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	<title>Papo de Blodega &#187; Miles Davis</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Relembrando Clifford</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 11:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ano passado o site Mínimo Múltiplo, do colega Lucas Colombo, publicou este meu texto sobre o trompetista Clifford Brown. Para relembrar o aniversário de sua morte, republico aqui na Blodega o texto, principalmente nestes tempos de vuvuzela estuprando nossos tímpanos. Se o pop decidir elevar o 25 de junho a dia santo devido à recente [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/clifford20brown2001.jpg" alt="" width="400" height="288" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ano passado o site <a href="http://minimomultiplo.com/">Mínimo Múltiplo</a>, do colega Lucas Colombo, publicou este meu texto sobre o trompetista <a class="zem_slink" title="Clifford Brown" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Clifford_Brown">Clifford Brown</a>. Para relembrar o aniversário de sua morte, republico aqui na Blodega o texto, principalmente nestes tempos de vuvuzela estuprando nossos tímpanos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se o pop decidir elevar o 25 de junho a dia santo devido à recente morte de Michael Jackson, os acólitos do Jazz têm prerrogativa e preferência pela  data, pois em 1956, na fatídica madrugada de 25 para 26, morria em um  acidente de carro o jovem trompetista Clifford Brown, que contava com 26 anos incompletos e estava em plena atividade. Mais do que um futuro  promissor não cumprido, sina de muitos artistas mortos precocemente, ele já era mais do que uma promessa e já havia deixado sua marca no gênero, tanto por seu talento com o instrumento quanto por seu perfil incomum.  Se hoje o consumo de drogas está associado à “atitude” dos artistas de  rock e congêneres, devo abrir um parêntesis para lembrar que, há  décadas, muitos artistas de Jazz consumiam doses industriais das drogas  então disponíveis, muitos em busca de inspiração e combustível para  longos solos e improvisos. Por exemplo, se Tim Maia costumava praticar  sua versão de Triatlon (maconha, uísque e cocaína), Billie Holiday, em certa época, praticava uma espécie de “pentatlon” toda  noite: fumava ópio, seguido de maconha, engolia vários comprimidos  (provavelmente anfetaminas e barbitúricos) com a ajuda de generosas  doses de uísque e, antes de dormir, enchia as veias de heroína. Só  metade disso derrubaria um dinossauro. Do rock, inclusive.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não é de Lady Day que estamos falando agora. Citei-a apenas para  contextualizar o ambiente do Jazz naquelas décadas e lembrar que as  drogas ceifaram muitos talentos, como <a class="zem_slink" title="Charlie Parker" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charlie_Parker">Charlie Parker</a> e <a class="zem_slink" title="Fats Navarro" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fats_Navarro">Fats Navarro</a>, só  para citar instrumentistas de sopro, além de comprometer a carreira de  alguns, levando-os a problemas legais ou a perder a licença de músico,  como John Coltrane. Num ambiente desses, em que os grandes acreditavam  que era necessário se entupir de drogas até o coração pedir falência  para poderem alcançar o nirvana artístico, Clifford Brown era uma  aberração, no bom sentido, pois consta que ele era totalmente limpo. Não fumava, não cheirava, não injetava (e não mentia, até onde se sabe), e a bebida mais forte que bebera provavelmente foi leite maltado. Também  não era um deslumbrado com a fama e a grana, sendo de uma humildade  quase desconcertante, além de ter um bom senso para negócios pouco comum aos do ramo, e tido como um doce de pessoa por seus pares. Era uma  verdadeira <em>avis rara</em> no meio jazzístico. Só tinha um azar danado  com automóveis, já que se envolveu em três acidentes sérios, sendo o  último fatal. E por acaso não era ele quem dirigia naquela noite, e sim a esposa do pianista Richie Powell, que também estava com eles.  Ironicamente, enquanto outros de seus pares sucumbiam às drogas, ele  morreu dessa forma tão casual e absurda.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do péssimo histórico com veículos, poderia se dizer que as  circunstâncias conspiraram contra as possibilidades artísticas de Brown, desde começar tarde a aprender música, passar a juventude escondido nos cafundós do Delaware, ganhar uma bolsa de música para uma universidade  sem departamento de música (é sério!) e ficar fora de cena por meses  devido a um (adivinhem) acidente de carro pouco depois de alguns  medalhões passarem a prestar atenção em seu talento. São “coisas” que  poderiam comprometer irremediavelmente a carreira de muitos artistas, ou no mínimo protelar tudo para um reconhecimento tardio.</p>
