Posts Tagged ‘paraiba’

Jesus Cristo Full Contact


Ou uma releitura dos fatos bíblicos

Essa história, contada diversas vezes por meu irmão mais velho, poderia ter ocorrido em qualquer cidadezinha do interior durante a semana santa, onde algum grupo de teatro resolva encenar a Paixão de Cristo pelas ruas da cidade. Algo bem corriqueiro nas cidades brasileiras com a proximidade do fim da Quaresma. Claro que nem se compara com o nível de superprodução de Nova Jerusalém, e inclusive é mais comum o uso de atores amadores. E normalmente são os mesmos, todos os anos.

Só que na cidadezinha a qual nos referimos, e cujo nome me foge à memória, mas que não duvido nada que seja do interior da minha Paraíba, ocorreu que na estreia da peça, um dos atores que interpretariam um dos centuriões romanos pela Via Crucis acabou caindo doente. Isso inviabilizou sua participação. Alguém se lembra de um potencial substituto, que fisicamente se assemelhava ao ator ausente. Conversaram com ele, e o mesmo concordou sem pestanejar.

Mas o assistente de palco lembrou ao diretor que Zé da Burra – ou qualquer alcunha que o valha – não ia com os cornos do ator barbudo que interpretava há anos o Nazareno da cidade. Parece que era coisa de mulher, ou de dívida de jogo. Ninguém sabia ao certo. Mas o fato é que eram desafetos um do outro, e não era de data recente. Mas o diretor não levou muito a sério o caso. E nos ensaios não houve maiores problemas.

No dia da estreia, a peça começou bem, dentro das limitações de figurinos e do amadorismo dos atores. Até porque qualquer cristão sabe de cor a história. E aí passa parábolas, sermão da montanha, última ceia, beijinho na face dado por Judas, Pilatos lavando as mãos…

Eis que chega o momento da Via Crucis, onde Cristo carrega sua cruz pelas ruas e é espancado. E aí é que começa o problema, já que o ator substituto começa a atuar, na falta de palavra melhor. Digamos que o centurião estava interpretando bem demais, pois estava descendo a chibata com uma verossimilhança que espantaria os produtores do filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Já de lombo ardendo, o Cristo resmunga baixinho ao centurião:

- Não acha que está exagerando um pouco?

Rindo, o centurião responde:

- Exagerando? Espera só para ver quando chegarmos à praça…

O espetáculo continuava, narrando a mesma velha história conhecida há quase dois mil anos. Mas, de repente, algo foge ao roteiro, causando comoção geral. Uma gritaria diferente e bem real, desta vez vinda da boca do Centurião.
- Aaaaahhhhh…!
- Dá doendo, filho da puta? Então toma outra!

O “Cristo”, não aguentando mais tanto chicote no lombo, pegara a cruz que carregava e quebrou-a na cabeça do Centurião. De imediato pouca gente entendeu aquilo, outros imaginaram que seria uma releitura dos fatos bíblicos sob a ótica da Teologia da Libertação, e um bocado apoiou a reação, pois onde já se viu apanhar tanto daquele jeito sem reagir? E em  poucos segundos o cacete estava comendo na Via Crucis. Sobrou até para o Judas, que quase foi malhado no lugar do boneco.

Reblog this post [with Zemanta]

Poesias de Boteco – Parte 1

Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital

Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital

Quando sentamos para tomar uma, as conversas vão longe, e geralmente recaem sobre a porcaria da política, ou o último assunto da moda. No meu caso, procuro sempre molhar o bico, e todo o resto do sistema digestivo, regado a cervejas (litrão, já tomou?) e a uma boa conversa de boteco, que quase sempre, são sobre estórias do interior ou ainda poesias populares do qual eu dou um extremo valor.

Agora peguei a manha de gravar essas poesias declamadas em mesa de bar para que não fiquem perdidas num esquecimento profundo causado pelo álcool. Com um velho celular sobre a mesa pego algumas dessas piadas, poesias, prosas, contos e causos e os gravo, numa qualidade ruim de lascar, mas que dá pra transcrever. Agora com algumas na mão, resolvi colocá-las na Blodega e compartilhar com vocês, em doses homeopáticas, pois sei que não é a mesma graça e emoção que elas tem quando são declamadas após alguns copos. Para tentar contornar esse problema,  vai uma dica: leiam embreagados!

