Posts Tagged ‘musica’

Nem Bolero,Nem Ravel

Ontem fui dormir com a notícia de que Ravel morreu. Sim, eu sei que o do Bolero já morreu, mas isso faz bem mais tempo. O Ravel em questão é o cantor que fazia dupla com Dom, seu irmão, na dupla Dom e Ravel – sério, Mr. Óbvio?

Para os mais “experientes”, a lembrança desse nome remete aos anos 70, onde suas canções populares de caráter ufanista se tornaram famosas, sendo a mais conhecida “Eu te Amo meu Brasil”. Não por acaso, por conta dessa música que enaltecia os valores pátrios, eles foram perseguidos e criticados pela patrulha ideológica, e até hoje, junto com “País Tropical”, do Jorge Benjor, deve causar ganas homicidas nos esquerdistas. Não é pra menos, já que boa parte da classe artística fazia oposição ferrenha ao regime militar então em vigor, e os artistas mais populares, que cantavam músicas alegres ou com temas mais simples eram taxados de alienados, para dizer o mínimo, por não se enjangarem na luta contra o regime e cantarem muito sobre o amor e porra nenhuma sobre a revolução. E se por acaso expressavam algum tipo de simpatia e apoio, aí que a porca torcia o rabo.

Talvez um dos casos mais controversos desse período foi o do então famoso Wilson Simoal, que gravava músicas leves e alegres dentro do espírito de sua “pilantragem’, incluindo a execrada “País Tropical”. Após um entrevero envolvendo seu contador e agentes do DOPS, ele foi taxado de dedo-duro e boicotado, o que levou a seu ostracismo artístico. Até hoje se discute se ele foi vítima de injustiça por parte da patrulha ideológica ou se realmente era alcaguete dos “ôme”, e é tema do documentário “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei” http://www.imdb.pt/title/tt1440286/ . Outra obra que aborda esse período sob o prisma da censura sobre os artistas rotulados de “alienados”, “cafonas” ou “bregas” é o livro “Eu Não Sou Cachorro Não:Música Popular Cafona e Ditadura Militar”, de Paulo César de Araújo.

Mas voltando a Dom e Ravel, sua música foi tocada às pampas e regravada naqueles tempos pelo conjunto Os Incríveis. Mais recentemente, no disco “Eu Não Sou Cachorro Mesmo”, uma homenagem das bandas do cenário independente às músicas tidas como bregas daquela época, esse música recebeu uma regravação da banda Fino Coletivo.

Não obstante, para mim a melhor versão jamais gravada dessa música é uma paródia cujo autor teve o bom senso de se manter anônimo até hoje, pois satiriza a letra e a transmuta numa bem-humorada apologia ao consumo de drogas ilícitas. Nesses tempos de discussão sobre marcha de maconha e o escambau, bem que algum gaiato poderia gravar esta versão e disponibilizar no Youtube. Como talento, voz e cara-de-pau décimo dan são habilidades que me escapam, deixo apenas aqui a letra da paródia, que você pode comparar com a original. Decore-a para cantar na próxima Marcha da Maconha da Liberdade de Qualquer Porra Dessas.

 

A Maconha no Brasil foi Liberada

Até o Presidente Já Fumou

Eu Vou Ficar Na Minha

Tomando Bolinha

Com o Governador

 

Eu te Amo,Maconha,Eu Te Amo

Meu Coração é de Jesus

E Meu Pulmão da Santa Cruz

Eu te Amo, Maconha,Eu Te Amo

Ninguém Segura a Maconha no Brasil!

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Sivuca, o Poeta do Som

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No último dia 14, fez três anos da morte de Severino Dias de Oliveira, um paraibano da cidade de Itabaiana que se tornaria conhecido no Brasil e no mundo pelo apelido que adotou ao ir trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco: Sivuca. Deveria ter reeditado este texto de 2007 há três dias, mas a correria o fez passar batido. Mas antes tarde do que mais tarde. Eis Sivuca!

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Djavan x Djavú

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Seguindo o post de confrontação entre o manual do Escoteiro-Mirim e o Guia do Mochileiro das Galáxias, mais um confronto de monstros sagrados (ou nem tanto). Agora quem se enfrenta aqui no balcão da Blodega são o Djavan e o Djavú.