<p style="text-align: justify;">Encorajado por Dizzie Gillespie, Brown foi persistente e começou, de  fato, sua carreira profissional apenas em 1951, e nos meses seguintes  tocaria nos grupos de Chris Powell e Tadd Dameron, até se juntar a  Lionel Hampton em uma turnê europeia e ser “descoberto” por músicos do  velho continente, que o convidaram a gravar com eles, em idos de 1953.  No ano seguinte estaria solto o suficiente para o consagrado baterista  bebop Max Roach lhe fazer a indecorosa proposta de comporem um quinteto, tendo o trompetista como líder. Daí pra frente foi história,  infelizmente curta. E boa parte dessa história foi registrada pela  gravadora EmArcy. E essa fase pode ser conhecida no box “Brownie”, lançado pela Polygram e que faria esse  que vos fala muito feliz caso uma boa alma lhe desse de presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Clifford Brown era de uma versatilidade a toda prova, já que não se  acanhava em dedilhar nervosamente cada nota em uma formação de quinteto  ou de se suavizar ao ser acompanhado por orquestra de cordas, algo que  costumava assombrar outros que ousassem fazê-lo. Também serviu de  auxílio luxuoso a vozes femininas de estilos tão distintos quanto Sarah  Vaughan, <a class="zem_slink" title="Dinah Washington" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dinah_Washington">Dinah Washington</a> e Helen Merrill.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deixa de ser um exercício interessante imaginar como seria o cenário do Jazz se Brown não morresse tão prematuramente ou se fosse notado  anos antes. Herdeiro do estilo de Fats Navarro, em poucos anos se  tornaria tão importante que chegava a eclipsar outros trompetistas de  seu tempo, como Chet Baker e  Miles Davis. A propósito, <a class="zem_slink" title="Miles Davis" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Miles_Davis">Miles</a> soube aproveitar o hiato deixado pela  ausência de Brown. Não que o substituísse, mas sem um talento como Brown atraindo a atenção para si ou um sucessor tão bom quanto, a metamorfose ambulante do Jazz encontrou o caminho aberto e nas décadas seguintes  reinventaria o gênero de várias formas, tornando-o cool ou misturando-o  ao rock e à música eletrônica (depois de levar um par de chifres do <a class="zem_slink" title="Jimi Hendrix" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jimi_Hendrix">Jimi Hendrix</a>, dizem as más línguas).</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, porém, Clifford não deixou herdeiros imediatos, mas sua  importância para o gênero é constantemente lembrada. Uma das mais  singelas homenagens é o standard “I Remember Clifford”, de Benny Golson. Helen Merrill e <a class="zem_slink" title="Arturo Sandoval" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Arturo_Sandoval">Arturo Sandoval</a> dedicaram álbuns a essa figura ímpar do Jazz. E ainda hoje alguns artistas lhe devem um mínimo de influência,  como Ray Hargrove. Mas nada do que eu fale se compara a escutar o  próprio. E no <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=clifford+brown&amp;search_type=" target="_blank">Youtube</a> ainda tem alguns bons registros do  “Brownie” em ação. Relembremos.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="353" height="132" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.goear.com/files/external.swf?file=7946c21" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="quality" value="high" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="353" height="132" src="http://www.goear.com/files/external.swf?file=7946c21" quality="high" wmode="transparent"></embed></object></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px; text-align: justify;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=977e29c6-d59d-83fa-b58c-5831ba6713d6" alt="Enhanced by Zemanta" /></a><span class="zem-script more-related pretty-attribution"><script src="http://static.zemanta.com/readside/loader.js" type="text/javascript"></script></span></div>
