Posts Tagged ‘trash’
Motivos Para Esquecer os Anos 80

"Vem Dançar Mambolê!"
O saudosismo dos anos 80 tem tomado espaço na mídia fazendo a alegria dos saudosistas. Mas como todo saudosismo, sempre aparece aquela impressão de que “naquele tempo” era melhor. Uma porra, já que há coisas boas e ruins em todas as épocas, salvo períodos de guerra, peste, ditadura, caça às bruxas ou leis secas. Por isso, para não passarmos à geração Pokemon a impressão de que os anos 80 só tinham coisas boas, sentimo-nos na obrigação de lembrar algumas coisas que nossa memória afetiva querem esquecer. Por um bom motivo.
Guerra Fria
Ronald Reagan no governo americano, mísseis Pershing na Europa, guerras assolando a África e o Oriente Médio, programa Guerra nas Estrelas, o perigo constante da III Guerra Mundial, estudo dos cientistas mostrando as consequências de uma guerra atômica, além do filme “The Day After”. Por sorte os comunistas conseguiram acabar com o comunismo antes que a Guerra Fria transformasse o planeta em um Spa para escorpiões e baratas. O que não aconteceu por muito pouco
Yuppies
Um bando de jovens arrogantes que queriam ganhar seu primeiro milhão a qualquer custo, investindo no mercado de ações. Representaram o pior do american way of life. Além de vestirem aqueles blazers roxos com ombreiras ridículos, os caras eram fúteis até a medula. Um bocado deles acabou indo ver o sol nascer quadrado, por conta de irregularidades em seus negócios.
As Músicas do Mister Sam
Tudo bem que a macharia daqueles tempos adorava ver o rabo de Gretchen balançando no palco do Cassino do Chacrinha (e no Clube do Bolinha). Mas aquelas músicas (??) que ela cantava (!!) como se tivesse copulando com um ornitorrinco eram todas de autoria de um tal de Mister Sam. O rabo de Gretchen chegou ao século 21 intacto (ou quase), como pode ser visto naqueles DVD=s da “Brasileirinhas”. Já o Mister Sam, sabe Deus quem era esta criatura. Mas cada década tem o Mister Sam que merece. Para estes tempos, temos o Latino.
Hiperinflação
Overnight, cotação oficial e paralela do dólar, incontáveis planos econômicos (cruzado, verão, Bresser. Cruzado II, Collor e o cacete a quatro), remarcações diárias de preço, achatamento de salário, inflação mensal beirando os três dígitos. Uma beleza. Você não sabia quanto pagaria por aquele refrigerante no final da semana. Lembro-me que paguei TRÊS valores diferentes por uma Coca-Cola na mesma semana. Gibi, nem se fala. Não tinha salário (e mesada) que durassem. Em suma, a economia cresceu para baixo, igual à raiz e rabo de cavalo. Não é à toa que chamam estes saudosos anos de “década perdida”. Deixar o bolo crescer pra dividir depois meus ovos, Delfim Neto!
Fernando Collor
A grande promessa das elites para salvar a nação, já desacreditada de muita coisa. O caçador de marajás assumiu o poder confiscando a poupança do povo e afirmando que tinha uma arma com um único tiro para acabar com a inflação. O que deu é que a inflação continuou fodendo o povo e ele foi defenestrado do poder após o cunhado entregar o esquema todo e a casa cair. Era melhor ele usado o único tiro para atirar na sua cabeça
Governo Militar
Metade dos saudosos anos 80 viveram sob a ditadura militar do saudoso General Batista de Figueiredo. A imprensa era censurada, mas as torturas estavam cessando. E eu tinha que cantar o hino e hastear bandeira todo dia na escola. Mas o sincero Presidente Figueiredo deixou algo mais do que um país falido aos civis, devido a sua autenticidade: respondeu que atiraria na cabeça se tivesse que viver de salário mínimo, que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, achava seu sucessor civil um traidor feladaputa e não lhe passou a faixa presidencial, saindo pelos fundos, e pediu para que todos o esquecessem. Ah, tem também como legado um bairro que leva o nome de sua mãe, e onde morava o digníssimo Tio Xiko.
Reserva do Mercado de Informática
O que deveria ser um artifício de mercado para que a indústria nacional fosse protegida da concorrência externa para desenvolver tecnologia própria em informática, acabou como a maioria dos grandes planos nacionais: deu merda. Durante anos os brasileiros teriam que cagar dinheiro para ter acesso ao que havia de mais moderno lá fora para que as empresas nacionais aprendessem a montar um computador. Acabamos trabalhando com artigos inferiores, e quando o mercado se abriu, a indústria nacional não conseguia fazer um disquete melhor e mais barato que os concorrentes estrangeiros. Mais uma boa intenção que acabou calçando o caminho do oblívio.
José Sarney
Entrou na história graças ao acaso de ter o presidente titular morrido antes de assumir o cargo. Tentou acabar com a inflação com cruzado, maribondos de fogo, congelamento, fiscais do Sarney. Parecia que tudo daria certo, como teria que dar, mas faltou sorte, leite e carne. Tudo que conseguiu foi mais um ano de governo e aumentar a inflação. Tem que dar certo o caralho!
