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Saxofonistas da blodega: Marcelo Martins

Para quem não sabe, isso aqui é um senhor foco de Jazz, doença para a qual a medicina ainda não encontrou cura, graças à Deus. Por isso para tapar buraco voltar ao tema mais frequentemente, acho justíssimo rememorar a performance de grandes instrumentistas do saxofone, instrumento pelo qual tenho considerável apreço, nem que seja para indicar o caminho, a verdade e a vida aos incréus desconhecedores de tão bela melodia e sujeitos aos ataques inomináveis do Funk Carioca ou da atual música pop americana.
Pois que seja. Se você também sente ganas de comprar um lancha-chamas no E-Bay para poder argumentar com aquele seu vizinho que insiste que Dejavú é música e que 105 decibéis é o que o ser humano tolera e suporta como som, compre bons fones de ouvido e passe a maltratar menos os seus ouvidos. Para lhe dar sossego, inicio nesta tarde de sábado nosso espaço especial aos grandes instrumentistas que resolveram adotar o famoso filho de Adolphe Sax.
Para iniciar este bate-papo ao pôr-do-sol, que venha Marcelo Martins, grande saxofonista brazuca. Como de praxe, este acaba fazendo parte das bandas dos medalhões da música brasileira, que de bestas não tem nada e preferem ser acompanhados de ótimos músicos. Mesmo que não conheças o trabalho de Marcelo Martins com certeza teve os ouvidos inundados pelo som se seu instrumento se você já ouviu o álbum duplo de Djavan ao vivo . Quando não serve de auxílio luxuoso à medalhões da MPB ele costuma compor o grupo Foco. Porém eu realmente vim a conhece-lo após assistir o filme “Pequeno Dicionário Amoroso”, de Sandra Werneck, cuja excelente trilha sonora ficou a cargo de Ed Mota e João Nabuco, e a mais bela faixa instrumental –” Lucia’s Theme “– é executada por este moço.
Nem vou enrolar muito. Para os frequentadores da blodega, segue abaixo uma pérola deste saxofonista de Niterói:sua performance na trilha sonora do filme “Pequeno Dicionário Amoroso”. Quem quiser conhece-lo, basta acessar a sua página no MySpace, ou ouvir sua participação na banda Foco, que tem 2 CD’s gravados, ou ainda garimpar suas inúmeras participações em discos e projetos diversos. Este blodegueiro ainda aguarda seu CD solo. Curtam.
Sivuca, o Poeta do Som

No último dia 14, fez três anos da morte de Severino Dias de Oliveira, um paraibano da cidade de Itabaiana que se tornaria conhecido no Brasil e no mundo pelo apelido que adotou ao ir trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco: Sivuca. Deveria ter reeditado este texto de 2007 há três dias, mas a correria o fez passar batido. Mas antes tarde do que mais tarde. Eis Sivuca!
Djavan x Djavú