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		<title>Clark After Dark Vuvuzelas</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 22:31:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" style="max-width: 800px;" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/11209.jpg" alt="" width="437" height="545" /><br />
Se você, caro leitor ou amada leitora, já está de saco cheio de ouvir Galvão Bueno, copa do mundo, e principalmente o nome VUVUZELA, chegou à b(l)odega certa. Sinceramente não sei o que é mais irritante: chamar uma corneta de plástico de vuvuzela ou o som da dita. Aliás, até o som da pronúncia de “vuvuzela” dói no meu ouvido. E para meu azar, esse “neologismo” caiu no gosto da imprensa por conta da copa na África do Sul, e todos os estagiários de jornalismo adoram mencioná-la sem moderação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas já que estamos falando em instrumentos de sopro com nome estranho, citemos um mais interessante: flugelhorn. E que diacho é um flugelhorn? Digamos que seja uma espécie de trompete mais gordinho, e que produz um som mais, podemos dizer, aveludado. E alguns artistas do Jazz o preferiram ao popular trompete. E para purgar o diacho das vuvuzenas de meus pavilhões auditivos resolvi apelar para um dos grandes mestres deste instrumento: <a class="zem_slink" title="Clark Terry" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Clark_Terry">Clark Terry</a>, um verdadeiro jazzista antediluviano e que ainda está na ativa no alto de seus quase 90 anos, tendo tocado ao lado de feras como <a class="zem_slink" title="Duke Ellington" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Duke_Ellington">Duke Ellington</a>, <a class="zem_slink" title="Count Basie" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Count_Basie">Count Basie</a> e <a class="zem_slink" title="Quincy Jones" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quincy_Jones">Quincy Jones</a>, além de ter  influenciando músicos ao longo das décadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo não tendo conspirado para virar o Jazz do avesso por várias vezes, como Miles Davis, ou se tornado um arauto do tradicionalismo como <a class="zem_slink" title="Wynton Marsalis" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wynton_Marsalis">Winton Marsalis</a>, a obra de Clark Terry  resistiu à prova do tempo, e meio que comendo pelas beiradas, já que não é tão lembrado ou citado quanto outros monstros, como <a class="zem_slink" title="Chet Baker" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chet_Baker">Chet Baker</a>. E com a vantagem de ter sobrevivido à maioria de seus colegas de ofício contemporâneos. Tanto que este ano ele foi um dos homenageados pelo Grammy agraciados com o <a class="zem_slink" title="Grammy Lifetime Achievement Award" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grammy_Lifetime_Achievement_Award">Lifetime Achievement Award</a>, prêmio também concedido postumamente à Michael Jackson na mesma cerimônia. Também estou vendo que este camarada enterrou muito musico, e ainda está com fôlego para enterrar mais alguns.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso ignorem as vuv&#8230;Ah, dane-se que não vou mais citar este nome. Apenas escutem esta versão de “Angel Eyes”, do disco “<a class="zem_slink" title="Clark After Dark" rel="amazon" href="http://www.amazon.com/Clark-After-Dark-Terry/dp/B000UA36II%3FSubscriptionId%3D0G81C5DAZ03ZR9WH9X82%26tag%3Dzemanta-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3DB000UA36II">Clark After Dark</a>”, de 1978. E aproveite o Dia dos Namorados para rolar um clima com a patroa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais sobre o coroa do flugelhorn em seu <a href="http://www.clarkterry.com/" target="_blank">site oficial</a></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="353" height="132" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.goear.com/files/external.swf?file=84d8e9e" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="quality" value="high" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="353" height="132" src="http://www.goear.com/files/external.swf?file=84d8e9e" quality="high" wmode="transparent"></embed></object></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px; text-align: justify;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=3ccf00ce-9a61-812e-8eec-9ca644f8bdb0" alt="Enhanced by Zemanta" /></a><span class="zem-script more-related pretty-attribution"><script src="http://static.zemanta.com/readside/loader.js" type="text/javascript"></script></span></div>
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		<title>Chet Baker: Demasiado Humano</title>