Djavan já é velho conhecido dos apreciadores de músicas estilo MPB por seus arranjos bonitos e por letras um tanto quanto enigmáticas. Muito provavelmente todo cantor de barzinho, estilo voz, violão e banquinho, tem alguma música do Djavan em seu repertório. O alagoano já tem décadas de serviço prestado à música brasileira e dispensa apresentações. E além de belos arranjos, sua marca registrada são as letras de suas músicas, com versos misteriosos e de sentido pouco óbvio. Há quem veja muita profundidade e interpretações mil em versos como “não ter e ter que ter pra dar”, “aprender japonês em braille”, “o amor é azulzinho”, “amar é um deserto e seus temores”, “Tudo que Deus criou pensando em você, Fez a Via-láctea, fez os dinossauros”, “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã”. Já há quem diga que no fundo não querem dizer porra nenhuma, mesmo, que servem apenas de suporte à melodia. Mas essa dialética toda já rendeu até tese de mestrado e um dos mais criativos textos que já circularam pela Internet: “O Homem que Sabia Djavanês“, uma paródia ao conto de Lima Barreto “O Homem que Sabia Javanês” devidamente cometida por Ruy Goiaba nos tempos que não traíra o movimento blogueiro.

Bem, no frigir dos ovos, tais letras devem ter algo de hipnótico, quase neurolinguístico, já que o mulherio adora Djavan. E o próprio Djavan já deve ter usado seus poderes para o mal, já que há alguns anos rolou um boato de que a Glória Pires teria dado um pé na bunda de Fábio Jr pra se agarrar com o alagoano. Ela deve ter preferido ouvir um “Tanto engorda quanto mata, feito desgosto de filha” do que “senta aqui, não tenha tanta presa, senta aqui”.

Já a banda que se intitula “Djavú” conseguiu comigo uma proeza sensacional: após ouvir cinco segundos de DVD, imediatamente senti falta e saudades de tudo que é tipo de DVD de bandas de forró daquelas que Sivuca costumava se referir como de “forró de plástico”. Sério. Quando me escondia lá pras bandas da Paraíba, simplesmente em qualquer boteco tinha algum DVD desses rolando, normalmente de Aviões do Forró, Calcinha Preta, Ferro na Boneca, Forró do Muído, Forró Moral, Desejo de Menina e o escambau. Pois aqueles que não apreciam tal estilo, acreditem: estas bandas que citei dão um show de musicalidade e estão mil anos-luz à frente dessa manifestação inominável em qualidade musical. Sim, estou falando sério. Até Calipso parece Pink Floyd se comparado a isso.

Só o início do tal DVD já soltou, em meio aqueles efeitos sonoros dignos de videogame de 8 bits, um sampler da trilha sonora de “Psicose”. Isso foi um prenúncio mais do que adequado para o homicídio melódico que se segue. Caso queira ser poupado de danos cerebrais irreversíveis, tente imaginar uma mistura de tecno melody paraense com arrocha baiano.  Se eles ganharam dinheiro o bastante para transformar a vocalista de feia para ex-feia (bem, este é o nome artístico da jovem), bem que poderiam trocar aquele maldito teclado de brinquedo por um Yamaha ou um Rolland, que putaquipariu pra irritar qualquer cristão decente. Mas para alguém que se apresenta vestido de Napoleão, não dá para esperar muito bom-senso. E pra estas bandas de “Sumpaulo”, isso tá tocando pra cacete. E há quem diga que a banda faz jus ao nome, já que tiveram a impressão de já ter ouvido aquele som em outro lugar…Mais exatamente no Pará, mas sem os devidos créditos. Irra! Não é só na Internet que rolam estas paradas de plágio…

Por isso o dono da blodega adverte: Não confunda Djavan com Djavú. Isso pode causar males irreversíveis! Mas se ainda assim quiser saber do que falo, fique à vontade:

P.S: E antes que os fãs do Djavú queiram por meu nome na boca do sapo, direcionem sua fúria para os Crussificados , que em se tratando de esculhambação, eles são profissionais. Joguem pedra na cruz!

Acervo Subtraído – Perdeu pro Capitão!

Como assim quer seus CD´s de volta? zero-sete, me dá a doze!

"Como assim quer seus CD´s de volta? zero-sete, me dá a doze!"

Mais uma cobrança postagem da categoria “Acervo Subtraído”. Dessa vez o tema ainda são CD´s, e agora é caso de polícia, já que o jovem amigo a quem emprestei a prazo ignorado está a milhares de quilômetros e foi recentemente promovido a capitão da Polícia Militar. O cara é uma figura, tão sutil e delicado que consegue deixar o Capitão Nascimento parecendo um escoteiro. Só os “causos” envolvendo esse mimo de pessoa daria um novo blog, uma versão mais escrota e divertida do Diário de um PM. Sob o risco de ir pro saco ou ter que pedir pra sair, vou listar aqui os CD´s que foram pra conta do Papa. Nem vou mencionar os quadrinhos e revistas que perdi desde a quinta série, pois daria pra escrever um livro.

