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Os Diálogos de Botequim de Platão

Versão para os diálogos de Platão e Sócrates em um botequim de Atenas.
Sócrates e Platão se encontram no boteco de Esculápio chamado “O Partenon da Cerveja” para filosofar sobre os mais variados assuntos, obviamente acompanhados de um bom chope. Quando Platão chega, Sócrates já está em seu segundo chope.
- Puxa aí a cadeira, efebo. E aí, vai de chope? Eu já pedi algo para beliscarmos, também.
- Opa, tamos aí. E aí, por onde começamos?
- Para iniciar nosso diálogo de hoje, defina o que é um homem, meu jovem.
- Para mim, um homem é um bípede implume.
- Meio vago esse eu conceito, meu jovem. Ah, Esculápio trouxe o tira-gosto.
- O que é isso?
- Para você, deve ser um homem. Para mim, é um galeto assado. E é uma delícia com uma cerveja gelada. Esculápio, coloca aí no pendura, tá certo?
O garçom interpela:
- Fiado é foda, né, Sócrates? E quando tu vai me pagar estes penduras todos?
- Você precisa se conhecer primeiro, jovem, antes de perguntar as coisas aos outros. Por exemplo, já se questionou a respeito da democracia grega, do direito do cidadão, do porquê destes aumentos abusivos no preço da cerveja?
- Vai te lascar, Sócrates! Você com essa mania feia de responder aos outros com outra pergunta. O povo já ta puto contigo e quer ver tua caveira. Que cara mais mala!
- Apenas questiono as coisas e irrito, mesmo. Não tenho culpa se os poetas não sabem poesia ou e os governantes não sabem governar. Ou se os garçons não sabem fazer um galeto decente ou servir um chope com colarinho bem tirado, por exemplo.
- O galeto está ótimo, e não reclame que é fiado.Vou ao Oráculo de Delfos saber se vou receber esta grana algum dia…
- Ótimo. E se for sacrificar algum bode para ele, aproveita e prepara uma buchada para nós.
Platão interrompe e toma a palavra:
- Bem, admito que meu conceito de homem é meio vago. Mas um bípede com penas não necessariamente seria uma galinha. Por exemplo, o Clóvis Bornay tem plumas, mas é homem.
- Não o chamaria exatamente de homem -contradiz o garçom Esculápio.
- Não? E de que, exatamente, você chamaria?
- Citando o pré-socrático e porteiro Severino: “Mas é uma bichona!”.
- Mas que raça desunida…-diz Sócrates, com um sorriso maroto nos lábios
- Aí dentro, Sócrates! – reage Esculápio
- Criados e escravos são realmente raças inferiores a nós, pensadores – conclui Platão, ao interromper o garçom
- Inferior é a puta que pariu, Platão. Deixe dessa viadagem. Até porque você gosta mais é de ver um escravo por cima de você.
- O que você quer dizer com isso?
- Só sei que eu não sei de nada. Vou pegar a cerveja – diz o garçom, que ao se afastar, resmunga entre os dentes:
- Mas quem quiser saber quem é “o homem de Platão”, é só ir na Sauna Spartacus…
Platão volta ao diálogo com Sócrates:
- Olha só, Sócrates. Estava escrevendo uma alegoria representando o mundo real e o mundo das ideias. Eu vejo as pessoas como se estivessem presas em uma caverna, vendo apenas as sombras das coisas, enquanto a realidade está fora da caverna, e nós, filósofos, ousamos sair da caverna…
Esculápio, o garçom, volta e mais uma vez se intromete no diálogo:
- De novo esta história de caverna, menino? Isso tudo é falta de mulher! Você tem que parar de andar com esta bicha velha do Sócrates e esquecer estas suas paixões platônicas, jovem. Para curar uma paixão platônica, só uma trepada homérica! Vá visitar as bacantes e se distrair um pouco, pois você precisa sair da caverna.
- Esculápio, vai ver se eu estou na Acrópole, vai. E traga outra bem geladinha.
- Agora só tem Nova Schin!
- Nova Schin? Prefiro beber cicuta. Eca!
Se Ligue na Blodega!