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	<title>Papo de Blodega &#187; spider jerusalem</title>
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	<description>Aqui Até a Conversa é Fiada</description>
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		<title>Transmetropolitan &#8211; De Volta às Ruas</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 11:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="max-width: 800px;" src="http://i562.photobucket.com/albums/ss63/blodega/V_trans1.jpg" alt="" width="267" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acabei de queimar uma graninha com os recentes encadernados da Panini. Um deles é “Transmetropolitan – De Volta às Ruas”, que reúne o início dessa série, uma das obras-primas de Warren Ellis, também culpado por coisas como “Planetary” e “Frequência Global” e certamente uma das melhores coisas que surgiram nos insípidos quadrinhos dos anos 90. Já havia falado um pouco sobre a série <a href="http://www.blodega.com/index.php/2009/10/05/o-destrutor-de-intestino-de-spider-jerusalem/" target="_blank">em outro texto</a>, mas para os que ainda não sabem do que se trata, é sobre o jornalista misantropo, junkie e gonzo Spider Jerusalem e sua luta patológica pela verdade num futuro cyberpunk, uma mistura das histórias do William Gibson e a persona de jornalistas como <a class="zem_slink" title="Hunter S. Thompson" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hunter_S._Thompson">Hunter S.Thompson</a>, com uma forte carga de crítica social e as situações e diálogos deliciosamente incorretos que Ellis costuma proporcionar sem apelar tanto quanto seu colega de ofício Mark Millar.</p>
<p style="text-align: justify;">Os primeiros números de Transmetropolitan chegaram a ser publicados aqui no Brasil, mas não os comprei, já que a editora pelo qual a série foi lançada (e que mudava de nome toda semana) tinha uma distribuição nada regular, e essa pérola – bem como outras – raramente chegava lá nos cafundós onde morava, e acabei lendo via scans, mesmo. De qualquer forma a série não durou muito. Aliás, a editora não durou muito, e os fãs do Spider Jerusalem ficaram órfãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse encadernado da Panini, saindo quentinho do forno, trouxe os seis primeiros números da série, e é intitulado “De Volta às Ruas”, mesmo título do arco de três histórias que abre o encadernado e apresentam o personagem saindo do isolamento e buscando um emprego na imprensa após 5 anos sumido, e em busca de garantir sua coluna semanal, o trampo e o apartamento imundo com seu sintetizador viciado, ele se mete em um confronto entre humanos transientes vivendo em um  gueto e as autoridades locais, devidamente aditivado com todo tipo de droga disponível, e sem se preocupar com sequelas, já que nesta época os remédios garantem sua qualidade de vida e longevidade, mesmo que fume 5 maços de cigarro diariamente ou se entupa de drogas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os outros três números seguintes contém histórias avulsas. As séries de Warren Ellis costumam ter histórias que podem ser lidas isoladamente, mas que estão relacionadas a série como um todo, trazendo alguma informação ou elemento relevante. No caso de “Transmetropolitan”, normalmente estas histórias isoladas apresentam algum aspecto característico do universo de eventos da série, que se passa no século 23 em uma metrópole simplesmente chamada de “A Cidade”.  Na quarta história, Spider ganha – ou melhor, lhe é imposta pelo seu editor &#8211; uma assistente, a estudante de jornalismo, ex-stripper e ex-guarda-costas Channon Yarrow, personagem que se tornará constante na série. Nessa história aparece pela primeira vez o atual presidente, conhecido como “A Besta” por obra e graça de Spider, e o “disruptor intestinal”, a arma capaz de causar homéricas caganeiras em quem sofrer o disparo. Na penúltima história, Spider resolve passar o dia diante da TV zapeando os milhares de canais disponíveis para tentar entender a atual sociedade, e antes dele ficar completamente entediado descobrimos quão perigoso é um aparelho telefônico nas mãos dele. Por último, o gonzo cyberpunk resolve escrever sua próxima coluna sobre as religiões e denominações que surgem aos montes diariamente, e sua presença em uma convenção destas novas religiões parece uma versão doentia do episódio bíblico no qual Jesus expulsa os vendilhões do templo.</p>
