A Filosofia de Branchu

O pensamento vivo do sábio dos botecos

Os freqüentadores profissionais de botequim já devem ter citado ou escutado alguma citação do filósofo dipsômano, do sábio dos balcões, o etilicamente onipresente Branchú. Ao menos pelo Nordeste, sua sabedoria e frases de efeito contribuem para acalorar os debates, para coroar certezas, fazer amigos, influenciar pessoas ou simplesmente sacanear com o cotidiano. São verdadeiras pérolas da sabedoria popular.

Mas quem diabos é Branchú?

Sabe Deus, oras. Parafraseando Cecilia Meireles, não há ninguém que o conheça e não há ninguém que não tenha ouvido falar. Os bêbados inspirados sempre atribuem seus devaneios filosóficos ao sábio. Seria apenas criação do inconsciente coletivo dipsômano? Bem, só sei que as frases mais pitorescas e folclóricas da sabedoria popular acabam ganhando a autoria de Branchú, uma vez citadas no ambiente adequado.

No afã de descobrir se realmente existiu essa figura, empreendi uma pesquisa de campo nos estabelecimentos provedores de etanol para consumo recreativo, em uma epopéia de pesquisa que faria inveja à Câmara Cascudo. Infelizmente não houve tempo hábil para concluir algo de concreto, no máximo a suspeita de que tal criatura teria vivido no interior de Pernambuco, onde causara espanto e admiração por sua filosofia. E talvez também por seu fígado.

Mas tudo que se conseguiu de concreto com essa pesquisa de campo foi uma ressaca das brabas. Mas antes de entrar em coma alcoólico, confabulei com colegas de copo e chegamos à conclusão de que Branchu deve continuar como uma entidade misteriosa, sobre a qual pouco ou nada se saberia, talvez não mais do que apenas criação do inconsciente coletivo dipsômano, quiçá um fantasma, um geist a inspirar o pensamento dos profissionais da birita.

E para não perder a viagem, coletei algumas dessas frases que ecoam nas paredes engorduradas e encardidas das bodegas e botequins. Não procure muito sentido em algumas desses aforismos. Muitos deles parecem significar algo apenas depois de duas doses. E mesmo que nada signifiquem, causam um efeito interessante. Decorem algumas para vocês citarem em festinhas de salão. E se alguma nova idéia surgir, com certeza foi Branchú que a soprou em seu ouvido.

Assim como são os homens, são as criaturas.

Pior seria se pior fosse

Nem tudo que balança o rabo é diabo

Quem refresca cu de pato é lagoa

Ao redor do buraco tudo é beira ou, a depender do caso, Tudo ao redor do buraco é bunda

Enquanto houver língua e dedo, mulher não me mete medo.

A vida nada mais é que a reprodução autocatalítica dos polímeros macromoleculares (hã?)

Dinheiro não traz felicidade, manda buscar.

Para cada passarinho na gaiola, há dois voando.

Quem morre de véspera é peru

Boca que tem o que falar, pra mim não cochicha…

Nem toda merda vem do céu e nem todo ser alado tem cu

Antes ser um bêbado conhecido do que um alcoólico anônimo

Toda mulher precisa casar-se um dia, o homem nunca.

Cu de pato não é gaveta

Liberdade é cagar de porta aberta

Ter ciúme de mulher feia é como pôr alarme em Fiat 147

Desgraça e bunda só prestam grandes

facebook comments:

10 Pediram Fiado para “A Filosofia de Branchu”

Peça Fiado

Receba a Blodega

Digite seu email:

Desenvolvido por FeedBurner

Bate-Boca

  • Pedro Nunes Araujo: Consultando, ou comprando a vista, informações detalhadas sobre “Gisele, a espiã nua que...
  • Moziel T.Monk: Vejo que esse “travamento” já alcançou proporção de ser classificado como síndrome....
  • Emilia Vaz: (Eu peço fiado,mas pago viu?) Não me acho uma escritora,mas eu juro que tento…rsrs É bom saber...
  • André: Adorei,sempre escutava essa filosofia do meu pai !!!!!!Branchu.
  • suzilene: caraca o coelhinho é´loco e tarado e lindinho*-* fiado e´bom de mais. 100% play boy

Olha o Passaralho!

RSS

Blogueiros do Brasil

Clientela