		<link>http://www.blodega.com/index.php/2009/05/13/chet-baker-demasiado-humano/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 03:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Retrato em Branco e Preto do artista, quando jovem e quando decrépito Hoje, 13 de maio de 2009, faz exatamente 21 anos que o trompetista Chet Baker deu o fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã, enfiando sua fuça já desdentada na calçada, saindo da sobrevida para entrar no panteão dos deuses pagãos [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="chet baker anos 50" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/ChetBaker.jpg" alt="" width="260" height="373" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Retrato em Branco e Preto do artista, quando jovem e quando decrépito</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, 13 de maio de 2009, faz exatamente 21 anos que o trompetista <a class="zem_slink" title="Chet Baker" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chet_Baker">Chet Baker</a> deu o fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã, enfiando sua fuça já desdentada na calçada, saindo da sobrevida para entrar no panteão dos deuses pagãos do Jazz, consolidando um mito no melhor estilo <a class="zem_slink" title="James Dean" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0000015/">James Dean</a> e criando um dos ícones do gênero, se tornando mais um lendário empunhador do instrumento musical que celebrizara <a class="zem_slink" title="Miles Davis" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Miles_Davis">Miles Davis</a>, <a class="zem_slink" title="Clifford Brown" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Clifford_Brown">Clifford Brown</a>, <a class="zem_slink" title="Dizzy Gillespie" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dizzy_Gillespie">Dizzy Gillespie</a> em um longo etc, e morrendo de forma trágica igual a outros mártires do gênero como <a class="zem_slink" title="Billie Holiday" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Billie_Holiday">Billie Holliday</a> ou <a class="zem_slink" title="John Coltrane" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Coltrane">John Coltrane</a>. Só que, ao contrário desses, Chet não é uma unanimidade, e nem todos concordam em pô-lo no mesmo nível de tais monstros divinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Jazz é assunto mais polêmico do que receita de Dry Martini ou <a href="http://www.blodega.com/index.php/2009/04/29/uma-caipirinha-na-blodega/">Caipirinha</a>. Já começa pela própria definição, pois se você conseguir encontrar duas pessoas que concordem com o mesmo conceito do que é Jazz já é milagre de São Coltrane. E Chet Baker é justamente uma dessas questões polêmicas. A maioria dos críticos nunca o levou muito a sério, mesmo quando era um símbolo sexual naqueles anos antediluvianos da década de 50. A crítica o via mais como um golpe de publicidade da Costa Oeste, uma versão branca e publicável dos ícones negros, como Miles Davis, apenas um vertedor de baladas simples vendido como música romântica para ajudar os jovens a concretizarem seus encontros, tão pré-fabricado quando uma Britney Spears ou Backstreet Boys. Outros questionam seu talento, comparando-o a outros gênios e reduzindo sua importância real. Tais críticas teriam fundamento ou seria tudo despeito com o rapaz que saiu dos cafundós do interior e Oklahoma pra viver na Califórnia e ser uma sensação do <a class="zem_slink" title="Cool jazz" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cool_jazz">Cool Jazz</a>, representante mais popular da sofisticação do gênero, principalmente com sua interpretação de “My Funny Valentine”, música que praticamente tomou pra si?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando pré-iniciado nesse fascinante mundo do Jazz, muito ouvi falar de Chet, e comprei o peixe vendido pelos acólitos dessa quase religião. Mas confesso que entre aquelas coletâneas sem maiores critérios e gravações diversas as quais adquiria ou apenas ouvia, havia um misto de satisfação e decepção ao ouvir Chet, já que em muitos desses “greatest hits” que encontramos vida afora o critério de seleção das músicas é, no mínimo, estranho, por juntar em um balaio só distintas fases e estilos de um mesmo músico. E se ouvirmos um Chet dos anos 50 e na faixa seguinte algum registro dele nos anos 80 nos questionamos se é o mesmo intérprete em ambas. Ao menos Chet me ensinou a não perder tempo com isso e procurar o produto original, ou ao menos alguma coletânea decente, para evitar maiores decepções.</p>