Seguindo o post de confrontação entre o manual do Escoteiro-Mirim e o Guia do Mochileiro das Galáxias, mais um confronto de monstros sagrados (ou nem tanto). Agora quem se enfrenta aqui no balcão da Blodega são o Djavan e o Djavú.
Djavan já é velho conhecido dos apreciadores de músicas estilo MPB por seus arranjos bonitos e por letras um tanto quanto enigmáticas. Muito provavelmente todo cantor de barzinho, estilo voz, violão e banquinho, tem alguma música do Djavan em seu repertório. O alagoano já tem décadas de serviço prestado à música brasileira e dispensa apresentações. E além de belos arranjos, sua marca registrada são as letras de suas músicas, com versos misteriosos e de sentido pouco óbvio. Há quem veja muita profundidade e interpretações mil em versos como “não ter e ter que ter pra dar”, “aprender japonês em braille”, “o amor é azulzinho”, “amar é um deserto e seus temores”, “Tudo que Deus criou pensando em você, Fez a Via-láctea, fez os dinossauros”, “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã”. Já há quem diga que no fundo não querem dizer porra nenhuma, mesmo, que servem apenas de suporte à melodia. Mas essa dialética toda já rendeu até tese de mestrado e um dos mais criativos textos que já circularam pela Internet: “O Homem que Sabia Djavanês“, uma paródia ao conto de Lima Barreto “O Homem que Sabia Javanês” devidamente cometida por Ruy Goiaba nos tempos que não traíra o movimento blogueiro.
Bem, no frigir dos ovos, tais letras devem ter algo de hipnótico, quase neurolinguístico, já que o mulherio adora Djavan. E o próprio Djavan já deve ter usado seus poderes para o mal, já que há alguns anos rolou um boato de que a Glória Pires teria dado um pé na bunda de Fábio Jr pra se agarrar com o alagoano. Ela deve ter preferido ouvir um “Tanto engorda quanto mata, feito desgosto de filha” do que “senta aqui, não tenha tanta presa, senta aqui”.
Já a banda que se intitula “Djavú” conseguiu comigo uma proeza sensacional: após ouvir cinco segundos de DVD, imediatamente senti falta e saudades de tudo que é tipo de DVD de bandas de forró daquelas que Sivuca costumava se referir como de “forró de plástico”. Sério. Quando me escondia lá pras bandas da Paraíba, simplesmente em qualquer boteco tinha algum DVD desses rolando, normalmente de Aviões do Forró, Calcinha Preta, Ferro na Boneca, Forró do Muído, Forró Moral, Desejo de Menina e o escambau. Pois aqueles que não apreciam tal estilo, acreditem: estas bandas que citei dão um show de musicalidade e estão mil anos-luz à frente dessa manifestação inominável em qualidade musical. Sim, estou falando sério. Até Calipso parece Pink Floyd se comparado a isso.
Só o início do tal DVD já soltou, em meio aqueles efeitos sonoros dignos de videogame de 8 bits, um sampler da trilha sonora de “Psicose”. Isso foi um prenúncio mais do que adequado para o homicídio melódico que se segue. Caso queira ser poupado de danos cerebrais irreversíveis, tente imaginar uma mistura de tecno melody paraense com arrocha baiano. Se eles ganharam dinheiro o bastante para transformar a vocalista de feia para ex-feia (bem, este é o nome artístico da jovem), bem que poderiam trocar aquele maldito teclado de brinquedo por um Yamaha ou um Rolland, que putaquipariu pra irritar qualquer cristão decente. Mas para alguém que se apresenta vestido de Napoleão, não dá para esperar muito bom-senso. E pra estas bandas de “Sumpaulo”, isso tá tocando pra cacete. E há quem diga que a banda faz jus ao nome, já que tiveram a impressão de já ter ouvido aquele som em outro lugar…Mais exatamente no Pará, mas sem os devidos créditos. Irra! Não é só na Internet que rolam estas paradas de plágio…
Por isso o dono da blodega adverte: Não confunda Djavan com Djavú. Isso pode causar males irreversíveis! Mas se ainda assim quiser saber do que falo, fique à vontade:
P.S: E antes que os fãs do Djavú queiram por meu nome na boca do sapo, direcionem sua fúria para os Crussificados , que em se tratando de esculhambação, eles são profissionais. Joguem pedra na cruz!
Maria Rita: É samba, ô meu!
Estava vendo por acaso que a Som Livre lançou na sua linha de coletâneas “Perfil” um dedicado à Maria Rita, um picadinho dos seus 3 discos dessa relativa curta carreira. Desde os tempos que estava perdido na Ilha de Lost (assunto ao qual devo voltar em breve) que estava devendo um comentário sobre essa moça, e aproveito o pretexto para por esta fatura em dia.
Comentários a Respeito de Belchior

