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	<title>Papo de Blodega &#187; poesia</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Poesias de Boteco &#8211; O Peido que a Nêga Deu</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2011 01:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Otacílio Batista Patriota]]></category>
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		<description><![CDATA[Já estou eu aqui brechando as atividades da Blodega, mas ainda me recuperando da viagem, o que demanda cama e muito chá de boldo. Em breve as anotações do meu inseparável caderno preto devem se transformar em posts novos. Enquanto não volto ao ritmo normal de postagem, mais um &#8220;clássico&#8221; do cancioneiro, dessa vez um [...]]]></description>
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<div><img class="aligncenter" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/fart-bomb.jpg" alt="" width="450" height="353" /></div>
<div>Já estou eu aqui brechando as atividades da Blodega, mas ainda me recuperando da viagem, o que demanda cama e muito chá de boldo. Em breve as anotações do meu inseparável caderno preto devem se transformar em posts novos. Enquanto não volto ao ritmo normal de postagem, mais um &#8220;clássico&#8221; do cancioneiro, dessa vez um mote imortalizado por Otacílio Batista Patriota, &#8220;o peido que a nega deu quase não passa no cu&#8221;. Sintam a fineza do assunto.</div>
<p><em>A “nêga” tinha comido<br />
Da panela de um cigano<br />
Pimenta, sebo e tutano<br />
Cebola e peba dormido<br />
Foi tão grande o estampido<br />
Que se ouviu no Pajeú<br />
Toda praga de urubu<br />
Da caixa prego desceu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Na fazenda Gado Brabo<br />
Num casamento que havia<br />
Comeu tanto nesse dia<br />
Mocotó, feijão, quiabo<br />
Meia noite abriu do “rabo”<br />
Defecando o que comeu<br />
Toda prega se rompeu<br />
Na porteira do baú<br />
Quase não cabe no “cú”<br />
O “peido” que a “nêga” deu</em></p>
<p><em>Quando o “peido” quis fugir<br />
As tripas se revoltaram<br />
E o “cú” do “peido” vedaram<br />
Para o “peido” não sair<br />
O “peido” não quis pedir<br />
Mas o “cú” se arrependeu<br />
O “peido” inchou e cresceu<br />
Do jeito de um cururu<br />
Quase não cabe no “cú”<br />
O “peido” que a “nêga” deu</em></p>
<p><em>“Cú” seboso e vagabundo<br />
O “peido” tinha razão<br />
Um fundo fazer questão<br />
De um “peido” passar no fundo<br />
Mais veloz como um segundo<br />
Esse “peido” endoideceu<br />
Fez finca-pé no “suru”<br />
Quase não cabe no “cú”<br />
O “peido” que a “nêga” deu</em></p>
<p><em>Depois da grande explosão<br />
A “nêga” se aliviou<br />
A meninada apanhou<br />
“Caco” de “cú” pelo chão<br />
Pano de fundo e botão<br />
Caroço e casca de umbu<br />
Uma chibata de angu<br />
Do entre perna desceu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Não foi brincadeira não<br />
Quando o “rabo” estremeceu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Ribombou como um trovão<br />
Ela firmou-se no chão<br />
No tronco de um mulungu<br />
Levantou o mucumbu<br />
Abriu a tripa gaiteira<br />
Quando o “peido” fez carreira<br />
Quase não passa nu “cú”</em></p>
<p><em>Ela não tem cerimonha<br />
De “peidar” seja onde for<br />
Me disse Joaquim, senhor<br />
Que essa “nêga” senvergonha<br />
Viciou-se na maconha<br />
Mocotolina e pitu<br />
Bebe mais do que timbu<br />
No samba de Zé Bedeu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Quase não pode passar<br />
O chefe da caganeira<br />
O “peido” encontrou barreira<br />
Deu vontade de voltar<br />
Pois quem quer se libertar<br />
Enfrenta até canguçu<br />
Depois do maracatu<br />
A dona do “cú” gemeu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Eu não conheço valente<br />
Por muito brabo que seja<br />
Que não “peido” na peleja<br />
Vendo o perigo na frente<br />
Com o medo que a gente sente<br />
Mais ligeiro o “peido” vem<br />
Empurrado por xerém<br />
Cebola, feijão, quiabo<br />
Dizer na porta do “rabo”<br />