<p style="text-align: justify;">Duas pequenas ressalvas em relação a este encadernado: a tradução é nova e o texto parece correto, mas nas primeiras versões achei alguns diálogos mais interessantes do que nesta nova versão, mas não sei se a versão antiga foi mais fiel ao original ou se o tradutor foi mais “criativo”. Outra é que o encadernado veio pobre de “extras”, tão comuns em encadernados e que dão uma enriquecida no material. Tudo que veio, além das histórias em si, foi um texto introdutório do Garth Ennis, apresentando e recomendando a série. Nas edições avulsas lançadas anteriormente havia alguns textos muito bons. Mas nada disso tira o prazer da leitura desse clássico moderno que merece um lugar de destaque na estante, e espero que venham os demais encadernados, já que a série original durou 60 números, publicados entre 1997 e 2002, e foram lançados encadernados em 10 volumes lá na Obamalândia. Aliás, essa obra bem que poderia estar também nas bibliotecas de faculdade de jornalismo e se tornar leitura recomendada aos futuros jornalistas. Mas seria pedir muito quando nem diploma mais estão exigindo de jornalistas por aqui?</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, o outro encadernado que adquiri foi o “Sandman – Edição Definitiva”. E a heresia maior é saber que eu NUNCA lera uma história do Sandman antes disso. Pecado este que estou corrigindo devidamente e pelo qual paguei bem caro – literalmente. Mas isso eu falo em outro texto.</p>
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		<title>O Destrutor de Intestino de Spider Jerusalém</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 19:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moziel T.Monk</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hagá-Quê]]></category>
		<category><![CDATA[Miolo de Pote]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[spider jerusalem]]></category>
		<category><![CDATA[transmetropolitan]]></category>

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<p style="TEXT-ALIGN: center"><img style="display: block; margin-left: auto; width: 400px; margin-right: auto; height: 200px; text-align: center;" src="http://farm3.static.flickr.com/2477/3980653355_7486f13419.jpg" alt="boweldisruptor copy.jpg" width="400" height="200" /></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><em>E a arte de causar incontinência nos poderosos</em></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>Nota do Blodegueiro: Esse texto foi escrito originalmente para participar do Blog Carnival organizado por Hiroshi, o Carnaval de <a href="http://www.blogdohiroshi.com/carnaval-dos-quadrinhos-das-quartas/">Quadrinhos das Quartas</a> , na sua terceira edição, honrosamente convidado pelo <a href="http://quadrideko.blogspot.com/">Quadrideko</a>. Cada edição trazia um tema diferente do mundo dos quadrinhos, e cada blog participante postava algo a respeito. Para o primeiro que participei, o tema eram armas dos quadrinhos, coisas como o anel do Lanterna Verde, o Martelo de Thor ou o escudo do Capitão América. Escolhi algo não muito óbvio ou conhecido: uma pistola de raios que produz incontrolável caganeira. Sim, é sério. E achei pertinente trazer este texto de volta, já que andei falando de jornalismo em alguns textos recentes, já que o portador dessa &#8220;arma&#8221; é o jornalista Spider Jerusalem.</em></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em> </em>&#8220;E quem cacete é o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Transmetropolitan">Spider Jerusalém</a>, cazzo?