Cinema Nacional
Naquela época, existia e Embrafilme, que subsidiava produções nacionais com dinheiro público. Assim, o diretor não tinha maiores obrigações em dar lucro na bilheteria. Daí que saía cada bosta sob o pretexto de ser filme de ator, filme de arte…E o que se salvavam destas masturbações intelectualóides eram tecnicamente sofríveis. O melhor mesmo eram as pornochanchadas…
Cometa Halley
Sobre ele já escrevi um texto inteiro (que pretendo repuplicar), mas pra resumir a palhaçada, nas vezes anteriores que o cometa passara todo mundo pensava que o mundo iria acabar. Como isso nunca aconteceu, os marqueteiros resolveram então, ao invés de espalhar o pânico, vender tudo que é bugiganga em cima do hype da aparição do cometa, de caneta a filmes. O que ninguém comentou a época é que o cometa passaria tão longe da Terra que o espetáculo prometido não passaria de um pontinho no céu visível apenas por um puta telescópio. Ninguém sequer viu a cauda do cometa, e muito esperto encheu o rabo de dinheiro.
A Balada do Samurai

É ruim de doer, mas é bom
Esse é da série de filmes que de tão ruins se tornam cultuados e acumulam uma série de fãs. E esse em especial tem acumulado poeira na minha estante, já que é o único DVD do meu acervo que eu não consegui emprestar a ninguém, muito em parte pela propaganda negativa de minha digníssima esposa, que sempre quando ensaio um bote para exibir ou emprestar o filme, ela alerta aos amigos incautos e desprevenidos sobre a (falta de) qualidade do filme, com críticas sucintas do tipo “isso é uma bosta!”. Para sacanear, apenas descrevo o filme como um episódio dos Power Rangers filmado no sertão da Paraíba com figurinos da feira da Sulanca. Bem, quem sabe com essa resenha consiga convencer alguém a assistir a essa película no melhor estilo “sacaneei”.
Um “Kill Bill” genérico
Esse pequeno exemplo de incompetência cinematográfica se chama “Six-String Samurai” e foi lançado em 1998, e por aqui já recebeu o título “O Samurai do Rock´n´Roll”, mas atualmente é disponível em DVD com o título “A Balada do Samurai”. No universo do filme, a Guerra Fria acabou bem antes, já que a União Soviética bombardeou os Estados Unidos em 1958 e invadiu o que sobrou. O único bastião da civilização americana é a cidade de Las Vegas, que foi rebatizada para Lost Vegas e é governada pelo rei Elvis Presley. Sim, a premissa é essa, e não é nenhuma paródia escrita por nós. É sério. Ou quase.
O filme começa realmente quando Elvis morre e deixa vago o trono de rei de Lost Vegas. E o guitarrista e espadachim Buddy vaga pelo deserto de Nevada em direção à cidade para disputar a vaga deixada pelo eterno rei do Rock. No caminho ele se depara com gangues de roqueiros, mutantes, famílias canibais, tribo de doentes em roupas de apicultor, o que sobrou do exército vermelho e a própria morte em pessoa. Por sinal, a morte usa cartola e uma guitarra Falcon (seria o Slash da velha banda Gun´s´Roses?) e sai matando todos os possíveis guitarristas que se aventuraram pelo deserto em direção a Lost Vegas. E seguindo os seus passos, um garoto que Buddy salvara logo no início do filme e cuja mãe fora morta por mutantes canibais (ou o que quer que fossem aqueles caras maltrapilhos e sujos).
O culpado desse absurdo cinematográfico é o diretor Lance Mungia. E eu creio piamente que ninguém seria capaz de cometer tanta ruindade sem ser de propósito, só para fazer estilo. A produção é pobre de doer, os diálogos no filme não devem somar mais do que cinco minutos, já que a maioria dos atores não se preocupou muito com falas, principalmente o protagonista. As cenas de ação não chegam a ser um banho de sangue no melhor estilo Kill Bill, até porque Buddy não usa exatamente uma Katana Hatori Hanzo (ou porque faltou dinheiro para sangue cinematográfico). Mas bem que poderiam ser mais violentas para completar o ar “trash cult”. Pelo menos o visual pós-guerra decadente soa autêntico, num cenário natural que lembra os velhos filmes do Mad Max.
A trilha sonora , no melhor estilo rockabilly com uma pitada de polca, é toda de uma banda chamada The Red Elvises, que inclusive faz uma participação no filme. Não é brilhante, mas funciona legal.
Há algumas cenas interessantes, como quando o pretenso futuro rei de Lost Vegas sai no braço e espada com o exército vermelho, que representando bem o regime comunista, não recebe munição desde o final dos anos 50. E não deixaria de citar a batalha final entre Buddy e a Morte, inicialmente um duelo de guitarras seguido de porradaria e de um final completamente nonsense. Se você relaxar e não chegar ao final do filme com um “putaquepariu!” na ponta da língua, dá pra se divertir. Se não, era melhor ter dado ouvidos a minha esposa…
Mais ruindade informação lá no Fórum do FARRA
![Reblog this post [with Zemanta]](http://img.zemanta.com/reblog_e.png?x-id=7a78e732-6296-8b9c-a155-3c77c38cdad0)