O valor que o “peido” tem</em></p>
<p><em>No mundo não há ninguém<br />
Pra saber mais do que eu<br />
O valor que o “peido” tem<br />
E o “peido” que a “nêga” deu</em></p>
<p><em>A “nêga” “peidou” peidou num trem<br />
Que ficou de bunda pensa<br />
Um “nego” pediu licença<br />
Soltou um “peido” também<br />
A “nêga” disse meu bem<br />
“Peido” grande só o meu<br />
Vale por trinta do teu<br />
“Peidei” melhor do que tu<br />
Quase não cabe no “cú”<br />
O “peido” que a “nêga” deu</em></p>
<p><em>Assim que o “peido” passou<br />
Fez a “nêga” uma careta<br />
A bunda ficou mais preta<br />
O “cú” abriu-se e fechou<br />
Um chifrudo perguntou<br />
O que foi que aconteceu?<br />
Um veado respondeu:<br />
Ainda não sabes tu!<br />
Quase não cabe no “cú”</em></p>
<p><em>O “peido” que a “nêga” deu<br />
O “peido” é coisa comum<br />
Chega para todo mundo<br />
Mas de não passar no fundo<br />
Talvez não haja nenhum<br />
Quando a “nêga” soltou um<br />
Fedendo a defunto nu<br />
Não escapou urubu<br />
Quem tinha venta perdeu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>“Peido” não sabe o que faz<br />
É comum cego sem guia<br />
Quase o “peido” não saía<br />
O volume era demais<br />
Para passar por detrás<br />
Foi tão grande o sururu<br />
Entre castanha e caju<br />
O caju foi quem venceu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Assim que o “peido” gritou<br />
Na chapeleta do fundo<br />
Na quadratura do mundo<br />
A voz do “peido” estrondeou<br />
Velho Amazonas deixou<br />
De lutar contra o Xingu<br />
A preta cor do muçu<br />
Disse ao “peido” o mundo é teu<br />
O “peido” que a “nêga” deu<br />
Quase não passa no “cú”</em></p>
<p><em>Se famoso quis ficar<br />
Dante sofreu na comédia<br />
Shakespeare, na tragédia<br />
Camões em Goa a nadar<br />
Teve Homero de cantar<br />
Os feitos da raça grega<br />
A que ponto o mundo chega<br />
Um peido eterno ficou<br />
Depois que imortalizou<br />
Uma “nêga” e o “cú” da “nêga”. </em></p>
<div class="zemanta-pixie"><img class="zemanta-pixie-img" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=a7207460-199c-80c4-a227-b4ffbbf45651" alt="" /></div>
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		<item>
		<title>Poesias de Boteco: O Plantador de Milho</title>
		<link>http://www.blodega.com/index.php/2011/03/16/poesias-de-boteco-o-plantador-de-milho/</link>
		<comments>http://www.blodega.com/index.php/2011/03/16/poesias-de-boteco-o-plantador-de-milho/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 14:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miolo de Pote]]></category>
		<category><![CDATA[Daudeth Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto cumpro minhas obrigações contratuais aqui sob o sol do Nordeste, venho rapidinho aqui na Blodega para, nesse espírito de nordestinidade, entreter a clientela com esse ótimo exemplo da poesia popular, a já clássica criação de Daudeth Bandeira. Divirtam-se e até mais. Preciso enxugar algumas ampolas de cerveja no mais breve tempo possível. O Plantador [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/corn_porn.jpg" alt="" width="457" height="328" /></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto cumpro minhas obrigações contratuais aqui sob o sol do Nordeste, venho rapidinho aqui na Blodega para, nesse espírito de nordestinidade, entreter a clientela com esse ótimo exemplo da poesia popular, a já clássica criação de Daudeth Bandeira. Divirtam-se e até mais. Preciso enxugar algumas ampolas de cerveja no mais breve tempo possível.</p>
<p><em>O Plantador de Milho</em></p>
<div>
<em>Sou eu caboclo da roça</em><br />
<em>Criado dentro da mata</em><br />
<em>Nunca calcei um sapato</em><br />
<em>Nunca usei uma gravata</em><br />
<em>Moro perto da cidade</em><br />
<em>Mas pra falar a verdade</em><br />
<em>Só vou lá de feira em feira</em><br />
<em>Ou quando há precisão</em><br />
<em>De batizar um pagão</em><br />
<em>Ou buscar uma parteira</em></p>
<p><em>No dia que registrei</em><br />
<em>O meu filhinho mais novo</em><br />
<em>O juiz estava nervoso</em><br />
