Posts Tagged ‘Literatura’

O Leitor Apaixonado

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Nota do blodegueiro: esse texto deveria ter saído junto com o do Ruy Castro que eu escrevi para o site Mínimo Múltiplo há algumas semanas, mas acabou só saindo agora. Ao menos é uma boa maneira de abrir os trabalhos de 2010. Boa leitura!

Ruy Castro é um escritor apaixonado, e suas paixões envolvem o futebol, o cinema, a música e cultura popular americana pré-anos 1960, Bossa Nova, Samba, o Rio de Janeiro e qualquer assunto que renda uma boa e leve crônica. E claro, a própria escrita, seja em um bom romance ou em algum artigo bem escrito. Com esse leque de interesses, em mais de quarenta anos de jornalismo, obviamente seu currículo acumulou material suficiente pra lotar uma pequena biblioteca.

E parte desse material, espalhado em jornais e revistas pelos quais Ruy passou ou contribuiu, vez por outra é reunido em livros. O mais recente desses é “O Leitor Apaixonado – Prazeres à Luz do Abajur”, lançado em agosto do ano passado. Como Ruy Castro é um dos únicos cuja obra eu adquiro sem hesitar, logo consegui um exemplar que furou a minha fila quilométrica de leitura sem maior cerimônia. Mas só agora me dedico a falar sobre tal livro, e a sugerir sua leitura por todos que gostam de literatura.

O tema dos artigos reunidos é a leitura e o prazer desse hábito “à luz do abajur”, e longe de serem resenhas ou análises críticas, os textos explorar a faceta mais lúdica da leitura e o lado humano dos autores. Os textos tratam predominantemente de livros e seus escritores, mas também abrangem assuntos correlatos, como as capas das revistas “Esquire” e “The New Yorker”, ilustrações “pin ups” reunidas em livros da Taschen, curiosidades lingüísticas no idioma pátrio, a relação entre a ingestão de hectolitros de álcool e o talento de escritor, detalhes biográficos dos grandes vultos das penas nacionais: Paulo Francis, Nelson Rodrigues e Carlos Heitor Cony, biografias de autores internacionais renomados, as tiradas venenosas e de alta classe da turma da mesa redonda do Algonguim, comentários irônicos sobre a mania dos best-sellers, escrito lá pelos anos 80 (e cujos títulos que cita hoje estão praticamente esquecidos), incluindo aí um artigo insuspeito sobre o nosso maior best-seller: Paulo Coelho.

Como de costume, Ruy não se retém ao óbvio, buscando em seu vasto acervo audiovisual informações e fatos não tão conhecidos. Descobrimos coisas curiosas e interessantes, com Ruy desmistificando a aura vanguardista do movimento da Semana de 22 ao mencionar alguns escritores e obras da época, como João de Minas e Luís Martins, cronistas da realidade nua e crua carioca, envolvendo sexo e consumo de drogas, que foram relegados ao segundo plano nos estudos da literatura brasileira que privilegia o modernismo pós- Oswald e Mário de Andrade. Também descobrimos que teve um tempo no qual Oscar Wilde era chegado em mulher e que teve até filho (jura, santa?).

Mas o mote principal do livro é lembrar que leitura é, antes de tudo, uma atividade que deve ser prazerosa. Mas nem tudo são flores na vida do escritor. Certamente devido aos problemas legais que teve ao biografar o jogador Garrincha, Ruy Castro vez por outra menciona em seus textos quão ingrata é a tarefa de biografar personalidades com descendentes ainda vivos. Ou muito vivos, em alguns casos. Aqui há dois textos que tocam no tema, sendo um sobre o neto de James Joyce, que dispõe da obra e biografia do avô famoso como bem lhe convém, a despeito de sua importância para a literatura universal. Outro texto fala diretamente dos problemas envolvendo os filhos de Garrincha e o processo que eles moveram contra a editora, em forma de conselho a quem porventura venha a se aventurar na senda de biografar algum famoso com filhos ou netos ainda vivos. E para endossar isso, o mais recente cu-de-boi envolvendo biografia e descendentes de biografados é o livro “Matar Para Não Morrer”, que narra o episódio envolvendo o corno, escritor e péssimo atirador Euclides da Cunha e o pé-de-lã Dilermando de Assis, cujos netos querem processar a autora do livro. Se a historiadora Mary Del Piore tivesse lido a matéria do Ruy, talvez tivesse pensado duas vezes antes de começar seu livro…

“O Leitor Apaixonado” meio que fecha uma espécie de “trilogia” de livros reunindo artigos de Ruy Castro e organizados por sua esposa, Heloisa Seixas. O primeiro saiu em 2006, reunindo artigos sobre cinema, predominantemente americano e pré-anos 60, e se intitulou “Um Filme é Para Sempre”. No ano seguinte, sob a mesma fórmula, saiu “Tempestade de Ritmos”, com o tema música, e a maioria dos artigos é sobre música americana, principalmente Jazz. Há música brasileira também, mas bem pouco, já que este tema foi reunido em uma antologia anterior, “A Onda que Se ergueu do Mar”, que reuniu artigos sobre Bossa Nova e outros ritmos brasileiros, saindo meio que no rastro de “Chega de Saudade”. Mas em todos estes há a marca característica de Ruy Castro: entregar um calhamaço de informações, muitas até obscuras, sem entediar o leitor, ao contrário, divertindo-o no processo.