A que se segue é de um poeta desconhecido do interior da Paraíba, cujo o declamador melado não lembrou o nome. Lembrou apenas que ele era o barbeiro de uma cidade pequena, e descobrindo que tinha uma doença que fatalmente o levaria a morte escreveu:

Sou um vivo semimorto no leito da desventura
Meu remédio é amargura e a tristeza é meu conforto
Remando o barco pro porto da esperança perdida
E a matéria convencida desiludida da sorte
Só esperando que a morte parta a corrente da vida
De viver tenho vontade, me esforço, luto e pelejo
Mas olho atrás e não vejo os dias da mocidade
Ja descambei da metade estou chegando ao fim
Nada pra mim é ruim, nem a saudade me afronta
E brevemente tira a conta dos dias que faltam a mim

De acordo com o declamador, que em outra oportunidade falarei mais sobre ele, quando era menino escutava isso do seu pai, que sempre se lembrava do velho barbeiro. Se alguém souber a autoria dos versos ou tiver algo a acrescentar fique a vontade em comentar.

Estou gravando mais coisas, e com certeza voltarei a postar tudo que for interessante, pois conversa de bebo também é cultura.

Em Busca da Batida (de limão) Perfeita

Já falei sobre o zen e a arte de preparar caipirinhas em outro papo um dia desses, e frisei que um aspecto importante da receita seria a cachaça, e rechacei de imediato algumas marcas tradicionais. Nada de criar polêmica, mas cachaça industrializada dificilmente superará em qualidade e paladar uma boa cachaça artesanal, seja para se fazer caipirinha ou para tomar pura, mesmo. E algumas industrializadas fazem questão de não serem um primor de produto. E só são boas idéias na cabeça de algum publicitário que nunca teve que vomitar as entranhas no dia seguinte por overdose de água de Pirassununga.

Tomou cachaça industrializada...

Tomou cachaça industrializada...

Cachaça já foi sinônimo de bebida ruim e de péssima qualidade, já que o público para o qual era voltado normalmente era de baixíssima renda e que queria encher a cara com o menor custo possível sem se preocupar com frescuras, como qualidade do produto, bafo de onça ou nível de ressaca próximo à morte, por exemplo. Mas os produtores de cachaça resolveram investir na melhora do produto, tanto na qualidade quanto na imagem junto ao público, e hoje a bebida já goza de excelentes marcas e de um marketing bem favorável, a ponto de preocupar os produtores de run, principal concorrente da cachaça no mercado internacional. Hoje a cachaça mineira é bem famosa, mas cobra o preço dessa fama.

Na minha terrinha, pela última vez que conversei com meu consultor para

...e teve uma ressaca de matar!

...e teve uma ressaca de matar!

assuntos cachacísticos, a quantidade de marcas da branquinha no comércio girava em torno de 300. Sim, trezentinhas. Todavia, com registro (aquelas com lacre do Ministério da Fazenda na tampa) só deveria ter umas 50. E como os mineiros, os produtores paraibanos vem investindo bastante emqualidade e divulgação de seu produto, com ótimas marcas no mercado, como a Serra Preta, Serra Limpa, Rainha e Cigana.

Mas cachaça boa mesmo é aquela que a gente apanha direto do alambique. Lembro das vezes em que, quando viajava profissionalmente pelo interior do Estado, acabava me embrenhando no meio do mato em busca dessas fontes artesanais de água que passarinho (nem o do twitter) bebe. De certa forma parecia uma aventura quase clandestina descobrir essas paragens, onde dava para se conseguir um bom produto por um preço mais que honesto, com direito a degustação preliminar em canequinho (de madeira ou de lasca de côco seco) e uma boa conversa com o dono do pequeno alambique. E nessas é que descobri que a tão endeusada “cana de cabeça”, na realidade é a primeira leva da destilação do produto, que contém impurezas e possui péssima qualidade. A boa cachaça deve ser o “corpo”da produção, que deve descartar a “cabeça”e o “rabo”. Boa cachaça é saborosa e tem aroma agradável, não queimando na garganta e nem provocando rebordosa homérica. E melhor ainda se envelhecida em barris de boa madeira. Envelhecida dois anos então, é melhor do que uísque.

Essa sim é da boa!

Essa sim é da boa!