<p style="text-align: justify;">E falando em decepção, talvez a maior delas seja em “Let’s Get Lost”, a trilha-sonora de um <a href="http://www.imdb.pt/title/tt0095515/">documentário</a> sobre o próprio, e um dos últimos registros dele em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte. Durante um tempo penei em busca desse CD, principalmente após ouvir em uma excelente coletânea da RCA Victor, “Jazz at Midnight”, a faixa “Imagination”, extraída justamente de “Let’s Get Lost”. Também vi que ele interpretava alguns standarts, como “My One and Only Love” e “Retrato em Branco e Preto”. Quando finalmente consegui comprar o CD e ouvi-lo, fiquei com aquela estranha sensação de dinheiro rasgado. Seria isso o Chet?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="chet baker velho e acabado" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/chet_baker.jpg" alt="" width="350" height="338" /></p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado o papel de fã e analisando os fatos, acabamos sendo obrigados a concordar com os críticos, ao menos em parte. Talvez eles estejam certos em decretar que Chet morrera décadas antes daquele mergulho holandês, ao menos uns trinta anos de assombração em vida. Assombração essa que penava mais pela Europa do que em sua própria terra, já que era mais bem recepcionado pelo público do Velho Mundo, tentando soprar o instrumento tibiamente, mas sem lembrar seus registros de anos anteriores, muito em parte devido a ter perdido os dentes, provavelmente apanhando de algum traficante. E também não dá para negar que nas últimas décadas de vida ele era apenas um rascunho do que era. Ou pior, do que poderia ter sido ou daquilo que seus fãs achavam que era. Quando esteve no Brasil no Free Jazz Festival de 1985, aqueles que nunca tiveram chance de ouvi-lo ao vivo provavelmente se decepcionaram com sua burocrática presença. Sua imagem entre os admiradores se conservou até hoje, mas ele se acabou em corpo e alma, um Dorian Gray às avessas. Se Chet tinha 58 anos ao enfiar as fuças no chão em 1988, seu rosto aparentava o dobro. E por dentro seu organismo já devia ter entrado no cheque especial da morte há muito tempo por tanto abuso, principalmente o consumo de heroína.</p>
<p style="text-align: justify;">O jornalista Ruy Castro, quando da morte do trompetista lá nos Países Baixos, lançou a pá de cal com um artigo desmistificando a lenda em torno do mais famoso representante do Cool Jazz e do West Coast. já imaginando o grau de beatificação ao qual ele seria colocado pelos fãs. E como em uma estranha missa do primeiro aniversário de sua morte, escreve outro artigo para completar o serviço quase um ano depois. E desfaz alguns mitos, sendo o principal desses mitos é que o seu jeito de sussurrar suave e baixinho as melodias ao cantar teria influenciado diretamente <a class="zem_slink" title="João Gilberto" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Gilberto">João Gilberto</a> e a <a class="zem_slink" title="Bossa nova" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bossa_nova">Bossa Nova</a>. Aliás, há quem defenda exatamente o contrário, de que João Gilberto é que teria influenciado Chet. Não obstante a Bossa Nova ter sido claramente influenciada pelo Jazz e este ter uma dívida para com a Bossa Nova, principalmente o West Coast, Ruy deixa bem claro que essa de sussurrar baixinho ao microfone antecede tanto Chet quanto Gilberto, apontando Joe Mooney como um dos que já usavam esse recurso anos antes e que teria realmente influenciado o jeito de cantar dos cariocas “desafinados”, além de outros sussurrantes como Page Cavanaugh e Matt Dennis entre os cantores, e Peggy Lee ou Blossom Dearie entre as mulheres. Muito do mito também é desfeito na biografia escrita por James Gavin, “No Fundo de um Sonho – A Longa Noite de Chet Baker”, por sinal prefaciado por Ruy Castro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas seria polêmica barata ou iconoclastia oportunista simplesmente sapatear em seu túmulo e reduzir a pó a obra desse músico, além de ser uma bruta sacanagem com ele e seus fãs. Apenas estamos lembrando que Chet era humano, demasiado humano, com suas limitações e defeitos. Mesmo assim, ainda não trocaria o mais decadente Chet por uma orquestra inteira de Kenny G’s ou Caios Mesquitas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que os críticos se recusem a pô-lo no mesmo patamar de outros gênios, seus