“Não, eu nunca me encontrei com o senhor Belchior, tampouco sei como o bigode dele veio parar aqui. Aliás, esse bigode deve ser da Roseana”
Nesses últimos dias tem se falado a respeito do sumiço do cantor Belchior, cuja família informou não ter notícias há cerca de dois anos. Os maldosos dizem que ele sumiu, na verdade, há décadas, pois nunca mais se havia ouvido falar dele. De fato, a última vez que vi um CD inédito do bigodudo foi lá pelos idos de 2000. Infelizmente, já que aprecio deveras sua obra.
Mas o assunto tem até blog. Já que se é para criar piadinhas infames com suas músicas teorias conspiratórias, vamos inventar a nossa: Belchior, como bom rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, percebeu que aqui no Brasil está difícil ganhar dinheiro com música boa. Mais angustiado que um goleiro na hora do gol, aí procurou um analista amigo seu que disse que desse jeito não poderia viver satisfeito, faça uma caridade a mim por favor me coma, e como ele se recusava a gravar Funk Carioca ou fazer dueto com a Vanessa Camargo, resolveu mandar o mercado fonográfico brasileiro contar o vil metal na puta que pariu no coração do Brasil e mudou de país, identidade e profissão, apesar do medo de avião. Hoje Belchior está a tempo, muito tempo, longe de casa, pois vive na Itália, atende pelo nome artístico de Paolo Eleuteri Serpieri e desenha quadrinhos, sendo mais conhecido por criar a mais gostosa das personagens em quadrinhos, o maior rabo ícone dos comics eróticos: Drunna. Se no Corcovado quem abre os braços é ele, nos quadrinhos quem abre as pernas é ela.Olhem as imagens e tirem suas conclusões.

E caso não concordem ou não apreciem bigodes, para não perder a viagem apreciem o traseiro traço da Drunna.

Mas ao invés de nos tecermos em teorias malucas, acho que a explicação mais plausível é que monstro sagrado da MPB (set mode Faustão=off) simplesmente raspou o bigode e ninguém mais o reconhece. Iria mais longe e compartilho a teoria de um velho colega de bar e muito fã de Belchior que defendia a tese de que ele usava bigode postiço. Inclusive ele teria guardado a sete chaves um desses bigodes, conseguido ao subir no palco de um show do Belchior e ter inesperadamente tascado um beijo no seu ídolo, inadvertidamente levando o bigode postiço colado ao seu. Como ele nunca mostrou essa rara peça de memorabília. nunca levamos a sério essa viadagem história. Ele acreditar na teoria da Terra Oca também não ajudava muito na sua credibilidade…
Ora direi, leitores, que ouvi estrelas, enão tenho mais o que fazer perdi o senso e vos direi no entanto: enquanto houver piada pronta e algum modo de dizer gracinha perco o amigo mas não perco a pilhéria. E oras, escroto não sou eu. Leiam essa notícia e atentem para o quadro “notícias relacionadas” que tem um link para a notícia “Réplicas de Dinossauros em Exposição no Museu Nacional”. Isso sim é puta sacanagem.
Acervo Subtraído – Perdeu pro Capitão!