Lembro que ao iniciar na profissão de técnico, costumava atender um engenho nos arredores de Santa Rita, a poucos quilômetros de João Pessoa, para com sertar uma pequena central PABX. Logo na primeira visita saí de lá com duas garrafas de cachaça presenteadas pelo pessoal de lá. Não é das minhas marcas preferidas, mas a este preço… Fora que naqueles tempos eu só não bebia acetona pra não tirar o esmalte dos dentes. E obviamente, depois que meus colegas e chefia descobriram isso, nunca faltou “voluntário” para me dar carona a estes atendimentos técnicos. E nos posteriores empregos nos quais precisava viajar, oportunamente aparecia uma boa alma pra compartilhar do “segredo” de onde comprar uma branquinha, principalmente nas cidades do Brejo paraibano. E atendimentos em lugares como Sapé, Guarabira, Areia, Bananeiras e Solânea tinham o “plus a mais” dessas visitas etílicas, onde parte da diária de convertia em alguns litros de cachaça “para uso medicinal”.

Pode tomar que garanto que essa é da boa!

Pode tomar que garanto que essa é da boa!

Com o tempo deixei a vida de turista acidental, mas sempre que possível dava pra encomendar a um colega samaritano em viagem a estes locais privilegiados. E na falta desses, sempre dava uma escapulida à Cachaçaria Philipéia, onde o proprietário, cujo nome infelizmente esqueci por pura amnésia alcoolica, acho que é Roberto, além de fornecer cachaça trazida diretamente de algum desses alambiques, compartilhava seu vasto conhecimento sobre o assunto, em um ambiente bem freqüentado e de aparência deliberadamente rústica. Acompanhado de um caldo de peixe ou mocotó, ou ainda de algumas frutinhas.

Cachaçaria Philipéia, o templo da perdição etílica (Foto de Sarah Falcão, clique na imagem para ir a seu álbum)

Cachaçaria Philipéia, o templo da perdição etílica (Foto de Sarah Falcão, clique na imagem para ir a seu álbum)

Como no momento estou aqui no interior de São Paulo, preciso descobrir quais as boas cachaças que tenho a mão. Observei que pela proximidade com Minas Gerais, há algumas marcas mineiras disponíveis nas prateleiras. Preciso começar a descobrir alguma boa substituta para minhas brejeiras paraibanas, e a um preço honesto. Porque ainda não estou mijando ouro em pó para pagar quase trezentas pilas numa garrafa de Anísio Santiago. Há outras marcas mais conhecidas disponíveis as quais já tive oportunidade de bebericar, como a carioca Nêga Fulo e a paulista Sagatiba, as quais não são ruins, mas tem um sabor bem diferente das cachaças as quais apreciava lá pras bandas da Paraíba. Mas claro que já estou cavando alguma amizade que conheça essas paragens e algum bom alambique. Mas isso parece quase tão difícil quanto conseguir um fornecedor de drogas ilícitas.

No momento estou iniciando essa epopéia provando umas doses de uma garrafa a mim presenteada por um colega de trabalho chamada “Villa Velha” (a cachaça, não o colega). Com certeza á melhor que 51, 21 ou qualquer coisa oriunda de Pirassununga com número e não nome no rótulo. Mas perseguirei minha busca, nem que morra (de cirrose) tentando. E quem estiver aí em João Pessoa, dê uma passadinha na Cachaçaria Philipéia e tome uma por mim

Filho do carbono e do amoníaco

 

Uma homenagem a Augusto dos anjos

(publicado originalmente em Abril de 2007)


Hoje, dia 20 de abril, é aniversário de Augusto dos Anjos, que nasceu no engenho Pau d’Arco em 1884, na época município de Cruz do Espírito Santo (atualmente a área é do município de Sapé). Aproveitamos a efeméride para homenagear o poeta.

Leia Tudim... »

Pergunta Besta da Semana

Já que Zé Maranhão assumiu o governo da Paraíba, por que não o Zé Paraíba assumir o governo do Maranhão?

Receba a Blodega

Digite seu email:

Desenvolvido por FeedBurner

Bate-Boca

  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
  • suzilene: caraca o coelhinho é´loco e tarado e lindinho*-* fiado e´bom de mais. 100% play boy

Olha o Passaralho!

RSS

Blogueiros do Brasil

Clientela