<em>Brigando no meio do povo</em><br />
<em>Me chamou de maltrapilho</em><br />
<em>Sujo, plantador de milho</em><br />
<em>E disse mais uma piada</em><br />
<em>Dessas que a boca não cabe:</em><br />
<em>Matuto pobre só sabe</em><br />
<em>Fazer menino e mais nada.</em></p>
<p><em>O juiz não tinha filhos</em><br />
<em>Que enfeitassem sua vida</em><br />
<em>Eu conhecia a história</em><br />
<em>E fui direto na &#8220;ferida&#8221;:</em><br />
<em>O senhor está zangado,</em><br />
<em>Tem dez anos de casado</em><br />
<em>E a mulher não tem um filho;</em><br />
<em>A sua comida fina</em><br />
<em>Não contém a vitamina</em><br />
<em>Que há na massa do milho.</em></p>
<p><em>A minha família é grande</em><br />
<em>Dez filhos e a mulher.</em><br />
<em>Sua família é pequena</em><br />
<em>Mas é porque você quer.</em><br />
<em>A sua mulher lhe embroma</em><br />
<em>Quase todo dia toma</em><br />
<em>Anticoncepcional</em><br />
<em>Lhe vicia em novela</em><br />
<em>Dorme tarde e faz tabela</em><br />
<em>E esquece do &#8220;principal&#8221;.</em></p>
<p><em>Ouvi o senhor dizer</em><br />
<em>Que está gastando por mês</em><br />
<em>Mas de dez salários mínimos</em><br />
<em>Só com perfume francês</em><br />
<em>Diz que a vida é uma bomba</em><br />
<em>Que foi não foi leva tromba</em><br />
<em>Com mercadoria falsa</em><br />
<em>Comprar perfume estrangeiro</em><br />
<em>É pra quem possui dinheiro</em><br />
<em>Nos quatro bolsos da calça</em></p>
<p><em>Caro doutor, lá em casa</em><br />
<em>Ninguém nem conversa em luxo</em><br />
<em>A fora uma simples roupa,</em><br />
<em>O resto é encher o bucho</em><br />
<em>Não acostumei meu povo</em><br />
<em>Exigir sapato novo</em><br />
<em>Para as festas de São João</em><br />
<em>Ao invés de um colar de ouro</em><br />
<em>Compro a rabada de um touro</em><br />
<em>Pra se comer um pirão.</em></p>
<p><em>Lá ninguém fala em perfume,</em><br />
<em>O que há na minha casa</em><br />
<em>É cheiro de carne assada</em><br />
<em>Pingando em cima da brasa</em><br />
<em>Minha cabocla Maria,</em><br />
<em>Gorda, disposta e sadia,</em><br />
<em>Pra toda vez que eu quiser</em><br />
<em>Botar fogo na geléia</em><br />
<em>Para isso a minha &#8220;véia&#8221;</em><br />
<em>É mulher, sendo mulher.</em></p>
<p><em>Como, é galinha caipira</em><br />
<em>E não galeto de granja</em><br />
<em>Ao invés de coca-cola</em><br />
<em>Tomo suco de laranja</em><br />
<em>Com rapadura de mel.</em><br />
<em>E escute aqui, bacharel,</em><br />
<em>Conversa longa me atrasa.</em><br />
<em>Quer ver a mulher Ter filho?</em><br />
<em>Bote um plantador de milho</em><br />
<em>Pra dormir na sua casa.</em></div>
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		</item>
		<item>
		<title>Poesias de Boteco &#8211; Parte 1</title>
		<link>http://www.blodega.com/index.php/2009/09/29/poesias-de-boteco-parte-1/</link>
		<comments>http://www.blodega.com/index.php/2009/09/29/poesias-de-boteco-parte-1/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 19:51:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tio Xiko</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miolo de Pote]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[paraiba]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando sentamos para tomar uma, as conversas vão longe, e geralmente recaem sobre a porcaria da política, ou o último assunto da moda. No meu caso, procuro sempre molhar o bico, e todo o resto do sistema digestivo, regado a cervejas (litrão, já tomou?) e a uma boa conversa de boteco, que quase sempre, são [...]]]></description>
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<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/1225449527_joao_werner_mesa_de_bard.jpg" alt="Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital" width="420" height="314" /><p class="wp-caption-text">Mesa de Bar - João Werner - Foto Digital</p></div>