"Como assim quer seus CD´s de volta? zero-sete, me dá a doze!"
Mais uma cobrança postagem da categoria “Acervo Subtraído”. Dessa vez o tema ainda são CD´s, e agora é caso de polícia, já que o jovem amigo a quem emprestei a prazo ignorado está a milhares de quilômetros e foi recentemente promovido a capitão da Polícia Militar. O cara é uma figura, tão sutil e delicado que consegue deixar o Capitão Nascimento parecendo um escoteiro. Só os “causos” envolvendo esse mimo de pessoa daria um novo blog, uma versão mais escrota e divertida do Diário de um PM. Sob o risco de ir pro saco ou ter que pedir pra sair, vou listar aqui os CD´s que foram pra conta do Papa. Nem vou mencionar os quadrinhos e revistas que perdi desde a quinta série, pois daria pra escrever um livro.
Conheci o Pink Floyd há muitos anos, mas demorou até realmente comprar algum disco deles, me contentando com fitas cassete até poder comprar o LP “Wish You Were Here”, de 1975. Sim, fitas cassete e discos de vinil, isso ainda existia há pouco mais de dez anos. Nesse trabalho, os componentes da banda prestam uma homenagem a Syd Barrett, um dos fundadores da banda, que no início tinha uma levada psicodélica, justamente por influência de Barrett. Este se afastou da banda por problemas relacionados ao uso de drogas, já que seus miolos começaram a virar paçoca com o excesso de LSD. Após sua saída, Roger Waters foi moldando sua influência e o Pink Floyd se tornou uma banda de Rock Progressivo, tendo seu ápice com o álbum “The Dark Side of The Moon”. Em “Wish You Were Here”, temos a suíte “Shine on You Crazy Diamont”, com estupendo solo de saxofone, além de “Have a Cigar” e “Welcome to the Machine”. Mas a canção-título é que faz referência explícita a Syd, e é a mais conhecida do álbum e uma das mais executadas pela banda.
Tudo uma maravilha, mas claro que o meu LP tomou sumiço, e eu gostaria que ele estivesse aqui. Claro que, anos depois, comprei o CD. E adivinha quem também o tomou emprestado para eu
nunca mais vê-lo? E juntamente com ele, o CD “Animals”, de 1977, que contém a visceral “Dogs”, uma longa música digna de ser ouvida com seu fígado afogado em vodca. O problema é ir pra casa e esquecer o disco na casa do nobre colega. Mas amigo é pra isso mesmo.
(Mais sobre o Pink Floyd no Lágrima Psicodélica)
Só que o fato mais escroto ainda estava por vir. O xará de meu algoz, Flávio Venturini, egresso da banda mineira 14-Bis, certamente tem uma das vozes mais afinadas do panteão de cantores nacionais. No meio dos anos 90, a gravadora Velas investia em talentos e boa música. Chico César, por exemplo, estourou com seu CD de estréia “Aos Vivos” por essa gravadora. E Venturini lançou por ela seu melhor trabalho, em minha opinião humilde: “Noites com Sol”, de 1994, que contém sua versão para a música “Clube da esquina II. Tem até participação de Ritchie na faixa “O Que Tem que Ser”. Mas minha preferida é a penúltima, “No Cabaré da Sereia”.
E o que aconteceu? O próprio Flávio Venturini foi fazer um show em minha cidade, e por um motivo qualquer eu acabei não podendo ir. E adivinhem que foi, mas não sem antes passar na minha casa e, na minha ausência, pegar o meu CD e levá-lo para ser autografado no nome DELE? Pois é, ele atacou de novo. Como diria Cardinot, durma com uma bronca dessas! Por isso, para evitar problemas, após muitos anos consegui encontrar o CD em um sebo, já que a gravadora Velas fechou as portas, e o dei de presente a minha esposa, muito mais zelosa de seu pertences do que eu. E muito mais braba que qualquer PM.
(Mais informações sobre esse CD no Rock Grátis)
O Filho Problema de Odair José
Essas Meninas (2)
Continuando nossa conversa sobre música boa, fiquei devendo falar de mais duas cantoras, se não me falha a memória. Vamos a elas
Essas Meninas (1)

As Vozes femininas que animam a Blodega
Particularmente meu instrumento musical preferido é a voz feminina, e quando a serviço de boas e melódicas músicas, melhor ainda. E o que não falta no Brasil é voz de mulher prestando bons serviços à música. E não falo apenas das cantoras e intérpretes mais conhecidas do grande público. E ao contrário do que acham muitos, provavelmente pela invasão de músicas de qualidade duvidosa nas paradas de sucesso, há talento novo na praça. Na realidade há muita coisa boa sendo produzida, apenas não aparecem na grande mídia e raramente são beneficiados com algum esquema de marketing e divulgação pesados. Anualmente são dezenas de CD’s impregnados de progesterona e cromossomos XX que chegam ao mercado. Infelizmente grande parte destas é ignorada pelo grande público. Mas mesmo não entrando em trilha sonora de novelas ou participando de turnês milionárias, muitas acabam cativando um pequeno, mas fiel séquito de admiradores.
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