strong><img class=" " title="itamar franco e lilian ramos no carnaval" src="http://farm3.static.flickr.com/2725/4331999775_fe70d35399_o.jpg" alt="itamar franco e lilian ramos no carnaval" width="315" height="213" /></strong></strong><p class="wp-caption-text">O topete do presidente</p></div>
<p><strong>Itamar Franco</strong><br />
Nosso Forrest Gump teve a sorte de estar no lugar certo e na hora certa, já que nunca deve ter planejado se tornar presidente nem tampouco tirar o país do buraco da hiperinflação. Na realidade saímos do buraco não por causa dele, mas apesar dele. Pois não dá pra levar a sério um estadista que ressuscita o Fusca  e é flagrado ao lado de uma buceta em pleno Carnaval. Nada contra a buceta, obviamente, mas isso tudo dava uma ideia do quão sério  era nosso presidente. E a ele devemos oito anos de FHC no poder. Vade retro</p>
<p><strong>Copa de 1990 </strong><br />
O escrete de Sebastião Lazaroni não lembrava nem de longe o esquadrão reunido nas duas últimas copas, as quais não ganharam. E o fiasco em 1990 só seria comparável ao fiasco de 2006, mas esse deixemos pra quando formos escrever sobre os motivos para esquecer os anos 00&#8230;</p>
<p><strong>Lair Ribeiro</strong><br />
Toda década tem o guru espertinho que merece. No meio da praga oportunista dos livros de auto-ajuda, o “papa” daqueles tempos foi Lair Ribeiro, que prometia mundos e fundos para quem seguisse seus ensinamentos . E como todo livro de auto-ajuda, quem realmente encheu o cu de dinheiro foi o autor.</p>
<p><strong>Quadrinhos Image e similares</strong><br />
Mesmo com muita coisa boa surgindo nos quadrinhos nessa década, o que predominou foi a mediocridade de ideias e histórias e uma temporária supremacia do visual. E tome colorização por computador e imagens de página inteira. História decente e ideia original que é bom, tava difícil de aparecer. E ainda serviu pra garantir emprego a artista que não sabe desenhar, como o caso de Rob Liefeld, Michael Turner e Jim Lee&#8230;</p>
<p><strong>Tamagotchi</strong><br />
Cultura nipônica é um troço estranho da porra, e uma dessas manias nos anos 90 era a de criar bichos virtuais, os tais tamagoshis, que não passavam de chaveirinhos eletrônicos nos quais os desocupados donos dos bichos virtuais os alimentavam, davam atenção, botavam pra dormir e outras coisas. Não era mais fácil criar um vira-lata com restos de tira-gosto? Parece coisa de menino criado por vó em condomínio fechado, empinando pipa em ventilador, jogando bola de gude em carpete e criando tamagotchis. Bem, dos males o menos. Os japoneses tem <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tentacle_rape">manias muito mais feias que podiam ter se espalhado</a>&#8230;</p>
<p><strong>Bug do Milênio</strong><br />
A última grande picaretagem da década, a versão digital do apocalipse bíblico prometia remeter a todos de volta a idade média tecnológica. E pra variar alguém ganhou muita grana com esse terrorismo cibernético decorrente da suposta incompetência de projetistas e programadores. Incompetência sim, já que até os maias, há uns bons séculos, já tinham calendário que ia até 2012, e a porra dos engenheiros e programadores achavam que 1999 já seria bem otimista. No frigir dos ovos foi muito barulho por nada, como quase tudo dessa década.</p>
</div>
</div>
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		<title>Motivos Para Esquecer os Anos 80</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 11:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><img title="&quot;Vem Dançar Mambolê!&quot;" src="http://farm5.static.flickr.com/4024/4324637273_fe64128f19_o.jpg" alt="" width="290" height="387" /><p class="wp-caption-text">&quot;Vem Dançar Mambolê!&quot;</p></div>
</div>
<div style="text-align: justify;"><em>Nota: Com o fim dos &#8220;anos 00&#8243;, antes mesmo do fim da década propriamente dita, os apressados já listaram o que havia de melhor (e pior, eventualmente) destes anos. E fatalmente teremos, em breve, algum movimento saudosista mais forte em relação aos anos passados, como tivemos na primeira metade dos anos 00 um oportunista saudosismo dos anos 80. Por isso, antes de lembrarmos bons motivos para esquecermos os ano 90 e 00, vamos reeditar este texto que foi publicado durante o auge do saudosismo oitentista. </em></div>
<div style="text-align: justify;">
<p>O saudosismo dos anos 80 tem tomado espaço na mídia fazendo a alegria dos saudosistas. Mas como todo saudosismo, sempre aparece aquela impressão de que “naquele tempo” era melhor. Uma porra, já que há coisas boas e ruins em todas as épocas, salvo períodos de guerra, peste, ditadura, caça às bruxas ou leis secas. Por isso, para não passarmos à geração Pokemon a impressão de que os anos 80 só tinha coisa boa, sentimo-nos na obrigação de lembrar algumas coisas que nossa memória afetiva quer esquecer. Por um bom motivo.</p>
<p><strong>Guerra Fria</strong><br />
Ronald Reagan no governo americano, mísseis Pershing na Europa, guerras assolando a África e o Oriente Médio, programa Guerra nas Estrelas, o perigo constante da III Guerra Mundial, estudo dos cientistas mostrando as consequências de uma guerra atômica, além do filme “The Day After”. Por sorte os comunistas conseguiram acabar com o comunismo antes que a Guerra Fria transformasse o planeta em um Spa para escorpiões e baratas. O que não aconteceu por muito pouco.</p>