<p style="text-align: justify;">Quando sentamos para tomar uma, as conversas vão longe, e geralmente recaem sobre a porcaria da política, ou o último assunto da moda. No meu caso, procuro sempre molhar o bico, e todo o resto do sistema digestivo, regado a cervejas (litrão, já tomou?) e a uma boa conversa de boteco, que quase sempre, são sobre estórias do interior ou ainda poesias populares do qual eu dou um extremo valor.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora peguei a manha de gravar essas poesias declamadas em mesa de bar para que não fiquem perdidas num esquecimento profundo causado pelo álcool. Com um velho celular sobre a mesa pego algumas dessas piadas, poesias, prosas, contos e causos e os gravo, numa qualidade ruim de lascar, mas que dá pra transcrever. Agora com algumas na mão, resolvi colocá-las na Blodega e compartilhar com vocês, em doses homeopáticas, pois sei que não é a mesma graça e emoção que elas tem quando são declamadas após alguns copos. Para tentar contornar esse problema,  vai uma dica: leiam embreagados!</p>
<p style="text-align: justify;">A que se segue é de um poeta desconhecido do interior da Paraíba, cujo o declamador melado não lembrou o nome. Lembrou apenas que ele era o barbeiro de uma cidade pequena, e descobrindo que tinha uma doença que fatalmente o levaria a morte escreveu:</p>
<p style="text-align: center;"><em>Sou um vivo semimorto no leito da desventura<br />
Meu remédio é amargura e a tristeza é meu conforto<br />
Remando o barco pro porto da esperança perdida<br />
E a matéria convencida desiludida da sorte<br />
Só esperando que a morte parta a corrente da vida<br />
De viver tenho vontade, me esforço, luto e pelejo<br />
Mas olho atrás e não vejo os dias da mocidade<br />
Ja descambei da metade estou chegando ao fim<br />
Nada pra mim é ruim, nem a saudade me afronta<br />
E brevemente tira a conta dos dias que faltam a mim</em></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o declamador, que em outra oportunidade falarei mais sobre ele, quando era menino escutava isso do seu pai, que sempre se lembrava do velho barbeiro. Se alguém souber a autoria dos versos ou tiver algo a acrescentar fique a vontade em comentar.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou gravando mais coisas, e com certeza voltarei a postar tudo que for interessante, pois conversa de bebo também é cultura.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Filho do carbono e do amoníaco</title>
		<link>http://www.blodega.com/index.php/2009/04/20/filho-do-carbono-e-do-amoniaco/</link>
		<comments>http://www.blodega.com/index.php/2009/04/20/filho-do-carbono-e-do-amoniaco/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 14:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Naftalinas]]></category>
		<category><![CDATA[Ração de Traça]]></category>
		<category><![CDATA[augusto dos anjos]]></category>
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		<category><![CDATA[paraiba]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[pre-modernismo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Uma homenagem a Augusto dos anjos (publicado originalmente em Abril de 2007) Hoje, dia 20 de abril, é aniversário de Augusto dos Anjos, que nasceu no engenho Pau d&#8217;Arco em 1884, na época município de Cruz do Espírito Santo (atualmente a área é do município de Sapé). Aproveitamos a efeméride para homenagear o poeta. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/augustodosanjos.jpg" alt="" width="420" height="472" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em>Uma homenagem a Augusto dos anjos</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em>(publicado originalmente em Abril de 2007)<br />
</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><br />
Hoje, dia 20 de abril, é aniversário de <a class="zem_slink freebase/en/augusto_dos_anjos" title="Augusto dos Anjos" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Augusto_dos_Anjos">Augusto dos Anjos</a>, que nasceu no engenho Pau d&#8217;Arco em 1884, na época município de Cruz do Espírito Santo (atualmente a área é do município de Sapé). Aproveitamos a efeméride para homenagear o poeta.</em><br />
<strong><span id="more-165"></span><br />
