Posts Tagged ‘São Paulo’
Retrato de Uma São Paulo Ideal
Nos últimos dias aqui pros lados onde ora me escondo o clima anda mais seco que a bunda do Lawrence da Arábia – se bem que, segundo as más línguas, não faltava quem quisesse regá-la. Mas o que importa é que o diacho da umidade aqui tá caindo no mesmo ritmo que a intenção de voto em José Serra, o que acarreta uma série de problemas, como de praxe. Aliás, São Paulo tem algum problema pessoal com o clima, ou vice-versa, já que ambos tem uma relação tempestuosa (com perdão do trocadilho), seja por chuvas torrenciais ou extremos climáticos ao longo de um único dia – a piada corrente é ter as 4 estações durante o horário comercial. Agora a praga da vez é o tempo seco. Na última sexta-feira foi registrado o dia mais seco do ano, o que deve ter sido pretexto mais do que suficiente para que muitos corressem em busca de socorro no boteco mais próximo – caso o fato de ser uma sexta-feira já não fosse pretexto forte o bastante.
Vendo esta situação periclitante me lembrou um texto do velho jornalista H.L.Mencken, de quem já falamos aqui nessa blodega. Em um texto ousado, se considerarmos a vigência da famigerada Lei Seca nos EUA, Mencken propõe para resolver os males do mundo que a humanidade fosse mantida ligeiramente alta. Segundo sua teoria, o homem, após uma pequena dose de algo mais forte do que água, seria incapaz de vilanias e crueldades, se tornando um pai melhor e uma pessoa mais gentil, sem a propensão de começar guerras ou coisas do tipo. E a proposta técnica para se concretizar isso seria aspergir a atmosfera com a dose adequada para que ninguém ficasse suficientemente sóbrio para fazer bobagens, como escrever manifestos do tipo “são paulo para os paulistas” ou eleger Maluf para algum cargo político.
Baseado na proposta do honorável Mencken, adapto sua sugestão para resolver os males da Paulicéia Desvairada, e já que está faltando umidade no ar, que a umedeçamos artificialmente, mas usando algo mais colorido do que água e que contenha mais que hidrogênio e oxigênio em sua composição química. E isso resolveria não só a sua momentânea secura. Esta solução certamente daria fim a uma série de problemas dessa metrópole. Com a população meia dose mais alta que o normal ela certamente deixaria de ser tão estressada e, por vezes, sisuda e biliosa, e as relações humanas melhorariam consideravelmente nessa selva de concreto. Até o trânsito melhoraria, já que estaria todo mundo incapaz de dirigir, de acordo com a Lei Seca, e aí não teríamos mais carros nas ruas. Todo mundo finalmente relaxaria nessa cidade, como bem desejava a ex-prefeita Marta Suplicy.
Se a ideia pode parecer absurda, principalmente pelos aspectos técnicos e práticos envolvidos, passaria a batata quente para entendidos no assunto. Quem sabe os engenheiros do ITA ou, quiçá, algum colega engenheiro da UFCG, mais especificamente aqueles que faltavam às aulas de cálculo às sextas para tomarem (cerveja) no CU – Cantinho Universitário, aquele bar em frente ao Campus. Estes certamente teriam o conhecimento e a inspiração para desenvolverem o aparato técnico capaz de levar a dose diária de Absolut às narinas de cada cidadão paulistano. E devidamente calibrada, para que ninguém recebesse sua dose em excesso, o que acarretaria milhares de cidadãos se agarrando e dizendo “voxê é meu amiguuu…”. Mas aí é problema para os engenheiros.
E digo mais: o candidato que apoiar essa iniciativa terá meu voto. Até lá, teremos que improvisar à moda antiga para vencer o ar seco. Garçom, mais uma!
Rapidinhas Carnavalescas de Sexta

I am be Back!

Só avisando que voltei de Sao Paulo, a cidade molhadinha, e sobrevivi ao dilúvio semanal. Em breve volto a postar na blodega. Nesse meio tempo tenho que esvaziar a caixinha das almas e correr atrás dos fiados devidos. Nesse meio tempo leiam o que escrevi sobre Ruy Castro para o site Mínimo Múltiplo, do colega Lucas Colombo
São Paulo, a verdadeira Veneza brasileira

Por essas e outras, acabei entendendo por que paulista chama semáforo de farol. E com meu excelente senso de oportunidade, vou abandonando o sossego aqui da blodega para ir no meio dessa muvuca aquática. Só espero que os taxistas gondoleiros, ao invés de cantarem, não passem a viagem inteira elogiando o Paulo Maluf. Em breve estaremos de volta. Por enquanto a blodega fica em piloto automático, com Tio Xiko de vez em quando tocaiando o movimento.

![Reblog this post [with Zemanta]](http://img.zemanta.com/reblog_e.png?x-id=ffb01753-dc90-882e-a466-a5700a1367fc)
Se Ligue na Blodega!