seguidores não ligam. E seu instrumento, seja a voz ou o trompete, sempre remeterá a um clima romântico e sofisticado. Muito provavelmente Chet ajudou a abater muitas presas indefesas entre doses de Martini, e ainda ajuda. E a isso lembremos o velho Chet, e se quiser homenageá-lo decentemente apenas ouça algumas de suas velhas gravações. Garimpando sua vasta obra há belas e pungentes músicas, tanto pelo seu trompete quanto por sua voz. Por exemplo, enquanto redijo essa esculhambação de texto escuto o disco “Chet”, de 1959, o qual é excelente. Também posso citar suas parcerias com o sax tenor Zoot Sims, como no disco “<a href="http://www.captaincrawl.com/f.php?link=http://music-on-the-rocks.blogspot.com/2010/06/chet-baker-strings-1954.html&amp;title=Chet%20Baker%20&amp;%20Strings%20%281954%29&amp;pos=0&amp;q=chet+baker+strings">Chet Baker &amp; Strings</a>”, que tem pérolas românticas como “<a href="http://www.goear.com/listen/ae01c56/you-dont-know-what-love-is-chet-baker">You Don’t Know What Love Is</a>” e “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=vPE2SPN3kGE">The Wind</a>”. Parece mais fácil encontrar gemas preciosas em sua produção dos anos 50, mas com cuidado podemos descobrir maravilhas espalhadas pelas décadas seguintes. Pessoalmente gosto de sua leitura de “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZMh4Y7nR4gI">Once Upon a Summertime</a>” (versão americana de “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=ueYvnLgSeX0">La Valse des Lilas</a>”, de Michel Legrand), que é de 1977.<br />
Sim, Chet Baker era imperfeito em vida e obra. Mas talvez isso o torne mais passível de ser admirado e seguido pelos motivos certos.</p>
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		<title>A Encruzilhada</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 01:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em se estando no inferno, chame o capeta pra tomar uma, mas sem gelo Morri. Ao que parece, minhas dúvidas existenciais serão dissipadas agora. E, se tudo que meu cunhado falava sobre crime e castigo celestial proceder, minha alma fritará na colônia de férias do tinhoso por muito tempo. Vejo tudo escuro a minha volta. [...]]]></description>
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<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="Robert Johnson e o capeta" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/robert-johnson-devil-at-the.jpg" alt="" width="493" height="599" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Em se estando no inferno, chame o capeta pra tomar uma, mas sem gelo</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-36"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Morri. Ao que parece, minhas dúvidas existenciais serão dissipadas agora. E, se tudo que meu cunhado falava sobre crime e castigo celestial proceder, minha alma fritará na colônia de férias do tinhoso por muito tempo. Vejo tudo escuro a minha volta. Inicialmente eu penso:”será que aquele puto tinha razão?”. Em seguida apenas penso: “fudeu!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas saio tateando e minha visão se acostuma com o ambiente pouco iluminado. De repente, algo pega a minha mão. Uma mulher vestida de vermelho da cabeça aos pés! Seria o diabo? Bem que desconfiava que este seria o gênero do “adversário”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Por favor, me siga – pelo menos era gentil, mas não ousei perguntar nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela me leva por um corredor comprido, e aos poucos eu vou escutando murmúrios. Seriam as almas torturadas? Mas ao pouco distingo apenas um burburinho de conversa animada. E ouço uma música que, aos poucos, se torna mais audível. Em poucos segundos, consigo identificar.</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso é John Coltrane?!</p>
<p style="text-align: justify;">- Sim. Esta noite ele está se apresentando.</p>
<p style="text-align: justify;">Passamos por uma cortina e entro em um ambiente pouco iluminado, mas o identifico como um night club. E, para minha surpresa, vejo no palco John Coltrane solando “Lonnie´s Lament”. Na bateria, Gene Kupra. E Tom Jobim ao piano?! Stevie Ray Vaughan na guitarra?! Joe Hendelson tocando sax tenor e Miles Davis tocando seu trumpete. Que senhora Jam session! Vejo na platéia um bocado de gente conhecida: Chet Baker, Charlie Parker, Dizzie Gillespie. Ao lado do piano, com Tom Jobim, vejo Duke Ellington. Vinícius de Moraes toma uísque e conversa com Badden Powel, que dedilha o violão como se estivessem compondo uma música.</p>