<p><strong>Yuppies</strong><br />
Um bando de jovens arrogantes que  queria ganhar seu primeiro milhão a qualquer custo, investindo no mercado de ações. Representaram o pior do american way of life. Além de vestirem aqueles blazers roxos com ombreiras ridículos, os caras eram fúteis até a medula. Um bocado deles acabou indo ver o sol nascer quadrado, por conta de irregularidades em seus negócios.</p>
<p><strong>As Músicas do Mister Sam</strong><br />
Tudo bem que a macharia daqueles tempos adorava ver o rabo de <a class="zem_slink" title="Gretchen" rel="homepage" href="http://www.gretchen.com.br/novo/index.asp">Gretchen</a> balançando no palco do Cassino do Chacrinha (e no Clube do Bolinha). Mas aquelas músicas (??) que ela cantava (!!) como se tivesse copulando com um ornitorrinco eram todas de autoria de um tal de Mister Sam. O rabo de Gretchen chegou ao século 21 intacto (ou quase), como pode ser visto naqueles DVD´s da “Brasileirinhas”. Já o Mister Sam, sabe Deus quem era esta criatura. Mas cada década tem o Mister Sam que merece. Para estes tempos, temos o Latino.</p>
<p><strong>Hiperinflação</strong><br />
Overnight, cotação oficial e paralela do dólar, incontáveis planos econômicos (cruzado, verão, Bresser. Cruzado II, Collor e o cacete a quatro), remarcações diárias de preço, achatamento de salário, inflação mensal beirando os três dígitos. Uma beleza. Você não sabia quanto pagaria por aquele refrigerante no final da semana. Lembro-me que paguei TRÊS valores diferentes por uma Coca-Cola na mesma semana. Gibi, nem se fala. Não tinha salário (e mesada) que durassem. Em suma, a economia cresceu para baixo, igual à raiz e rabo de cavalo. Não é à toa que chamam estes saudosos anos de “década perdida”. Deixar o bolo crescer pra dividir depois meus ovos, Delfim Neto!</p>
<p><strong>Fernando Collor</strong><br />
A grande promessa das elites para salvar a nação, já desacreditada de muita coisa. O caçador de marajás assumiu o poder confiscando a poupança do povo e afirmando que tinha uma arma com um único tiro para acabar com a inflação. O que deu é que a inflação continuou fodendo o povo e ele foi defenestrado do poder após o cunhado entregar o esquema todo e a casa cair. Era melhor ele usado o único tiro para  atirar na sua cabeça</p>
<p><strong>Governo Militar</strong><br />
Metade dos saudosos anos 80 viveram sob a ditadura militar do saudoso General Batista de Figueiredo. A imprensa era censurada, mas as torturas estavam cessando. E eu tinha que cantar o hino e hastear  bandeira todo dia na escola. Mas o sincero Presidente Figueiredo deixou algo mais do que um país falido aos civis, devido a sua autenticidade: respondeu que atiraria na cabeça se tivesse que viver de salário mínimo, que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, achava seu sucessor civil um traidor feladaputa e não lhe passou a faixa presidencial, saindo pelos fundos, e pediu para que todos o esquecessem. Ah, tem também como legado um bairro que leva o nome de sua mãe, e onde morava o digníssimo Tio Xiko.</p>
<p><strong>Reserva do Mercado de Informática</strong><br />
O que deveria ser um artifício de mercado para que a indústria nacional fosse protegida da concorrência externa para desenvolver tecnologia própria em informática, acabou como a maioria dos grandes planos nacionais: deu merda. Durante anos os brasileiros teriam que cagar dinheiro para ter acesso ao que havia de mais moderno lá fora para que as empresas nacionais aprendessem a montar um computador. Acabamos trabalhando com artigos inferiores, e quando o mercado se abriu, a indústria nacional não conseguia fazer um disquete melhor e mais barato que os concorrentes estrangeiros. Mais uma boa intenção que acabou calçando o caminho do oblívio.</p>
<p><strong>José Sarney</strong><br />
Entrou na história graças ao acaso de ter o presidente titular morrido antes de assumir o cargo. Tentou acabar com a inflação com cruzado, maribondos de fogo, congelamento, fiscais do Sarney. Parecia que tudo daria certo, como teria que dar, mas faltou sorte, leite e carne. Tudo que conseguiu foi mais um ano de governo e aumentar a inflação. Tem que dar certo o caralho!</p>
<p><strong>Cinema Nacional</strong><br />
Naquela época, existia e Embrafilme, que subsidiava produções nacionais com dinheiro público. Assim, o diretor não tinha maiores obrigações em dar lucro na bilheteria. Daí que saía cada bosta sob o pretexto de ser filme de ator, filme de arte&#8230;E o que se salvavam destas masturbações intelectualóides eram tecnicamente sofríveis. O melhor mesmo eram as pornochanchadas&#8230;</p>
<p><strong>Cometa Halley</strong><br />
Sobre ele já <a href="http://www.blodega.com/index.php/2010/04/11/nao-cometa-essa-loucura/">escrevi um texto inteiro</a>, mas pra resumir a palhaçada, nas vezes anteriores que o cometa passara todo mundo pensava que o mundo iria acabar. Como isso nunca aconteceu, os marqueteiros resolveram então, ao invés de espalhar o pânico, vender tudo que é bugiganga em cima do hype da aparição do cometa, de caneta a filmes. O que ninguém comentou a época é que o cometa passaria tão longe da Terra que o espetáculo prometido não passaria de um pontinho no céu visível apenas por um puta telescópio. Ninguém sequer viu a cauda do cometa, e muito esperto encheu o rabo de dinheiro.</p>
</div>
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