Seguindo este ritmo, será que teremos algum livro sobre outra paixão do Ruy, como o futebol, para completar uma tetralogia? Bem, veremos. De qualquer maneira, independente do tema, ler Ruy Castro é garantia de prazer, sob qualquer luz.

Diário de uma Malvada

Esse texto foi escrito por uma antiga colunista do nosso site mais antigo ainda, CrazyMan, Dyell Araújo. Ela é meiga, e nunca frequentou a Blodega. Não gosta de blodegueiros, mas até que escreve bem. Vejamos se está aprovada na nossa mesa:

Diário de uma Malvada

Querido caderno de veludo roxo com letras douradas onde confesso todas as minhas maldades. Como tem passado?

De um tempo para cá a minha vida vem estado numa calmaria sem fim. Não entendo como ser vilã e presidente de uma multimilionária firma de porcelana, alimento e roupa íntima. Depois que matei aquele motorista que me chantageava aproveitei essa calma toda e coloquei silicone. Vilã tem que ser peituda! Hoje, pela manhã, demiti a empregada, Mercedita del Ben, aquela com seis filhos e um marido alejado. Dá para acreditar? A mocoronga loira esqueceu de colocar adoçante no suco de umbu. Fui obrigada a demiti-la, tenho que ser sincera, que enquanto ela chorava implorando para que eu não a demitisse ou pelo menos não a matasse, quase morri de rir, mas me controlei, lembrei que mais tarde teria que me depilar e fingi que não achei divertido ela contando do sobrinho cego. E por falar em sobrinho cego, um vagabundo, isso sim diário, ontem pedi para que ele lavasse minha Beêmi e ele veio com uma conversinha de que era cego, vê se pode? Como se ser cego justificasse alguma coisa. Assim como aquele alejado do marido da Mercedita  disse na frente do titio que a culpa de sua deficiencia era minha só porque o atropelei seis vezes seguidas e ainda não prestei socorro. Concidências existem! Pobre! Sempre querendo culpar alguém! Sempre! Leia Tudim... »

Anjos X Demônios

Depois de ler o livro e assistir o filme da obra de Dan Brown, Anjos e Demônios, fiquei espantado sobre como hollywood pode acabar com qualquer coisa, afinal fazer caber um livro de 400 páginas em 2 horas de filme é uma coisa por demais díficil, ou não?

Na verdade o filme é totalmente feito nas coxas do roteirista, que deve ter lido o livro passando de 3 em 3 páginas. Mesmo sendo o próprio Dan Brown um dos produtores executivos, o filme pra mim ficou uma bosta. Logo nas primeiras cenas uma verdadeira burrice cinematográfica: O velho cientista, que é o primeiro a morrer, tem seu olho arrancado para que o assassino entre na sala onde está anti-matéria. Só que quando a Vittoria entra na sala, o velho morto está lá dentro. Como pode? O Assassino tirou o olho do cara, colocou no leitor de retina e arrastou o cara pra dentro? Não era mais fácil colocar o cara direto la no scanner? Sim, e o pior, o velho já estava dentro do laboratório, então o assassino entrou, arrancou o olho dele, saiu e entrou de novo, agora sim usando o scanner. No livro ele morre no seu quarto, e não no laboratório. Coisas de cinema…

São várias outras coisas que acontecem, como personagens importantes no livro, o diretor do CERN por exemplo, simplesmente não existirem no filme. Fora os nomes trocados e uma confusão que no final não da pra entender. E que final… Tudo mudado, será que foi devido ao tempo? Não vou fazer spoiler, mas por que tão diferente?  Alguém tomou tequila no vaso do Papa?

Em suma, leia o livro, veja o filme e tire suas conclusões. Espero que o próximo filme baseado em obras dele seja pelo mesmo mais semelhante com o livro. Por exemplo, Ponto de Impacto é um livro que já é um filme pronto. Se for pra fazer merdas como essa melhor deixar os livros só na imaginação mesmo.

Seja um Paulo Coelho você Também

Depois de ver uma propaganda de um novo carro super chique que custa mais do que o bolso dos pobres mortais podem comprar, me lembrei desse texto do Moziel, falando sobre o astro da propaganda do carrinho, o Paulo Coelho. Claro é uma reedição, visto que o velho Moza está com os dedos atrofiados, mas tá valendo.

Seja um Paulo Coelho você Também

Não obstante o comentário venenoso dos puristas que sacodem pedras e infâmias contra o ex-fã do Aleister Crowley, o velho mago está cagando e peregrinando, pois está enchendo os bolsos de grana e conseguindo fãs famosos. Como milhões de moscas, incluindo as moscas famosas, não podem estar erradas, o negócio mesmo é ser camelô do metafísico e vender alto-ajuda barata em forma de romances rebuscados. E, como a coisa tá preta pra todo mundo, vamos tentar faturar em cima desta onda de magia e feitiçaria. Quem sabe você não cria o novo Harry Potter e vende os direitos do seu personagem para Roliúde?

NÃO É FEITIÇARIA, É PICARETAGEM!!

Mas não desprezemos o trabalho dos picaretas, já que escrever livros de magia não é assim tão fácil quanto escrever uma redação para o vestibular de faculdade privada de terceira linha. De qualquer maneira, eis aqui a nossa modesta contribuição para criarmos mais algumas dezenas de fenômenos das letras nacionais. Se o sucesso bater a sua porta, se lembre de nós. Mas se bater a sua porta oficiais de justiça com acusações de plágio, esqueça que existimos.

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  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
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  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
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