<p style="text-align: justify;">- Caralho! Que galera da porra!</p>
<p style="text-align: justify;">Caminho espantado entre tanto monstro sagrado da música. Vejo Nara Leão trocando umas idéias com Elis Regina. Billie Holiday cantarola baixinho, acompanhando a música. Gente demais. O local parece pequeno, e ao mesmo tempo cabe muita gente. Vejo um cartaz com o nome “Hell´s kitchen Night Club”, ao lado do balcão do bar, e uma longa lista de futuras apresentações de muitos grandes artistas ainda vivos. Os irmãos Marsallis, Wayne Shorter, Pat Metheny&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Minutos depois, os músicos dão lugar a dois guitarristas. Um deles eu conheço. É o Robert Jonhson! O outro não conheço, mas quando começam a tocar, vejo que ele toca pra cacete! Ambos parecem estar duelando com aquelas guitarras Gibson. Ao final, todos aplaudem, inclusive eu. O guitarrista branco deixa sua guitarra encostada ao palco e se aproxima do bar, em minha direção. E dirige a palavra a mim.</p>
<p style="text-align: justify;">- E aí, ta gostando?</p>
<p style="text-align: justify;">- Se estou gostando? Duca! Você toca muito bem! E claro, o Robert Jonhson também!</p>
<p style="text-align: justify;">- Ensinei alguns truquezinhos a ele a alguns anos atrás&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- E quem é você?</p>
<p style="text-align: justify;">- O dono da bodega, por assim dizer. Seu Luiz. Luiz Cifér.</p>
<p style="text-align: justify;">- Hã?</p>
<p style="text-align: justify;">- É que também sou fã do Allan Parker, e gostei da brincadeira com o nome. Mas sou este mesmo que você está pensando.</p>
<p style="text-align: justify;">- Mas aqui é o inferno?</p>
<p style="text-align: justify;">- E não é? E o que tu queria? Dez níveis dantescos de torturas infinitas? Ora, vem tanta gente interessante para cá que resolvi dar umas mudadas no ambiente. Ficou bem agradável. Garanto-lhe que esta música é bem melhor do que escutar um bando de filho da puta gritando em agonia.</p>
<p style="text-align: justify;">- Nisso eu concordo.</p>
<p style="text-align: justify;">- Já viu nossas futuras contratações? tentei pegar o Kenny G, mas aí o Todo-Poderoso tem planos para ele tocar com os anjos. Mas em compensação, deve vir o Kenny Garret.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ótimo! Estou livre de Kenny G! Graças a&#8230;Ele&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- E tem música pra todo gosto. Todo tipo de Jazz, Blues, choro, música erudita, popular, sertaneja, baiana, pagode, funk carioca&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Sertaneja!?Baiana?!</p>
<p style="text-align: justify;">- Ah! Lembrei-me que você não era muito tolerante com outros gêneros. Pois toda semana terá shows de música sertaneja , e em breve Caetano nos dará o ar de sua graça regravando sucessos da música brega com roupagem sofisticada.</p>
<p style="text-align: justify;">- Porra&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso aqui é o inferno, lembre-se. Nem tudo é perfeito. Mas não se preocupe. Os demais dias você pode curtir esta turma toda aí. Não se queixe!</p>
<p style="text-align: justify;">- Tá..Tudo bem. Tava bom demais&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Relaxe. Quer um Bourbon?</p>
<p style="text-align: justify;">- Tem bebida aqui?!</p>
<p style="text-align: justify;">- Claro! Queria escutar estas músicas boas à seco? Vou pegar um pra você. Quer puro ou com gelo?</p>
<p style="text-align: justify;">- Com gelo, por favor!</p>
<p style="text-align: justify;">- Então espere que vou pegar o gelo ali do outro lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto aguardo o Bourbon com gelo, vejo que no palco está um grupo de Chorinho, que começa a tocar “Pedacinho do Céu”. De repente a música muda para algo completamente diferente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">“VAMOS EMBORA PRO BAR, BEBER, CAIR E LEVANTAR!”</p>
<p style="text-align: justify;">- Que porra é essa?</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo-me de repente em minha cama, acordado. O puto do meu vizinho cismou de lavar o carro com o som ligado nas alturas. E,como de praxe, meteu a pior música que estivesse ao alcance da sua mão.</p>
<p style="text-align: justify;">MORAL DA HISTÓRIA</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a coisa estiver boa demais, na dúvida peça o seu uísque sem gelo&#8230;</p>
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