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Poesias de Boteco – Parte 1

Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital
Quando sentamos para tomar uma, as conversas vão longe, e geralmente recaem sobre a porcaria da política, ou o último assunto da moda. No meu caso, procuro sempre molhar o bico, e todo o resto do sistema digestivo, regado a cervejas (litrão, já tomou?) e a uma boa conversa de boteco, que quase sempre, são sobre estórias do interior ou ainda poesias populares do qual eu dou um extremo valor.
Agora peguei a manha de gravar essas poesias declamadas em mesa de bar para que não fiquem perdidas num esquecimento profundo causado pelo álcool. Com um velho celular sobre a mesa pego algumas dessas piadas, poesias, prosas, contos e causos e os gravo, numa qualidade ruim de lascar, mas que dá pra transcrever. Agora com algumas na mão, resolvi colocá-las na Blodega e compartilhar com vocês, em doses homeopáticas, pois sei que não é a mesma graça e emoção que elas tem quando são declamadas após alguns copos. Para tentar contornar esse problema, vai uma dica: leiam embreagados!
A que se segue é de um poeta desconhecido do interior da Paraíba, cujo o declamador melado não lembrou o nome. Lembrou apenas que ele era o barbeiro de uma cidade pequena, e descobrindo que tinha uma doença que fatalmente o levaria a morte escreveu:
Sou um vivo semimorto no leito da desventura
Meu remédio é amargura e a tristeza é meu conforto
Remando o barco pro porto da esperança perdida
E a matéria convencida desiludida da sorte
Só esperando que a morte parta a corrente da vida
De viver tenho vontade, me esforço, luto e pelejo
Mas olho atrás e não vejo os dias da mocidade
Ja descambei da metade estou chegando ao fim
Nada pra mim é ruim, nem a saudade me afronta
E brevemente tira a conta dos dias que faltam a mim
De acordo com o declamador, que em outra oportunidade falarei mais sobre ele, quando era menino escutava isso do seu pai, que sempre se lembrava do velho barbeiro. Se alguém souber a autoria dos versos ou tiver algo a acrescentar fique a vontade em comentar.
Estou gravando mais coisas, e com certeza voltarei a postar tudo que for interessante, pois conversa de bebo também é cultura.
Filho do carbono e do amoníaco

Uma homenagem a Augusto dos anjos
(publicado originalmente em Abril de 2007)
Hoje, dia 20 de abril, é aniversário de Augusto dos Anjos, que nasceu no engenho Pau d’Arco em 1884, na época município de Cruz do Espírito Santo (atualmente a área é do município de Sapé). Aproveitamos a efeméride para homenagear o poeta.
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