Conheci o Pink Floyd há muitos anos, mas demorou até realmente comprar algum disco deles, me contentando com fitas cassete até poder comprar o LP “Wish You Were Here”, de 1975. Sim, fitas cassete e discos de vinil, isso ainda existia há pouco mais de dez anos. Nesse trabalho, os componentes da banda prestam uma homenagem a Syd Barrett, um dos fundadores da banda, que no início tinha uma levada psicodélica, justamente por influência de Barrett. Este se afastou da banda por problemas relacionados ao uso de drogas, já que seus miolos começaram a virar paçoca com o excesso de LSD. Após sua saída, Roger Waters foi moldando sua influência e o Pink Floyd se tornou uma banda de Rock Progressivo, tendo seu ápice com o álbum “The Dark Side of The Moon”. Em “Wish You Were Here”, temos a suíte “Shine on You Crazy Diamont”, com estupendo solo de saxofone, além de “Have a Cigar” e “Welcome to the Machine”. Mas a canção-título é que faz referência explícita a Syd, e é a mais conhecida do álbum e uma das mais executadas pela banda.

Tudo uma maravilha, mas claro que o meu LP tomou sumiço, e eu gostaria que ele estivesse aqui. Claro que, anos depois, comprei o CD. E adivinha quem também o tomou emprestado para eu nunca mais vê-lo? E juntamente com ele, o CD “Animals”, de 1977, que contém a visceral “Dogs”, uma longa música digna de ser ouvida com seu fígado afogado em vodca. O problema é ir pra casa e esquecer o disco na casa do nobre colega. Mas amigo é pra isso mesmo.

(Mais sobre o Pink Floyd no Lágrima Psicodélica)

Só que o fato mais escroto ainda estava por vir. O xará de meu algoz, Flávio Venturini, egresso da banda mineira 14-Bis, certamente tem uma das vozes mais afinadas do panteão de cantores nacionais. No meio dos anos 90, a gravadora Velas investia em talentos e boa música. Chico César, por exemplo, estourou com seu CD de estréia “Aos Vivos” por essa gravadora. E Venturini lançou por ela seu melhor trabalho, em minha opinião humilde: “Noites com Sol”, de 1994, que contém sua versão para a música “Clube da esquina II. Tem até participação de Ritchie na faixa “O Que Tem que Ser”. Mas minha preferida é a penúltima, “No Cabaré da Sereia”.

E o que aconteceu? O próprio Flávio Venturini foi fazer um show em minha cidade, e por um motivo qualquer eu acabei não podendo ir. E adivinhem que foi, mas não sem antes passar na minha casa e, na minha ausência, pegar o meu CD e levá-lo para ser autografado no nome DELE? Pois é, ele atacou de novo. Como diria Cardinot, durma com uma bronca dessas! Por isso, para evitar problemas, após muitos anos consegui encontrar o CD em um sebo, já que a gravadora Velas fechou as portas, e o dei de presente a minha esposa, muito mais zelosa de seu pertences do que eu. E muito mais braba que qualquer PM.

(Mais informações sobre esse CD no Rock Grátis)

O Filho Problema de Odair José

resumo da ópera-rock de odair josé, "o filho de josé e maria" Leia Tudim... »

Essas Meninas (2)

Continuando nossa conversa sobre música boa, fiquei devendo falar de mais duas cantoras, se não me falha a memória. Vamos a elas

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Essas Meninas (1)

As Vozes femininas que animam a Blodega

Particularmente meu instrumento musical preferido é a voz feminina, e quando a serviço de boas e melódicas músicas, melhor ainda. E o que não falta no Brasil é voz de mulher prestando bons serviços à música. E não falo apenas das cantoras e intérpretes mais conhecidas do grande público. E ao contrário do que acham muitos, provavelmente pela invasão de músicas de qualidade duvidosa nas paradas de sucesso, há talento novo na praça. Na realidade há muita coisa boa sendo produzida, apenas não aparecem na grande mídia e raramente são beneficiados com algum esquema de marketing e divulgação pesados. Anualmente são dezenas de CD’s impregnados de progesterona e cromossomos XX que chegam ao mercado. Infelizmente grande parte destas é ignorada pelo grande público. Mas mesmo não entrando em trilha sonora de novelas ou participando de turnês milionárias, muitas acabam cativando um pequeno, mas fiel séquito de admiradores.

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  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
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