&#8221; pode perguntar algum leitor mais desavisado. Se você não o conhece, não sabe o que está perdendo, mas vamos tentar dar uma ideia. Num visual e linguagem pra lá de cyberpunk, o insano Warren Ellis criou em 1997 a série &#8220;Transmetropolitan&#8221; cujo protagonista é o repórter Spider Jerusalém, uma mistura de <a href="http://www.blodega.com/index.php/2009/08/10/grandes-bebedores-hlmencken/">H.L.Mencken</a> e <a href="http://www.nerdssomosnozes.com/2009/10/hunter-thompson-e-o-fim-do-seculo.html">Hunter S.Thompson</a>, um escroto, misantropo, porra-louca e ermitão que se vê obrigado a abandonar seu isolamento e voltar a trabalhar em um jornal na &#8220;Cidade&#8221;, uma Babel caótica e futurista onde religiões novas surgem constantemente para se unir as dezenas de milhares já existentes, as propagandas invadem os sonhos das pessoas, há milhares de canais de TV disponíveis, convivem diversas mutações genéticas e estéticas alienígenas, pessoas transferem suas consciências para nuvens de nano dispositivos e humanos conservados criogenicamente são despertos apenas para serem rejeitados pela sociedade. Nesse mundo a mentira é notícia e a verdade é obsoleta. A principal arma de Jerusalém é a verdade. Como ele mesmo afirma, aponte a verdade para o alvo e mande tudo pelos ares. E como repórter polêmico, a máxima de Spider é a busca pela verdade, mesmo que para alcançá-la e divulgá-la ele precise atropelar a própria mãe com um tanque M1 Abrams.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Menos metaforicamente, ele também usa como arma uma curiosa pistola chamada &#8220;destrutor de intestino&#8221;, a estrela dessa matéria. Não estamos falando de um Cubo Cósmico, escudo de adamantium ou Nulificador Universal. É simplesmente uma pistola que provoca diarréia no coitado que estiver do lado errado do dispositivo, e na intensidade que se desejar, desde um simples desarranjo até um prolapso retal. Dá até medo tentar imaginar o princípio de funcionamento de uma bagaça dessas e o que diabos ele supostamente faz no sistema nervoso de alguém pra provocar um repentino tsunami intestinal totalmente involuntário.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">À primeira vista essa arma não parece tão glamourosa ou ter o mesmo apelo que uma manopla Witchblade, as garras do Wolverine ou o anel de energia de um Lanterna Verde. Aliás, nem a segunda ou terceira vista. O martelo de Thor pode invocar tempestades e rachar o chão, a cara de pau do Constantine engana o próprio capeta e as cápsulas de gás do Batman podem derrotar até o Galactus. Cadê o apelo de uma arma cujo poder é fazer alguém borrar as calças? Está mais para o ridículo.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Todavia, por mais absurdo que possa parecer, um repórter com uma arma capaz de causar caganeira nos outros é mais uma ótima sacada do Ellis. Realmente um jornalista é capaz de causar incontinência em muita gente dado o poder que tem em mãos. Basta lembrar os grandes magnatas da imprensa. Assis Chateaubriant se queria comprar um colar de diamantes para presentear a Rainha da Inglaterra simplesmente reunia o maior numero de empresários e levantava a grana. E ai daquele que não entrasse na vaquinha. Todos tinham medo de ter seu nome difamado nos Diários Associados, independente se era verdade ou não. E o paraibano Chatô nem se importava em exagerar ou inventar fatos quando queria lascar um. E isso deveria dar uma disenteria em muito cabra. Isso sem citar outros poderosos, como Roberto Marinho ou Willian &#8220;Cidadão Kane&#8221; Randolph Hearst. Em menor escala, repórteres podem derrubar presidentes ou acabar guerras. Basta lembrar a dupla de repórteres do Washington Post que denunciou o esquema Watergate e levou o presidente Richard Nixon a renunciar. Bem parecido com Spider disparando sua arma contra o próprio Presidente dos Estados Unidos, que deve ter transformado o piso do banheiro em algo parecido com um quadro do Pollock.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Obviamente que no mundo real quem detém o poder de fazer políticos, empresários e poderosos cagarem de medo não necessariamente usa tal poder para nobres causas ou tenham um maior compromisso com a verdade. Aliás, a grande maioria que usa dessa prerrogativa é tão ou mais escrota quanto nosso anti-herói Spider Jerusalém, por estarem comprometidos com causas menos louváveis e cagarem para a verdade.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Posto isso, nada mais adequado que um profissional da imprensa usar uma arma que provoque diarreia em políticos e poderosos em geral que se enquadrem em sua alça de mira.</p>
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