<strong>Monstro de escuridão e rutilância </strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao trabalhar em uma empresa, cujo gerente estava se instalando na <a class="zem_slink freebase/en/paraiba" title="Paraíba" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Para%C3%ADba">Paraíba</a>, ele soube da campanha promovida por um jornal local para eleger “O Paraibano do Século”, e ele quis utilizar alguma citação ou poema do escolhido em material publicitário, e ele perguntou a mim se conhecia sua obra e se poderia citar um poema, verso ou frase que se adequasse. Era óbvio que meu gerente não conhecia os poemas do eleito, e é claro que não encontrei nada que pudesse ser usado de forma positiva em uma campanha publicitária de uma empresa. Se estivéssemos falando de <a class="zem_slink freebase/en/vinicius_de_moraes" title="Vinicius de Moraes" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vinicius_de_Moraes">Vinícius de Morais</a> ou de <a class="zem_slink freebase/en/carlos_drummond_de_andrade" title="Carlos Drummond de Andrade" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade">Carlos Drummond de Andrade</a>, acharíamos algo de positivo ou enaltecedor. Mas, em se tratando da obra de Augusto dos Anjos, isso é praticamente impossível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Born under a bad sign</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Classificar Augusto dos Anjos é algo meio espinhoso, já que ele viveu, cronologicamente, naquele hiato entre as últimas escolas literárias do século XIX e o início do Modernismo no Brasil, e por isso normalmente é classificado como pré-modernista. Só que seu estilo engloba tendências diversas, como o parnasianismo e o simbolismo, não sendo possível classifica-lo inteiramente em uma única escola literária. Em seus versos, temos ao lado de palavras rebuscadas e termos científicos, palavras como escarro, vermes, putrefação, podridão e outras pouco nobres fazem um antagonismo de efeito interessante. Essa mistura é a provável a causa de sua popularidade, que perdura até hoje. E o uso amplo de termos médicos e científicos em seus poemas garantiu que um exemplar do seu livro faça parte do acervo da biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao exemplo dos poetas românticos da fase “mal do século”, Augusto tinha uma obsessão patológica com a morte. Só que os românticos tinham uma visão bem idealizada da morte, como <a class="zem_slink freebase/en/alvares_de_azevedo" title="Álvares de Azevedo" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvares_de_Azevedo">Álvares de Azevedo</a>, no poema <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Lembran%C3%A7a_de_morrer">“Lembrança de Morrer”</a>, quando pede que “Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida/À sombra de uma cruz/e escrevam nela- foi poeta &#8211; sonhou &#8211; e amou na vida”. Augusto era bem mais pessimista, já que o que ele esperava da morte não era nada mais do que a deteriorização física, ou nas palavras dele, “em vez de achar a luz que os céus inflama/somente achei moléculas de lama/E a mosca alegre da putrefação”. Seu poema reflete todo o seu pessimismo e misantropia quanto à raça humana, sem maiores ilusões poéticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Poesia em tempos de cólera</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A época na qual ele viveu favoreceu a este estado de espírito. Eram tempos meio bicudos aqueles primeiros anos do século XX, onde uma euforia pelo novo deu lugar às perspectivas sombrias de uma possível guerra mundial entre os impérios decadentes da Europa. O clima geral era de pessimismo, e Augusto refletiu isso em sua poesia. Além disso, sua vida pessoal dava muitos subsídios para seu poema de necrológio, pois parecia que estava sob “a influência má dos signos do zodíaco”. Só para citar um exemplo, sua esposa teve um filho natimorto, e para o qual Augusto dedicou um <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Agregado_infeliz_de_sangue_e_cal">soneto</a>. Desde a juventude era tido como uma pessoa doente e dada a rompantes nervosos. Nas mesas de botequim já cheguei a escutar o boato de que ele teria cometido incesto com uma irmã, algo que obviamente não posso confirmar.</p>
<p style="text-align: justify;">No seu único livro editado, “Eu”, há poemas que se tornaram conhecidos e recitados Brasil afora. Seus mais famosos, são <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Psicologia_de_um_vencido">“Psicologia de um Vencido”</a>, <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Idealiza%C3%A7%C3%A3o_da_Humanidade_Futura">“Idealização da Humanidade Futura”</a>, <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Idealismo">“Idealismo”</a> e o mais citado de seus poemas, <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Versos_%C3%8Dntimos">“Versos Íntimos”</a>. Mas alguns de seus poemas são belos, apesar de serem inerentemente tristes, como “<a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/a/aanjos25.htm">Uma Noite no Cairo”,</a> “<a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/a/aanjos42.htm">A Ilha de Cipango</a>” e “<a href="http://rimas.mmacedo.net/index.php?Escolha=1&amp;Acao=2&amp;Codigo=485&amp;PHPSESSID=97a4674a31a130e8db8d71d42b741d5e">Debaixo do Tamarindo</a>”.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;">Durante sua vida, estudou direito e residiu em Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais, normalmente exercendo cargos de professor. Morreu com trinta anos, vitimado pela pneumonia, em 12 de novembro de 1914, na cidade de Leolpodina (MG), pouco depois de assumir o cargo de diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Seu amigo Órris Soares resolveu reeditar o seu livro, acrescentando outros poemas até então inéditos, e o livro saiu com o título “Eu e outros poemas”, título com o qual é reeditado até hoje. Seus poemas continuam tendo apelo popular, passando incólumes aos modismos e tendências destas últimas décadas e gerando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_dos_Anjos#Bibliogr.C3.A1ficas">inúmeros livros</a>, artigos e teses sobre sua obra. No início da década, foi eleito “O Paraibano do Século” pelos seus conterrâneos em uma campanha promovida por uma TV do Estado, tendo inclusive o voto de um paraibano ilustre que concorria com ele ao mesmo título: <a class="zem_slink freebase/en/ariano_suassuna" title="Ariano Suassuna" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna">Ariano Suassuna</a>, o autor de “O Auto da compadecida”.</p>
<p style="text-align: justify;">E, se sua carne foi entregue aos vermes, o poeta se perpetuou em suas palavras. Alguns chegaram a musicar alguns de seus poemas, como Arnaldo Antunes, que adaptou “<a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Budismo_Moderno">Budismo Moderno</a>” no disco “Ninguém”. A casa que pertenceu a sua ama-de-leite, a quem também dedicou <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Ricordanza_della_mia_Giovent%C3%BA">um poema</a>, hoje abriga o Memorial Augusto dos Anjos, nas imediações da cidade de Sapé, (PB). E, seja em um ambiente acadêmico ou em uma mesa de bar rodeada por boêmios com pretensões poéticas, a palavra de Augusto dos Anjos permanece viva e imutável. E, quem sabe, também o tamarindo de sua juventude, cuja sombra lhe deu abrigo e inspiração.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mais de Augusto dos Anjos na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_dos_Anjos#Bibliogr.C3.A1ficas">Wikipédia</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Poemas de Augusto no <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/augusto.html">Jornal de Poesia </a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">e no <a href="http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Categoria:Augusto_dos_Anjos">Wikia Poetry</a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O livro para <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=1772">download em PDF</a></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
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